Esboçando a inclusão digital...

fuse-project
Computador de US$100 do One Laptop Per Child
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Andrea Thompson · Rio de Janeiro, RJ
10/8/2007 · 101 · 5
 

Anote: dos cerca de 186 milhões de brasileiros, 49 milhões têm acesso à Internet. O número foi recém-levantado pelo Datafolha, em pesquisa encomendada pela agência de publicidade F/Nazca, e revela um galope em relação a 2000, quando somávamos parcos 9,8 milhões de brasileiros na rede segundo o Ibope.

O progresso também foi sentido em uma área em crescente expansão no Brasil, e no mundo todo: a do conteúdo colaborativo. Se antes ter uma página na rede era sinônimo de um cartão de visitas virtual, com uma ou outra notícia, uma barra de rolagem gigantesca e um design "linderérrimo" ao estilo tudo-na-mesma-página com direito a gifs animados, agora as possibilidades são múltiplas e os horizontes, completamente interativos.

A Internet evoluiu - e o usuário também. Dos 843 entrevistados que navegam pela rede segundo a pesquisa com 2.166 pessoas, 42% já inseriram conteúdo no ciberespaço, na maioria das vezes voltado para sites de relacionamento (33%) ou exclusivamente compostos por textos, notícias e histórias em geral (5%). Jovens entre 16 e 24 anos dominam 61% da rede colaborativa.

Agora, um adendo: a pesquisa foi feita com entrevistados a partir dos 16 anos. Portanto, não computa os milhões de adolescentes na faixa etária dos 13 anos que sacolejam Orkuts, Myspaces e tudo o mais que puder fazer parte do elenco "tá tudo dominado". Pensemos adiante: se são os jovens que abocanham a web, incluindo aí a criançada, e se o conteúdo colaborativo é ainda uma novidade em expansão, o MSX do nosso Intel Core 2 Duo, imaginemos a revolução que se inicia. Um grito, portanto, ecoa na Galáxia da Internet: o da necessidade urgente de incluir digitalmente aqueles que infelizmente ainda não nascem imersos nessa nova realidade.

Segundo Fernand Alphen, diretor de planejamento da F/Nazca, em entrevista ao jornal gratuito Destak, a Internet tem 'alta' penetração nas classes C, D e E, não sendo, portanto, "coisa de rico" como se pensava há um bem próximo outrora. “Quanto mais periférica é a população, mais a internet aparece como uma solução de inserção social, de acesso ao entretenimento e à informação, porque é um meio muito barato”, atesta.

Ok. Mas e qual a forma de inserir de fato a população de baixa renda nesses números galopantes? Como promover a inclusão social através da inclusão digital? O One Laptop Per Child, computador de US$100 desenvolvido por uma ONG americana, é apenas um burburinho comercial da Intel, com respingos discretos no governo Lula, ou de fato será revertido na educação de tantas milhões de crianças? E o tal do laptop popular? Em um mundo onde a ONU estima que 19% da humanidade viva com menos de US$1 dólar por dia, se US$ 100 já pode ser um exagero, imagina os R$1,8 mil proposto por nosso governo...

Finalizo o post com a pergunta:

O que mais cresce no Brasil: o número de brasileiros com acesso à Internet ou a desigualdade digital justamente proporcionada por esse crescimento?

Pensai, professor, pensai.

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Frazao my brother
 

Infelizmente, a estatística brasileira não é confiável. Também, dos 49 milhões de brasileiros com acesso à internet, a maioria tem acesso relâmpago e esporádico, não chegando a ser inclusista.
Governos das três esferas apregoam que informatizam escolas, quando apenas alguns aparelhos se disponibilizam em setores administrativos e pouquíssimos para atender multidões de alunos.
Estamos engatinhando na inclusão digital, com milhares de estudantes (e professores) sem saber ou poder passar um e-mail.
Tudo isso é parte do descaso à educação, a despeito do real aumento de internautas citados no texto.

Frazao my brother · Anastácio, MS 6/8/2007 15:22
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Cicero de Bethân
 

Legal o texto. E concordo com o caro Frazão. Acho que este aumento do acesso à internet configura mais como uma familiarização ao universo virtual que não quer dizer que seja enfim a tão sonhada inclusão digital (que possa transformar o sujeito em agente), principalmente pelo modo como se configuram as ilhas de acesso digital (um pouco do que Frazão disse, quanto à acessos e políticas públicas). Vide o número de computadores pessoais, ainda pífio nas residências brasileiras. Ótima discussão levantada, parabéns Andréa.
Abraço!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 10/8/2007 09:00
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Andrea Thompson
 

Cícero e Frazão, obrigada pelos comentários.
De fato esse é um assunto a ser debatido por todos e que ainda circula muito pouco nas rodas de discussão, inclusive governamentais. Muito se fala da inclusão digital, mas em muitas vezes me parece como algo tão utópico (para eles) quanto a tão sonhada inclusão social. Fora que muitas pessoas ainda desconhecem o termo... Me parece que a inclusão digital, se não promovida desde já, acarretará danos ainda piores no quesito desigualdade do que a inclusão social. Até porque ambas caminham juntas e uma é agravante da outra. :(
Você pode ver que até aqui no Overmundo, onde há ótimos agentes e colaboradores, os comentários ainda foram poucos nesse texto. Há pouca movimentação cidadã ainda nessa esfera! Tomara que isso logo seja revertido...
Abraços para vocês! E obrigada!

Andrea Thompson · Rio de Janeiro, RJ 10/8/2007 09:35
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Gledson Shiva
 

Andrea, a grande questao sao os interesses do alto escalao global e como nos (nanicos) podemos interferir neste processo de maneira a nos beneficiar.

A vida `e um conjunto de forsas, variantes energeticas, polos opostos. E isso equivale tambem nas relacoes humanas, sendo o comercio (a troca) um dos fatores fundamentais e caracterizadores de nossa diferenca com os animais que estao na horizontal (cerebro nao-desenvolvido como o nosso).

`E no plano da OMC que esta a questao do acesso a internet, e tenha certeza: todas as organizacoes privadas no mundo (as empresas, as holding`s, os agentes de negocios) querem a imediata liberacao a todos os seres humanos do acesso a internet. Nao ha, pra esse grupo de pessoas, nenhum problema das pessoas todas do plkaneta terem o acesso a grande rede (e estou falando de atores diversos muito mais do q os das telecomunicacoes e de provedores de sustentacao).

Mas ha o grupo que quer controlar esse processo. Nao por acaso todos eles sao ou se enquadram na categoria de GOVERNO. O Estado (seja o Chines "comunista" ou os latinos de nossa america) querem dividendos deste processo, dividendos como voto, curral eleitoral (eles acham que podem fazer isso no ambiente da internet, hihihihi...), manutencao de cargos de confianca, enfim: querem se manter no poder.

Consegue perceber a diferenca?

Pode ter certeza, a questao de termos ainda so 49 milhoes de pessoas que acessam a internet no Brasil `e questao de controle (e olha que entre os politicos existe o quarto poder, que em terras tupiniquim elege presidentes e faz impeachemant do mesmo modo como quem troca de camisa) estatal.

Vou citar um exemplo.

Aki em Brasilia onde estou agora existe um plano do governo local de transformas toda a regiao administrativa da Cidade conectada a internet banda-larga por WiMax (conexao sem-fio). Sabe porque ainda nao fizeram isso? La dentro eles dizem que falta "alguns ajustes tecnicos", mas nos q nao somos bestas sabemos que o governo local so lansara esse democratizante acesso de fato a grande rede somente ano que vem, nao por acaso ano de eleicoes (o atual governador daki `e da oposicao federal e tem pretensoes de chegar ao cargo maximo na republica). Claro que esse programinha de acesso vai entrar na mesa de negociacao, de alguma forma, la nas altas esferas palacianas. Enquanto isso nos ficamos chupando o dedo, achando que qualquer tipo de inclusao quem faz sao "os outros", e so nos indignamos com o resultado das tramoias estatais quando o aviao cai. sic sic sic!... Inclusao, digital ou social, quem faz somos nos, com nosssas proprias maos e mentes, seja ON-line ou OFF-line.

Gledson Shiva · Fortaleza, CE 12/8/2007 23:19
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Fernand Alphen
 

Desculpem, cheguei um pouco tarde, mas queria me manifestar também. Eu concordo com as ressalvas feitas, mas se me permitem a provocação, acho q não adianta só criticar as políticas públicas e privadas. Qdo o número é eloquente, temos q alardear com entusiasmo, fazer espuma, apaixonar as pessoas pelas causas. Não estou acusando ninguem de "ranzizice" mas um pouco de exagero positivo faz bem. É como uma avalanche, se dermos um empurrãozinho, ninguém segura, nem a burocracia, nem o espírito de porco, nem os interesses obscuros!

Fernand Alphen · São Paulo, SP 8/11/2007 09:48
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