Escreva menos e link mais

Reprodução
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Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ
23/3/2009 · 117 · 14
 

jasper: RT @fmatt: @jasper um link mais CLARO e CHAMATIVO na página do #paraentender ajudaria. RESP: vc diz na imagem para download?

Eis uma conversa no Twitter, o microblog mais famoso do mundo, em que uma ideia tem de ser escrita em 140 caracteres. Você pode encontrar esse tipo de texto acima fora de um contexto. Solto na internet, no meio de uma pesquisa no Google, por exemplo. Parece um milagre que o Twitter faça tanto sucesso e tenha tantos usos, alguns ainda para serem descobertos no futuro. Ainda não sou usuário assíduo do serviço, mas acompanho alguns com certa frequência e às vezes arrisco umas tecladas. Pesquei a conversa quando tentava seguir por meio da busca do twitter o debate sobre o e-book Para entender a internet: noções práticas e desafios da comunicação em rede, lançado anteontem (dia 17) e acessível gratuitamente na internet. A ideia do livro: 38 autores, todos com experiência em determinado campo de ação na rede, escreveriam sobre o assunto de sua intimidade. Os textos seriam informais, pessoais e, claro, atuais. O link de download do livro seria liberado na internet com anúncio no twitter do organizador, o blogueiro Juliano Spyer. E ao mesmo tempo aconteceria um debate com os autores, todos escrevendo de seus respectivos twitters.

Primeira impressão: o Twitter não é o lugar ideal para ocorrer um debate público na internet. Existem fóruns, chats abertos e salas que servem mais a isso. É chato ter de toda hora atualizar a página, sempre quando um novo usuário se referir à tag que você acompanha. E é estranho um debate ou qualquer argumentação acontecerem num espaço para texto tão restrito. É um jogo de pergunta e resposta onde tanto pergunta quanto resposta têm de ser contundentes e conclusivas, como poucas vezes a vida ou um texto são.

Mesmo assim, consegui algumas informações sobre o livro no debate online: foi escrito num esquema colaborativo, os autores não foram pagos para colaborar, é possível que seja traduzido para o espanhol e houve um encontro pós-debate num bar chamado Exquisito, em São Paulo.

Juliano, o organizador, defende que a ideia era esta: promover o lançamento, começar um debate, apresentar o twitter dos autores. Depois das pessoas lerem os livros, o diálogo poderia continuar sob a mesma tag #paraentender ou em conversas diretas com os autores no próprio Twitter. E valeu. O livro é bem bacana, com textos ótimos e outros nem tanto, como quase todo projeto colaborativo.

A verdade é que dessa experiência toda eu fico mesmo é tentando entender o milagre do Twitter e a experiência por qual passei. Por que diabos um negócio tão esquisito de acompanhar acabou virando febre? Tenho alguns palpites, só achismo, como o de todos que estão tentando entender ainda a ferramenta. Coisas óbvias para quem o usa: o post não toma muito tempo; é fácil acompanhar por celular; é legal ser seguido por um monte de gente; é muito interessante como rede social.

Mas e para quem lê mais do que publica (o meu caso), como funciona? Acredito que o uso mais revolucionário do Twitter é como, por meio de links, assuntos ganham vida meio “do nada”. Como, na velocidade de 140 caracteres, cria-se um “viral”. E isso parece se dar principalmente pelos links e pela necessidade de se comunicar do jeito certo. Muita gente bate na tecla das tags como uma das grandes novidades da Web 2.0. Mas é raro ver quem se lembra ou mesmo consegue classificar bem um texto, uma foto, um post. No Twitter não são só as tags; caso a classificação e a indicação com quem ou sobre o que se fala não forem feitas à perfeição, a comunicação não anda. Por exemplo: se um participante do debate de anteontem se esquecesse de usar a tag #paraentender quando se referia ao livro, eu nunca iria ler o que ele escreveu. Ou, no caso que abre o texto, se o jasper (Juliano Spyer) não tivesse escrito RT (algo como retweeting – uma citação a algo que outro usuário escreveu), @fmatt (o modo como se reconhece o outro usuário) e, finalmente, a tag (#paraentender), a conversa não ficaria clara. Assim, numa pequena frase fiquei conhecendo, pelo twitter do jasper, a tag pela qual está acontecendo toda a conversa e, também, descobri o twitter de outro usuário potencialmente interessante (afinal, essa pessoa está participando de uma conversa pela qual eu também me interesso).

Nenhum outro serviço da internet tem tanto potencial de fazer o usuário pular de um link para o outro quanto o Twitter. E, com isso, qualquer citação, RT, @fulano, #qualquercoisa podem virar febres muito rapidamente. Foi, por exemplo, o que aconteceu hoje desde o início do dia com uma simples notícia publicada originalmente na versão online do Wall Street Journal. Dizia que o apresentador Marcelo Tas, com impressionantes 18 mil seguidores no Twitter, teria fechado contrato com a Telefônica para citar cerca de 20 vezes por mês a empresa. Ganharia dinheiro com isso, claro. O cartunista do blog Malvados, André Dahmer, leu a repercussão discreta da notícia no Brasil e, já conhecido por combater a publicidade velada na internet, retrucou em seu twitter criando a tag #twitterdealuguel. Virou campanha. Começaram a reproduzir a tag e logo a proposta de “parar de seguir” o Marcelo Tas começou. Uma busca no Google dá conta de como, em poucas horas e provavelmente por conta de um pequeno post do Dahmer, o negócio esquentou. Post pago? Vale ou não vale? Marcelo Tas se vendeu? E provavelmente não vai acabar hoje. Marcelo Tas postou no seu twitter as seguintes frases: “Texto do WSJ gera ruído delirante: este twitter NÃO é pago para falar bem nem da Telefonica nem de ninguém. Volto já.” / “Daqui a pouco, para quem interessar, eu conto tudo. Para os ejaculadores precoces que quiserem unfollow, suerte e byebye...”. E, há pouco, Tas publicou um esclarecimento no seu blog. Minha intuição diz que a tag #twitterdealguel amanhã continuará em alta e será cada vez mais comum, assim como já é com os blogs, as notícias nascerem nas manhãs do Twitter, num post entre o café e o trabalho.

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Helena Aragão
 

Interessante que o Tas publicou o esclarecimento no blog e não no Twitter. Tava curiosa para ver quantos posts de 140 caracteres ele teria que usar para esclarecer a coisa toda. :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 20/3/2009 10:27
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Viktor Chagas
 

E quem me dá certeza de que o Dahmer não foi pago pela Oi para denegrir o twitter do Tas??? :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 20/3/2009 11:15
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Sergio Rosa
 

E pra quem já está no Twitter, vale a pena acompanhar o canal do Overmundo: http://twitter.com/overmundo

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 20/3/2009 12:25
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Vitor Hugo Munaier
 

Thiago, se ainda não conhece experimenta o TweetDeck - Fácil de usar e poderoso. Uma das dicas para se ter zilhões de seguidores, oferecidas por todos os caras mais seguidos no Twitter, é falar sobre o Twitter, oferecer dicas sobre como usar o Twitter. O que acho mais bacana nessa "revolução" é ver que o homem comum das ruas ainda não tem blog e atravessa seu dia sem olhar para trás para ver se está sendo seguido - e de vez em quando ainda ouve passarinhos de verdade.

Vitor Hugo Munaier · Espanha , WW 22/3/2009 20:16
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Ilhandarilha
 

Tenho cadastro. Entrei algumas vezes, mas devo confessar: tantos links diários me deixam enjoada. Embora alguns sejam de fato interessantes, não vejo muito sentido em acompanhar indefinidamente discussões sobre o próprio serviço. O Júlio Valentim, um estudioso das convergências de mídia, é usuário compulsivo. Para quem se interessa pelo assunto, o twitter dele é um mar de links importantes.

Ilhandarilha · Vitória, ES 23/3/2009 11:42
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Juliaura
 

No Twitter eu ainda não fui, mas já dancei twist com minha avó.
E linque eu tenho pro meu blogue, que um dia será famosão... ou não. E vou vender por um milçhão de abobrinahs que já plantei aqui e acolá

Tenho ouvido poucos sabiás, que é fim de inverno aqui onde esse bicho não dá, nem palmeiras tem... mas saudades há, nem sei porque muito bem.

Juliaura · Porto Alegre, RS 24/3/2009 00:07
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Andre Pessego
 

Bom escrito, na prática, pensando em quem seja ESTUDANTE, procurando informações de trabalhos escolares não sei onde informa ou confunde ou simplesmente INJOA.
Mas, sem dúvida acho que seja a tendência,
abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 24/3/2009 07:46
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Spírito Santo
 

Thiago,

Me deu algumas arrobas de preguiça e não linkei nada. Mas posso explicar a razão: Antes linkava tudo por aqui. Depois, descobri (com a 'Ilha') que na internet, com o tempo, os links 'morrem', sem aviso e abrem aqueles failures ('aqui jaz...')decepcionantes e daí pensei: Links não são diamantes.
Como é que o Twitter resolve esta parada? Fica tudo na base do 'não está mais aqui quem falou?'

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2009 08:13
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Spírito Santo
 

Coisa de coroa, mas, me lembrei também da chatura que me acometia quando lia aqueles textos dos tempos pré-virtuais cheios de parênteses, referências em ABNT, notas de pé de página. Entende os jargões rococós de um autor ultra acadêmico já era uma agonia.
Se eu tivesse dois HDs na cabeça até entenderia: Um lia o outro fingia. legal o Twitter, mas, humano e velho como estou, pulo os links. Me agrada mais ver só as figurinhas.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2009 08:27
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Juliaura
 

retornos "específicos" do google
Sergio Rosa: 47.500
Vitor hugo: 389
Viktor Chagas 477
Tiago Camelo 2.660
Helena Aragão 5.630
Ilhandarilha: 3.350
Andre Pessego: 4800
Juliaura 5740
Juliaura Bauer 798
Juliaura da Luz Bauer 211
Spirito Santo 1.030.00
Spirito 14.700.000
(adivinhem por que razão)
Marcelo Tas: 336.000
Tas: 93.600.000

Já na segunda página aparece Tribunal Arbitral do Esport na pesquisa TAS.
Como tudo isso é relativo mesmo.
Discute por importante o linque quem queira considerar assim.
Eu, com um janelão de tevê assim talvez nem 1000 retornos tivesse, porque sou nenhum pouco polêmica e tenho muito cabelo na cabeça.
E a fórmula CQC, agitada, moderninha de imagem, é a mesma do Nada além de dois minutos da Rádio Nacional, alerta vovó Marinalva.
Em todo o caso... patrocinado o globo e o bebêbosta também são... qual seria a diferença... vendeu-se por que, pra que e pra quem... se se vendeu?
Blogue patrocinado dá ao blogueiro uma chance de viver melhor, melhorar de vida, uma terceira camisa, que´muitoi pouca gente é jesuíta, e blogar mais, se vai deixar de ser o que é por causa do patrocínio é melhor não deixar vender nada, porque tudo que vira comércio pode chegar no coisa ruim... mesmo do bem sendo ou querendo no começar.



Juliaura · Porto Alegre, RS 24/3/2009 10:51
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Felipe Gurgel
 

Tremenda bobagem alguém insinuar que o Tas "se vendeu" porque o twitter dele faz publicidade da Telefônica. É numa dessas como a gente vê que algumas pessoas, ainda que antenadas a ferramentas 2.0, caem fácil no retrocesso do tempo em que muitas empresas não acreditavam que Internet um dia daria retorno de imagem, por ser algo livre e "puro" demais de regras.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 3/4/2009 08:39
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Ilana Eleá
 

que texto bom! pena q minha mente viciada na pressa e no tempo e na cadencia do que è curto encurta meu dialogo, serve um sorriso?

Ilana Eleá · Rio de Janeiro, RJ 11/4/2009 23:04
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Ilana Eleá
 

http://midiaedu.ning.com/profiles/blogs/post-de-thiago-camelo-no

Copiei o texto na rede social do curso de Educacao e Midia da PUC-Rio.

Acho que vai dar mto o que pensar junto!
bjs

Ilana Eleá · Rio de Janeiro, RJ 12/4/2009 14:46
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Viktor Chagas
 

Sobre o RT, no artigo da Raquel Recuero:
"Quando um determinado ator social seleciona sua lista de leituras de feeds, por exemplo, está filtrando as informações a partir de outros filtros. E se as republicar em outras ferramentas, também será, ele mesmo, um filtro para os demais. O papel da rede social vai ainda mais longe: além de filtrar, ela qualifica, complementa, discute. Uma informação que é passada adiante no Twitter, por exemplo, raramente o é sem uma qualificação, um julgamento de valor ou observação daquele que a passa. O próprio "retweet" é um instrumento que qualifica uma informação, lida e considerada relevante pela rede."
Interessante!

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 13/5/2009 18:03
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