Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Eu quero ver um festival: SeRasgum no Rock

Renato Reis
Final do show do Mundo Livre SA. O palco tomado por integrantes de outras bandas
1
Tylon Maués · Belém, PA
24/9/2006 · 97 · 2
 

Tem quase três semanas que o Se Rasgum no Rock terminou e todos os dias acordo pensando que foi ontem, ou anteontem. Não existe mais cansaço, mas a sensação de fadiga em relação ao evento ainda está lá. Eu fui um do afortunados que foi convidado a ajudar no festival. Um entre tantos que tentaram dar sua parcela de contribuição ao sonho de alguns amigos, sonho que se estendeu a todos nós. Queríamos ter assistido a todos os shows, o que definitivamente não fizemos. Porém, mesmo de longe, nem que fosse percebendo apenas a alegria da platéia, nós nos satisfazíamos. Eu, pelo menos, sim. Todos os que ajudaram já foram convocados para o ano que vem. Estarei lá.

Realizado entre os dias primeiro e três de setembro, o Se Rasgum no Rock pode ser classificado como o primeiro festival paraense envolvendo bandas de rock independente de todo o país. Belém já teve seus festivais com bandas locais e estes não podem ser esquecidos. Quem tem quase 30 anos lembra com saudosismo dos dois primeiros Rock 24 Horas. Mas a capital paraense precisava de um evento que se igualasse à avalanche de festivais que são realizados nas metrópoles brasileiras. Goiânia, Recife, Palmas, Cuiabá, Brasília, Curitiba, entre outras, têm o seu. Belém, tão comentada por ser uma das Mecas atuais do rock nacional, não tinha. Curiosamente, no mesmo dia uma cidade com mais tradição nesse ramo que a nossa também teve seu primeiro festival: Porto Alegre.

Quem, como eu, olhava com um certo distanciamento a todas as ações se maravilhava com os comentários que vinham a cada show. Muitas das bandas de fora eram praticamente desconhecidas para grande parte do público que esteve no Parque dos Igarapés. As presenças das headlines Cachorro Grande (sábado, 2) e Mundo Livre SA (domingo, 3) atraíram um público que geralmente não freqüenta as festas de rock organizadas na cidade. Ali havia pelo menos 3 mil pessoas contra as 500 que dão nos melhores dias dos eventos habituais. Muita gente nunca vira antes apresentações das bandas locais e nem ouvira falar de Bazar Pamplona (SP), Mezatrio (AM), Vanguart (MT), The Feitos (RJ), Los Porongas (AC) e Superoutro (PE).

Todos, mas todos, sem distinção, fizeram apresentações ótimas. O Superoutro teve um problema com uma das guitarras e assim ficou até o final do show, o que não desanimou quem estava sobre o palco ou quem assistia. Junto a eles as bandas locais mostraram a mesma competência, tanto que arrancaram elogios dos jornalistas que vieram para o festival. A maioria deles já conhecia Madame Saatan e La Pupuña de outros festivais. Foram embora com os shows de Johnny Rock Star, Suzana Flag, A Euterpia, Delinqüentes, Norman Bates, Cravo Carbono, Telesonic, Norman Bates, Turbo, Coletivo Rádio Cipó, entre outros, incrustados nas retinas.

As headlines tiveram atuações díspares. Na sexta-feira, ainda no Açaí Biruta, Wander Wildner fez o que se esperava dele. Quando todos achavam que o herói gaúcho não conseguiria subir ao palco devido à ingestão exagerada de cerveja, ele mostrou porque é a principal referência do rock brasileiro fora do mainstream. Clássicos atrás de clássicos para um público ensandecido e acima de tudo compreensivo. A quase totalidade das quase duas mil pessoas que lá estiveram agüentaram com paciência inacreditável por mais de uma hora sem energia. Às escuras, não arredaram os pés, lá esperaram com um entusiasmo sensacional e não se arrependeram do show.

No sábado foi a vez do Cachorro Grande. A banda dos pampas não se encaixa mais na definição de banda alternativa (isso é uma discussão que não cabe nesse espaço) e já não freqüenta os festivais. Mas o esforço para trazê-los foi grande e se mostrou acertada. Foi o dia que registrou a maior presença de público, já que era a primeira vez deles em Belém. O show... bem, o show foi um caso à parte. Não foi o esperado. Quase um terço dele foi de enrolação com solos intermináveis. Mas era uma apresentação ganha desde o começo. Muita gente queria ver os hits do Cachorro Grande. Viram a maior parte deles.

Domingo era o grand finale. Desde as primeiras apresentações se sabia que esse era o último dia e o cansaço era nítido em todos os rostos. O desgaste fazia cada caminhada em busca de resolver um problema qualquer parecer um martírio. Mas, tudo tinha que dar certo. E deu. Os shows que precederam ao Mundo Livre SA foram do punk destruidor do Delinqüentes ao folk emocionante do Vanguart, do pop com toques de MPB do A Euterpia à guitarrada com surf-music do La Pupunã. Todos estavam lá e ficaram até o final, quando foram brindados com alguns dos momentos mais bonitos que um show de música pode proporcionar.

Quando Fred Zero Quatro, Xef Tony, Bactéria Maresia, Fábio Goro e Marcelo Pianinho subiram ao palco eles fizeram de tudo para compensar os mais de dez anos de atraso por nunca terem se apresentado em Belém. Do começo ao fim, das músicas conhecidas às mais novas, não houve ninguém que não se sentisse que aquele era um momento especial.

Aí, um aparte. De cima do palco tive a visão mais bonita das três noites. De lá finalmente via todos os que estavam envolvidos na organização assistindo a um show. Todo o trabalho, estresse, aporrinhação e cansaço foram postos de lado para que a diversão desse as caras.

Para finalizar, Zero Quatro chamou as bandas locais para o palco e com elas subiram os organizadores. Lá, houve a celebração final de um bando de loucos que embarcaram num sonho maluco que se tornou realidade e que deu certo do começo ao fim. Não raro lágrimas eram enxugadas. Aliás, elas foram muitas.

Ano que vem tem mais. Já disse e repito: estarei lá.

Para mais fotos do festival de Renato Reis clique aqui

Texto publicado originalmente no Ressaca Moral

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Bruno Montalvão
 

eu estava nesse festival durante 03 dias... e depois continuei em Belém por mais 11 lindos dias... Éééééégua, que cidade fantástica!

O festival Se Rasgum no Rock foi uma vitória pra Belém, pra produção local e pras bandas, com o tempo todos verão isso. Longa vida ao Se Rasgum!!!

Bruno Montalvão · São Paulo, SP 22/9/2006 04:06
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Moysés Lopes
 

Tylon: que beleza de texto, meu velho! Fiquei com um pontinha de inveja (da boa!) de não ter estado em Belém para o festival. Quem sabe para o próximo? Parabéns a todos os que trabalharam para realizá-lo, virei fã de vocês. Enquanto alguns só reclamam da mesmice do mercado outros arregaçam as mangas e mandam ver, parabéns.

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 24/9/2006 08:00
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Revista Overmundo nº 6: esquentando as turbinas!

A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados