“Every little thing she does is magic” ¹

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Cury · Salvador, BA
28/10/2007 · 189 · 16
 

Meu avô está com 89 anos e tá na fase “Xô contar logo o que vivi, que posso ir a qualquer momento” e então fica me contando seus causos.
Um deles foi quando um professor seu, Aliomar Baleeiro, conhecido com “O Grande Mestre”, na faculdade de Direito, implicou dizendo que ele não seria um bom advogado, pois parecia não saber das coisas que eram faladas na sala.
Meu avô voltou pra casa e foi ler cada artigo, cada lei, cada parágrafo de tudo que havia sido estudado em sala de aula. Uma semana depois, ao fim da sabatina, o professor disse:
– Agora sim, nota 10. Tô vendo que você sabe.
– Eu não sei de nada. Eu decorei tudo – respondeu ele.

Numa lista de discussão de que faço parte, o tema “Vou parar de beber” estava em voga.
Tudo começou quando Miwky disse que a partir daquele dia não bebia mais, gerando respostas inconformadas. Uma delas foi de Thilindão, baixista dos Honkers, que reproduzo na íntegra:

"Minha senhora, quer tomar suquinho? Vai pra lanchonete!
Bar é lugar de gente séria. Coisa de responsabilidade. Vai tomar seu sorvete quieta e deixa os profissionais em paz!
De vez em quando eu tiro minhas férias de birita e continuo indo pra night, mas confesso que me divirto bem menos, também me fodo bem menos, mas a gente tá no mundo é pra se fuder e se divertir, portanto, se eu sou um comedor de água vou morrer comendo água. Posso tirar férias, mas parar pra sempre é desespero.
Aos poucos você vai descobrir outros meios de se sociabilizar, talvez outros amigos, talvez outros prazeres, mas ninguém morre nem perde os amigos porque parou. Só não me convide pra ir em sua casa tomar um cafezinho, porque isso não é coisa de gente séria.
Se cuide!
Foi bom te conhecer."

A discussão etílica tomou conta. Uns diziam que a bebida socializava, enquanto outro dizia que não bebia e que mesmo assim era pessoa social, que saía com pessoas que bebiam...
Eu já bebi. Bebi até os 25, quando...

Estudei três anos no Colégio Anchieta. Um dos mais tradicionais de Salvador. É o colégio ideal pra quem sabe o que quer da vida aos 11 anos. Se for medicina ou direito, melhor ainda.
No Anchieta, não dava nem pra namorar nos corredores que no meio do chupão se ouvia um “psiu, pode não” do fiscal. O policiamento era ostensivo.
Na sétima série, turno vespertino, 1992, duas semanas depois do primeiro dia de aula, entrou um aluno novo. Por motivos de segurança, não botarei o nome dele aqui. Vamos chamá-lo de Leleco. Leleco já era famoso por suas ações um tanto criminosas. Era tido como um garoto violento, daqueles que batiam em professor e mandavam o diretor tomar no cu, sem meias palavras. Leleco também tinha a fama de ser o maior maconheiro da Bahia.

Faltando duas semanas para o fim do primeiro semestre, as aulas terminavam no segundo horário, deixando os dois horários do meio para a execução das provas da 2º unidade e os dois horários finais livres. Acabávamos a prova e ficávamos no pátio do colégio, conversando sobre a prova, o gabarito, se desde ali já não tinha mais jeito de passar direto...
Num desses dias:
– Leleco trouxe um baseado, e aí? ¬– me disse Francisco, que também nunca tinha fumado na vida.
– E aí?
– E aí, vai?
– Não sei, o que você acha?
– Não sei... vai?
– Rapaz... e aí?
– Porra, man, não sei... e aí?
– Rapaz...
– E aí, vão ou não vão, caralho? – Leleco chegou de repente, já intimando.
Como é que diz “não”?
O Colégio Anchieta ficava no bairro de Amaralina. Atravessava uma rua e estava na praia. Na praia, tinha uns barcos de pesca na areia, e ficamos entre esses barcos. Ventava muito e não tiramos a camisa do colégio. Além de ser a primeira vez que eu fumava, era a primeira vez que eu via um baseado de maconha. Nem vi como era a maconha propriamente dita, já estava fechado.
Já tínhamos dado umas tragadas em um cigarro e não foi difícil o processo. Tirando Francisco, que deu uma babada no baseado, tomando um escalde de Leleco.
– Porra, o cara baba, véi!
Não lembro bem de quanto tempo já estávamos lá fumando, mas lembro que chegou uma mulher, olhou pra gente e fez:
– Que bonito, três meninos do Anchieta fumando maconha!
Eu congelei. Francisco fez o mesmo. E Leleco deu uma de Leleco:
– Vai tomar no meio do seu cu, sua puta.
PUTAQUEPARIU.
Diplomacia zero.
A mulher balançou a cabeça e foi embora. Leleco voltou a fumar fingindo que nada tinha acontecido. Na hora de voltarmos pro Colégio, pois nossos pais nos pegariam lá, eu disse:
– E se ela estiver na porta, esperando a gente com algum funcionário da escola?
O colégio ficava num quarteirão. Eu fui pela direita, pra entrar pela porta principal, e eles pela esquerda, pra entrarem pela porta do lado.
Entrei na boa, não tinha ninguém. Mas após 3 minutos, chegam Francisco e Leleco. Os olhos de Francisco saltavam pra fora.
– A mulher estava na porta esperando a gente, ela e a coordenadora da sexta-série. A gente veio aqui te chamar.
– Aquela puta, vou dar uma broca na cara dela... Ó man, é pra dizer que não foi a primeira vez de vocês, hein? É pra dizer que vocês já fumavam nessa porra, estão ouvindo?
Fomos andando em direção à portaria, tudo era meio confuso, e talvez nem fosse pela onda da maconha... Fui pego, na primeira vez... Caralho, que doideira...
No caminho, ouvindo Leleco dizer pela oitava vez que era pra gente dizer que não tinha sido a nossa primeira vez, tive a sobriedade (acho que não bateu mesmo) de dizer:
– Sim, mas fumávamos há quanto tempo? Dois meses?
– Um mês – disse Francisco.
– Um ano – disse Leleco.
Conseguimos convencê-lo de que era mais coerente uns 4 meses.
A coordenadora da sexta série era jovem e muito bonita. Naquele dia, não teríamos muito tempo. Nossos pais já estavam indo nos buscar e ela, que foi pega de surpresa, no fim do seu expediente, quando só tinha ela na coordenação, disse que não levaria imediatamente o caso à direção, mas que “amanhã, quando acabarem a prova, me procurem sem falta”.
Dia seguinte, acabamos a prova e fomos para o lado de fora da escola, longe dos olhares dos colegas, conversar com ela. Começou o discurso tranqüila, dizendo que “antes de mais nada, quero que vocês saibam que eu vou levar isso para a direção do colégio, mas não vai ser hoje nem amanhã, quero conversar com vocês antes”.
Mantivemos a mentira sobre o nosso tempo de maconheiros. Ela falou do seu irmão, que entrou nessa de maconha e depois foi pra drogas mais pesadas e que tava perdido, sem rumo, tentando sair, mas sem conseguir e blá, blá, blá...

No Anchieta, se fosse mandado pro SOE, era certo que você só receberia uma pequena advertência. Socorro era uma mãe. Se fosse mandado pra sala de Ilda, era bom ter uma boa desculpa e rezar pra ela não tá de mau humor, se não era reunião com os pais e mais dois dias de suspensão. E se fosse pro Diretor, aí, amigo, reze pra sair vivo.

Nesses dias, as pessoas perceberam a nossa mudança. Só andávamos juntos, pelos cantos, conversando... Todo mundo perguntava o que foi que tínhamos feito e a gente despistando.
Depois de uma semana de conversa com a coordenadora da sexta série, eu estava na sala, num daqueles horários de antes da prova, faltando três dias pro fim do semestre, quando entrou o auxiliar de disciplina, o cara que fica pelos corredores, dizendo:
– Ricardo Cury, o Diretor está te chamando.
A sala ficou em silêncio. Um “pxxxxxxxx” veio da galera do fundão.
O colégio estava todo em aulas, fui andando sozinho pelo pátio, não tinha ninguém. Entrei no complexo da direção, subi os degraus velhos, bati na porta grossa de madeira escura, ouvi um “Pode entrar”, e entrei.
– Boa tarde, o senhor me chamou? – disse eu, com um fiapo de voz.
– Sente-se, por favor.
Sentei.
– Quer uma água?
– Não, tá beleza...
– Então, Nadja me disse que você tem algo pra me contar...
– Hein?
– Nadja disse que você tem algo pra me dizer...
– Ah, é... ééé... você já sabe, né?
– Não. Não sei. Ela me disse que você tinha algo pra me contar...
– Ela não te contou?
– Não.
PQP, teria que contar tudo.
Ele ouviu tudo, calado, não fez uma pergunta, eu mantive a mentira que já fumava há 4 meses e, quando eu acabei de contar toda a história, ele abriu a gaveta, puxou um pedaço de papel que embrulhava algo, abriu esse papel e mostrou, o que só depois fui saber o que era, uma imensa, gigante e enorme berlota. Um galho de maconha.
Sem querer eu entreguei o jogo:
– O que você fumou foi isso aqui?
– Não sei se foi isso, não.
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
Toc toc toc.
– Pode entrar.
Era Francisco, que, com um fiapo de voz, disse:
¬– Boa tarde, o senhor me chamou?
Ele entrou e, quando arrastou a pesada porta de madeira, pôde me ver. Seus olhos duplicaram de tamanho. Fiz uma cara de “ele já sabe tudo”, que ele captou na hora.
– Então, Francisco, quero que você me conte o que aconteceu.
E Francisco falou tudo igualzinho a mim.
Toc, Toc...
– Pode entrar.
Leleco nem deu boa tarde. Sentou na cadeira e ficou olhando pro Diretor. Contou a mesma coisa.
– Tudo bem, podem ir. Amanhã os chamo novamente para uma conversa definitiva.

Amanha era o último dia de aula. Ou dava merda ou dava merda. A merda era iminente. Não tinha jeito.
– Ô, meu Deus, se ele não contar pros meus pais eu não vou fumar maconha nem experimentar mais nada por muito tempo...

Dia seguinte, mesma coisa:
– Ricardo Cury, o Diretor está te chamando.
A sala ficou em silêncio. Um “pxxxxxxxx” veio da galera do fundão.
E lá vou eu, no meu calvário, colégio vazio...
– Boa tarde, o senhor me chamou? – disse eu, com um fiapo de voz.
– Sente-se, por favor.
Sentei.
– Quer uma água?
– Não, tá beleza...

Logo em seguida, chegou Francisco, o ritual se repetiu e, logo em seguida, chegou Nadja.
O Diretor começou:
– O aluno Leleco já foi expulso.
Eu e Francisco nos entreolhamos.
– Mas ele não foi expulso por causa desse ato. Ele foi expulso porque fui olhar o seu histórico escolar e descobri que ele tinha sido expulso do seu último colégio, o Antonio Vieira. Não era nem pro Anchieta ter aceitado ele aqui. Foi uma falha grave da nossa coordenação. E agora a pergunta é “o que fazer com vocês dois?”.
Eu e Francisco continuávamos calados.
O Diretor disse exatamente essas palavras, de forma bem pausada:
– Essa noite, (pausa) eu levei o boletim com as notas de vocês pra casa. (pausa) Ele foi importante (pausa) na decisão que eu tomei...(pausa)
“Me fudi”, pensei eu.
“Me fudi”, pensou Francisco.
– ...Constatei (pausa) que as notas de vocês dois, somadas, (pausa) não dá pra passar direto...
“PUTAQUEPARIU”, pensei.
“PUTAQUEPARIU”, pensou Francisco.
– ...E quando eu coloquei a cabeça no travesseiro (pausa), pensando no que fazer (pausa)... decidi que...
Ninguém respirava na sala. Dava pra segurar o tempo com a mão.
– ...não vou contar pros seus pais...
O silêncio era palpável.
Ele olhou pra mim por 4 segundos e, sem virar o rosto, só mexendo olho, olhou para Francisco por 4 segundos também, e então voltou o seu olhar pra mim para mais 4 segundos, e depois pra Francisco de novo.
– ...PORÉM – gritou ele nos acordando – se vocês perderem de ano, não poderão continuar aqui. E se seus pais vierem perguntar o porquê (pausa), aí sim eu contarei.
Juro que tentei, fui pra recuperação de 6 matérias. Francisco foi pra de 4.
Na recuperação, eu sempre estudava e sempre passava com boas notas.
“É isso que vocês querem? Que eu decore isso aqui? Então tome.”
Mas, nesse ano, algo pior ainda iria acontecer.

Durante a recuperação, descobrimos, sem querer, que as provas do colégio eram rodadas na biblioteca, e que as folhas que ficavam mal impressas, borradas ou tortas, recebiam um único rasgão no meio e iam para a lata de lixo da própria biblioteca.
Formávamos um grupo de cinco. Quatro ficavam conversando com a bibliotecária, fazendo uma barreira, enquanto um metia a mão no lixo pra pegar o tesouro.

Uma vez fomos lá de noite, antes da Limpurb, para pegar todo o lixo do colégio. E conseguimos, assim, juntos com os restos de um X-Calabresa, boas questões de Geografia e Ciências. Nunca era a prova toda, eram uma ou duas páginas, o que significava uns dois pontos garantidos. Como sentava a cara no livro naquela fase, os outros pontos conseguiria facilmente por esforço próprio. Esses dois pontos eram só pra garantir, porém, mais ainda, pela aventura por si só. Quebrar com o sistema. Enganar o sistema. Enganar o Diretor que não deixava nem dar chupão no colégio.

Em pleno século XXI, no ano de 2006, o punk gaúcho Wander Wildner, numa entrevista para um podcast baiano, o Rockloco ¬– rockloco.podomatic.com – disse em alto e bom som: “a culpa é do sistema”.

A coordenação percebeu o movimento do lixo na biblioteca e corrigiu a falha. A última prova era de matemática. Eu havia estudado. Estava confiante. E andando com Francisco pelo pátio vazio, no dia anterior à prova, que seria no primeiro horário da manhã, vimos um cara da oitava série, Genival, saindo pela janela da biblioteca. Ele segurava uma prova. Quando chegou perto da gente, entregou a prova a Francisco dizendo:
– A biblioteca estava trancada, eu entrei pela janela, não tinha ninguém... não achei a minha prova, mas achei a de vocês, tome – e saiu correndo.
Eu e Francisco ficamos paralisados. Olhando a prova. Sem acreditar.
Fomos pra casa dele para responder a prova e a resolvemos naturalmente. Tínhamos estudado. Ao invés de tirarmos oito, tiraríamos dez.
Mas eu tirei 3,8. Não era aquela prova. Ou era, como descobri dois anos depois.
Em 1994, no Colégio Mendel, reencontrei com meu professor de matemática do Anchieta, Jorge. Contei pra ele do episódio, no que ele disse:
– O problema foi que vocês pegaram a prova original... ela ainda nem tinha sido xerocada. O colégio me ligou meia noite. Eu tava dormindo. Fiquei até 3 horas da manhã fazendo outra prova, com uma raiva da porra...

O que salva é que, no fundo, nem tive culpa. Mesmo se a prova não tivesse vindo parar em minhas mãos, eu teria sido reprovado.

– Vai repetir o ano no Anchieta? – perguntou meu pai.
– Nem a pau – respondi.

Francisco passou aproximado, mas perdeu o ano seguinte. Seus pais foram chamados e o Diretor contou tudo.


Por conta da minha promessa, passei a minha adolescência de cara. Não fumei um baseadozinho sequer. Todos os amigos insistiam e eu sempre dizia “não”. Sempre rolava um “você não fuma?!!!!”, quando algum ser novo era apresentado. E eu respondia “não, só bebo”.
Eu só bebia e observava. Talvez por isso lembre de tantos detalhes. Assisti muito aos meus amigos se chapando. Vi de tudo. Cocaína, ácidos, muita maconha... Observar a onda da cocaína me fez ter asco a ela. O estado em que meus amigos ficavam (ficam), muitas vezes, é ridículo.
Uma vez, um ficou contando durante 3 horas como ele bateu o carro. Contava e repetia, contava e repetia, sem parar. E no meio ainda dizia “man, se eu tiver te enchendo o saco me avise”. Eu dizia “não, que nada, pode falar”. E tome a história da batida do carro.
Tem um que toda vez que chega no bar diz que parou:
– Tô dando um time, tô beleza...
Aí passam 5 segundos e ele continua:
– ...Quem é o barão?

Porém, aos 25 anos, no ano de 2003, em uma viagem pra tocar em Aracaju, eu resolvi fumar o meu segundo baseado na vida. E fui pego pela polícia.
Mas isso é outra história...

Em tempo: Hoje se espantam me perguntando “você não bebe?!!!”. E eu respondo “não, só blá, blá, blá...”

_________________
(1) Every little thing she does is magic, de Sting, The Police.






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Jornalista81
 

Po.
Parabéns pra memória do teu avô.
Eu não decoro nem qual foi o meu almoço

Jornalista81 · Brasília, DF 27/10/2007 19:15
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cury:
Rapá você é um dos meus escritores favoritos. Sou vidrado em tudo o que leio escrito por você. Cara, você tá sabendo do livro colaborativo "Reminiscências da Escola" que nós queremos editar no overmundo e eu acho que este teu texto veio bem a calhar para o projeto. Gostaria de entrar na jogada? Aguardo resposta, de preferência positiva!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho, fã de carteirinha!

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 27/10/2007 20:11
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Benny Franklin
 

Esse é um dos melhores textos que eu já li aqui - calha com o projeto de amigo Joca.
Parabéns, Cury!
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 27/10/2007 21:52
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Saramar
 

Cury, vim ler por indicação do Joca e fiquei impressionada com o seu jeito de contador de história. è perfeito.
Não consegui me soltar do do texto nem por um segundo.
Muito bom, aliás, bom demais, tanto no tem po da narração quanto na concisão em dose exata.
Gostei.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 27/10/2007 22:56
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Roberta Tum
 

Muito bom Cury!

Roberta Tum · Palmas, TO 28/10/2007 16:17
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crispinga
 

Querido Joca,
Como "mediadora " do livro peço-lhe a palavra.
À princípio me interessou o título, de uma música que me acompanhou na juventude,eu amava, The Police, Sting...
De repente, nosso amigo começa com um papo que mais parece de Alcoólatras Anônimos....
Depois descamba para "reminsicências escolares" e mais outras drogas...
Achei tudo muito confuso e acabei não entendendo seu objetivo.
Só gostaria de parabenizá-lo por não ter entrado na onda da cocaína que deve ser tão difícil de largar quanto o álcool...
Mas essa preconização "Eu bebo sim...", acho meio perigosa. Você pode não ser um adicto em maconha e cocaína mas pode ser um alcoolista!
Beber moderadamente é legal, ficar alegrinho, morrer de rir...Agora, passar da medida, dar vexame, ter amnésia alcoólica, dirigir bêbado, matar pessoas...Não é legal. É deplorável. Uma das coisas que mais me irritam é papo de bêbado...De ligadão, aff! Já aturei demais, ninguém merece!
Gostei da passagem pela escola, do roubo das provas... Quem nã aprontou uma dessas na adolescência...Só não entendí o que o álccool e os baseados estão fazendo nessa estória!
Não pense que sou alguma caretona mas acho que Escola e drogas são temas incompatíveis, a não ser se for falar de prevenção...
BJOCA
CRIS

crispinga · Nova Friburgo, RJ 28/10/2007 16:57
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Crispinga:
Quem mistura drogas com escola não é o Cury nem sou eu e, sinceramente, não vejo sentido algum, o menor sentido mesmo, em esconder o sol com a peneira. Não vi no texto do Cury, sinceramente, nenhuma apologia das drogas, mas, mesmo que houvesse, o máximo que eu faria seria contrapor argumentos aos que ele porventura tivesse pois sou radicalmente contra qualquer tipo de censura à liberdade de manifestação do pensamento.
Jovens estudantes fumam maconha, assim como se utilizam de outras drogas até mais pesadas concordemos ou não com isto.
Convidei o Cury para figurar no nosso livro porque o considero um belissimo escritor cujo texto certamente valoriza o livro, isto é, como você bem salientou ao dirigir-se a mim, e não a ele, eu serei o principal responsável se e quando o texto figurar no livro (acho que o Cury nem sequer sabia da existência do nosso projeto).
As reminiscências de um jovem de vinte e poucos anos não podem ser parecidas com as minhas (ainda bem!) e isso, essa diversidade, só depõe a favor do livro. Já foi aberta no nosso grupo virtual uma enquete para saber o que a maioria dos colaboradores acha do texto do Cury vir a figurar no livro. Acho este inquérito uma precipitação, pois o debate nem bem se iniciou, mas pela sua intervenção aqui, e a enquete da Apple no grupo, percebo que teremos de aprofundar a discussão entre nós, o que não é ruim, de forma alguma.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS: Desculpe a provocação, Crispinga, mas gostaria muito de ver um texto seu "preventivo" contra as drogas e o alcool.

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 28/10/2007 19:38
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André Teixeira
 

MAN!!! (hehehe!!!)

MUITO bacana seu texto!!!

A discussão suscitada pelo Joca e a Crispinga é bem relevante também em relação às questões de drogadição.
Nesse sentido, a maior e mais estupefaciente das drogas, diluidora de cérebros, nosso hodierno Ópio, não é citada: a televisão imbecilizante (não a ferramenta 'Televisão', mas seu mal uso), verdadeira máquina de homogeneizar comportamentos. C******!!! Citando Roberto Crema: Nestes tempos sombrios que nós vivemos, talvez esse seja o lado pelo menos que mais me leva a me indignar e, também, a chorar: saber que um pé de alface em qualquer horta é melhor tratado do que os meus filhos, os seus filhos estão sendo tratados nas escolas. Você pode imaginar um horticultor exigindo de todos os seus organismos vegetais o mesmo desempenho? Você pode imaginar um horticultor comparar um tomate com um pepino e desejar que um seja como o outro, apresente o mesmo resultado? Vocês podem imaginar um jardineiro exigir de todos os organismos da biodiversidade de um jardim o mesmo currículo? Isso é um absurdo. Vocês percebem onde nós jogamos na lata de lixo nosso potencial inato de liderança, de maestria?


Algo que a televisão de hoje mais do que faz: tratar os socialmente desiguais como tais, fomentando desejos que, na esmagadora maioria das vezes, só o capital pode manter.

Cury, obrigado pelo ótimo texto! Procurarei mais textos seus por aqui.

GRANDE abraço!!!

A.
p.s. - Se vieres a Aju City por esses dias, estará rolando o MUSICALIDADES!!!

André Teixeira · Aracaju, SE 28/10/2007 23:21
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apple
 

Adorei o texto tanto pela forma com que foi escrito quanto pelo levantamento que ele fez sobre a inserção que a droga tem na sociedade, incluindo a escola. Discordo, pois, daqueles que pensam que se possa desvincular escola de sociedade. A escola está inserida na sociedade e, assim, separar escola e sociedade fica complicado...para não dizer impossível!

Não há necessidade alguma de eliminar os pontos do texto em que a escola não está diretamente citada até porque eles complementam, sem excessos, o quê se disse sobre a escola. A escola não pode querer pretender ignorar e viver além da sociedade porque os indivíduos (tanto corpo docente quanto corpo discente) que lá estão são não só frutos da escola, mas também dessa sociedade.

A escola não formará indivíduos que influenciarão a sociedade que por sua vez influenciarão a escola fechando um ciclo? Então...

Outra questão que gostei foram as lembranças que o texto acabou gerando sobre a minha vida escolar. Vi a questão da apreensão dos alunos que passaram pela questão da droga quanto ao futuro. Lembrei de uma intercorrência do transcurso do meu Ensino Médio.

Tive algo assim também que ocorreu, mas não foi droga. Daí, o nome foi anotado ao ser delatada juntamente com outros colegas. Isso era sexta-feira e o horário de aula já tinha acabado. Nós que ficamos fazendo besteira após o horário.

Estávamos na realidade até o momento aguardando uma reunião do grupo de teatro. Só que aguardando, mas logicamente que outras coisas ocorriam enquanto isso. Então, no transcurso das besteiras veio o flagrante e ficamos naquela vamos sumir ou não. Arriscamos e acabamos errando na escolha.

Um colega foi identificado por um funcionário. Daí, ele acabou revelando o nome dos outros. Atravessamos fim de semana sem saber o quê seria feito de nós. Já sabíamos que a identificação desse colega estava feita. Tisc!

O assunto só surgiu, para mim, dias e dias depois do previsto. A aflição foi demais. Não sabia se os pais seriam chamados, se seriamos suspensos ou o quê.

Só sei que fui a última a ser chamada para a apresentação de explicações. E nem sabia direito sobre o quê estava acontecendo. O papo começou na Diretoria...depois largaram mão disso e designaram uma professora para concluir a questão. Eu mesma só conversei com a professora apenas para confirmar o relato dos demais.

A professora era super querida dos alunos...professora de Artes. Então, ela confirmou a história e perguntou sobre a minha avaliação sobre a questão. Por fim, encerrou-se a questão e a professora compreensivamente chamou a todos. Não disse que estava bom o nosso procedimento, mas aceitou até porque dissemos sobre o nosso erro e sobre a nossa intenção de não repeti-lo.

A professora disse também que deveríamos escrever sobre o fato para que disséssemos o quê pensamos/sentimos/avaliamos. Foi assim o fim do meu suplício.

O texto? Nunca que foi feito...não quis, não quis. Que eu saiba, ninguém quis.

Bem, o fato gerador da confusão foi a curiosidade de uns e a provocação de outros. Digamos que havia a curiosidade minha e de minhas colegas de conhecer o banheiro masculino. Havia também a curiosidade de um colega que compunha o grupo de conhecer o banheiro feminino. Então, ocorreu a besteira de realmente conhecer. Daí que a coisa deu errado porque o colega foi visto no banheiro feminino.

O cara já estava doido. Conversava demoradamente como se estivesse em qualquer outro lugar, depois queria ver todo o ambiente, pulava, contava casos, ... Não queria sair do banheiro de jeito nenhum. Virou festa! Rsrsrs...

Acabou entrando uma funcionária e a coisa desencaminhou. Fomos delatados! Ela não nos conhecia, mas havia quem conhecesse. Como ficamos no colégio acabamos sendo identificados.

Em qual grupo eu estava? Dos provocadores... Ih! Fazer o quê, né? O fato é que provocado foi só o colega mesmo. A mulherada dentro do banheiro e ele era o nosso único amigo. Ficou fora do banheiro. E a gritaria corria para lá, para cá. Acabou cedendo aos chamados e aderindo 'a bagunça. Rsrsrs...

A gente parecia um bando de crianças dentro do banheiro. Daí, a escola deixou por isso mesmo. Rsrsrs...

apple · Juiz de Fora, MG 29/10/2007 02:51
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Adroaldo Bauer
 

Teu texto, Cury, me apareceu como bem feita resenha da coerção de regras de grupo sobre a conduta de indivíduo.
No caso, mais a coerção de um indíviduo (que se impõe pelo medo à força) sobre a conduta de outros em um mesmo grupo.
Tal relação não é a daquela juventude naquela época apenas.
É a de todas as juventudes em todas as épocas, em que o modo possível de existir contrarie a necessidade de ser, de aventura, de exploração das possibilidades, da criação.
Eu ainda partilho, como nos anos 1960, da idéia de que ao vivo se percebe melhor as cores reais, isso que era uma era pisodélica aquela. E, estando em posse das faculdades todas, ainda é difícil, imagine-se a droga assumindo o controle de qualquer delas...
Bem, fiz uns versos um dias desses quando noticiaram a pesquisa do consumo de drogas na atualidade no nosso país.
Como nos idos '60, trafica quem quer ganhar dinheiro rápidp de modo aparentemente fácil e consome que tem dinheiro de algum modo fácil para dispensar à essa opção de satisfação de necessidade.
A pesquisa está no arquivo dos versos

http://www.overmundo.com.br/banco/noticia-do-dia-aquentada-como-o-diabo-que-a-cria

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 29/10/2007 09:39
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cury:
É um grave problema: em tudo o que você escreve tem propaganda enganosa para os escritores principiantes. Quando a gente lê logo pensa – Cara, como é fácil escrever!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 29/10/2007 16:35
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crispinga
 

Joca, Não vou cair na sua provocação porque quem faz prevenção ,ou deveria fazer, contra o uso de drogas é a família e a Escola e os Especialistas no assunto como Psicólogos e Psiquiatras.
Tenho muitas estórias divertidas e outras trágicas envolvendo drogas...Tudo parece muito divertido, no começo.
Este fim de semana 7 adolescentes morreram numa festa rave porque misturaram drogas sintéticas com álcool.
Cury, eu não te conheço e esse Anjo é provocador mesmo!O texto está engraçado só achei-o fora de contexto.
Mas se o editor e a breve enquete dizem que SIM, quem sou eu para dizer que não!
Vamos em frente!
BJ
CRIS

crispinga · Nova Friburgo, RJ 29/10/2007 17:35
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Marcos Paulo Carlito
 

Cury,

Li uns pedaços e gostei. Por isso votei.
Volto pra ler com mais tempo e comentar.

Grande abraço!

Marcos Paulo Carlito · , MS 29/10/2007 18:03
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Carol Kalil
 

A-D-O-R-E-I

Nussssssssssssssssssss!!! Ameiiii!!!

Carol Kalil · Rio de Janeiro, RJ 30/11/2007 11:51
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Gustavo Pelogia
 

caracolis, que texto demais!

devias lançar um livro!

Gustavo Pelogia · São Paulo, SP 26/3/2008 20:57
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Kari Dortas
 

Adoro seus textos !!!
Parabéns !!!

Kari Dortas · Salvador, BA 27/8/2013 10:01
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