Em primeiro lugar não sou crítico de cinema, nem tenho conhecimento para isso. Mas já que vou falar de um filme baseado em contos de fadas, aliás, cinema pode ser feito por adulto, muitas vezes para adulto assistir, mas não passa de um “grande” conto de fadas...E como estava dizendo, nos contos de fada a gente pode fazer tudo, virei criança outra vez e agora tenho o poder de comentar esse filme. Isso basta!
“Os Irmãos Grimm”, uma produção Norte americana, de 2005, dirigida por Terry Gilliam, e escrita por Erhen Kruger dá uma versão fictícia para a vida dos famosos Irmãos Grimm, mestres dos contos infantis alemães que viveram no século XVIII.
Não poderia deixar de ser...um filme inspirado nos irmãos Grimm sem contos de fadas é praticamente impossível. A partir da narrativa bem construída o autor e o diretor do filme conseguiram materializar mais um conto de fadas, digno da assinatura de Jacob e Wilhelm Grimm.
Muito ao contrário do filme, os dois foram estudiosos e pesquisadores alemães que tentaram manter viva a tradição oral do seu país através das histórias contadas pelo povo. Além de imortalizar os contos eles faleceram deixando uma obra incompleta, um dicionário de alemão. Ainda na letra “f”, diga-se de passagem.
Trespassando o mundo real para o imaginário. Nas imagens do grande espelho mágico, mais conhecido por tela grande, quem for atento vai perceber referências dos contos João e Maria, Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, O Príncipe Sapo, Cinderela, A Bela Adormecida, João e o Pé de Feijão, Os Sete Corvos e alguns outros.
Uma produção bem cuidada, cenário e figurino impecáveis, colorido, ou melhor, a falta dele, típica da Europa Medieval. O vermelho das vestes reais e óbvio, do “Chapeuzinho vermelho” destoando os tons de azul escuro, cinza, verde musgo e preto, que estão presentes no filme inteiro e contrastam com o dia claro e colorido da salvação, das cenas finais.
Os irmãos Grimm, Jacob ( Heath Ledger) e Will (Matt Damon), oriundos de infinita pobreza vêem a morte da irmã mais próxima ao ter o único bem, uma vaca, ser trocado por um punhado de feijões “mágicos”. E feijões mágicos remetem a uma história o final você já sabe...
E esse é o clima de todo o filme. Apenas fazer lembrar os nossos contos de infância.
Na construção da narrativa os irmãos passam a viver de trapaças, inventando bruxas, e monstros aterrorizantes para ser derrotados por eles mesmo em troca de dinheiro e fama.
Ao ser descobertos por um francês, na tomada da Europa por Napoleão são obrigados a se confrontar com um verdadeiro mundo de bruxarias que aterroriza um povoado recém conquistado. Crianças estão desaparecendo na floresta e a população está em pânico. Para salvar-se da prisão eles partem em busca de desvendar o mistério. É nesse ambiente onde descobrem, que os contos escritos pelo irmão Jacob podem ser o pontapé inicial para desvendar os mistérios da torre, descobertas reais que necessitam da fantasia.
Em meio a esse clima de terror e mistério, Angelika (Lena Headey), surge como a caçadora durona que se transforma na princesa que encanta aos irmãos.
O final não poderia ser diferente. E todos viveram fe... (Não preciso falar, ou melhor, escrever o resto, né?!)
P.S.: Se ninguém leu contos de fadas para você dormir na infância, também não deixe de assistir. Caso não entenda algum detalhe pede pra sua vovozinha te contar a história.
ok vc não é jornalista, mas poderia colocar alguma informação sobre diretor/atores, o que ajuda a explicar o bom desenvolvimento do filme, que inclusive retrata muito bem o espírito de reação alemã à invasão de napoleão
Evandro Bonfim · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2006 09:59
O fato de não ter citado atores e me aprofundado no diretor, é simplemente o de preferir focar no fato do emocional que o filme provoca. Relembrar a infância e instigar a descoberta de quais contos estão presentes, a meu ver são o fator mais precioso do filme. Mesmo assim , obrigado pela dica.
tomasini · Fortaleza, CE 29/9/2006 00:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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