Rio, 10/03/2006 - Acabo de ver na internet o exército discutindo e trocando tiros com moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. O Morro está em guerra. Butes contra chinelos. Pistolas versus metralhadoras. Granadas contra granadas. E todo mundo lá, uns indo pra venda, outros pra casa, sem falar daqueles que foram pra lá mesmo. Fiquei abstraído vendo a escadaria, que tantas vezes subi, ocupada por soldados dando tiros pro alto enquanto moradoras em shorts de nylon fugiam acuadas.
A história se repete.
Lembrei dos primeiros militares que subiram aquele morro. Eles tinham invadido a tiros o Morro da Favela, lá em Canudos. Mataram e prenderam muitas pessoas pobres armadas que teimavam em fazer dali um território com leis próprias, afinal o governo... Atravessaram as vielas, com medo de algum tiro, e alcançaram o objetivo final. Prenderam e mataram o dono do lugar, Antônio Conselheiro.
Mas nossa história se passa no Rio. Em 1897, soldados de quase todo o Brasil, cansados de esperar as bonificações da vitória, subiram o Morro da Providência e montaram ali suas barracas, aquelas mesmas usadas na guerra de Canudos, que depois viraram seus barracos. Outros cariocas se juntaram a eles, pois nunca faltou gente pobre a essa cidade. O morro ficou cheio de barracas, barracos, vielas apertadas que mais pareciam o Morro da Favela, conforme descrito por Euclides da Cunha: “antes que o olhar pudesse acomodar-se àquele montão de casebres, presos em rede inextricável de becos estreitíssimos, o observador tinha a impressão exata de topar inesperadamente com uma cidade vasta“. E o morro virou o Morro da Favela. A solução foi tão genial que todo mundo fez igual no Rio de Janeiro inteiro, surgiram, então, outras favelas. Depois o Brasil copiou.
Hoje, os soldados subiram novamente o Morro da Favela. Resultado da operação: um homem, uma mulher e um bebê atingidos por estilhaços de granada, além de 10 quilos de cocaína, armas e uma roupa do exército. A imagem da roupa camuflada no chão da favela da Providência é a de um achado arqueológico. Mais de cem anos depois, o Morro da Favela foi novamente invadido pelo Exército, e os soldados encontraram, numa roupa, o seu passado, as suas origens. Será que o Rio virou Canudos?
Quem são esses novos “heróis da pátria”? Qual o futuro da Favela?
sempre me engano achando que chegamos no fundo do poço, mas o poço parece nunca ter fim... o rio não pára de se tornar um lugar horrível!
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 14/3/2006 14:33nâo acho q o rio é um lugar horrível....e olha que sou de são paulo...acho o rio uma cidade com muitos potenciais, mas na verdade uma política podre...e todo mundo sabe..e não age seriamente, prefere acreditar na política partidária, juízes e toda esta merda.........ESSE É O PROBLEMA!!!!!
amadeus_barulho.org_dada radio · São Paulo, SP 14/3/2006 23:17Somente aproveitando o potencial cultural da cidade poderemos reverter esta situação.Ensinando ás comunidades carentes a cultura e a comunicação é que poderemos conscientizar e acreditar que o exemplo no futuro venha da favela para fora,pois o exemplo contrário não funcionou.
Márcio Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 15/3/2006 05:45
eu não hesitaria em dizer que a liberãção das drogas (ou ao menos da maconha, que creio ainda ser a grande campeã de vendas) iria resolver o problema. fazendo a cidade passar por um (violento) período de adaptação, sim, mas se ninguém consegue apontar uma solução por meios (atualmente) legais, não seria esta a maneira de atingir de maneira direta o problema como ele está colocado hoje? e, claro, há o grave problema social, este bem mais antigo...
Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 15/3/2006 22:32Estava escrito... videos de sexo amadoras coroas caseiras sexo anal mature
Marta Rodrigues · São Paulo, SP 26/9/2008 18:21Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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