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Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... leia

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Esse 13, não!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 15/5/2007 09:34 · 123 votos · 16 comentários ·  
 
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overponto
abcspindola
Máscaras: Punu, Gabão (e) - Igbo, Niger (c) - Baulê, Costa do Marfim (d)
Ação Negra por um novo mundo possível - I

É já um tempo demasiado longo este em que as diferenças são submetidas à opressão, à negação, à exclusão, à discriminação, à hipocrisia, ao descaso. Uma condição absolutamente injusta. Iníqua.

É hora, já, de lutarmos todos pela superação deste tempo.

É urgente a luta de homens e mulheres que emancipe de fato as diferenças, que instaure a igualdade de direitos, que inaugure as necessárias relações solidárias, fundamentos da construção de um mundo novo possível.

A sociedade que dá fim à exploração do trabalho e põe os frutos da produção coletiva à mesa de todos os produtores só pode ser finalmente conquistada com a destruição do capitalismo. E esta condição requer o reconhecimento, hoje, da igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

É a luta pela conquista da igualdade de direitos e oportunidades que informa de maneira consistente e consciente o combate contra a sociedade de classes imposta pela dominação capitalista.

Em nosso país, o modo de produção escravista realizado por mais de três séculos deitou fundas as raízes da iniqüidade em toda as relações sociais formadoras da nacionalidade. Elas ainda hoje permeiam o conjunto da vida social brasileira como se revela no retrato trágico da exclusão pela discriminação racial.

A exploração do trabalho de milhões de seres humanos aprisionados em África
[chamados escravos pelos traficantes e proprietários, de negros pela elite colonial e européia, de gentios pela ideologia dominante que lhes permitia a escravização do semelhante e a ele outorgava a condição de mercadoria ou mão-de-obra]
ergueu fortunas, riquezas, países, impérios, na América e na Europa.

Aqui foi concedida alforria aos senhores, desobrigados da manutenção da posse e da indenização devida a trabalhadores e a todas as gerações escravizadas da etnia vilipendiada.

A farsa colonialista da Abolição aprisionou nas faldas e sopés de morros, nas matas, nos grotões e beiras de estrada a multidão expulsa sem meios das lavouras e minas. Sem mais ferros, chicotes e senzala, agora à mercê do modo de exploração do trabalho no processo de industrialização ainda incipiente.

Ao imigrante branco, o império deu a terra. Produzida a subsistência, a renda restante começaria a alavancar aqui o processo mercantil necessário à produção fabril inglesa de matriz ou filial...
[ou francesa, ou alemã, ou belga...]

O novo modo de reproduzir a existência submeteu de forma cruel homens e mulheres africanos ou afrodescendentes, crianças, jovens ou velhos.

Nenhuma reparação, sem qualquer indenização. Sem chão, sem casa, sem posto de trabalho [nem eira ou beira].

A modernidade só vai encontrar o Brasil tardiamente, já no limiar do século 20.

O novo milênio, inaugurado pelo século 21, é um tempo de necessárias e urgentes definições.

...

A hora exige radical defesa das liberdades públicas, do respeito à diferença e da igualdade de direitos.

Na teoria e na ação, no Brasil e no Mundo.

É por esta razão o nosso compromisso com o combate ao racismo, pelas reparações com ocupação democrática do território, pela extinção da sociedade de classes.

...

A globalização constitui-se em uma estratégia de acumulação que, operada a partir destes governos "nacionais", impôs a eliminação de todos os meios de proteção do trabalho e do desenvolvimento das economias nacionais.

Produziu a transformação dos valores culturais, ideológicos e econômicos a partir destes oligopólios.

A conseqüência é a dilapidação do mercado nacional e desestruturação do sistema produtivo de cada país, a aniquilação das culturas locais, a sonegação dos direitos, corroendo progressivamente as bases de um conceito de nação.

...

A estrutura política reflete este caráter antidemocrático das elites locais. Ainda que formalmente republicana, federativa e democrática, a organização política brasileira é extremamente patrimonialista, centralizada e autoritária.

Somente a unidade popular poderá quebrar esta história.

...

O modo de proceder do indivíduo antecede à existência da coletividade, eis que a coletividade resulta de indivíduos que se orientam pelos mesmos objetivos, idéias e práticas.

Nosso pressuposto é conquistar o regramento das ações do indivíduo para que este faça crescer a coletividade e não o individualismo, a arrogância, a prepotência, a intolerância, o centralismo e o personalismo.

O respeito ao conhecimento e à produção coletivas significam que o projeto não pertence a um indivíduo, mas sim à coletividade.

É fundamental a constituição de referências permanentes que articulem as lutas populares, partidárias, institucionais e culturais, que integrem a militância social e militâncias partidárias.

Nossa ação nos espaços que ocupamos deve realizar a conversão das teses para a vida, superando os limites burocráticos, implementando políticas que façam, de fato, avançarmos no nosso projeto, emancipando os trabalhadores, superando a discriminação, fortalecendo os movimentos, combinando tese e prática, discurso e fazer cotidiano e ação institucional.

Assim, nós, cada um, constituiremos os parâmetros que balizem ações permanentes, que prefigurem no presente a sociedade nova do mundo que queremos revolucionado pelas idéias de reparação,
fim da iniqüidade, igualdade de oportunidade e direitos...

(trechos do artigo Ação negra por um novo mundo possível)

tags: Porto Alegre RS cultura-e-sociedade abolicao negro negra lei aurea 13 de maio


 
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Adroaldo que tal dar um epaço entre os parágrafos para deixá-los mais definidos e facilitar a leitura do texto?
Pedro Vianna · Belém (PA) · 11/5/2007 17:44 
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Fi-lo, amigo.
Grato, Pedro.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 11/5/2007 17:51 
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Ótimo texto. A reparação dar se-á, verdadeiramente, quando pudermos sair não dos guethos físicos, mas dos guethos mentais que nos aprisionam. A sociedade, subliminarmente nos conduz à uma Caverna de Platão, nos dando migalhas para sobreviver "dignamente" como porteiros, camelôs, empregadas domésticas , etc... E a educação pública nos ensina a servir, a bajular, a aceitar a nossa condição com alegria, a alegria do carnaval, efêmera, ilusória.Nosso destino só irá mudar com a politização, com um processo de educação que valorize os nossos feitos, não só os feitos dos pseudos brancos, pois uma nação se faz da contribuição de todos os povos que a compõem, não só da elite vigente.
jair · Manaus (AM) · 11/5/2007 18:19 
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E a educação, caro Jair, é aquela que eu tu, e demais que assim se disponham, promovemos também pelo gesto diário, pela contumácia, pelo exemplo da conduta altaneira, que não quer dizer empáfia, mas não se agacha.
E que, principalmente, leve a circunstância, o entorno dos debaixo em consideração, não se submeta a ele e o subverta a ponto de libertar a todos, porque acaba com a exploração e a opressão.
Em memória e honra do que nos ensinaram Florestan Fernandes e Paulo Freire.
Esse 13, não!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 11/5/2007 21:24 
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Mas um dos problemas desse processo de afirmação é que os negros que conseguem passar pelo funil escroto a que estamos submetidos, ao invés de ,com você afirmou, tornar-se "exemplo da conduta altaneira", abandonam as suas tradições e se deixam engolir pela cultura hegêmonica. Já vi muito negro bem sucedido contanto piadas pejorativas sobre a sua própria raça para agradar os amigos brancos, como se negro fosse o pobre ou ignorante, no momento em que vc transpõe a barreira social, você vira branco, independente da cor de sua pele. Chega a ser tragicômico!!!!

jair · Manaus (AM) · 12/5/2007 10:00 
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Para veres, Jair, quão necessário é,
além de afirmar-se enquanto ser humano,
ter consciência de que a humanidade
só é estabelecida nas sociedades
se superadas as relações de produção
que reproduzem a ideologia que permite
a exploração do homem pelo homem.
Dá-se assim,
como você exemplifica
em relação a negros bem sucedidos
que cospem no prato da senzala
em que comeram, por exemplo,
com operários e mesmo agricultores em ascenção.
Lênin tinha razão ao alertar,
no Que Fazer?,
para o cretinismo parlamentar,
que se apresenta igualmente
em outras áreas da ação de homens e mulheres.
Pensa a cabeça com a lógica de onde pisam os pés,
para ser mais polido que o exemplo mais popular,
que cita o lugar onde repousam os glúteos.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 12/5/2007 10:22 
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Adroaldo,
Parabéns pelo texto, pelo momento escolhido, pelas colocações. Felizmente, ou não, o 1'3 de Maio tomou o seu lugar na Historia: Um ato burocrático e nada mais. N
Na minha terra se diz quando alguém quer encorajar outro, que é somente o gesto - Pois é, "toda serra de longe é azul". O certo é que descontadas as diferenças que o tempo ocasiona, nada mudou. Mas a pergunta é - Como sair disto? o que fazer? Como iniciar? Talvez se fizessmos textos, com a pergunta:
- Você está satisfeito com a situação do negro brasileiro?
- Você acha justo o que lhe foi dado por pagamento?
Meu caro, vamos em frente, assim mesmo.
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 13/5/2007 16:03 
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O gesto, como expressão da conduta, para exemplo de como se pode existir de modo diferente e, porque não, em igualdade de oportunidades.
Tem mais uns trechos deste texto já publicados na confraria dos blogs não lidos e outras duas partes em revisão para publicação. Já passastes lá, amigo A. Pessego.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 14/5/2007 08:51 
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Caros, afirmo que se, por exemplo, realizarmos uma enquete tipo: Vc tá satisfeito com a situação do negro brasileiro entre os internautas, a imensa maioria afirmará que sim, pois a classe dominante não está na periferia vivendo de sub emprego ou de bolsa família, nunca foi tratado com desdém quando entra numa loja de grife ou é seguido no shopping center pelos seguranças. Portanto é um tema que não mobiliza, pois não faz parte do dia a dia da classe média ou da nossa elite economica.
Portanto, nos acostumemos com os blogs sobre esse tema fazer parte da "confraria dos blogs não lidos", pois o Brasil que navega não é o Brasil que tem fome, de cidadânia.
jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 09:25 
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Desculpem o erro, a palavra correta é cidadania.
jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 09:27 
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Adroaldo, Jair, aos dois com permissão de cada um.
- Esta pergunta terá de ser feita, a idéia é a possibilidade de chocar-nos.
- Porque continua as perguntas: o que fazer; como fazer?
E a resposta terá de ser feito. Quanto mais demora mais "custa caro" Um abraço, andre.
Vou até pegar o gancho e avisar que esta semana estarei postando um texto, com o titulo - "A Alcovite, sua historia na Historia",
o titulo é para ver se chamamos a atenção de nós mesmos.
Se puderes ver, ...
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 14/5/2007 10:31 
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Concordo plenamente caro, se tiver oportunidade, leia o texto publicado "Lapada na Rachada". Ele fala um pouquinho das nossas mazelas.

jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 10:55 
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As vezes o texto não é grande coisa, mas o bate-bola merece ser guardado, esse bate-rebate ai em cima de mim esta sensacional, e seria oportuno junta-lo e formar novo texto! André P. me aguarde, sua raquetada ja esta saindo! Leiteiro
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 14/5/2007 17:44 
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Acho que o que falta ao Brasil é isso AZn 666: _Ser chato!!!!!!
O brasileiro tem vergonha de reclamar se o "caboco" fura a fila, tem medo de bater de frente com o servidor público mal educado ou corrupto, tem preguiça de cobrar aos políticos que são bem pagos pra nos representar( e se se acharem mal pagos, desistam da carreira e vão procurar empregos formais). O brasileiro médio (incuindo a maioria dos negros, ou negróides, ou afro descendentes ou afro ameríndios, ou sei lá, são tantas denominações nessa esquizofrenia étnica que vivemos...) é muito cordato, aceitamos os heróis brancos como se fossem nossos, aceitamos a estética branca como se fosse a nossa, esquecemos que temos os nossos heróis, a nossa beleza e ninguem roga por nós.
Portanto, se não assumirmos a nossa cor e indentidade, continuaremos sendo massacrados nessa guerra sem fim, travada na periferia das grandes cidades em que policiais negros (e mal pagos) assassinam marginais negros . E nesse fogo cruzado, outros negros inocentes morrem com as balas perdidas nesse caos.
jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 18:01 
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Retificando outra pedrada minha: identidade
jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 18:04 
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Essa guerra de pretos contra pretos pra mim se chama Limpeza Étnica Socialmente Dissimulada e me lembra muito a guerra entre escravos rebeldes e os capatazes que protegiam a casa grande.
A polícia pra mim, portanto, é uma barreira de contenção social. Funciona como as grades que separavam os negros e brancos na Africa do Sul durante o apartheid, a diferença é que é uma grade humana.
jair · Manaus (AM) · 14/5/2007 18:12 
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