Ética em pesquisa e a manipulação de informação

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Cristiano Melo · Brasília, DF
26/10/2008 · 197 · 35
 

Desde 1968 o povo Yanomami vem chamando a atenção do Ocidente (Ramos). Naquele ano, foi publicado nos EUA um livro intitulado Yanomamö: The Fierce People, assinado por Napoleon Chagnon (1968) que fez um enorme sucesso entre gerações de estudantes de graduação estadunidenses que o tinham como manual em seus cursos introdutório de Antropologia. O Povo Feroz trouxe para os Yanomami uma celebridade duvidosa (Ramos), uma vez que, baseado nele, Time Magazine, em matéria de 1976 intitulada Beastly or Manly?, os comparou a bando de babuínos. “A horripilante cultura Yanomamö”, dizia o artigo, “faz algum sentido em termos de comportamento animal” (Time, 1976: 37) e continuava, atribuindo diretamente a Chagnon a afirmação de que estruturas reprodutivas dos Yanomamö tem estreita semelhança com os padrões de acasalamento dos primatas. Com esta manipulação de informação obtinha-se o início da “reputação” dos Yanomami como “o povo mais primitivo da terra” e logo depois como “Yanomami-Povo-feroz”.

Seja composto de indígenas norte-americanos, seja de sul-americanos, africanos, malaios ou aborígines australianos, é grande o acervo de imagens negativas construídas por um lado, para afirmar como premissa irrefutável a superioridade dos europeus e seus subprodutos coloniais e, por outro lado, justificar como estratégia infalível a conquista do mundo não cristão. O primeiro livro de Chagnon jogou os Yanomami nessa reserva de “selvageria” que alimenta de bodes expiatórios as fantasias de grandeza do Ocidente (Sahlins, 2000). Escritos posteriores (Chagnon, 1988) adicionaram mais ingredientes à receita dos Yanomami como Fierce People, gente que, por seu primitivismo incontrolável, seria a imagem atávica, há muito superada, do ocidental antes de ser iluminado pelos ideais judaico-cristãos (Ramos).

Como resultado de tais informações, Ramos cita que a própria FUNAI, através de altos funcionários, referiam-se à violência Yanomami como razão suficiente para retalhar suas terras em 21 micro reservas encravadas entre corredores destinados à instalação de projetos de desenvolvimento regional. Geertz e Sahlins se referem a imagem chagnonesca dos Yanomami como uma imagem hobbesiana, pois reflete como num espelho invertido aquele estado de natureza bruta e sem freios a que o ocidente ainda estaria condenado se não tivesse evoluído pela força da razão.

Descrever um povo indígena de maneira caricatural não é exatamente meritório para um etnógrafo. Encorajar, ou simplesmente permitir sem objeções, que essa caricatura se dissemine pelos meios de comunicação de massa denuncia comportamento irresponsável e antiético (Ramos). Como se o exemplo da apropriação da revista Time em 1976 nada tivesse ensinado, repete-se onze anos depois a mesma transfusão de texto etnográfico para matérias jornalísticas. Antes mesmo de publicado o artigo de Chagnon em Science (29 de fevereiro de 1988), já surgia nos Estados Unidos à primeira reportagem sobre a propalada violência dos Yanomami. Repercussão instantânea, como atestam os seguintes títulos: “Antropólogos estudam Yanomanos homicidas. Tribo remota mostra veia de violência” (Los Angeles Times, 26 de fevereiro de 1988: 34); “Competição sexual e violência. Pesquisador desenvolve nova teoria sobre homicidas de tribo amazônica” (The Washington Post, 29 de fevereiro de 1988: A3); “Violência, marca dos Yanomami” (O Estado de São Paulo, 1º de março de 1988: 14); “Antropólogo aponta violência entre índios” (O Globo, 1º de março de 1988: 6). Essa publicidade seria apenas insultuosa se não fosse também injuriosa pelas conseqüências políticas que gerou, especialmente no Brasil, no delicado momento em que o governo, especialmente seu braço militar, estudava uma maneira de retalhar a Terra Indígena Yanomami, desta vez em 19 porções descontínuas cercadas por aqueles já proverbiais corredores que seriam abertos à exploração comercial. Em maio de 1989, o Chefe da Casa Militar do governo brasileiro na época, justificou a um jornalista estadunidense (comunicação pessoal) que os Yanomami não poderiam viver todos juntos numa área contínua porque, sendo tão violentos, teriam que estar separados para serem “civilizados” (Albert e Ramos 1989: 632).

Diversos estudos e artigos científicos e jornalísticos apontam sobre as conseqüências que essa manipulação de informação de forma antiética gerou ao povo Yanomami, com a diminuição da população dos mesmos, a ponto de sua quase extinção. Ao ir a Boa Vista-RR, é notória a resistência de alguns moradores por motivos particulares, proprietários de fazendas contíguas à reserva indígena, enquanto outros que tentam preservar a cultura, a saúde e o povo Yanomami, não raro recebem ameaças de suas vidas. Existem relatos locais de aviões que borrifam veneno em aldeias mais próximas às fazendas e posteriores queimadas enquanto se aumenta o tamanho da propriedade.

Há de se refletir sobre as questões éticas em pesquisas, para que não se utilize de maneira inadequada e com preconceitos para se justificar interesses mercadológicos.


Referências Bibliográficas:

ALBERT, B, RAMOS, A R. O extermínio “acadêmico” dos Yanomami. Humanidades, 18(V): 85-89, 1988.

CHAGNON, N A. Yanomamö: the fierce people. P.imprenta : New
York. Holt, Rinehart and Winston, xiv, 142 p, 1968.

CHAGNON, N A. Life histories, blood revenge, and warfare in a tribal population. Science, 1988.

GEERTZ, C. Ethos, visão de mundo, e a análise de símbolos
sagrados. In, A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, Zahar
Editores, 1978.

GOMES, M P. Os índios e o Brasil ensaio sobre um holocausto e sobre uma nova possibilidade de convivência. Petrópolis, Vozes, 237p,1988.

RAMOS, A R. Socidades indígenas. 2ª Ed.São Paulo, Atica, 1988.

SAHLINS, M D. Culture in Practice: Selected Essays, 2000.

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graça grauna
 

Meu querido Cristiano: seu artigo vem mostrar a preocupação que devemos ter para preservar a vida, a cultura dos nossos indígenas. Você traz informações sérias, você escreve bem e tem senso ético e estético para abordar a respeitode um povo do qual pouco se conhece. Já disseram coisas absurdas sobre os Yanomami - cono por exemplo - os Yanomami são invenção americana. Existe memmo é um grande desrespeito por todas as etnias indígenas; pouco interesse de ver o nosso povo crescer e ter um lugar ao sol; o yanomami é um dos povos mais gentis que conheço. O seu artigo, meu querido vem - na verdade - desmitificar alguns nomes que por muito tempo apareceram na midia como protetores dos indios; nós não precisamos de protetores desse tipo; já temos Nhande Ru, Mavutsinin - entre outros nomes que podemos dar aos nosso Deus. Acho que seu artigo chega em boa hora das pessoas meditarem mais acerca do descaso pelo qual passamos. Parabens, Cristiano. Bjos, Grauninha

graça grauna · Recife, PE 23/10/2008 15:36
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Cristiano Melo
 

Graça, querida Grauninha, sua interpretação sobre o meu texto me deixa muito confiante e contente. O tema é dos mais espinhosos em alguns círculos que debatem o assunto, mas não se pode simplesmente deixar de construir imagens do que se acontece com os povos indígenas no Brasil e no mundo. Não coloquei fotografias, pois, um dos aspectos da cultura Yanomami, quando se morre e se procede o ritual Xapuri, tudo o que pertence ao morto deve ir junto com ele, e se uma imagem (fotografia) "ficar por aí" o indivíduo não terá descanso. Sobre este aspecto existe uma luta enorme, pois, durante as pesquisas antiéticas na década de sessenta, colheu-se amostras de sangue para os EUA, por considerarem um povo "puro" sem alterações genéticas. E, os Yanomami enfrentam uma longa batalha jurídica internacional desde a década de noventa para reaver o sangue colhido.
Muito obrigado pelos seus esclarecimentos e rico comentário.
beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 23/10/2008 15:44
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Doroni Hilgenberg
 

cristiano,
Pertinente o seu texto.
Não é de hoje que os índios estão sendo manipulados.
Concordo com a Graça, quando fazia faculdade de Pedagogia tivemos oportunidade de visitar aldeias indigenas Yanomami e Sateré, e são sim, um povo gentil, educado e aplicado em seus rituais e suas artes manuais.
Em Roraima, há sim um conflito por causa de terras, que tem causado atritos entre os indios e ribeirinhos, que até então viviam em santa paz. General Heleno, fez duras criticas à politica indigenista, que concedeu latifúndios a uns poucos milhares de indios, em detrimento a milhões de não indios do Brasil. Isto porque foi concedido muita terra a 15 mil indios existente na reserva de Raposa do Sol e um Portugal inteiro aos indios Yanomamis, invialilizando completamente o desenvolvimento econômico no estado de Roraima, pois esse era feito por rizicultores que a décadas promovem o desenvolvimento daquele estado, e que estão prestes a serem expulsos, se já não foram. Com essa aberração criaram-se um dos maiores latifundios do planeta. Há muitas Ongs estrangeiras metídas no negócio, e muitas delas não estão a serviços dos Brasileiros. Ai é um passo para a internacionalização da Amazônia, pois sabemos o quanto ela é cobiçada. E o perigo é que isto aconteça através da manipulação dos nossos índigenas.
Há de se ficar de olhos abertos, pois todo o cuidado é pouco.
Que fique bem claro não estou contra a doação de terras aos indigenas, eles já tem o território deles, mas sim, ao que isto representa aos olhos estrangeiros.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/10/2008 22:35
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Cristiano Melo
 

Dô,
Obrigado por vir aqui e deixar seu comentário. Como falei o tema é espinhoso em diversos círculos. Dizer que a reserva indígena é grande é um dos temas mais espinhosos, sei que você não defende tal discurso, mas só para lembrar, no caso dos Yanomami, a região anterior era muito maior que Portugal, e a relação deles com a terra é sagrada, não é como para nós, uma propriedade, eles são nômades esporádicos e, como falei antes, a terra é sagrada.
Mas o que venho ter neste texto, além de "defender" os Yanomami, pois já fui às reservas como mediador de conflitos e também como dentista, é que a ética em pesquisa científica e no jornalismo há de ser respeitado, trago o tema da manipulação da informação para fins variados, no caso a diminuição das terras dos Yanomami foi fundamentada em pesquisas científicas de um antropólogo de universidade norte-americana que não tinha o menor senso de ética, o chamando de bestas feras, ele dizia que deveria tomar cuidado ao se confrontar com um pois eles erão bestas feras. Nunca me esquecerei quando cheguei a primeira vez na reserva Waroma, quando eles vieram até o avião, se é que aquilo era um avião...rs E pela primeira vez na vida pude ver a gentileza real humana no olhar, aquilo me deixou nu, e eles é que estavam sem roupa, e não foi puro romantismo, é real, o contato que tive com eles só demonstrou que são gentis ao extremo.
Bem, falei demais, mas é que uma de minhas linhas de pesquisa passou muito tempo pela região yanomami.
beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 24/10/2008 08:20
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Sônia Brandão
 

Seu artigo mostra, de uma maneira clara, os estragos irreparáveis causados pela manipulação de informações.
bjs

Sônia Brandão · Bauru, SP 24/10/2008 23:41
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Cristiano Melo
 

Sônia, obrigado, isso mesmo, em alguns casos além de irreparáveis eles perpetuam-se.
beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 25/10/2008 05:55
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Ilhandarilha
 

Cristiano, essa questão é muito delicada. Acredito que ela não passe somente pela manipulação de dados para atender às ideologias.
Como pesquisadora, sinto muitas vezes dificuldades em estabelecer claramente o que é um dado concreto na minha pesquisa e o que é sentimento meu em relação ao objeto pesquisado. Acho que a intuição e o sentimento devem fazer parte da pesquisa. Mas estabelecer um limite ético entre esses fatores e os dados é muito complicado. Afinal, todas as pesquisas, de uma forma ou de outra, envolvem o humano. E gente é um mistério...
Minha experiência me diz que na pesquisa, assim como na arte, é preciso fazer um recorte. E todo recorte é uma construção ideológica muito subjetiva na qual nos revelamos.

Ilhandarilha · Vitória, ES 25/10/2008 13:00
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Cristiano Melo
 

Ilha,
Muito relevante o que trazes em teu comentário. Realmente, quando realizamos uma pesquisa científica, fica complicado nos separarmos a ponto de ser tão cartesiano. Mas o que eu trago mais à baila na discussão é que se pode manipular as informações de uma pesquisa realizada e se empregar em situações, digamos, delicada, um exemplo é a bomba atômica, nem sei se extrapolei aqui, ao chamar de manipulação da informação, mas a ética seria o que se faz com os dados obtidos, claro que durante a pesquisa também, pois no exemplo que trago, a pesquisa de Chagnon, além de coletar o sangue, sem o consentimento assinado dos Yanomamis ele, na parte da Venezuela, testou vacinas nos mesmos, imagina?
Beijo e obrigado pela presença

Cristiano Melo · Brasília, DF 25/10/2008 13:06
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alcanu
 

Cristiano, importante prestigiar os verdadeiros donos da terra, embora não sejam tidos como tal.
Já dizia o chefe sioux Touro Sentado:
"-Tudo aquilo que acontecer com a Terra, acontecerá com os Filhos da Terra"...
parece que ao longo dos anos, não levamos muito em consideração tais ensinamentos, talvez por eles terem sido feitos apenas por um "mísero" índio...
Acompanho os Yanomanis desde os tempos de escola, lembro já ter feito trabalho com eles quando ainda era bastante escasso material sobre eles, eles não chamavam muita atenção, apenas teimosamente existiam, como que se para provar a que vieram, pra que estão ainda por aqui...
se nós, com toda a nossa arrogância "civilizatória", atentem pras aspas, assim o permitirmos !
Um grande abraço, mais um nobre serviço de sua parte tocar nesse assunto !

alcanu · São Paulo, SP 25/10/2008 15:38
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Cristiano Melo
 

Al, meu velho,
Muito me alegra seu comentário. Os Yanomami já forma considerados décadas atrás como povo sem contato interétnico. Com a troca cultural, eles além de perderem muitas vidas, pois eram caçados e morriam muito de gripe e ainda hoje de TB (tuberculose), é uma barbárie a que se submete um povo. As justificativas do braço do estado são muitas vezes no mínimo estapafúrdias, e um tanto assassinas mesmo. A questão séria que agora se instala na região da Raposa é um dos fatos reais.
Obrigado e um forte abraço

Cristiano Melo · Brasília, DF 25/10/2008 16:05
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celina vasques
 

celina vasques · Manaus, AM 25/10/2008 17:37
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Cristiano Melo
 

Obrigado Celina, beijo

Cristiano Melo · Brasília, DF 25/10/2008 20:19
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walnizia santos
 

Cris,
Parabéns pelo excelente trabalho. Não sabia o quanto se interessa e pesquisa sobre os yanomamis, sua origem e cultura. Eu já tinha ouvido
falar de manipulações e perseguições de grupos contra os indios e suas terras e toda sorte de barbárie a que são submetidos. Mas não havia atentado para esse absurdo da manipulação de informação.
Muito elucidativo o seu artigo e valioso o seu interesse por essa causa tão nobre e justa.
Votando.
Beijos muitos.

walnizia santos · Brasília, DF 25/10/2008 23:31
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Ailuj
 

Menino,confesso que sou meio preguiçosa,pra ler coisas longas,mas li tudo e gostei muito de descobrir mais esse seu talento
Infelizmente o caso é deveras grave e essa questao envolve muitas coisas que talvez nem saibamos
Seu alerta contra a manipulação de informaçao é muito bom,porque todos sabemos os estragos que podem ocorrer através disso em qualquer questão
Xeros e publicado

Ailuj · Niterói, RJ 26/10/2008 00:45
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graça grauna
 

...pelo sagrado da terra, pelo senso ético e estético do grande povo yanomami. Parabens pela seriedade da sua pesquisa, meu bom Cristiano. Abraços e votos. Paz em Nhande Rú, Grauninha

graça grauna · Recife, PE 26/10/2008 06:02
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Andre Pessego
 

Pois Cristiano,
Estas distorções mudaram de terra, de pessoas e consequentemente de época.
Não se pode esquecer os ineresses territoriais dos europeus e americanos (o povo mais europeu da terra), mas também não esqueçamos de que distorções por distorções dentre elas a mais antiga é nossa mesma. Entre nós, no Brasil, estão a serie de colocações dos indios escravisados pelos indios, como se isto fosse possível.
Grande colocação, propria do teu punho.
abraço

Andre Pessego · São Paulo, SP 26/10/2008 08:46
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Cristiano Melo
 

Wal,
Já trabalhei mais diretamente com os Yanomami, mas a vida nos leva por caminhos diferentes. Tenho profunda admiração por eles, e acho que foi muito difícil me colocar isento para realizar pesquisas. De qualquer modo nunca esquecerei as noites que passei nas malocas com eles no meio da floresta amazônica....
Muito obrigado
beijo

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 08:52
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Cristiano Melo
 

Ju,
Isso mesmo, o trabalho de comunicação e pesquisa éticos é de muita importância, a sociedade há de ficar alerta e desenvolver a sua consciência crítica, pois a manipulação sempre ocorreu e sempre ocorrerá, poderíamos enveredar por outras questões, a da passividade ou não de quem "consome" a informação, mas isto fica para uma próxima discussão.
Muito obrigado
beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 08:54
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Cristiano Melo
 

Graça,
paz em Nhande Rú.
beijo querida

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 08:55
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Cristiano Melo
 

André,
a distorção está em todos, estadunidenses, europeus, asiáticos e brasileiros sim, por que não?
Em uma determinada roda que ainda não entendi até hoje como fui parar ali, ouvi que índio bom é frito, que as terras são muito "grandes"(sic) e que, enquanto isto o agricultor não tem espaço para o desenvolvimento do país...blá blá blá.
O senso comum acaba por disseminar e consolidar os interesses de outros, percebe?
Muito boa sua colocação, obrigado
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 08:57
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clara arruda
 

Atrasada mas comparecendo.Um beijo meu filhote.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 26/10/2008 12:47
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Raiblue
 

Grande matéria,Cris!

Pra mim o que está por trás de tudo isso são questões políticas,
é claro, mas o pior é que não é a política séria e libertária,e sim a 'politicagem' , a disputa pelo poder, desdenhando as civilizações que não se submetem à outras...que tentam preservar sua história, sua cultura...
Sempre achei que as pesquisas são tendenciosas,sempre....
porque é difícil mesmo o pesquisador não se envolver e direcionar os resultados para o que ele quer comprovar...Todavia manipular informações a esse ponto realmente é absurdo!!E o pior é que, quando não se tem conhecimento mais profundo sobre a causa em questão,
acaba--se aceitando como verdade resultados como este...
Lastimável...muito importante seu trabalho,levando-nos a
uma profunda reflexão.

Parabéns,Cris,meu lindo!!
Um beijo azulzinho procê...
Blueee

Raiblue · Salvador, BA 26/10/2008 14:39
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Coluna do Domingos
 

Votado

Coluna do Domingos · Aurora, CE 26/10/2008 15:54
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Spírito Santo
 

Cristiano,

Louvável atitude tocar neste assunto, para mim, tão recorrente. Seria o caso inclusive de, usando a sua tese como referência, atentar-mo-nos para prática assaz semelhante utilizada por uma certa antropologia brasileira no estudo de nossa etnologia de raiz africana, a partir de Nina Rodrigues, afim de corrigir o tanto de mistificação construída em todos estes séculos de descaso científico.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/10/2008 16:21
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Marcos Valério de Azevedo Maia
 

Caro Cristiano,

Companheiros de over... tava sumido.
Retorno com alegria para este site e com esse tema dos indios do Brasil. Sei que é decisivo discutir e implementar ações compensatórias ao povo ianomami, mas seguindo o próprio caminho do autor do texto, venho sugerir que discutamos mais os argumentos dos dois lados envolvidos na questão, com certeza não é simples, sabemos. Quais são as acusações e críticas a esse povo ou a seus defensores? Se temos o mínimo de preocupação com os destinos do planeta temos que agir. mas sempre tendo uma postura reflexiva, aberta e sem medo do debate. Não sou especialisata nem acompanho o tema, passo a bola para o autor do texto, craque. Quais são os casos mais complexos, polêmicos dessa luta dos Ianomamy? São mais informações só isso.

Marcos Valério de Azevedo Maia · Belo Horizonte, MG 26/10/2008 16:57
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Marcos Valério de Azevedo Maia
 

São mais informações, só isso que peço. Sugiro a indicação de bibliografia atual sobre o tema.

Marcos Valério de Azevedo Maia · Belo Horizonte, MG 26/10/2008 17:02
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walnizia santos
 

walnizia santos · Brasília, DF 26/10/2008 18:00
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Cristiano Melo
 

Blue,
Sim a distorção dos fatos podem ser considerados por alguns como ingenuidade, mas há de se prestar atenção, já dizia o ditado "de boa intenção o inferno está cheio"...
O que trouxe no texto aponta mais para a questão da ética, o recorte utilizado foi a questão da manipulação da informação com cunho político sim, como falei antes, tema espeinhoso por questões de interesses próprios, no caso terras.
Obrigado pelo comentário
beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 19:49
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Cristiano Melo
 

Caro SS,
Isso mesmo, pegaste bem o que quis trazer em meu texto, não é uma tese, mas um pequeno artigo. Como escrevi a Blue o recorte foi do povo Yanomami, mas pode muito bem ser realizado em diversos casos, como você muito bem cita!
Muito obrigado por enriquecer o debate.
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 19:52
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Spírito Santo
 

Cristiano,
(Demorei a me identificar no SS).

É isto aí então. Sem contar que, se o leque do tema 'Ética' no Brasil fosse mais aberto, aí é que o assunto não ia ter fim mesmo.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/10/2008 19:57
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Cristiano Melo
 

Caro Marcos Valério,
Primeiramente que bom que voltas ao over. Sobre o que me pedes, mais informações e mais atualizadas sobre a questão do povo Yanomami, existe muita bibliografia sobre o assunto e sites de ongs que tratam do tema. No texto em questão, trato sobre a questão da ética em pesquisa e a manipulação da informação. Utilizei para isto um exemplo, no caso os Yanomami, mas poderia ser qualquer outro recorte, como no caso de se pesquisar tal conduta em tal empresa e no instrumento de pesquisa, identifica-se o sujeito que responde ao "questionário", assim a informação pode ser utilizada para prejudicar o sujeito, percebe? Em pesquisas científicas ou não, há de se prestar muita atenção às questões éticas envolvidas, pois pode-se sim causar danos ao objeto observado. Por acaso, tive a oportunidade de ver a situação que utilizo em meu recorte, de perto, in locus, mas como mediador de conflito. Bom, tem um site que recomendarei a você para consultar mais informações osbre o assunto:
http://www.proyanomami.org.br/
Obrigado pela presença e espero ter respondido às suas indagações a contento.
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 20:01
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Cristiano Melo
 

Desculpe Spírito Santo, é que gosto de colocar as iniciais dos nomes...
Sim, concordo, mas fica aí a sugestão para quem quer lidar com o tema....
abraços e obrigado novamente
CM

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 20:03
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Cristiano Melo
 

Clara, Domingos e Wal, obrigado pela presença
abraço e beijos

Cristiano Melo · Brasília, DF 26/10/2008 20:04
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Cintia Thome
 

Cris, texto prima. Todos grupos sofrem e sofrerão na terra de ninguém. Incrível, tanta luta e esse desgaste. Parabens Cristiano Mello!

Cintia Thome · São Paulo, SP 27/10/2008 07:50
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Doroni Hilgenberg
 

Cris, voltando
e antes que me esqueça...
Aqui em Manaus, no Municipio de São Gabriel da Cachoeira,
dois indios ( não lembro a etnia) foram eleitos prefeito e vice-prefeito. Convivem muito bem com os brancos numa harmonia de fazer inveja.
bjssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 27/10/2008 16:52
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