Depois de assistir a Ponto de Vista, essa porcaria de quinta grandeza, percebi que algo estava errado comigo, ou com os outros que gostaram do filme. E em retrospecto comecei num flashback gigante, e nem estou em uma ilha perdida, analisar as principais referências que eu tinha da realidade que vivo. Cheguei a uma conclusão alarmante. Dane-se a educação do povo, temos é que educar as elites.
Com perdão do vocabulário forte, mas pelo amor de Jah! Nossos professores são tão estúpidos quantos nossos alunos. E se os melhores colégios desse Rio de Janeiro são destinados a criarem o futuro pensante de nosso país... alguma coisa está errado. Estudo na digníssima UFRJ e digo que a estupidez é algo que flui abundantemente de nossos magistrados. Não um desconhecimento de suas áreas particulares, mas um mínimo de cultura geral e pensamento próprio. Todos estão totalmente inseridos na realidade da patotinha que se auto promove e auto bajula para se manter “em dia” com seus egos.
Se por acaso os professores federais são assim, os de ensino médio são como? Outro dia deparei-me com uma declaração de minha namorada, que é formada em História, mais ou menos assim, (ela ajuda a prima mais nova nos estudos de história) “é um absurdo o que diz esse livro que ela aprende, isso é vergonhoso, não sei se ensino o certo ou o errado para ela.” E isso resume perfeitamente o espírito de nossa realidade. É exatamente esse pensamento que corrói até o fundo nossas almas. Ensinar o errado? O que devemos fazer é ir até o raio daquele colégio e protestar com qualquer incompetente que lá esteja pela escolha daquele livro ridículo e do professor de mierda que lá leciona.
O problema endêmico da educação do Brasil hoje é puramente da elite. Quem aprova verbas para a educação pública? Quem é que reforma, dá base e sustento para o ensino do povão? Quem é que por um acaso antes de mais nada estuda em casa antes de falar qualquer besteira em público? Qual das pessoas são responsáveis por um bom ensino? O professor público, que não consegue ensinar nada pelas condições, ou o professor particular que não ensina nada por que é realmente uma anta? Ou, ainda, aquele diretor pedagógico daquela escola bacana que o máximo interesse dele em pedagogia é ver o seu salário em dia e ver no jornal “Colégio X aprova 4 mil para faculdades públicas”?
Falta hoje qualquer coisa parecido com um senso crítico, um pensamento autônomo, ou qualquer coisa que o valha em nossas elites, em nossos companheiros, conosco! Olho ao redor e vejo as pessoas passando batidas por um ano sem ler um livro. Sem sair da mesmice de Jornal Nacional – Novela das oito – Tela Quente ou Futebol. Já fiz minha parte, desliguei minha televisão. Olha que simples ato pode mudar uma nação, imagine que nossas elites, por um passe de mágica tipo filme hollywoodiano para adolescentes, simplesmente desliguem seus televisores? Que quando dona Maria servir o chá com biscoitos e se prostrar para conversar o Sr. Endinheirado dissesse “mas que isso, você assiste a televisão ainda?” Pelo menos o exemplo, como sempre me foi ensinado, vem de cima.
Se nossas elites são exemplos claros de como que uma elite mal educada e muito pouco refinada consegue des-educar uma nação, algo não está bem. Veja pelo lado mais contundente da coisa, educar significa passar valores. De nada adianta o sujeito gravar a porcaria do livro de história (todo errado por sinal) se ele não questionar aquilo que lê, não procurar saber se foi aquilo mesmo que está lendo, e até, de propriamente ler o livro de história que têm, pois certamente irá achar várias contradições ao longo do próprio livro. Ser alfabetizado não significa saber ler. Ler é um ato complexo, reconhecer as letrinhas qualquer criança faz com a sopa. As pessoas não lêem hoje em dia não porque não gostam de ler, mas porque não sabem!
E se nos assuntos atuais a coisa vai mal, no ensino clássico então! Veja se algum adolescentezinho que saia do seu magnífico colégio e passe no vestibular tem alguma noção do que seja cultura clássica? O Brasil, infelizmente, só possui quinhentos anos, a história contemporânea, infelizmente, só possui pouco mais de cem anos. Há um peso de mais ou menos uns dez mil anos de história da civilização que é totalmente ignorada por nossos professores e nossos queridos alunos sequer chegam a conhecer. E se a escola não lhes mostra essa pequena parte da construção universal, não será dentro de casa que isso irá acontecer, não porque os pais não possuem tempo, ou nada disso, é porque desconhecem também, e o que é pior, muitas das vezes, não só desconhecem como também repudiam!
Esse país tem verbas suficientes para se mudar, para mudar o próprio rumo, e essa verba é particular, vinda dos bolsos das classes mais altas. Eles pagam seus estudos em dia, outros ficam devendo (já que a inadimplência é grande, mas faz-se qualquer coisa para dar uma “educação” boa aos filhos), mas no fim das contas o dinheiro está ali, presente. Existem professores e condições, louças brancas, pilots, projetores, salas com equipamento de som e ar condicionado. As condições são extremamente boas, mas falta uma coisa, uma boa cabeça para fazer tudo isso valer à pena. Se antes de lutar pela educação do povo as elites olharem pro próprio umbigo e enxergarem que são tão antas quanto o povo, talvez no nome do livro tão em moda hoje em dia fosse “Lula é minha Anta, e eu também”, e assim pudéssemos começar a educar realmente o povo desse país, aqueles que vão poder mudar alguma coisa, aqueles que deveriam por obrigação moral saber d’alguma coisa.
A educação nunca teve tanta verba quanto tem hoje em dia. O problema é a educação mesma... e não a verba em si. Devemos apontar para cada parceiro, para cada lado que olhamos e dizer “Olha aqui filho da mãe, você tá reclamando de que? Sabe porque essa merda vai mal? Por sua causa, por minha causa e por causa da gente conjuntamente! Pois tu reclama que o Aluísio fala errado, tu reclama que a Carla Perez é uma anta, tu reclama que o Faustão é deprimente, mas tu sabe alguma coisa além do que ele sabe? Falar certo é cultura? Tu tem noção alguma de história universal? Tu tem alguma idéia de arte? Tu sabe alguma coisa de filosofia? Tu pensa por si mesmo? E o pior, o pior, seu reclamão de merda, tu dá o exemplo? Tu é o primeiro a descambar e discutir, sair na porrada, não saber de seus direitos, querer vingança! Você é o primeiro a sentar todo dia na sua casa e ficar vendo a novela das oito! Quer mudar? Muda você primeiro!”
Leandro tudo que tu dizes é verdade. Deve ser dita, deve ser cobrada repetidamente, porem:
a) maior crise da escola, do sistema educacional brasileiro está
nos pais (no pai e na mãe de tantas e tantas crianças). Dos adolescente está na totalidade dos pais do Brasil
b) eu lido com grupo de capoeira (o menor volume de fortuna acumulada por m²), posso te garantir - é muito mais grave que se imagina. E não é so educação escolar. Não. Educação familiar, social, politico/institucional;
c) quem menos tem culpa é o prof.; o sistema; o critério; o dinheiro; o governo (nesta ordem) - Os pais, todo o crime está nos pais.
d) Não há dinheiro que consiga com os pais que tem o Brasil, das últimas décadas.
um abraço.,
Grande o teu artigo, nãoestou te contestanto, tive a intenção de contribuir.
andre.
com certeza. e ainda acrescento, como "pais geram pais" as coisas tendem a ficar por aí mesmo. o valores vem germinados de casa. como temos uma crise na instituição "família" de muito tempo já, a coisa não tende a melhorar.
leandroDiniz · Niterói, RJ 25/4/2008 13:44
Maravilha esse desabafo.
Nas escolas, estudar nos livros didáticos é, como você bem disse, aprender o errado.
Nos tribunais, seguir as leis é fazer injustiça.
Nas ruas, ser livre é crime.
Na doença, ir aos hospitais é a morte.
Nas eleições, votar é tornar-se cúmplice.
e por aí vai...
Precisamos nos unir para criar o lado de fora!
Leandro,
Compartilho de muita coisa do que escreves, ás vezes falo/escrevo de forma semelhante, outras vezes diferente, mas essencialmente concordo com você. Entretanto, não vejo que buscar re(educar) as elites seja o único caminho, tenho dúvidas se até mesmo seja possivel. Penso que é necessário olhar o outro lado, como é dito por Carla, no comentário acima. Percebo em movimentos sociais como o MST e em movimentos culturais, com destaque para o hip-hop, muitas ações positivas que buscam tranformar o que você diz em ações, neste caso, fazendo opção para re(educar) os de baixo.
Sugiro dar uma navegada no site da editora expressão popular que publica livros que propõe aquilo que você chama de “qualquer coisa parecido com um senso crítico, um pensamento autônomo”
Uma curiosidade: O que é que diz o livro em que a prima de sua namorada estuda história?
“é um absurdo o que diz esse livro que ela aprende, isso é vergonhoso, não sei se ensino o certo ou o errado para ela.”
Deixo a sugestão para a leitura dos posts que escrevo e que tratam a respeito de iniciativas voltadas para confirmar aquilo que disse Renato Russo uma certa vez: “Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz”.
Que todos busquem o conhecimento integral, que é a nossa fonte principal de luz, para que não aconteça o retorno de uma outra idade média, ou idada mídia, como queira.
Abraço,
de Oliveira,
Obrigado pelo comentário. O fato de que o livro fala é sobre o Paraguai durante a Guerra do Paraguai, onde o livro aponta que o Paraguai era um país industrializado e próspero, quando isso não era verdade. Enfim, as simplificações de livros didáticos são necessárias, mas a invenção de fatos para isso é ridícula.
Leandro,
O texto tem fundamento, mas é infantil quanto a proposta de mudança, aliás, o que você apresenta como proposta de mudança?
Por favor, tem que ser algo viável, passível de ser realizado. Apontar erros e merdices é fácil. Quero ler sua proposta inteligente de ação (não vale passeata).
?
Caro Marcos Paulo,
Seria uma façanha homérica se eu conseguisse em um texto ou em um livro, ou até em vários livros dizer ou propor como cada pessoa deve buscar instrução ou conhecimento. Como que cada pessoa deva se transformar política, social e moralmente.
Infelizmente eu só posso apontar defeitos e sugerir caminhos. Refletir, pensar, não tenho como comprovar que refletir é melhor que não refletir, a não ser apontando os erros de atos irrefletidos e apontando atos de atos refletidos, pela minha ótica, e esperar que façam resultados.
Aos meus próximos convido, leio, me instruo, tento informar, mostrar novos caminhos do pensamento e o principal, viver o que penso e pensar o que vivo. Posso até escrever sobre isso, mas as pessoas que precisam serem mudadas não me lêem e nunca me vão ler. E por isso fico na prática, a prática refletida como exemplo.
É uma pena, pensei que você tivesse uma idéia.
Mas tudo bem, é bom fazer pensar. Seu texto faz pensar através de uma outra ótica.
Abraços
Marcos,
Entusiasmado com seu comentário vou-me deter, então, a escrever, o que acho pertinente para uma ação efetiva de mudança. Assim que tiver pronto o texto publico e lhe comunico.
Abraços
Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!
+conhea agora
No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!