Eu, a internet, os correios e os fanzines

Carolina Morena Vilar
Duvido que a memória do seu Internet Explorer seja tão colorida assim
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Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB
20/11/2006 · 415 · 45
 

Já é clássico: chegar em casa, jogar a chave em cima da mesa e ligar o computador. Conferir a caixa de e-mails com mensagens pessoais ou de alguma lista de discussão, comentários do blog/fotolog/flickr, comunidades do orkut, scraps, my space, overmundo. Respondê-las. Depois entrar no messenger, e em cerca de uma hora já está tudo em dia, não é verdade? Gente até da conxixina pode saber, por exemplo, que nesse momento você está em dúvida sobre que cor de camiseta usar. E ainda opinar!

Mais tarde você atualiza seu blog ou site, e conta como foi o show do fim de semana, fala sobre a banda, o público, a produção... Fala também sobre o comentário de fulano no dia anterior, concordando, discordando e detalhando sua opinião.

A Internet é a principal e, para muitos, a única forma de comunicar-se com pessoas a distância, não é verdade? Prático, rápido, e eficiente. Não tem Internet em casa? É só ir à lan house mais próxima (não vai ser muito distante, com certeza) e está tudo resolvido.

Mas mesmo com tudo tão fácil, ainda há um grupo que se utiliza, e muito, de meios que a maioria de nós nem cogita a possibilidade de fazer uso. Correios? Cartas? Cartões postais? Os fanzineiros são mais íntimos dessas palavras que nós imaginamos.

Fanzines impressos e correios são coisas que andam sempre juntas, já que a publicação utiliza-se desse meio para expandir seu alcance. Geralmente o fanzineiro tem uma lista de endereços dos interessados em seu trabalho, que enviam selos pra cobrir custos de postagem. Assim que sai edição nova, ela circula pelo Brasil (e muitas vezes pelo mundo) dessa forma, e é praticamente senso comum à questão que se deve responder ao editor com alguma opinião sobre o que foi lido, impressões, ou algum zine que aquele leitor também produza. Já presenciei (também faço fanzine e sou adepta das cartas) discussões homéricas geradas a partir de um texto em alguma publicação. Algo parecido com o que rola nos comentários aqui do Overmundo, só que entre duas pessoas. Vantagens? O assunto fica mais direcionado. Desvantagens? Só a demora pra obter uma resposta mesmo. “Antigamente os Correios entregavam uma carta em um ou dois dias. Hoje levam até uma semana. Parece que eles reconheceram que perderam a briga com os meios eletrônicos, que são muito mais baratos e velozes”, observa Henrique Magalhães, estudioso e ícone no assunto.

A partir desse primeiro contato por conta dos fanzines através de cartas, é bastante comum que acabe surgindo uma amizade. Se pegar divagando sobre questões do dia-a-dia e até confessando segredos, é natural. Em uma relação escrita, a atenção com o outro que vai receber o que você está fazendo é inerente. Há quem acredite que assim se pense mais no que se está escrevendo, pela própria velocidade da escrita manual. Fora isso, você começa a caprichar nos envelopes, na letra, na forma de escrever e soltar as palavras no papel... Há cartas que são verdadeiras obras de arte. Manifestações como a “mail art” é um exemplo: alguns artistas (geralmente ligados à arte marginal e street art) trocam stickers e lambe-lambes dentro de envelopes maravilhosos, junto, muitas vezes, com algum fanzine de quadrinhos, por exemplo. Vale experimentar de tudo.

É importante dizer que não se trata de um repúdio à tecnologia, mas de praticamente um estilo e filosofia de vida de valores ligados ao real, ao palpável. Editores de fanzines que fogem ao suporte da internet e continuam com suas publicações impressas geralmente valorizam o fato das relações ficarem mais estreitas e verdadeiras: “O contato com o papel é algo forte na vida de quem produz em meio impresso. A carta é uma continuação do que está ali, na página do fanzine. Sentir o papel é importante. A ligação através dela nos causa uma sensação de maior proximidade com quem a escreveu. Sabemos que a carta, por mais simples que venha a ser, carrega um tempo só dela. A pessoa parou para escrever, se dedicou àquilo, mesmo que por minutos. E isso vale a pena sentir”, diz Renato Silva, um dos editores do fanzine Colateral (SP).

Cartas e fanzines impressos são acima de tudo paixão. Colecionar fanzines, notar características de montagem, a xerox... É ter algo sensível em mãos, é poder ler em qualquer lugar, é ter um cartão de visitas na bolsa, é ter liberdade de imprimir qualquer opinião e estar disposto a discutir sobre ela, é conhecer gente do mundo inteirinho que gosta do que você gosta numa relação muito mais pessoal. Eu lembro que publiquei uma vez um texto da Fernanda Meireles, uma das responsáveis pelo Zine-se e Zinco (movimentações acerca de fanzines em Fortaleza. Veja o link para saber mais, vale a pena!) no meu fanzine, que descrevia exatamente a magia de receber uma carta ou as publicações. Ela dizia assim: “Escrever ou responder uma carta equivale fisicamente a se levantar do seu canto, cruzar uma sala e estender a mão (ou abrir os braços) a alguém que esta ali esperando ou não por isso. Trocar correspondência é poder conversar sem zoada por quanto tempo quiser. É como nas melhores conversas, os ritmos, as pausa, as entonações e o conteúdo do que se diz, é respectivamente observado, repetido e guardado na memória, porque fala e escuta”. Sentiu? Um fanzine impresso e uma carta carregam mais emoção do que muita gente acha e consegue entender.

Se a Internet é praticidade, carta é paixão. Cabe a você escolher. Ou equilibrar.

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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

ótimo texto, carolina! compartilho muitas das opiniões nele colocadas, e, se sobrasse um tempinho, gostaria também de conhecer, na prática, essa "realidade alternativa" dos zineiros e zineiras de todo o país. quanto à cena aqui em Fortaleza, me parece mesmo que a coisa ferve - tudo graças à Fernanda e a uma penca de gente que insiste com os zines e, como se diz por aqui, dá "rabiçaca" pros meios eletrônicos - mas nem tanto.

Viva aos fanzines, enfim!!!

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 18/11/2006 18:53
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Carolina Morena Vilar
 

Ah, Henrique... Fortaleza é uma cidade de dar inveja nessa questão mesmo. Passei por lá há pouco tempo e é memso impressionante como a coisa é movimentada. Oficinas em escolas, comunidades carentes e o zine-se, um encontro mensal de fanzineiros em praça publica pra divulgar a produção mensal e conversar sobre.

Quer conhecer mais? Fala com a Fernanda ou procura a Anna Karine.. Ou ainda o pessoal da Zinco. Vc conhece? (os links estão no texto) Qualquer coisa me escreve tbm! te envio uns zines meus e alguns repetidos que tenho por aqui. Se interessar realmente me manda um email e te passo o endereço (é só ver meu perfil).
Abs!

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 19/11/2006 20:08
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Sarah Falcão
 

caroool! falando do assunto q ela adora.. rs...
já se preparando pra mono com henrique? =D

Sarah Falcão · João Pessoa, PB 20/11/2006 18:08
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kirUX
 

;)

Lindo texto. Será que tem carta minha aí no meio daquela foto? Eu quero tirar xerox das cartas que te enviei huuhuuhuh

Realmente eram coisas bem elaboradas, feitas com apreço, com citações de livro e afins. Muito bom.

Essas coisas legais eu guardo na gaveta da saudade. E que saudade!

kirUX · Maceió, AL 20/11/2006 19:57
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Bruno Nogueira
 

Para mim os fanzines estão mais na idéia. Consigo visualizar um zine dentro do próprio overmundo, construido só por tags, por exemplo. Ou um por email. Um colega fez um, certa vez, sobre cinema. Hoje tem mais de 2 mil assinantes.

Mas acho que tem uma função social maior no correio. Essa coisa de pegar a carta, ver a letra, de certa forma, dão materialidade a saudade. Eu prefiro sempre o email. Mas escrevo para as pessoas que quero que se lembrem de mim de uma maneira mais física.

Nem precisa ser carta. Pode ser numa dedicatório de livro mesmo. Consigo imaginar um zine escrito entre dedicatórias de livros. =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 20/11/2006 23:06
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Fábio Fernandes
 

O Henrique é bom mesmo. Eu tinha uma pesquisa extensa sobre fanzines no Rio e em SP (colaborei com vários na década de 1980 e cheguei a co-editar um), e, quando já tinha tudo escrito e formatado para apresentar à Editora Brasiliense, vem o Bráulio Tavares e me avisa: "Olhe, velho, o Henrique acabou de publicar O Que é Fanzine pela Primeiros Passos." Fiquei morto de inveja, claro, mas comprei e conferi. Uma tremenda pesquisa, super bem sacada. Não sabia que ele continuava na ativa pesquisando esse universo. Muito bom saber. Ótimo artigo, Carolina, parabéns!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 20/11/2006 23:22
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Carolina Morena Vilar
 

Entendo, Bruno... Mas pra mim, fanzine é vai um pouco mais além que só a idéia e o conteúdo. Fanzine pra mim mesmo é feito de papel, ele se define também pelo suporte. Acho que a história, assim como a justificativa da existência de uma publicação assim, deixa bem claro isso e é com base nisso que afirmo.

Acredito que fanzine tenha um espírito, uma filosofia por trás de apenas a publicação em si. Ver as cópias todas juntas, enviar uma carta e receber a resposta, entregar em mãos, folhear junto com alguém, deitado, numa manhã de domingo... Cortar, colar e preocupar-se com a margem do xerox... Isso tudo faz parte.

Não quero dizer, porém, que os chamados e-zines ou web-zines não tenham seu valor. Claro que tem e os acho maravilhosos, mas prefiro encarar como uma outra coisa, talvez com referencias aquele impresso, algo que evoluiu naturalmente junto com o mundo e novos meios e formas de comunicar, mas tratá-los como fanzines, pra mim, não é algo que eu concorde.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 20/11/2006 23:49
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Carolina Morena Vilar
 

Pois é, Fabio! O Henrique continua a toda, inclusive com uma editora independente, a Marca de Fantasia, onde publica livros que envolvam o tema de alguma forma e de HQ’s. É um trabalho invejável mesmo.
Eu, assim como vc, também acho maravilhoso o “O que é fanzine”, dele. Quando soube da existência do livro fiquei muito feliz, e foi a partir dele que passei a me interessar e aprofundar mais no tema.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 20/11/2006 23:56
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Bruno Nogueira
 

Mas então, minha cara Carol! Sua manhã de domingo representa bem oq eu quis falar. Não era de suporte, mas de intenção. De vontade. Assim como você pode conectar as idéias nos recortes de papel, pode reunir elas numa palavra-chave.

Eu penso no zine mais livre de suportes mesmo. Como feito em vários adesivos, colados em vários potes de maioneses de uma lanchonete para alguém encontrar ao acaso.

Mas talvez seja só viagem minha mesmo =P

Bruno Nogueira · Recife, PE 21/11/2006 00:22
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Eduardo EGS
 

Em termos de conteúdo eu acho que tanto os impressos quanto os visual se igualam, mas esse aspecto visual do fanzine impresso é imbatível pra mim.

Também tenho uma coleção com exemplares de todas as cores, como os teus ali, Carol! Pretendo nunca me desfazer deles.

Ah, também achei o texto muito bem escrito. Ótimo assunto!

Eduardo EGS · Porto Alegre, RS 21/11/2006 10:06
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Yuno Silva
 

Esse papo saudosista do fanzine (fanzine mesmo!!) ser só de papel já caiu por terra, porém nada substitui a emoção e o prazer de se receber uma coisa concreta/paupável pelo correio. Muito mais interessante!

Mas sim, é possível manter um zine na internet (e-zine) dentro do mesmo conceito contestador e artesanal. Que atire a primeira pedra aquele que não acredita nisso (nas possibilidades virtuais).

Valeu Carolina, belo texto.... gde abraço

Yuno Silva · Natal, RN 21/11/2006 12:08
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Pedro Gontijo
 

Puxa, eu babo com um texto desses e ao ver esse tanto de gente interessada, comentando e colaborando. É um maravilhoso mundo novo que não conheço e me fascina.
Abraços a todos!

Pedro Gontijo · Brasília, DF 21/11/2006 14:32
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toinho.castro
 

gostei do seu texto e acho a idéia do fanzine muito boa... a coisa do papel, da impressão. uma coisa que me fascina nos objetos materiais, no papel por exemplo, é o envelhecimento como qualidade que atesta a passagem do tempo. um documento em word o correio eletrônico, html, etc, sempre terá o mesmo aspecto de limpidez, mesmo que passemos dez anos para tornar a acessá-lo. pode acontecer até que se perca por deterioração do meio físico que o contenha, mas o arquivo em si (será que pode-se falar nesses termos?!) não perde suas cartacterísticas de exibição em função da idade. que tipo de significado isso pode ter? será que em breve será desenvolvido algum algorítimo de envelhecimento?

o meio eletrônico nos condena a essa limpidez, essa espécie de assepcia. às vezes nos deparamos com imagens que sugerem a perda de qualidade, a "sujeira" ou ruídos. mas são construções estéticas.

eu mesmo já editei meu fanzine, lá no recife, nos anos 80. outro dia achei uma cópia e me emocionei com as mudança que se processaram nele, a cor do papel, a perda de nintidez das letras... enfim.

agora eu acho que o meio eletrônico não precisa ser frio e pode trazer uma carga afetiva igualmente forte, embora tenha esse profundo apelo para a praticidade. um amigo meu já se desculpou por enviar-me um texto mais longo num email, como se você um meio decidadamente para poucas e breves palavras.

através da internet eu estabeleci algumas sólidas amizades, que me acompanham há alguns anos. consegui inclusive desenvolver um trabalho de arte visual através do atlântico com uma amiga portuguesa que consilidou nossos laços de amizade e cujos resultados nos surpreendeu.

há nesse novo meio espaço para a riqueza expressiva de todos nós. temos que ocupar esses espaços.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 21/11/2006 18:10
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Ítalo Barboza
 

Muito bom o texto, garota.
Eu já tive algumas inspirações. Já virei noites e dias escrevendo algo sobre alguma coisa que eu vi indo ao trabalho ou à faculdade, sobre algo que ouvi de alguém à mim ou a outro.
Tudo guardadinho em uma caixa de papel bem trabalhada, com um lacinho em volta e alguns pedaços de 'silver tape'.
Nunca enviei para NINGUÉM por não encontrar quem goste do mesmo que eu. Mas fazer o que? São só escrições sobre qualquer coisa (novamente).
...
Estranho saber que algumas pessoas acham um e-mail mais espirituoso que uma carta.
Discuti isso com o meu professor de "Tecnologia de Informação e Sociedade" no período passado e fiquei surpreso com o número de alunos que levantaram o braço quando ele perguntou "Quem aqui AINDA escreve cartas?" onde somente eu levantei o braço e fui motivo de zombação na hora do intervalo.

Ítalo Barboza · Olinda, PE 21/11/2006 19:02
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Carolina Morena Vilar
 

Pois é Toinho e Ítalo... É mesmo uma questão de valores pessoais. Este artigo rendeu algumas discussões hoje de manhã na universidade sobre como temos uma grande necessidade de tocar, sentir e agregar valores sentimentais a coisas numa época onde o “lugar nenhum” da Internet e a impessoalidade são usados para facilitar relações, em Times New Roman. Estamos acabando ou trocando nossas necessidades e prazeres sensíveis dessas pequenas coisas?
É muito complicado falar disso sem parecer radical e fazer das relações virtuais bicho de sete cabeças. Não dá pra discutir que a Internet é realmente enorme facilitadora da comunicação e isso não é algo ruim (Sim, Yuno, eu acredito em possibilidades virtuais, olha eu aqui!), mas é que a cada dia, noto que o deveria ser um recurso acaba virando para muitos único meio, e um meio que muitas vezes traz conseqüências como perca de algumas necessidades e características tão incríveis humanas.

Hoje também fui numa loja de Cd’s aqui da cidade e acabamos falando também sobre esse domínio muitas vezes exagerado, forte e rápido da Internet. Chegamos numa conclusão que independentemente da área (seja em relação a zines, cartas, música...), a relação pessoal está se esvaindo cada vez mais. Não é só fazer um fanzine impresso ou mandar uma carta, é entender que isso faz parte de todo um processo, de um universo que está sendo perdido virtualmente. Exemplificando com a música: Você pode conseguir certo CD sentado na sua cadeira baixando da Internet, mas perde de sair, encontrar pessoas, ver outros Cd’s numa prateleira, entrar num clima de uma loja, sentir o cheiro... Não é só o produto final, é perder todo o universo que o cerca e suas possibilidades. Se opta pelo mais simples sempre, o mais fácil.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 21/11/2006 19:53
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toinho.castro
 

mas que outros universos estão se criando em torno dessas relações ditas virtuais? vivemos numa área de transição. eu cresci com discos em vinil e foi difícil para mim engolir os cds. aquele gesto de colocar a agulha sobre o disco era tão intenso, era o começo de tanta coisa... de repente o disco vira uma coisinha prateada, cintilante. tu tranca ele numa gavetinha e sabe deus o que acontece lá dentro... mas cá estou com minha farta coleção de cds e com eles criou-se uma nova e válida relação com a música.

hoje os formatos digitais para download e armazenamento encerram novos espaços de transformação. as músicas, o conjunto de músicas que um autor produz ainda são pensadas para o formato de armazenamento comercialmente disponível, o cd, e esse formato influencia a própria criação musical. mas logo as músicas (já estão sendo, aos poucos e cada vez mais) serão criadas sob novos conceitos de distribuição, armazenamento e audição. elas se transformarão.

dedico-me muito a fotografia, como você pode ver no meu flickr e já utilizei para isso desde ums instamatic da kodak até as novas digitais, passando por pinhole e SRL's. a fotografia digital, se é que podemos chamar de fotografia, mudou meu modo de fotografar, meu posicionamente diante de um sujeito, minha atitude diante dos resultados... mas continuo a tentar produzir um trabalho expressivo.

veja você mesma como sua inserção no mundo virtual é interessante e provocativa. já deu margem a tanta discussão e vínculos... acho que a beleza surge nesse meio de uma maneira que ainda estamos aprendendo a reconhecer.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 21/11/2006 20:17
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jujuba
 

Putz! Fanzines em papel! que bom que ainda não acabaram!

Eu cheguei a fazer uns fanzines de quadrinhos, mas infelizmente o dindim não era suficiente... estou até pensando em começar de novo!

jujuba · Santo André, SP 22/11/2006 00:00
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Ítalo Barboza
 

Como o ainda há pessoas (e não são poucas, são seletas) que preferem o bom e velho vinil a um novo e compacto CD, acredito que sempre (o poder do sempre existe) haverá um grupo (não pequeno, porém seleto) de pessoas que preferem cartas/fanzines (troca de correspondência escrita à lápis em geral) à e-mails/scraps ...

*sou adepto do bom toca-vinil em casa!

Ítalo Barboza · Olinda, PE 22/11/2006 00:16
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Marcelo Cabral
 

Antigamente tínhamos uns zines bem massa por aqui, Colírio Cultural, Dr. Rock, e vários outros. Ultimamente vi o Seqüela, da Carla Castelloti. De papel.
Queria lembrar aqui da revista gaúcha O Dilúvio, que era um zine só de texto via e-mail quando ninguém fazia isso a um tempão atrás e se chamava “A Arca de Noé”
Belo texto Carolina.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 22/11/2006 01:54
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eassis
 

texto interessante. gostei das sugestões apesar de não gostar de nenhum fã de qualquer coisa que seja.

eassis · Belo Horizonte, MG 22/11/2006 10:06
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Pedro Rocha
 

Muito bom Carolina, texto calmo, como uma conversa.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 22/11/2006 12:23
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Aurelio
 

Gostei muito do texto. Há algum tempo enviei uma caixa pra minha filha que esta na Venezuela e escrevi uma pequena carta , dizendo que quando recebo alguma coisa que vem sem uma carta acho sem graça. Agora quando li o que vc. escreveu lembrei imediatamente deste fato.
Aurelio - Joinville/SC

Aurelio · Joinville, SC 22/11/2006 18:05
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Paulo José
 

Muito legal essa expansão do contato através do papel, ou seja, vai mais do que a mensagem. Parabéns pelo texto, pelos sentimentos e pela percepção do espírito das coisas.

Paulo José · Alto Paraíso de Goiás, GO 23/11/2006 10:35
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eassis
 

só para incrementar os comentários, transcreverei alguns mandamentos e proibições básicos para o trabalho de um escriba judeu. não é uma lista exaustiva, apesar de extensa. e o fato de ter escolhido os judeus não é devido a outra coisa que à santidade inerente ao trabalho dos escribas dessa comunidade.

1. é proibido escrever em pele de animais impuros.
2. não deve ser usado tecido para escrever.
3. não deve ser usado couro para escrever.
4. a tinta de escrever deve ser preta.
5. a tinta de escrever deve ser feita de tanino, sulfato de cobre ou resina, mas não de outras substâncias.
6. as folhas não devem ser unidas com cola.
7. a pena de escrever deve ser de galhos do chorão ou aves puras, nunca de ferro.
8. as linhas devem ser traçadas com estilete vegetal.
9. entre as linhas, deve-se deixar espaço de uma linha.
10. entre as palavras, deve-se deixar espaço de uma letra.
11. entre as letras, deve-se deixar espaço de um fio de cabelo.
12. não menos de 3 e não mais de 8 colunas devem ser escritas numa folha.
13. entre as colunas, deve-se deixar espaço de dois dedos.
14. metade do comprimento de uma coluna deve ser mais comprida do que sua largura e a largura não deve ser maior do que a metade do seu comprimento.
15. o número de linha deve ser o mesmo em cada página, não menos de 42 e não mais de 98.
16. cada linha deve ter 32 letras.
17. as linhas devem ter comprimento igual e nenhuma deve ser mais curta do que a outra, portanto deve-se tomar o cuidado para que nenhuma letra ultrapasse a coluna.
18. exceção à norma 17: se a palavra, no final da linha, tiver cinco letras,não se pode escrever duas letras dentro da coluna e três fora dela, mas três letras devem ser escritas dentro e duas fora da coluna. As palavras não devem ficar entre duas colunas, mas devem ser escritas no início da próxima linha.
19. as palavras, no final das linhas, não devem ser separadas nem partidas mas escritas de modo que as linhas tenham comprimento igual, letras e espaços devem ser escritos mais abertos ou mais reduzidos.
20. uma largura de 2 a 3 dedos deve ser deixada livre nas margens superior e inferior da folha, respectivamente.
21. as folhas não devem ser costuradas onde estiver escrito.
22. as manchas de tinta podem ser apagadas.
23. antes de começas a escrever, deve-se traças as linhas com estilete vegetal.
24. é proibido escrever e Tora nas línguas árabe, aramaico e grego. Só pode ser escrita em hebraico e na escrita quadrada.
25. o texto deve ser escrito segundo a tradição, em trechos abertos e fechados.
26. entre dois livros da Tora, deve haver um espaço de 4 linhas e entre os livros dos 12 profetas, um de 3 linhas. Os livros devem começas e terminar no meio de uma coluna.
27. os trechos abertos começam exatamente no início da linha.
28. os trechos fechados começam no meio da linha, deixando-se um espaço de nove letras.
29. quem escreve o rolo da Tora, deve ter cuidado e acreditar nas palavras do Eterno, de modo que escreva tudo de acordo com a tradição.
30. antes de mergulhar a pena na tinta, deve ditar uma oração.
31. e cada vez que o Sagrado Nome é escrito, deve-se dizer: “assim escrevo O Nome, em honra do Eterno”.
32. O Nome de Deus não deve ser apagado. Quem apagar o nome de Deus transgride a lei da Tora, porque está escrito: “(...) Apague os nomes dos ídolos”. Não trate da mesma maneira o Eterno, seu Deus.
33. o nome de Deus não deve ser escrito por extenso mas deve ser abreviado de maneira bem determinada.
34. um rolo da Tora escrito por um saduceu, traidor, não-judeu ou escravo, louco ou menor, não deve ser usado em serviços divinos.
35. é proibido escrever mesmo de cor, mesmo que seja uma letra. Deve-se ter um espécime do qual se copie.
36. cada palavra a ser escrita deve ser pronunciada antes de escrever.
37. se escrever “O Nome”, concentre-se para não errar mesmo que fores saudado por um rei, não deves responder à saudação.

Quanto ao compromisso e envolvimento maior nas cartas que nos escritos por meio eletrônico, acho que ultrapassei o limite de ambos.

eassis · Belo Horizonte, MG 23/11/2006 13:04
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Yara Baungarten
 

Li o texto e me lembrei das aulas de geografia pré-jurássicas, onde um Atlas era o que se tinha pra dar um jeito de Google Earth no mundo.

da Wikipédia:

A Cochinchina era a parte mais meridional do Vietname, a leste do Camboja, formando principalmente o delta do rio Mekong.

Originalmente chamada Jiaozhi (交;阯; ou 交;趾;) pelos seus dirigentes chineses, Cochin é a fonética para o carácter chinês significando "colinas com a base cruzada" ou "dedos cruzados". Localmente é chamada Nam Kỳ; (南;圻;), significando "fronteira sul" .

Durante a ocupação francesa, era chamada em francês de Cochinchine, e sua capital era Saigon. As duas outras partes do Vietnã na época eram Annam e Tonkin.

Parece coisa da avó, como carta postada pelos Correios (uma das poucas instituições brasileiras em que se ppode confiar, minha filha - claro, antes de qualquer CPI) mas o lugar EXISTE!

Yara Baungarten · Porto Alegre, RS 23/11/2006 13:05
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Eder Alves
 

Otimo texto, com ascensão dos meios de comunicação digitais os fanzines perderam espaço mesmo um salve pra galera que ainda mantém isso como um estilo de vida.
Com a Web 2.0 a tendência é cada vez mais migrar pro meio digital essa atitude cultural.

Eder Alves · São Paulo, SP 23/11/2006 16:33
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Fábio Fernandes
 

Carolina, que tremenda sincronicidade! Ontem estive no Rio de Janeiro e recebi das mãos do Braulio Tavares seu livro mais recente, O Rasgão no Real (que comentarei em breve no Viajante Imóvel), que foi publicado justamente pela Marca de Fantasia! Não sabia que era do Henrique! Sensacional!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 23/11/2006 18:13
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Marcos Valério de Azevedo Maia
 

Grande Carolina. Um belíssimo texto.

Marcos Valério de Azevedo Maia · Belo Horizonte, MG 23/11/2006 18:30
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Carolina Morena Vilar
 

Olhaí Fábio! Que coincidencia! E eu nem vi esse livro ainda. Vou procurar por aqui, afinal eu tenho a sorte do Henrique e a Marca de Fantasia serem da minha cidade!

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 23/11/2006 20:22
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Bruno Nogueira
 

Será que tem judeus na conchinchina?

Bruno Nogueira · Recife, PE 23/11/2006 21:53
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Yara Baungarten
 

Isso requer uma pesquisa mais histórica e geográfica mais avançada. Mas arrisco a dizer que sim. Também deve ter um CTG na Cochinchina.

Yara Baungarten · Porto Alegre, RS 23/11/2006 23:55
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Yara Baungarten
 

Seguindo os nomes interessantes, o pessoal d'O Dilúvio fazia circular pela net um e-zine chamado noé leva dor, desdobramento de uma iniciativa de um jornal mural - No Elevador, na Comunicação da UFRGS.

Yara Baungarten · Porto Alegre, RS 24/11/2006 00:39
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kirUX
 

Eu adoro publicações internéticas e sou favorável a coisas como este site. Este site é até a versão mais radical de coisas subversivas como Creative Commons e o próprio Overmundo.

Produção colaborativa de conteúdo, blogs, web 2.0 e afins são coisas que fazem parte do meu cotidiano. Conectar pessoas não é só slogan de celular, faz parte do meu trabalho. Parece que sou suspeito, já que sou daqueles primeiros entusiastas de tecnologias novas, como o AJAX, que dá esse jeitão moderno a este sítio...

Mas revistas, cartas e zines são coisas que carregam prazeres táteis (e até olfativos, Carol não me deixa mentir).

O Caetano Zeloso(Ceboso) concorda:

"Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários".

Acho que é por aí. Outro dia quis me desfazer da minha coleção de revistas científicas e vendê-las a um sebo pra descolar uma grana. Não consegui. Elas fazem parte do que sou, de como sou, e quero que façam parte também de como meus irmãos menores serão.

OBS.: Essa discussão tá boa hein. Esses sítios de produção colaborativa são bons por isso, a discussão passa a ter tanto valor quanto a matéria que deu origem a ela. Como também sou suspeito pra falar da Morena, fica apenas o meu Parabéns singelo e maiúsculo ;]

kirUX · Maceió, AL 24/11/2006 05:41
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dMart
 

ótimo o texto!

conchichina é ótimo!

também fui fanzineiro quando guri e andava com uma turma de skatistas, punk rockers e tal. depois, na faculdade, fiz um projeto experimental de um informativo cultural impresso em xerox.

sem ser saudosista, até mesmo porque acho que a internet supre de forma interessante a comunicação dita alternativa, mas o cheiro de tinta é inigualável.

baita, dMart.

dMart · Porto Alegre, RS 24/11/2006 12:07
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Edmundo Nascimento
 

Tem uns fanzines q eu mandei q nem apreceram nas fotos.. eles me ligaram perguntando pq.. !!! hahahahah .. parabens.. !!!!!

Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 25/11/2006 19:40
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Fábio Fernandes
 

Pra vocês verem!
Eu também sou do tempo do vinil (mas confesso que prefiro os CDs, pela praticidade) e do tempo em que as pessoas sabiam que a Cochinchina existe e até onde ficava...

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 26/11/2006 16:09
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Rica P
 

Carolina, muito bom...lembrei da discussão que rolou sobre o tal o Dr Orgastic, 15 segundos, 15 clics de fama, o mundo prático, baixar 15 mil músicas em casa sozinho. Sim, perdemos um mundo de relaçoes com a vida lá fora. Mas como já foi dito, por outro lado estamos todos aqui conversando! Vai ver que, como sempre, a palavra chave é o equilíbrio entre, como você disse bem, paixão e praticidade. Me identifiquei muito quando você falou das relações em Times New Roman...de raiva mudei a fonte há tempos - mas não que a Arial seja muito humana! parabéns pelo texto.

Rica P · São Paulo, SP 28/11/2006 02:38
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Carolina Morena Vilar
 

Obrigada Rica! É realmente bom saber que várias pessoas e identificam com isso e entenderam o que quis dizer. Sinceros agradecimentos pelos elogios!

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 28/11/2006 09:07
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colean
 

marx e angels diziam que homem é resultado do seu trabalho,e isso em linhas gerais.o trabalho de mãos e pernas formam a mente.desde talhar na pedra,as palavras, até na luz dos monitores de plasma.o homem percorre o caminho de fixar o que é transitorio,passageiro...possamos nós, dizer o que é importante pra viver e fixar.praticamente com paixão.duas coisas boas pra vida.

obs:posso sugerir uma camiseta ?rsrsr

colean · Fortaleza, CE 6/12/2006 01:36
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colean
 

marx e angels diziam que homem é resultado do seu trabalho,e isso em linhas gerais.o trabalho de mãos e pernas formam a mente.desde talhar na pedra,as palavras, até na luz dos monitores de plasma.o homem percorre o caminho de fixar o que é transitorio,passageiro...possamos nós, dizer e fixar o que é importante pra se viver .praticamente com paixão.duas coisas boas na hora certa.

obs:posso sugerir uma camiseta ?rsrsr

colean · Fortaleza, CE 6/12/2006 01:38
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tarokid
 

FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E REVISTA DO CINEMA MACHADENSE


OLÁ, MEU NOME É CARLOS E SOU O EDITOR DO FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E DA REVISTA DO CINEMA MACHADENSE (1911─;2005). ESTOU DIVULGANDO O FANZINE PELA INTERNET EM ARQUIVO PDF (DE GRAÇA )!
O MEU MAIOR INTERESSE É DIVULGAR O MEU TRABALHO. CASO QUEIRA VER OS FANZINES ( QUE SÃO IMPRESSOS AQUI EM MACHADO/MG) É SÓ MANDAR UM E─;MAIL ,OK?
APROVEITE E VEJA O VÍDEO DA MINHA REVISTA NO YOUTUBE. O LINK É:



http://www.youtube.com/watch?v=WEpox-M6zyw





tarokid · Machado, MG 9/2/2007 23:38
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Débora Medeiros
 

Apesar de toda a boa metalinguagem que a gente encontra em inúmeros zines, esse texto tem algo especial, que nem os papeizinhos queridos de que fala.

Sempre achei que a gente conhece uma pessoa melhor através da arte, das coisas de cunho pessoal que ela produz, sejam elas zines, quadros ou dança... Trocar correspondência realmente cria laços únicos, uma proximidade que vence qualquer distância.

Débora Medeiros · Fortaleza, CE 20/2/2007 20:35
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Vladimir
 

Oi Todos e Todas, por favor votem sugestões para minha música Poesia Quântica que esá na fila de votação do Overmundo!!! Thanx!!
Sim, o texto é excelente...

Vladimir · João Pessoa, PB 28/6/2007 18:07
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Lu&Arte
 

Descobri teu texto só agora. Muito bom!

Lu&Arte · Porto Alegre, RS 6/2/2008 20:11
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jan angelim
 

Parabéns pelo texto, os links e a sensibilidade ao lidar com essa coisa tão boa-estranha-cativante que é o papel escrito e tratado como uma linhazinha que liga uma pessoa a outra...
Pretendo iniciar leituras para um trabalho de iniciação científica aqui em Sampa... se houver algo mais que possa indicar te agradeço moça!
até

jan angelim · São Paulo, SP 29/9/2008 13:49
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