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Etnia Xukuru possui festa junina diferenciada

Ebenézer Leal
Índios Xukuru buscando lenha na mata para ritual
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Adriana Leal · Pesqueira, PE
28/6/2008 · 176 · 7
 

Quem disse que o índio do nordeste perdeu a sua cultura? Enquanto as festividades juninas peculiares da região giram em torno de quadrilhas, comidas típicas e forró pé de serra, os índios da etnia Xukuru fazem uma festa diferente. Dia 23 de junho, os Xukuru, residentes na serra do Ororubá, no município de Pesqueira, agreste de Pernambuco, comemoraram uma de seus eventos mais significativos - a busca da lenha, que ocorre todos os anos na aldeia Vila de Cimbres.

A festa começa muito cedo. Os índios dançam o toré o dia inteiro, prática que faz parte do ritual político e religioso da etnia. Por volta das 14h os índios vão, em comitiva, buscar lenha na mata. O Cacique Marcos Xukuru, lideranças indígenas presentes e os puxadores do toré vão na frente levando a bandeira de São João. Na volta, cada pessoa traz um pedaço de lenha. Caso alguém da família não possa ir, outro familiar traz a lenha que este deveria carregar. Os que já possuem familiares falecidos também lembram de levar a lenha para eles, de forma significativa.

De volta da mata, os Xukuru dão uma volta em torno da Paróquia Nossa Senhora das Montanhas, estabelecida em 1692, um berço da cidade de Pesqueira. A lenha é organizada em frente à igreja e chega o tocador do memby, flauta dos Xukuru, que inicia mais um ritual. Posteriormente, a fogueira é queimada em homenagem à Mãe Tamain, padroeira dos Xukuru, São João e São Pedro. Para os Xukuru, a Mãe Tamain é a Nossa Senhora das Montanhas. “Desde que eu nasci eu conheço essa cultura, cada ano que passa ela atrai mais gente. É um momento muito importante pra nós”, informou Wilma Bezerra Xukuru, Líder da Pastoral da Criança na Vila de Cimbres, se referindo ao ritual da busca da lenha. Alguns índios comentam que há pessoas que caminham sobre as brasas da fogueira sem se ferir. Atribuem este fato a fé deles. E o motivo que os leva a isso, é para alcançar uma graça, isto é, uma penitência. “Só quem passa mesmo na fogueira é o pessoal mais velho, os novatos não tem a coragem de fazer o que os antigos fazem”, disse Rita Spinola Xukuru, moradora da Vila de Cimbres.

Os mais velhos são muito reverenciados na cultura Xukuru, onde são chamados toiopes. Eles são os que repassam os conhecimentos para os mais novos.

Durante a comemoração os índios usam uma roupa chamada tacó, que constitui saia, pelerine e barretina feitos de palha, sendo o último um tipo de chapéu. Usam também colares, brincos, pulseira e cocar.

Dentro da busca da lenha, ainda existe o ritual da Pedra do Conselho, local sagrado na aldeia Vila de Cimbres, onde os índios recebem os encantados, que são as entidades Xukuru. Dizem alguns índios, que quem cai na Pedra do Conselho, durante o ritual, morre no mesmo ano. O evento acontece por volta da meia noite. “É um fortalecimento espiritual e da nossa tradição, se a gente perder o que os nossos antepassados deixaram, a gente não fortalece”, disse Luana Rodrigues Xukuru, formanda do curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação de Pesqueira - Isep e integrante do Conselho de Professores Indígenas Xukuru – Copixo.

Índios e não-índios simpatizantes da causa indígena participam da busca da lenha.

Há uma clara diferença entre as festas juninas populares no nordeste e a comemoração dos Xukuru, embora muitas pessoas da cidade de Pesqueira não os considere como índios porque se vestem, no cotidiano, como não-índios, usam tecnologias e muitos já possuem graduação em universidades. “Hoje aqui a gente não dança forró, não tem quadrilha, hoje é especialmente para busca da lenha e dançarmos o ritual”, informou Luana Xukuru. O povo brasileiro ainda não conhece a própria cultura de onde tiveram suas raízes. Muitos acham que o índio deve viver isolado na mata, sem os recursos tecnológicos que tanto facilitam a nossa vida, sem direito a educação e saúde de qualidade porque são índios e já conhecem tudo o que precisam para viver dentro da sua própria realidade. Caso contrário, podem perder a sua cultura.

Os Xukuru são um exemplo de como os indígenas podem interagir na sociedade recebendo todos os benefícios oferecidos a um cidadão brasileiro sem, no entanto, deixar de lado os aspectos da sua própria cultura, que é viva, inegável e constante. A organização da etnia é exemplo de cidadania, cooperação mútua e luta incansável pelos seus direitos.





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Helena Aragão
 

Adriana, muito obrigada por nos apresentar essa festa tão interessante. Não sabia deste tipo de festejo junino, tão legítimo quanto as festas caipiras, como você mostra. A foto é muito interessante e o ritual todo também! Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 25/6/2008 13:11
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Adriana Leal
 

Veja o qt de riqueza cultural no nosso país ainda precisamos conhecer!

Adriana Leal · Pesqueira, PE 25/6/2008 18:23
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Thiago Paulino
 

Adriana..

Muito interssante o texto sobre a cultura xucuru nesta época junina. Nó podemos aprender muito com esta sabedoria ancestral dos índios..

abraço,

Thiago Paulino · Aracaju, SE 28/6/2008 19:20
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Denis Sen@
 

Assim se caminha a humanidade,esquecendo o respeito e a valorização das comunidades indigenas no nosso Brasil.


Belo texto!!!

Denis Sen@ · Salvador, BA 28/6/2008 19:45
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Andre Pessego
 

Já tinha votado, mas na correria nem deu tempo, ou esqueci de bater no enviar......
Oportuna e bem feita a matéria, e é caso para pensar onde é assimilação e onde fica a imposição cultural.
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/6/2008 04:00
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Aristóteles Cardona Júnior
 

Bonito texto.

Importante ressaltar também a auto-organização política dos Xukuru, dos quais, na realidade conheço pouco, mas já ouvi algumas coisas.

Aristóteles Cardona Júnior · Olinda, PE 29/6/2008 08:42
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Adriana Leal
 

Conheço a realidade dos Xukuru do Ororubá desde 2001, e esta é apenas uma pq amostra da vasta cultura da etnia. Povo batalhador e guerrreiro, tem ganhado destaque nacional através de mts conquistas. Obg pelos comentários! Abçs.

Adriana Leal · Pesqueira, PE 1/7/2008 10:45
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