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Entrevista: Robson Véio, Banda Lumpen-BA

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Nelson Maca · Salvador, BA
30/10/2008 · 139 · 18
 

Tenho falado, nos quatro cantos perimetrais aonde chega a minha voz, de minha admiração pelo Irmão Robson Véio. O cara é uma dessas pessoas que realmente questionam, sem folclore, nossas mais arraigadas convicções. Tenho lido muitas coisas agressivas por aí. Tenho tido contato com muitos revolucionários virtuais por aí. Enfim, mesmo simpáticos ou travestidos de rebeldia, principalmente na net, os comédias nos cercam cada vez mais: em número ampliado e na distância reduzida. Se você não está preparado para ler posturas tão divergentes sobre a questão do “especismo” ou da postura política ou mesmo da negritude no “Punk”, por favor, pule esta página. Quem vai falar, abaixo, é o Robson Veio, um raro “falso baiano” que insiste em desobedecer as demandas folclorizantes das baianidades televisivas que no rebaixam. O Irmão Robson Véio, vocalista e letrista da banda Lumpen, chega de mansinho e vai inoculando na galera uma rebeldia profunda de tão desapercebida que chega. Vai mostrando que há um sentido político até no leite que tomamos. Temos tido conversas sem fim sempre com overdoses de café preto, nossa viagem drogada em comum! Questões sobre Música, Punk, Veganismo, Pornografia divergente sem culpa, Rap, Anarquismo, Sindicalismo, Campanha política e muito mais circulam nas linhas abaixo. Boa viagem, para quem é de viagem! Apenas peço que leiam comedidamente, pra, depois, não querer sair mudando o mundo já hoje e na marra! rsrsrsrsrsrsrs

Nelson Maca – Blackitude.Ba / Fanzão do Cara!

Nelson Maca - Quem é o Robson Véio exatamente?

Robson Véio - Tento ser uma eterna incógnita, pois não creio em “exatamentes”. Prefiro o trânsito a estabelecer uma identidade fixa, definida... mas, como perguntou, posso dar algumas pistas. Uma criança preta que já alisou o cabelo quando pequeno, que andava de cabeça baixa e sabia que existia alguma coisa errada com o mundo. Um jovem que teve a dádiva de conhecer o Punk, o HIP HOP, os LIVROS, pessoas especiais e amantes inesquecíveis. Um velho que se nega a ficar parado, que prefere arriscar, estar errado em suas decisões do que se manter em um lugar já estabelecido seja pela sociedade, por qualquer movimento, bandeira ou relacionamento amoroso mascarado com frases de efeito. Sem falsa modéstia... Autodidata das ruas, Doutor em nada, hahahhaa.

- Apesar de presente na nossa vida cotidiana e até mesmo apropriado por modismos, o Punk ainda é um desconhecido para a maioria. Há imagens positivas e negativas, principalmente com relação ao conflito étnico. Como estão estabelecidas essas linhas do movimento? Qual é a sua?

- O Punk, como se conhece hoje, surgiu aos olhos do mundo na década de 70, no meio suburbano da Inglaterra, como resposta ao estilo de vida vigente. Músicas quilométricas que não serviam para dançar, um movimento hippie todo colorido, pedindo paz e amor em um mundo cheio de problemas... foi quando o Punk gritou BASTA! Em contraponto, surgiram roupas pretas, cintos de arrebite, uma atitude agressiva, a vontade de mudar o mundo e músicas de dois minutos, para dançar e fazer uma catarse em grupo. Como não poderia deixar de ser, no Brasil, ele chegou com força total nas periferias, dando alta estima aos jovens. O Punk, como outros “movimentos”, na impossibilidade de ser abatido, foi apropriado pelo mainstream. Isso se estivermos falando aí da expressão musical, pois as idéias do Punk continuam batendo em vários corações e movendo pessoas a continuarem transformando sonhos em realidades.
Sobre positivo e negativo, pra mim o punk sempre foi “oriental” neste sentido, circular como as culturas africanas. Sair hostilizando pessoas que nos tratam como invisíveis, tocando músicas barulhentas e adorando ser feio em uma sociedade que quer obrigar tudo a ser belo, seja lá o que isto possa significar, é positivo ou negativo? O PUNK É PRETO! Bob Marley já atestou isto. O que acontece é que conseguiram, mais uma vez, nos enganar, como fizeram com outras coisas, dizendo que isto não é coisa pra nós. O mundo é nosso, parceiro, e não devemos deixar ninguém tomar seja ele da cor que for. Prefiro não definir linhas... deixo para os estudiosos. Quer saber se me assumo como Punk né, hahaha. Se for como adjetivo, sou mais Punk que nunca!!

- Qual a sua experiência específica no Punk? Que relação podemos estabelecer com o lema “do it you self” (faça você mesmo!)?

- Bem, tudo começou pela música. Sempre fui apaixonado por ela e o Punk me mostrou a possibilidade de namorá-la sem precisar planejar casamento... apenas por prazer e a vontade de expressar meus sentimentos. Em Castelo Branco, bairro da periferia de Salvador onde eu morava, formamos uma banda onde a bateria foi feita com tonel de água, partes de timbal, parafusos e outros adereços... a falta de dinheiro solucionada. Mas uma banda só era pouco para nossos anseios. Então fizemos um fanzine (SEM NEXO) que, além de falar de música, tinha matéria sobre transporte, poesia, textos... fotocópia, montagem de imagens, e distribuição de mão em mão. Aí, em 89, tive a dádiva de conhecer a loja Not Dead e, lá, mudar de vez minha visão de mundo. Depois disso, contribuir em fanzines, escrevendo, financiando (era um dos poucos que tinha um trabalho fixo), distribuindo. Toquei em várias bandas, organizei eventos etc... Específico nunca fui, o que, como já falei, é uma qualidade pra mim e um espinho na mente de muitos. Sempre andei com os caras da Vermes do Sistema (Gang Punk), mas não participava da gang, andava com os AnarcoPunks, mas não era do MAP (Organização AnarcoPunk). Contribuir em vários lugares sempre foi minha escolha, até porque a maioria deles não está aberta para mudanças em suas estruturas. Como diria o amigo Carlos Prozato, gosto de “transitar por todo los espacios”. Do it you self? Hoje posso dizer que é uma escolha que faço, que possibilita manter autonomia, mas, na época, era NESCESSIDADE! Se não fizéssemos, ninguém faria por nós até porque não se tratava de conseguir dinheiro pra fazer eventos, mas sim de mudar o mundo.

- Você participa de várias iniciativas político-culturais na Bahia e Brasil. Fale um pouco da experiência no Telefanzine, Quilombo Cecília, Espaço Insurgente-Casa MUV...

- O Telefanzine foi minha escola. Ednilson Sacramento foi e é uma das pessoas que sempre penso quando bate aquele desgaste e a pergunta que nos roda com o tempo: será que tudo isto vale a pena? Ele, junto com Jardelice, foi um dos responsáveis pela loja Not Dead, pela loja Haikai, entre outras coisas. Foi o idealizador do Telefanzine, assim... Pegou um sistema de caixa postal por telefone que possibilitava editar mensagens em um tempo considerável e montava, diariamente, um programa que podia ser ouvido após ligar 533-6640 e, ao fim deste, deixar sua mensagem, que seria ouvida e, a depender, entraria nas próximas edições. Eu Fazia um bloco sobre hardcore, comentando sons e falando sobre vegetarianismo, política, etc... Quilombo Cecília é outro marco na história daqui. Um verdadeiro quilombo encarnado em uma casa no centro de Salvador, Pelourinho, onde todos puderam ter experiências incríveis com teatro, dança, capoeira, literatura, poesia, alimentação natural, HIPHOP. Inclusive lá que se deu o início, de fato, às discussões étnicas dentro do Punk e do Anarquismo em Salvador, o que gerou conflitos, discussões, brigas e muito aprendizado. Bem, fizemos uma ocupação de uma casa abandonada e lá foi criada a Casa do Estudante, um espaço que deveria aglutinar estudantes independentes que, por não participarem de nenhuma organização estudantil institucional, ficavam, muitas vezes, excluídos do movimento estudantil. Com a desocupação violenta da casa, algumas pessoas procuraram o dono de uma casa ao lado que também estava abandonada e, depois de acertos e um aluguel barato, surgiu o Espaço Insurgente com uma proposta mais voltada pra Contracultura. Como eu sempre estava participando ativamente de todos estes projetos quando as pessoas responsáveis tiveram que mudar de estado, passaram o peso de vez pra mim e pro Fabiano (Estopim rec.). Surge, então, a CASA MUV, um trocadilho com movimento uniformemente variável e uma homenagem ao MOVE uma família de revolucionários. Palestras, filmes, debates sobre tudo que você imaginar e parcerias com vários outros grupos como a Blackitude e a galera da Positivoz. Inclusive foi lá na MUV que aconteceu a primeira Fora de Orbita Rap. É muito difícil passar o que aconteceu nestes lugares, o que aparentemente não difere de outros espaços espalhados pelo mundo se não fosse a maneira peculiar de como as coisas aconteceram ... mas aí teria que escrever um livro e não ia nem chegar perto dos “fatos”...

- Você teve uma atuação central na A.DL. (Animal Defense League) e pratica e divulga o Veganismo. Explica o que é isso tudo.

- O veganismo é uma decisão de como queremos nos relacionar com outras espécies. Partindo do principio que não concordamos com a opressão de um gênero pelo outro, de uma etnia pela outra, de uma opção sexual pela outra etc... não tem lógica defender, mesmo de maneira supostamente inconsciente, esta opressão sobre seres de outra espécie. O Vegano se alimenta de produtos que não sejam derivados de animais, ou seja, são estritamente vegetarianos, sem carnes, leite, ovos, mel. Se veste com roupas que não tenha couro, não freqüenta locais como circos, rodeios, rinhas, zoológicos e outras cadeias onde o entretenimento (???) seja usar animais para satisfazer nossa curiosidade ou desejo de adrenalina. Cabe lembrar que, infelizmente, dentro dos movimentos sociais, o Veganismo é ignorado, tratado com desdém, como algo de cunho pessoal, não lembrando estas mesmas pessoas que, até pouco tempo, a defesa dos direitos do negro, da mulher, dos homossexuais era exatamente a mesma coisa, idéia de gente “muito radical”. Os animais não-humano – é, às vezes esquecemos que também somos animais - não são propriedade e, sendo assim, não podem ter sua vida e morte decididas por nós. Não pensar seriamente nisto é cômodo e uma prova que, na maioria das vezes, nos preocupamos apenas com nosso umbigo e o discurso político é apenas para maquiar esta prática. A A.D.L. foi dissolvida faz tempo. Foi onde aprendi muito sobre como organizar as coisas, a necessidade da criação de redes, além de poder participar de um experiência em nível mundial, feita de maneira autônoma e horizontal. Hoje estamos organizando um evento para a criação de uma rede de ativista local e continuamos divulgando o Veganismo, pois os animais não tem “voz”. Veganismo não é uma escolha pessoal, assim como ser machista ou não, ser racista ou não, nada tem a ver com o nosso querer, e sim com uma decisão política.

- O que você chama exatamente de “Política Divergente”? Que ações entram aí?

- Acredito que possamos dar este nome a tudo aquilo que construa uma discórdia e saia dos padrões tradicionais de se fazer política. Um dos grandes erros pra mim, em relação aos nossos anseios, é exatamente que pautamos as coisas pelo que não queremos e não pelo que desejamos. A idéia de sermos oposição nos é bem mais fácil de administrar do que a necessidade de construir coisas. Um exemplo disto é que estamos sempre reclamando das Universidades, dos governos, das relações econômicas... de tudo. Caímos na armadilha de acreditar que existe algo errado com estas relações quando na verdade está tudo certo, elas são realmente assim, foram criadas pra serem assim. O que varia é como e o grau de repressão que elas vão aplicar para continuarem funcionando. Divergir é acreditar que a saída é “para fora”. Isto não quer dizer que não devamos lutar por políticas públicas, por ações afirmativas, melhores condições de trabalho, pela implantação de governos democrático, mas que tenhamos a certeza que estas medidas devem nos servir de fôlego, para respirar para a “Grande Batalha”. O fenômeno Obama nos mostra muito bem sobre o que estou falando, pois, mesmo sendo um candidato liberal, o que traz uma perspectiva de uma outra política, já fez declarações que vai manter a “agenda Bush” de expansão do império. Então o que possivelmente veremos é uma menor exclusão dos oprimidos, mas não uma maior inclusão. Menos bombas e mais sanções e embargos econômicos. Ações posso citar a quebra de direito autorais, a internet, software livre, a cultura do sample, as moradias coletivas, relacionamentos coletivos, espaços autônomos, as cooperativas, etc...
Sendo prático... a moradia coletiva pode ser uma alternativa viável, imediata e real para a falta de moradia, as dificuldades com trabalho, etc... A criação de projetos para alfabetização de crianças uma alternativa para a educação cheia de preconceitos que recebem... A criação de universidades livres uma opção para elas serem realmente uma casa de conhecimento. Na moral, se realmente queremos fazer a tão cantada revolução, só criando um outro mundo com outras relações com tudo. O que resta saber é se queremos pagar o preço. Se fosse possível hoje resolver os problemas do mundo, apenas abrindo mão dos carros particulares... ou da televisão...ou dos celulares...eu disse todos os problemas do mundo... ainda bem que isto não é possível, pois saberíamos qual seria a resposta da maioria esmagadora das pessoas. Estamos apaixonados por esta merda toda; este é o nosso maior problema.

- Como você concilia suas posturas com sua atuação de sindicalista? Como você convive com a contradição que denota a participação dos sindicatos na política partidária? Ou você não reconhece essa contradição?

- Tem cinco anos que faço parte da direção do Sindicato dos Comerciários de Salvador e, durante este tempo, tenho tido uma aprendizagem muito grande em relação aos limites que se estabelecem na atuação das relações políticas dentro deste sistema que vivemos. A nossa luta no sindicato é de extrema importância para estabelecermos uma resistência e um avanço nas relações no trabalho. Há muito que larguei a postura cômoda de ficar apenas procurando defeitos, prática esta muito comum entre os mais “radicais”. Para desenvolver ações é preciso levar em conta as condições reais, o contexto aonde vai ser aplicada estas ações, pois posso ter idéia perfeitas e planos precisos, mas, quando colocados em prática, é que veremos o que irá acontecer. Um exemplo foi a “Revolta do Buzu”, que teve uma grande rejeição dos estudantes em relação à participação dos partidos, das organizações estudantis oficiais e, depois, não manteve uma constância nesta atuação. Eu sempre falei que, entre não querer ter um líder e o desejo em se auto-organizar, existe uma distância imensa. A participação dos sindicatos na política partidária acaba sendo natural desde quando a maioria dos sindicatos tem suas diretorias formada por pessoas que estão filiadas a partidos. Eu estou trabalhando ativamente na campanha de reeleição a vereador de Oliveira que é um companheiro do sindicato e que tem um projeto e ações que acredito sejam de extrema importância para os trabalhadores e para a cidade de Salvador. Se não acreditasse no projeto, não faria a campanha, isto pra mim é ser autônomo. Não sou do tipo que “quanto pior melhor” pra poder ficar falando “tá vendo... tá vendo que falei!”. Eu torço que Obama faça uma grande diferença até pelo histórico dele e as ligações que seu passado mostra com causas muito próximas da minha. Como falei antes, ele pode nos dar um bom fôlego; eu votaria nele sem pestanejar. O mundo não se divide de maneira tão simples entre bem e mal, certo ou errado, como alguns querem colocar. Eu sou sincero, prefiro uma revolução com uma sábia liderança do que um jogo de dominó sem lideres, horizontal e baseado no consenso. A contradição sempre faz visitas a todos os ativistas e revolucionários, mas não chega nem perto dos que apenas pensam.

- Fale um pouco de sua experiência com o Rock?

- Tudo começou com a Blitz que foi o primeiro grupo que me apaixonei realmente. Antes houve outros grupos, mas, naquele momento, acredito que toda aquela história do teatro, da mistura, experimentação, as letras faladas me fizeram pela primeira vez pensar em ter um grupo. O Rock era a música que embalava toda aquela coisa do sexo, drogas, rebeldia e insatisfação, e Castelo Branco era o palco perfeito. Toda minha “desenvoltura” sexual devo às noites loucas deste bairro maravilhoso. Meu primeiro grupo foi o Combat D' Front, depois vieram o Acracia, um show com a Pesadelo (nunca me esqueço!), a No Deal, Sem Acordo, Lascívia, Lumpen e agora estou junto com Nando e Blequimobiu, gravando uns trampos de Rap num coletivo maluco que trampa com vídeo, fotos, eventos relâmpagos e o que mais aparecer, hahah.

- Faça um release da LUMPEN, sua formação e estética, sua filiação à Estopim Records e à “Associação de Bandas Independente da Bahia”? O que temos de material da banda? Que eventos participam normalmente? Aproveita e localiza o selo para nós.

- A Lumpen é uma tentativa previamente frustrada de fazer a música impulsionar transformações. Falo frustrada de maneira positiva, pois estou sempre insatisfeito e querendo avançar. Sempre acho que algo não deu certo e que tenho que melhorar. Somos uma banda de Hardcore como milhares de outras que talvez se destaque por assumir isto. A idéia quando concebi este nome foi “desviar” o sentido original que coloca as pessoas despossuídas, desempregadas, o Lumpen social, como não decisivas no processo revolucionário e mostrar que a transformação virá destas pessoas, pois nós estamos presos demais neste emaranhado de produtos para nos arriscarmos. A Estopim está comemorando 9 anos de atividades com 23 lançamentos e o Fabiano, além de tocar guitarra na Lumpen, é uma pessoa que tem uma paixão muito grande pelo que faz. Como diz o lema da ESTOPIM: “Independente por Opção!!”. Temos um CD gravado que se chama PELO BEM DA HUMANIDADE DIGA NÃO À PAZ que pode ser baixado de graça no JAMENDO, pois as cópias “físicas” estão esgotadas. Temos um clipe, que foi dirigido pelo nosso irmão Felipe “Psico” Franca, e estamos atualmente trabalhando no novo CD, que contará com versões de bandas que já tocamos e outras - como Escato, Bosta Rala, Execradores e Versu2 - que nos influenciaram em momentos diferentes de nossa vida. Tocamos muito tempo em eventos que nós mesmos organizamos e também em turnês com bandas de outros estados; festivais com palestras, vídeos e outras coisas, mas principalmente na CASA MUV, que era um espaço que mantínhamos. Os últimos sons que fizemos foram muito bons: um na Casa da Arte, organizado por Led, e outro que tocamos junto com o Nova Aliança Negra (Rap) no projeto MusicArte, do irmão Robô da banda Con-Fusão. Iremos tocar dia 11 de outubro de 2008 no Festival Bom Bahia na Praça Teresa Batista - Pelourinho.

- De onde vem sua “inspiração” como letrista? Qual o espaço da literatura em sua vida?

- Me inspiro nas coisas que assisto, nas longas conversas que tenho com os amigos, na literatura política e em coisas como os Comunistas de Conselho, Situacionistas, Cristão Primitivos, Magia do Caos, Taoísmo, Xamanismo, Literatura e filmes com temática pornográfica divergente (Vida longa a Belladona!), Múmia Abul Jamal, MOVE, John África, Krs-One, Starwalk, etc.. Sou o rei do plágio, amo esta coisa de recombinar palavras e idéias. Minha cabeça é totalmente desorganizada e a literatura na minha vida funciona assim, me deixando mais desorganizado e cada dia mais “Agnóstico Criativo” como diz Robert Anton Wilson,

- E o hip hop? Como se deu esta chegada? Por que a Blackitude?

- Foi em 1989, na loja Not Dead, que Rose lima, Poetisa e Punk, chegou de São Paulo e falou literalmente: “Porra Animal tem uns caras fazendo um movimento chamado Hip Hop que é igual a nós só que o som, o Rap é meio discoteque, mas é protesto, os caras são Punks, Periferia Também!”. Foi aí que ouvi a música Luz Negra do Thaíde e Dj Hum que despertou em mim a faísca da Negritude com consciência.
Depois disso tive a felicidade de acompanhar o surgimento da Cultura HIP HOP aqui em Salvador e conhecer uma rapa que tá no corre até hoje e outros que sumiram. Acredito que contribuí de alguma maneira pras coisas estarem como estão hoje. A Blackitude foi aquele tipo de relacionamento que, quando damos por si, já estamos morando juntos. Sempre tento contribuir em qualquer lugar que estou e com a Blackitude não foi diferente. Sempre tava nos eventos, vendendo ingressos, carregando coisas, dando opinião e, como na época, meu irmão e agora Compadre Blequimobiu fazia parte, a paixão foi inevitável. Depois da primeira transa, o amor só aumentou, levando ao casamento, com todas as brigas, raivas, alegrias e momentos inesquecíveis que sempre acompanham as paixões. Que romântico, hein Maka... hahaahaha. Não sou muito bom de falar sobre o passado, pois, nos meus 37 aninhos, vi e vivi muita coisa e tenho medo de parecer pretensioso... já sendo né?!

- Fica o espaço para suas considerações finais. Deixe seus contatos, parceiro.

- Queria mandar um salve especial para Nando, parceiro no Coletivo ARTERISCO, pros parceiros que estão colados aí nesta nova empreitada: Blequimobiu, Fabiano, Coscarque, Spock, Diego, Da Ganja, Freza, Dj Leandro, Dj Indío e toda Família POSITIVOZ!
“Assim fica difícil estragar!!!”.
Um Salve pra toda Família Blackitude, principalmente pra você, Maca, pela amizade, conversas e incentivo constante.
Um salve com muita paixão para as mulheres da minha vida: Josy, Luciana e Priscila... Amo vocês!!

Paz pra quem merece!!!!

verderubro@gmail.com
www.lumpen.com.br
www.estopimrecords.com.br
www.positivoz.com.br

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blequimobiu
 

Meu cumpadi!

blequimobiu · Salvador, BA 29/10/2008 17:56
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Nelson Maca
 

Nosso cumpadi, Blequimobiu!!
A Bahia tá Foda!
Quem quiser ficar com o Caetano Veloso, mando a Ivete de brinde!

Nelson Maca · Salvador, BA 30/10/2008 02:59
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crispinga
 

Abaixo da linha do Equador ninguém é considerado branco. No Brasil a população é constituída da grande mistura de índios, negros e brancos. Acho chato esse discurso importado. Em Salvador fui discriminada por ser branca. Caetano é mulato...Qualé rapaziada! Somos brasileiros!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/10/2008 12:50
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blequimobiu
 

É Crispinga, pena que a policia, a porta do banco, o burgês dono da empresa, os blocos de carnaval da elite entre outros não pensam como você, alias como é que você pensa mesmo, já que no mesmo paragrafo diz que abaixo do equador tudo uma grande mistura, e você se denomina como branca. Mulato é que etinia mesmo? De onde vem mesmo este termo? Alias me explicai de onde foi mesmo que importaram o discurso? Você fala como cosmopolita ou brasileira, me explicai por favor.

Se você quizer o Caetano eu fico com a Ivete pra mim.

blequimobiu · Salvador, BA 30/10/2008 12:58
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Lulu Curumin
 

Crispinga,
você repetiria esse dicurso diante das estatísicas geográficas-sociais do desemprgo ou dos baixos salários?
Você sabia que, numa mesma função profissional, com a mesma formação e o mesmo tempo de serviços, os negos ganham menos que os brancos, e as mulheres menos que os homens. E que os deficientes nem chamados são, a não ser que a lei assim obrigue ou haja vantagens e descontos de impostos!
Você já pensou quem é quem diante da ação da polícia militar e civil, diante dos deasabamentos nos dias de chuva, etc e cansei...
Logicamente, não sou contra os conceitos baseados nesse hippismo de Paraíso inaugurado já na colonizaçãono Novo Mundo, mas, se você, realmente, debater essa quetão que reclama com profundidade social e científica, verá que é bem ao contrário.
Só para te alertar:
como que você diz que não há brancos abaixo da linha do Equadro e, depois, se auto-intitula de branca ne seu próprio reclame? (Em Salvador fui discriminada por ser branca.)
Enfim...
Cada qual cada qual...
E como diz no título do Cd da Banda Lumpen de Salvador:

Pelo bem da humanidade diga não à paz!

Fui...

Lulu Curumin · Salvador, BA 30/10/2008 13:10
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crispinga
 

Alô, galera! Está aberta a discussão,
Lí a entrevista do overmano Nelson, achei bacana, votei, mas aqui é um espaço democrático, certo? Aberto à todas as etnias, como disse o Robson.
Pois bem:
Achei o discurso importado porque o "Véio" fez duas referências ao candidato à Presidência Americana Barack Obama e sua influência literária vem de Robert Anton Wilson.
Lulu, conheço todas essas estatísticas e sou contra qualquer tipo de discriminação. Não me auto-intitulo coisa nenhuma, simplesmente fui chamada de "branquela" em Salvador, várias vezes. Meu avô materno era baiano e mulato. Minha avó paterna era descendente de índios...
Quando fui tirar meu visto para entrar nos EUA, soube que não era considerada da "raça branca" porque sou sul americana. Não inventei nada porque sou contra achismos. São fatos. Agora me explica você: Pelo bem da humanidade diga não à paz????? Você é à favor da guerra do Iraque, das guerras civis?

Blequimobiu, fico com Caetano, na boa!

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crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/10/2008 13:42
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Ana_e_Lauro_Alagoas
 

Só não condordo com a criação de um outro mundo para se tentar a tão 'cantada' revolução!
E Obama como outro qualquer vindo dos EUA, dá na mesma.
Quanto a Caetano e Ivete, risos... urghhhhhh.
Viva ao Punk, ao Rock... às lutas sindicais, sociais, etc.
Abraço,
Lauro.

Ana_e_Lauro_Alagoas · Maceió, AL 30/10/2008 15:19
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Róbson-Véio
 




Já que aqui está...
Aí Maka e Bleuimobiu...vão procurar o que fazer,hahahahah


Ana e Lauro
Bem se fizermos o mundo diferente já será outro né mas entendí o que você falou,temos que fazer agora o que é nescessário mas dá na mesma não bem sabe nós aqui do nordeste a difereença.
Xô ACM hahahhaa

Bem Crispinga

Se dependesse de esta pessoa aqui tudo ficaria aberto até porque as portas só servem para serem abertas senão é melhor fazer logo vários muros
estáticos.
Não sei aonde tirou este discursos importado(?) pois Barack Obama, nem se ele mesmo quizese, passa longe de ser coisa só do estados Unidos,
pelo menos pros do "lado de cá" e o Robert Anton Wilson já que você citou deve conhecer e dizer que ele é de algum lugar...é uma atitude corajosa de sua parte,haha
Uma coisa que não entendi é porquê você aparentemente não viu as outras referências que fiz inclusive das pessoas que me deram o gatilho cósmico e que foram citadas nomeadamente durante a entrevista?!
A questão não é o que pensamos,queremos ou acreditamos somente,evidente que isto é de grande importância,mas como se dá as relações no dia a dia.
Guerra do iraque? bem poderíamos convencer os iraquianos a serem a favor da paz e tentar através do dialogo convencer os soldados dos Estados Unidos a voltarem pra casa e deixar eles em...paz.
Guerra civil é o que acontece quando o povo oprimido de um determinado país luta contra pessoas que do próprio país que não querem deixar eles respirarem?
Eu sou a favor da paz sim, mas tem uns problemas pra resolver que pros "de cá" são urgente,agora se alguém conseguir convencer a distribuição equitativa de renda,o respeito à autonomia dos povos,a reparação histórica dos assaltos que foram cometidos contra uma galera entre muitas...muitas outras coisitas mais
sem derramar uma gotinha de sangue ou até mesmo de suor...JÁ É!

Poderíamos deixar isto tudo de lado e como diria o INIMIGO DO REI:

"Trabalhadores do Mundo Faça-mos uma Grande Suruba!"



Róbson-Véio · Salvador, BA 30/10/2008 15:24
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crispinga
 

Salve, Véio
Ideologias a parte, não vamos ficar aqui discutindo! De qualquer maneira, acho interessante seu pensamento anarquista, gosto disso, apesar de não concordar com seu discurso. Cabeças pensantes é o que precisamos nesse país, para sacudir esse povo acomodado. Gostei da convocação do inimigo do rei! Saúde para você!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/10/2008 16:09
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liliane braga
 

Valeu, Maca, valeu Véio... Daqui de Sampa eu fico pensando possibilidades da gente estreitar o diálogo das nossas "bléquitudes" todas e ainda não havia chegado no punk... Não conhecia o Véio, fico feliz que essa entrevista tenha chegado a tempo de ter contato com as idéias afins que temos (identidade em trânsito é uma delas!) antes de vir a conhecê-lo aí na "Cidade da Bahia" em novembro! Axé! Tamojuntoemisturado, Liliane.

liliane braga · São Paulo, SP 30/10/2008 16:19
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blequimobiu
 

Hahahahahahahahahaha!

Salve Véinho Mizerê!

Eai Crispinga, acabou a discursão foi? Poxa você começou toda empolgada, cheia de gás, convocando a "galera" e tal... Mais tudo bem a gente entende...

Grande abraço do neguinho!

blequimobiu · Salvador, BA 30/10/2008 16:58
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crispinga
 


Chamei pra roda e saí, como na capoeira, Véio! se esquentar de novo eu volto! rsrs
Abraço!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/10/2008 18:09
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blequimobiu
 

Boa menina!

blequimobiu · Salvador, BA 30/10/2008 18:12
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Nelson Maca
 


Ou melhor: se a chapa esquentar, saio avoada, né moça!
rsrsrsrssr

Nelson Maca · Salvador, BA 30/10/2008 18:20
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Helena Aragão
 

A conversa sobre a questão racial sempre rende, pode e deve continuar. Espero não atrapalhar, mas queria falar de outras coisas que me chamaram atenção na entrevista. Uma é a interessante ligação do veganismo com música (que já tinha conhecido aqui). Esse assunto dá muito pano pra manga, de certa forma fiquei surpresa com essa ligação com o hard core (mas é só pensar bem pra ver que faz muito sentido).

Falando em ligação inesperada, achei curiosíssimo o fato do Véio trabalhar no sindicato dos comerciários!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 30/10/2008 18:25
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crispinga
 

Taí, Véio
Essa parte do discurso eu gostei. Não sabia o que era veganismo. Acho bem legal esse lado vegetariano, naturalista, respeitoso com os animais. Um contraponto com a atitude punk...

crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/10/2008 19:11
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Róbson-Véio
 

Valeu liliane nos vemos por aqui em novembro
Opas helena que bom que gostou da parte sobre veganismo é uma das coisas que tenho como muito importantes nesta caminhada e o lance do sindicato não trabalho lá não, faço parte da diretoria no segundo mandato atividade esta não remunerada.
crispinga eu mesmo não sendo filiado a nenhum partido não sou anarquista e deixo isto nitido quando falo que fiz campanha para vereador e quando digo "prefiro uma revolução com uma sábia liderança do que um jogo de dominó sem lideres, horizontal e baseado no consenso"
Veganismo não é contraponto a atitude punk mas sim um ponto determinante
Devo tá indo pro rio ano que vem e nos encontramos por aí na L.A.P.A. hehhe

Róbson-Véio · Salvador, BA 30/10/2008 23:26
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blequimobiu
 

Cris... tou tocando dia 29 ai no Rio, no Morro da Providência, você esta convidada, na oportunidade exibiremos um vídeo sobre a ação genocida do exercito brasileiro em comando da ONU sobre a população local. Acho que seria uma boa.

blequimobiu · Salvador, BA 31/10/2008 19:10
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