Espaço Cultural ao Cubo

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eduardo ferreira · Cuiab√°, MT
27/1/2007 · 168 · 12
 

Negócios são mutáveis. Tanto quanto o tempo.
Voam sempre para novas paisagens.
Voamos na asa do p√°ssaro. Para frente, sempre.
Com os olhos atentos descobrimos novos caminhos, outras geografias, outros tempos.

Em Cuiab√°, num contexto de neg√≥cios conservador, v√™m aparecendo algumas experi√™ncias interessantes, contempor√Ęneas, fazendo uso da tecnologia digital e de novos modelos de neg√≥cio buscando inser√ß√£o no mercado formal. O fen√īmeno internet ganhou de vez a ordem dos novos neg√≥cios, ou seja, os velhos modelos cedem cada vez mais ante a voracidade com que a rede mundial foi assaltada pelos novos comportamentos gerados a partir de sua consolida√ß√£o e expans√£o. A possibilidade de quebra dos grandes monop√≥lios da ind√ļstria cultural e da comunica√ß√£o; a ascens√£o de a√ß√Ķes cooperativas ou coletivas; a expans√£o das experi√™ncias criativas compartilhadas gerando conte√ļdo criativo multim√≠dia e multicultural; a circula√ß√£o instant√Ęnea de informa√ß√Ķes; as estruturas abertas de direito autoral e propriedade intelectual; s√£o perspectivas novas de desenvolvimento de outros nichos de mercado. S√£o fatores que possibilitam o surgimento de modelos absolutamente in√©ditos de neg√≥cios em rede. Isso representa a possibilidade de se eliminar intermedi√°rios e colocar, em contato direto, produtor e consumidor.

Mato Grosso viveu alguns ciclos econ√īmicos que demarcaram movimentos hist√≥ricos fincados em estruturas dominantes e arcaizantes (nichos familiares-olig√°rquicos) ‚Äď notadamente na capital Cuiab√°, onde comandaram a pol√≠tica (o poder de mando) e as estruturas geradoras de riquezas (poder econ√īmico) por longo tempo. Tivemos, assim, o ciclo do ouro, diretamente ligado √† cria√ß√£o do munic√≠pio pelos bandeirantes paulistas em 8 de abril de 1719; tivemos um per√≠odo dominado pelos bar√Ķes da cana-de-a√ß√ļcar e do boi; uma constante depend√™ncia de cargos p√ļblicos, determinante na economia cuiabana; mais recentemente, com a divis√£o territorial de Mato Grosso em dois estados no ano de 1978, houve um forte aporte de recursos do Governo Federal, incentivando a ocupa√ß√£o amaz√īnica com a abertura de novas fronteiras para intenso fluxo migrat√≥rio de pessoas que vieram do sul do pa√≠s em busca de novas oportunidades. Esse √ļltimo per√≠odo marca o surgimento de novas cidades em Mato Grosso, a popula√ß√£o cresceu mais que o dobro, da√≠ surgiram novos n√ļcleos de poder pol√≠tico e econ√īmico provocando um forte impulso na economia baseada no agro-neg√≥cio.

A forma√ß√£o da nova Cuiab√° carrega em seu bojo uma caracter√≠stica urbana fort√≠ssima. Desde os anos de 1980 iniciou-se aqui uma efervesc√™ncia cultural que conectou Cuiab√° √†s grandes metr√≥poles. Surgem nesse per√≠odo novas express√Ķes culturais tipicamente urbanas com outras modalidades criativas, in√©ditas na cidade. Da√≠ vem o rock, o teatro moderno, os hapennings, a performance, o v√≠deo, a a√ß√£o pol√≠tica cultural e outras formas de linguagem.

Formação do Projeto
O Espa√ßo Cubo, uma organiza√ß√£o cultural coletiva informal de Cuiab√°, iniciou suas atividades em 2002 e de l√° para c√° consolidou sua posi√ß√£o com determina√ß√£o, ousadia e vis√£o de futuro. Desde o princ√≠pio inovou em pr√°ticas mercadol√≥gicas com um discurso voltado para o desenvolvimento do mercado cultural no estado. Suas a√ß√Ķes sempre foram planejadas para fomentar um mercado autoral, alternativo e auto-sustent√°vel.

Não havia demanda para se formar um mercado minimamente sustentável a partir das iniciativas de várias bandas e produtores que vinham movimentando a cena musical alternativa em Cuiabá desde a década de 80. Houve tentativas isoladas de buscar um lugar na cena nacional, mas que sucumbiram diante das estruturas dominantes, das gravadoras e distribuidoras majors ou mesmo das independentes que começavam a ensaiar alternativas para novos trabalhos considerados de qualidade e sem inserção no grande mercado.

Ao realizar o Festival Calango, em sua primeira edi√ß√£o, em 2001, os integrantes do Cubo M√°gico ainda tinham os velhos modelos como receitu√°rio de sucesso. Buscaram atrair olheiros de S√£o Paulo, dos grandes centros que dominavam os caminhos do mercado. Convidaram um representante de S√£o Paulo, de uma gravadora independente, para observar a cena local, com o intuito de que ele pudesse levar para seu cast alguma banda com potencial para estourar na cena nacional. O convidado saiu daqui convicto de que era necess√°rio realizar um trabalho de base, de forma√ß√£o de p√ļblico, de profissionaliza√ß√£o das bandas, de fomento de um potencial promissor. Eles entenderam o recado, redimensionaram as a√ß√Ķes, planejaram atividades estrat√©gicas e buscaram se fortalecer politicamente no meio cultural.

Criaram a Volume, Volunt√°rios da M√ļsica, lan√ßaram a Semus, Semana da M√ļsica e investiram num trabalho de profissionaliza√ß√£o musical trazendo grandes m√ļsicos brasileiros para oficinas e palestras voltadas para a forma√ß√£o e qualifica√ß√£o dos m√ļsicos matogrossenses. Produziram shows em s√©rie como estrat√©gia para gerar demanda: foram 7 eventos com 15 bandas e p√ļblico total de 6 mil pessoas em 2002; 30 eventos com 50 bandas e p√ļblico de 14 mil pessoas em 2003; 22 eventos com 48 bandas e p√ļblico de 12 mil pessoas em 2004. Abriram um est√ļdio para ensaios de bandas investindo para uma maior qualidade musical. Envolveram v√°rios grupos atuantes da cidade nessa perspectiva, houve rachas tamb√©m, mas mesmo assim cresceram e continuaram com seus prop√≥sitos. As bases foram lan√ßadas a partir de muita pesquisa nas v√°rias viagens que fizeram, dentre elas, para Goi√Ęnia, Bras√≠lia e Natal, refer√™ncias nacionais em realiza√ß√£o de festivais independentes para conhecer suas estruturas e trazer know-how. Conquistaram espa√ßos importantes na m√≠dia, consolidaram eventos na agenda da cidade, conseguiram transformar o Festival Calango, seu maior produto, no maior evento musical desse segmento em Mato Grosso. Os n√ļmeros provam isso: no primeiro evento em 2001, um p√ļblico de 2 mil pessoas, maior p√ļblico presente num evento que contou apenas com atra√ß√Ķes locais; em 2003 o festival totalizou 4 mil pessoas; em 2005 o festival ampliou sua programa√ß√£o para outros segmentos art√≠sticos como o audiovisual, a literatura, arte grafitti e apresenta√ß√Ķes de skate, oficinas e debates, o evento cresceu em impacto e apareceu no cen√°rio nacional. O p√ļblico dos tr√™s dias, com a apresenta√ß√£o de 48 bandas de Mato Grosso e todo o Brasil, se superou mais uma vez: 12 mil pessoas. A partir da√≠, com a participa√ß√£o de bandas de outros estados que estavam no topo do movimento nacional, com uma sele√ß√£o estrat√©gica de convidados da imprensa nacional especializada e de realizadores de tr√™s dos maiores festivais do pa√≠s, Fabr√≠cio Nobre da Monstro Discos, de Goi√Ęnia, que produz o Bananada e o Goi√Ęnia Noise, Ulysses Xavier do Por√£o do Rock, de Bras√≠lia e o Jomardo do MADA, de Natal, conseguiram abranger outras for√ßas e avan√ßaram para uma inser√ß√£o nacional representativa.

Gra√ßas ao poder articulador do seu l√≠der, Pablo Capil√©, foi criado, em 2006, o Circuito Fora do Eixo, uma organiza√ß√£o que re√ļne produtores de festivais emergentes e movimentos independentes de 12 estados brasileiros e 20 cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goi√Ęnia, Londrina, Florian√≥polis, Bel√©m, Cuiab√°, enfim, resultado desse movimento que surgiu em Goi√Ęnia, paralelo √† cria√ß√£o da Associa√ß√£o Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFI).

O Cubo M√°gico, primeiro nome antes de se tornar Espa√ßo Cubo no ano seguinte, foi criado em 2001, por um grupo de jovens universit√°rios dos cursos de Comunica√ß√£o Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Cuiab√° (UNIC), como uma ag√™ncia de publicidade, produtora de v√≠deo e produtora de eventos. O n√ļcleo inicial era composto por Pablo Capil√©, Douglas God√≥i, Lenissa Lenza, e L√©o Santana. Foram os criadores do 1¬ļ Festival Calango. Desse grupo, permanecem Lenissa Lenza e Pablo Capil√©, que lidera o movimento at√© hoje. Al√©m deles, Bruno Kaiapi, Inai√£ Bertroldo, Ahmad Jarrah, Talyta Singer e a jornalista Marielle Ramirez, s√£o fi√©is escudeiros do projeto. Contam ainda com uma rede de colaboradores e parceiros.

Divulgação
O Espa√ßo Cubo sempre tirou proveito da internet como ve√≠culo essencial para difundir projetos, divulgar produtos e servi√ßos de seus clientes e tornar p√ļblicas suas id√©ias pol√≠ticas culturais participativas, visando uma a√ß√£o maior para a forma√ß√£o de um ambiente auto-sustent√°vel e independente. Tinham a convic√ß√£o de que para isso acontecer s√≥ mesmo gerando um mercado consumidor, utilizando canais midi√°ticos e ganhando a cena. Al√©m da m√≠dia tradicional, onde conseguiram grande inser√ß√£o nos maiores jornais impressos, r√°dios e TVs da capital com regularidade, criaram seu pr√≥prio blog, que num determinado momento foi importante at√© mesmo para expor os conflitos que surgiam no contexto local e se tornar um espa√ßo de debate. Encontraram resist√™ncia de grupos concorrentes, mas sempre se reciclaram e se adaptaram com rara capacidade camale√īnica. Recompuseram parceiros e clientes na mesma intensidade, buscando afirmar-se com novos modelos de relacionamento tanto internamente quanto nas rela√ß√Ķes de mercado e com o p√ļblico externo.

Sistema de crédito
A cria√ß√£o do sistema de cr√©dito Cubo Card buscou inovar nas rela√ß√Ķes internas, mas com reflexos diretos nas rela√ß√Ķes com o mercado. O que entra de receita no Coletivo √© transformado em cr√©dito, em cubo card, na seguinte propor√ß√£o em rela√ß√£o √† moeda vigente no pa√≠s: 1 Cubo Card √© igual a 1 real e 50 centavos. A grande sacada √© que, ao se conseguir um patroc√≠nio, pode-se captar o recurso em produtos ou servi√ßos: por exemplo, um restaurante pode investir em um determinado evento, ganhando em troca propaganda ou outras vantagens, e ao inv√©s de pagar 500 reais em dinheiro/moeda, paga em cr√©dito para consumo, o Espa√ßo Cubo administra esse cr√©dito e, em vez de pagar um sal√°rio para os colaboradores envolvidos, distribui cr√©ditos para consumo e isso serve para qualquer atividade comercial. Bares, restaurantes, cabeleireiro, lojas de roupas, loca√ß√£o de DVD's, lojas de discos, livros, enfim, trocas que n√£o envolvem moeda. As vantagens do sistema s√£o muitas, pois facilita as transa√ß√Ķes entre clientes e parceiros. A pr√≥pria Secretaria Municipal de Cultura incorporou o sistema e ao conceder um benef√≠cio em dinheiro para determinado projeto, recebe em troca o valor dado em Cubo Card. A Secretaria pode utilizar esse cr√©dito contratando shows do elenco do Espa√ßo Cubo ou a organiza√ß√£o de um evento. √Č uma compra de cr√©ditos. Isso gera uma atividade econ√īmica vi√°vel e o sistema j√° desperta o interesse de outras institui√ß√Ķes, como a Central √önica das Favelas (Cufa MT) que j√° est√° criando o Cufa Card.

√Č um modelo interessante que pode viabilizar muitas transa√ß√Ķes que outrora considerar√≠amos improv√°veis, √© poss√≠vel convencer clientes que resistem em meter a m√£o no bolso. √Č mais f√°cil utilizar seu produto ou servi√ßo como investimento num projeto cultural e at√© otimizar esses recursos no pr√≥prio neg√≥cio, como o desperd√≠cio (no caso de um restaurante que sempre joga comida fora). O excedente em moeda √© investido em infra-estrutura e adequa√ß√£o ou amplia√ß√£o de novas frentes de neg√≥cios, assim os administradores do Espa√ßo Cubo v√£o, por exemplo, equipando o est√ļdio e melhorando sua qualidade t√©cnica, enfim, dirigem para investimentos, prioritariamente, em tecnologia e informa√ß√£o. O patrim√īnio adquirido √© a garantia do sistema, o lastro, equivalente ao valor venal do patrim√īnio que hoje deve estar em torno de 30 mil reais.

Gest√£o de direitos autorais
A associa√ß√£o coletiva e o modo de operar as iniciativas e os neg√≥cios s√£o abertos e tendem para inova√ß√Ķes nas rela√ß√Ķes com o mercado. Est√£o sempre buscando novas formas de interagir com o mundo dos neg√≥cios. A quest√£o da propriedade intelectual tamb√©m est√° na ordem do dia no Espa√ßo Cubo: a partir desse momento todo o conte√ļdo produzido no coletivo ter√° o selo CC (Creative Commons), ou seja, estar√° liberado para uso criativo e n√£o comercial. Exemplo claro da import√Ęncia de se disponibilizar, para o acesso livre e gratuito de conte√ļdo cultural, como fundamento para sua difus√£o, aconteceu com a banda Vanguart, que utilizou a internet para difundir suas m√ļsicas, no site Trama Virtual, alcan√ßando o topo na prefer√™ncia dos usu√°rios, sendo contemplada com grande n√ļmero de downloads. Hoje, √© uma banda que conquistou espa√ßos importantes no cen√°rio da m√ļsica brasileira contempor√Ęnea.
A gest√£o do Coletivo passa por um processo de adequa√ß√£o e aceita√ß√£o das condi√ß√Ķes impostas pelo projeto que prop√Ķe igualdade de ganhos e de responsabilidades, sendo assim, cada um assume um setor e comanda suas a√ß√Ķes, n√£o sem contar com o apoio de outros setores complementares. Existe uma interdisciplinaridade, uma intera√ß√£o entre a√ß√Ķes dos diferentes setores. Quebra de estrutura r√≠gida e hier√°rquica, consci√™ncia coletiva e solid√°ria e redimensionamento do valor do trabalho individual, s√£o procedimentos que adotaram para valorizar todas as tarefas como princ√≠pio fundamental que rege o todo. Cada pe√ßa tem o mesmo valor na estrutura√ß√£o do todo.

A estrutura é organizada segundo o tripé: Planejamento, Administrativo e Financeiro Central. Cada setor, dentro da organização, tem autonomia em seus trabalhos, mas estão totalmente integrados, sendo que interagem de acordo com o objetivo maior, que é o todo, o resultado.

As a√ß√Ķes culturais se desdobram em cinco segmentos: Cubo M√°gico, Festivais, Volume, Imprensa de Zine e Pr√≥xima Cena.
Cada segmento conta com um coordenador que fica respons√°vel pelas a√ß√Ķes, desde a idealiza√ß√£o do projeto, o planejamento (em sintonia com o setor de Planejamento ‚Äď um dos pilares de sustenta√ß√£o do Espa√ßo Cubo), passando pela capta√ß√£o de recursos (junto com o Financeiro e o Administrativo), realiza√ß√£o e avalia√ß√£o final. Observe que os setores que fazem o trip√© dirigente ser√£o sempre acionados em cada fase da realiza√ß√£o de qualquer projeto.

O segmento Cubo M√°gico √© composto por treze equipes: todas estruturadas para subsidiar os projetos s√≥cio-culturais das outras frentes do Espa√ßo Cubo e tamb√©m para atuar como prestadoras de servi√ßos. S√£o elas: Ag√™ncia Cubo de Bandas, que presta servi√ßos de assessoria e atua para a profissionaliza√ß√£o das bandas que comp√Ķem seu elenco; a Cubo Comunica√ß√£o; Cubo Publicidade; Cubo Eventos; Cubo Discos; Est√ļdio Cubo de Grava√ß√£o; Est√ļdio Cubo de Ensaio; Cubo Sonoriza√ß√£o; Cubo V√≠deo; Griffe Cubo; Cubo Pesquisa; Cubo Marketing e a Cubo Tour. Eles buscam atuar de forma integrada e identificada com todos os itens da cadeia produtiva. Isola-as para uma melhor percep√ß√£o das partes e para um gerenciamento descentralizado, o que garante um maior controle sobre cada item. Todas as receitas geradas por cada uma das equipes s√£o controladas pelo setor Financeiro Central. A equipe recebe 30% da receita arrecadada de todos os servi√ßos externos que efetuar e os 70% restantes v√£o para o Financeiro. Os servi√ßos internos s√£o pagos atrav√©s dos cr√©ditos referentes ao sistema Cubo Card.

Os coordenadores tamb√©m s√£o pagos em Cubos Card, o que garante uma razo√°vel qualidade de vida na medida em que t√™m acesso a uma s√©rie de produtos e servi√ßos que d√° para suprir as necessidades de cada um. O Espa√ßo Cubo mant√©m tamb√©m uma resid√™ncia em regime de aluguel na regi√£o central da cidade que permite acomodar seus integrantes contribuindo para agilizar suas vidas, quando, por exemplo, est√£o impedidos de conseguir transporte no meio da noite, servindo portanto de abrigo tempor√°rio. Ganham comida, transporte e lazer para trabalhar em prol do projeto. N√£o existe a id√©ia de se ganhar dinheiro, Pablo Capil√© afirma categoricamente: ‚ÄúQuem estiver pensando em lucrar aqui, agora, ou faturar em reais, pode mudar de rumo que n√£o serve para o prop√≥sito do Espa√ßo Cubo‚ÄĚ, o excedente √© sempre revertido para investimento na estrutura√ß√£o do projeto. Todos atuam de forma integrada visando a id√©ia geral, o conceito coletivo do projeto. √Č importante salientar tamb√©m que muitos j√° sa√≠ram e buscaram outros rumos. O giro √© grande e o Espa√ßo Cubo est√° constantemente se reformulando e formando novos quadros.

A quest√£o da sustentabilidade √© defendida a ferro e fogo. Est√£o quase sempre com dificuldades econ√īmicas, n√£o √© uma hist√≥ria f√°cil de se gerir. Exige grande esfor√ßo, motiva√ß√£o e muita paci√™ncia, afinal, investir na cria√ß√£o de novos mercados com novos conceitos de gest√£o √© tarefa pesada e que depende de uma s√©rie de outros fatores que regulam tais fen√īmenos. Mas √© um trabalho que demonstra f√īlego e uma enorme capacidade de articula√ß√£o al√©m dos limites geogr√°ficos. O Festival Grito do Rock, por exemplo, talvez seja o maior trabalho em rede j√° promovido no pa√≠s. Fruto do trabalho excepcional do Espa√ßo Cubo, que, com o Pablo Capil√©, atrav√©s da internet, em menos de 24 h, irradiou o que seria apenas mais um festival cuiabano para 20 cidades brasileiras, tudo ao mesmo tempo agora. Prova da agilidade do meio internet. Calcule-se, quantas pessoas n√£o estar√£o envolvidas, direta ou indiretamente, em todas essas produ√ß√Ķes? Cerca de 100 bandas tocando para um p√ļblico distribu√≠do de mais ou menos 50 mil pessoas. Isso √© prova da capacidade de se articular nov√≠ssimas redes ‚Äď em cadeia ‚Äď para novas produ√ß√Ķes a qualquer momento, em qualquer m√≠dia, em qualquer lugar.

√Č interessante destacar que o Circuito Fora do Eixo est√° consolidando um movimento paralelo muito forte, que j√° conta com uma r√°dio web e a produ√ß√£o cont√≠nua de news letters, conectando esses estados brasileiros perif√©ricos, principalmente do Norte e Centro-Oeste do pa√≠s. Esse circuito por si s√≥ j√° √© um mercado potencial fant√°stico, com grande poder de distribui√ß√£o integrada de produtos como Cds, DVD‚Äôs, livros, quadrinhos, camisetas, quer dizer, todo tipo de produto gerado dessas demandas, al√©m de potencializar a circula√ß√£o das bandas envolvidas no projeto. Segundo Lenissa Lenza a experi√™ncia que o Espa√ßo Cubo vem desenvolvendo abre novas portas para novas conex√Ķes: ‚ÄúCom o advento da internet, a forma√ß√£o, produ√ß√£o, circula√ß√£o e consumo de produtos e bens culturais se vascularizaram de uma maneira impressionante e surpreendente, facilitando assim, as megas conex√Ķes em rede e as interliga√ß√Ķes de cadeias de trabalho que favorecem o surgimento de mercados mais democr√°ticos e muito mais pr√≥ximos do p√ļblico consumidor, ou seja, consolida uma revolu√ß√£o nas trocas de for√ßas de trabalho e nos sistemas de cr√©dito, possibilitando a cria√ß√£o de alternativas √†s grandes corpora√ß√Ķes.‚ÄĚ

Dentre seus clientes-parceiros, algumas bandas que se destacam no movimento da m√ļsica alternativa brasileira como a Vanguart que vem se afirmando na cena nacional, citada na resvista da MTV, na revista Veja, teve um v√≠deo-clip concorrendo no V√≠deo Music Brasil ‚Äď MTV como banda revela√ß√£o; outra banda do seu elenco, que faz m√ļsica instrumental com muita qualidade, a Macaco Bong, foi convidada, em 2006, para se apresentar em praticamente todos os festivais brasileiros. Outras que se destacaram e mudaram de atividade, como as bandas Donalua, The Breeze e Deefor. Agenciar bandas n√£o est√° mais no foco do Espa√ßo Cubo, mas est√£o, no momento, assessorando as bandas, Lazy Moon, Macaco Bong, que tem em sua forma√ß√£o integrantes de primeira linha do projeto Espa√ßo Cubo, Dragster, Asthenia e Claudia‚Äôs Parachutes. Atuam tamb√©m, de forma menos sistem√°tica, com outras bandas locais como Lord Crossroad e Chili Mostarda.

O Espa√ßo Cubo conta com apoio regular da Secretaria Municipal de Cultura, atrav√©s do atual secret√°rio M√°rio Ol√≠mpio, que √© um entusiasta do projeto. Conseguem viabilizar tamb√©m seus maiores projetos, como a Semana da M√ļsica e o Festival Calango, principalmente com recursos do Fundo Estadual de Cultura, que destinou para a primeira edi√ß√£o da Semana em 2004 a quantia de R$ 15.000,00 e para o segundo ano de realiza√ß√£o, em 2005, houve um aumento significativo, foram destinados R$ 49.300,00. O Festival Calango recebeu, entre 100 e 150 mil reais, em suas duas √ļltimas edi√ß√Ķes, em 2005 e 2006.

Al√©m do apoio oficial do poder p√ļblico, tanto em n√≠vel municipal quanto estadual, o Espa√ßo Cubo vem formando uma rede de parceiros comerciais que investem em seus projetos com produtos, servi√ßos e at√© mesmo com dinheiro. Existe uma cadeia produtiva que tem todo o interesse de que esses modelos de neg√≥cio cres√ßam e atendam cada vez mais a um n√ļmero maior de pessoas gerando trabalho e renda, gerando novos espa√ßos de circula√ß√£o e distribui√ß√£o de produtos culturais.
Dentre esses parceiros destacamos alguns como a Choice Street Shop, com√©rcio de roupas e acess√≥rios; CVC V√≠deo, locadora de DVD's e v√≠deo; Di√°rio de Cuiab√°, jornal impresso; Guinho Tatoo, est√ļdio de tatuagem e piercing; Intertour, ag√™ncia de viagens e turismo; Letras e M√ļsicas, especializada em instrumentos musicais; R√°dio Rebelde, FM 105,9; Sesc Arsenal, espa√ßo cultural; Viveiros Mato Grosso, empresa de paisagismo; Rodarte, papelaria; Escola Estadual Presidente M√©dici e a CUFA-MT.

O entusiasmo do l√≠der do projeto, Pablo Capil√©, deixa claro que as dificuldades encontradas n√£o ser√£o capazes de interromper a trajet√≥ria da iniciativa. Ao contr√°rio, a tend√™ncia √© de crescimento e afirma√ß√£o desse mercado bastante promissor na capital matogrossense. Al√©m do mais, o Espa√ßo Cubo j√° est√° articulado com outras frentes de trabalho de outros estados brasileiros num processo definitivo de inser√ß√£o das suas a√ß√Ķes no cen√°rio cultural do Brasil. Criatividade, persist√™ncia e ousadia, aliados √† vis√£o estrat√©gica, planejamento e capacidade de realiza√ß√£o, s√£o as marcas desse trabalho que vem vencendo as barreiras do isolamento e colocando em xeque as premissas reguladoras dos mercados mais tradicionais

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eduardo ferreira
 

em edição...(testando) -

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 24/1/2007 20:38
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eduardo ferreira
 

espaço cubo, grito rock, macaco bong, vanguart

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 26/1/2007 19:18
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Egeu Laus
 

Eduardo,
Estou extremamemte curioso sobre os resultados do Cubo Card.
Mantenha-nos informado.

Caso o Espaço Cubo venha a conseguir um lugar fixo para servir de ponto, valeria a pena colocá-lo nas Dicas.

Gosto sempre de textos que se preocupam em "contextualizar" as iniciativas.

Abraço! E se encontrares o Helio Flanders do Vanguart manda um abraço pra ele também.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2007 11:21
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Egeu Laus
 

Esqueci:
bonito Logo!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2007 11:22
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eduardo ferreira
 

salve egeu! o blog do espaço cubo já está nas dicas há um bom tempo.

eles alugam um espa√ßo fisico no centro de cuiab√° - fixados portanto. no lugar funcionam: est√ļdio de ensaio, est√ļdio de grava√ß√£o, escrit√≥rio, produ√ß√£o de comunica√ß√£o, enfim, √© a base. a cufa-mt divide o espa√ßo atualmente com o espa√ßo cubo.

hélio flanders! vanguart! a gurizada que está no topo da cadeia musical pop-cult brasileira (é possível ser pop e cult ao mesmo tempo??). encontrarei hj com ele. vai rolar show, veja na agenda aqui do overmundo mais detalhes do "Aumenta o Volume, que isso aqui é rock'n roll".
abraçarei o hélio por ti egeu. abração.

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 27/1/2007 12:46
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capileh charbel
 

vo....lu.....me...va...ga....lu...me......cinecit√°.cuiab√°. acre. tocantins.goiania.planalto central.radar...radar......oim oim oim...
parabolicas....radios .....guetos....give my microfone.....afrikaaaaaaaaaaaaaa.rebite.diamond dogs.

capileh charbel · S√£o Paulo, SP 27/1/2007 18:34
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Oona Castro
 

Acho impressionante. Este caso de Open Business envolve v√°rias das quest√Ķes chaves para o desenvolvimento: o acesso √† cultura, o car√°ter inclusivo da iniciativa, o compartilhamento do conhecimento, inova√ß√£o no modelo de neg√≥cio, sustentabilidade e horizontaliza√ß√£o da gest√£o. Eduardo, meus parab√©ns pela quantidade de informa√ß√Ķes que conseguiu reunir!
Mantenha-nos atualizados em relação ao desenvolvimento da iniciativa sempre que possível.

Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ 28/1/2007 00:07
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eduardo ferreira
 

sim, oona, estamos de olhos bem abertos para esse tipo de iniciativa. cuiabá está num processo acelerado de desenvolvimento cultural e isso inclui novos negócios que estão surgindo com um pé no coletivismo e em novos modelos para atuar nesse mercado (ainda) conservador.
obrigado oona, conte comigo!
grande abraço.

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 28/1/2007 15:21
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Carol Assis
 

Muito bom teres publicado esse texto. O pessoal do Coletivo Palafita também tá tentando fazer este movimento em Macapá e estamos trilhando este caminho aí... aos poucos vai que vai. Um abração Eduardo

Carol Assis · S√£o Paulo, SP 29/1/2007 11:33
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eduardo ferreira
 

√© isso a√≠ carol...vamos espalhar esse v√≠rus do bem: viva a solidariedade, conhecimento coletivo e as estruturas abertas para novos v√īos da experi√™ncia humana.
para mim, só há salvação possível do planeta com uma mudança radical: viver com o mínimo para obter o máximo.
abração carol, abrace o pessoal do coletivo palafita - sucesso!

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 29/1/2007 12:34
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Dewis Caldas
 

Ainda tem gente que é contra isso tudo!!!
Salve o "Rock ao Cubo"

Dewis Caldas · Cuiab√°, MT 1/2/2007 14:23
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Igor Cidrini
 

Grande sacada !!!

Igor Cidrini · Rio de Janeiro, RJ 7/2/2007 12:10
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