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Observatório
A história do Overmundo na memória de seus colaboradores O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... > leia
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Fanzine na mão e no papel
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![Lado[R] // Zona Zine // Colateral Lado[R] // Zona Zine // Colateral](../_overblog/img/1154585504_montagem.zine.jpg)
Em dias ocupados por telas virtuais ainda há quem prefira o impresso. Principalmente quando se fala de fanzines. O termo que nos faz lembrar de recortes, colagens e jornalismo instintivo, há tempos está mais amplo: nas páginas mais HQs, poesias, contos, colagens, experimentações gráficas, enfim, assuntos que circulam fora do circuito comercial.
Com a Internet apareceram versões on-line dos impressos e os que só circulam na rede – os ‘e-Zines’ como Peqeno Mudo.
Mas quem acredita no fim dos fanzines exclusivamente impressos? Tem ‘fanzineiro(a)’ que não troca a magia do papel e processo original por nada!
A passagem por Natal dos editores Renato Silva (Colateral, SP) e Carolina Morena (Zona Zine, PB), inspirou um bate papo gravado para o primeiro programa da Rádio[R], braço sonoro do fanzine local Lado[R] com 3 edições publicadas. A dupla mantém fanzines fora da web e acha que esse é verdadeira essência da coisa.
Sob uma lua nova em Ponta Negra, bairro praiano da zona sul de Natal, no alto de um prédio, a conversa fluiu e as palavras escaparam para esta dimensão:
:::: Dimetrius Ferreira – O fanzine por ser uma mídia underground, tem que falar só sobre esse meio?
:::: Carolina Morena –De forma alguma! Até porque hoje os zines não circulam só nesse mundo. Só acho que zine é o meio que mais conhecemos por underground porque é uma maneira barata de ser publicar alguma coisa. Mas não precisa necessariamente falar sobre isso ou aquilo, basta ser fã de alguma coisa e escrever sobre o que gosta.
:::: Renato Silva – Um zine não deve só tratar de assuntos ligado ao underground. Até porque eu tenho uma posição um pouco estreita sobre esse conceito. O que é underground hoje? Onde está? O caráter do colateral tem um pouco da dessa contestação. A internet trouxe tudo para superfície, então não consigo enxergar esse ‘underground’. Hoje todo mundo tem acesso a tudo então acho que não existe mais underground!
:::: Renata Marques – Na visão de vocês, os blogs são fanzines virtuais?
:::: Carolina Morena – Se pensarmos na estética, conteúdo e na linguagem é sim. Mas fanzine não é só conteúdo é um meio de produção, é um ideal. Existe uma página na Internet, que falam sobre assunto que também os zines falam, mas no meu ponto de vista eles não são fanzines porque já encontraram outro meio de divulgar: a Internet. Zine de verdade é zine é feito na mão e no papel.
:::: Dimetrius Ferreira – Qual a fase mais saborosa da produção de um fanzine ?
Renato Silva - O fanzine só é feito com paixão! Pra mim o tesão maior é ver o conteúdo e o feed back da galera.
:::: Carolina Morena – Eu adoro a montagem e também do último passo do fanzine, que é quando você não fala mais sobre ele com uma pessoa que você conheceu por conta dele.
:::: Renata Marques - Como surge uma edição ?
Renato Silva – Geralmente quando acaba um já tem material para o outro. São coisas que chegam depois do fechamento e você já separa pra próxima edição, muitas vezes até por questão financeira. No caso do Colateral a vida de cada colaborador também interfere na criação do zine: desde o cara que desenha os quadrinhos até a pessoa que ajuda a digitar e divulgar o material. Por isso digo que o Colateral não acaba no papel, também está nas rodas que falam dele.
tags: Natal RN cultura-e-sociedade zine e-zine lado-r fanzine
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