FAQ: A revolução que vai passar na TV

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Leo Lima · Rio de Janeiro, RJ
1/12/2007 · 189 · 16
 

Afaste os móveis da sala, tire os controles remotos do caminho e deixa-a ali. Assim como os grandes e velhos elefantes, sua TV vai esmaecer sozinha, isolada num canto da casa, junto aos restos do videocassete e da vitrola. Logo ela, que sempre veio cheia de garantias até a próxima Copa do Mundo, vibrou com atrações dominicais, e que chorou tantas lágrimas em horário nobre. Mas a vida é assim mesmo, continua sempre...nas cenas do próximo capítulo.

E o próximo capítulo tem dia e hora marcados. A partir das 20h do dia 2 de dezembro, o Brasil entra na era da TV Digital, ou melhor, começa a olhar pelo buraco da fechadura de uma nova era da televisão. A primeira transmissão será realizada apenas para a grande São Paulo através de um pool de emissoras de TV aberta.

O que muda no meu futebol de domingo?

Por enquanto, muito pouco. Inicialmente, as mudanças apenas consistem numa sensível melhora na qualidade de som e imagem, qualidade DIGITAL. Os engenheiros envolvidos devem pensar: como assim apenas? Não imagina todo o aparato que há por trás disso. Calma!

É também o fim da famigerada antena coletiva do condomínio, e do pai de família berrando de cima do telhado “Vê agora! Melhorou?”. A TV Digital poderá ser sintonizada com uma simples antena UHF, como aquelas de antigamente, em que se colocava Bombril para tentar melhorar a recepção do sinal. Basta um set-top box ou conversor (que chega por salgados R$800 em média), e a anteninha vai poder captar o melhor que uma HDTV pode oferecer, sem fantasmas, sem chuvisco, e nesses novos tempos, sem Assolan.

Toda essa revolução chega um pouco tarde ao Brasil, uma década depois da internet. A radiodifusão analógica, exibida em aparelhos de tubo de raios catódicos, é uma senhora de quase 60 anos. A não ser pelo surgimento da transmissão em cores e do controle remoto, a TV mudou muito pouco desde que surgiu. Uma tecnologia que congelou no tempo, e ainda assim mantém fiéis que, no Brasil, passam em média quase cinco horas por dia sintonizados. Foi necessário que um parente mais jovem e mais antenado com as novas tecnologias surgisse para acabar com esse marasmo. É assim, da junção dos novos hábitos criados pela rede mundial de computadores com os velhos hábitos de assistir à televisão, que surge a TV Digital. Um casamento meio incestuoso, daqueles que põem todo mundo a comentar: a dama de meia-idade encontra o jovem descolado.

O casamento é tão polêmico que, antes mesmo de se consumar, já deu a primeira ninhada, de trigêmeos. IPTV, Web TV e TV móvel (via celular ou outros aparelhos portáteis) vêm mesmo pra confundir tudo, multiplicando os meios de acesso e os formatos de programas da TV tradicional, e elevando a experiência audiovisual a níveis ainda intangíveis. Cada um desses rebentos nasce com características muito próprias. A experiência de assistir a um audiovisual na tela do I-pod no ônibus para o trabalho (TV Móvel) certamente será bem diferente de assistir a um programa sentado no computador (IPTV ou Web-TV), ou mesmo no sofá da sala (IPTV, TV Digital). É muita novidade para esse pequeno texto.

De todas as formas, a grande revolução da TV Digital reside nos genes dominantes paternos: o DNA da internet traz um genótipo bem evoluído, que se manifesta em características bem específicas como interatividade, multiprogramação, conteúdo sob demanda, acesso direto e distribuição sem intermediários, todas a serviço do velho hábito de parar os olhos numa tela com imagens em movimento.

Então o que vai ter nessa TV aí?

Poucos sabem de verdade, mas muitos já arriscam de fato. Radiodifusores, telefônicas, conglomerados de comunicação, distribuidores e produtores de conteúdo, pontocoms, desenvolvedores e, por que não, usuários e telespectadores, todos são candidatos a tutores dos trigêmeos superdotados da televisão. Como disse o Ronaldo Lemos em texto para o Overmundo, quem descobrir a linguagem das novas mídias ganha um doce e, de quebra, um promissor mercado a ser explorado na interseção da televisão com a internet.

Os novos recursos disponíveis são tantos que poucos conseguem efetivamente vislumbrar como colocá-los em prática. A TV Digital, por exemplo, vai permitir que o espectador tenha em mãos um canal imediato de resposta via telefone ou banda larga, basta apertar o controle remoto para interagir com o seu programa favorito. Mais do que um simples telespectador, a TV vai passar a conversar com um retroalimentador, sem o expediente de institutos de pesquisa de opinião. Gostou do carro do galã da novela? Compre aqui!

Outra grande mudança diz respeito à multiprogramação e conteúdo sob demanda. As tecnologias digitais permitem que, no mesmo espaço de transmissão de um canal analógico comum de hoje, sejam transmitidos até quatro canais com qualidade de som e imagem superiores à TV atual (qualidade Standard Definition ou SD, as outras modalidades de transmissão, HD e HD Full, lançam a experiência televisiva a um nível ainda maior). Ainda sobra espaço para outros canais de comunicação, por exemplo, para o envio de conteúdos escritos, imagens, músicas e coisas que a gente ainda nem consegue imaginar. Como disse um amigo, com a TV Digital você pede uma pizza pelo controle remoto e a redonda surge quentinha de dentro da televisão. É quase isso! Com a diferença que você não poderá comê-la.

Ahn, e o que mais?

Tem mais. Além de oferecer quatro programas simultâneos, seu canal preferido vai permitir que você não esteja interessado em nenhum deles, e sim num documentário sobre as chinchilas peruanas exibido numa madrugada perdida de três semanas atrás. Isso é conteúdo sob demanda. Você nunca mais vai perder o Boa Noite! do casal de apresentadores do telejornal porque chegou em casa um pouco mais tarde. É o fim da grade de programação estática, imutável e imposta pelas emissoras. E talvez o fim da publicidade como a conhecemos hoje, em formatos limitados pelo tempo e espaço na programação.

Mas não o fim dos publicitários. Os criativos são os que estão mais próximos de faturar o almejado quindim das novas mídias. Publicitário, roteirista, redator, cineasta, videomaker, diretor, estilista, designer, editor, programador, inventor, desenvolvedor, usuário, artista e telespectador, bota aí qualquer coisa que termina em “ário”, “ista” e “or”: Mentes criativas de todo o mundo, uni-vos!, o artífice das novas mídias também converge para um só palavrão: conteudista.

E o que eu tenho com isso?

Sai na frente quem estiver pensando daqui pro futuro. A publicidade e o marketing, principalmente aqueles voltados para ações diferenciadas na internet (não estamos falando de banner e pop up, que imitam os formatos da velha publicidade), terão papel preponderante na busca de uma nova linguagem para essa nova televisão. O fim da grade de programação pode representar também o fim do intervalo comercial, e se não há um espaço específico para publicidade, tudo vira publicidade. Merchandising vira programa de TV e programa de TV vira merchan! São inúmeros os exemplos de programas televisivos em que isso já acontece, só que, daqui pro futuro, há espaço e tecnologia disponíveis para reinventar todos esses formatos, e eles precisam ser reinventados pra ontem.

A disputa pelo bolo publicitário, e logo por audiência, vai continuar sendo a grande briga dos veículos de comunicação. O anunciante é a massa desse bolo, o telespectador o recheio e a cereja é de quem tiver as melhores idéias primeiro. As emissoras de televisão aberta, o menino gordo que ataca a mesa de doces antes do parabéns, agora vão ter que aprender a dividir melhor as guloseimas.

Mais do que nunca, é o telespectador, ou seja lá o nome desse novo tevente, quem vai ter o poder nas mãos, algo muito além dos superpoderes do controle remoto. É o velho poder de espectador-consumidor aliado ao poder de produtor, programador e distribuidor de conteúdos.

E você, vai ficar só olhando?



Ps.: O dia seguinte à estréia da TV Digital no Brasil é o Dia Nacional de Combate à Pirataria, 03 de dezembro. Sobre o assunto pirataria na TV Digital, merece uma leitura bem atenta o texto de Diogo Moyses e Oona Castro, postado também aqui no Overmundo. Fala sobre as travas anti-cópia que querem colocar na TV digital brasileira.

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Oona Castro
 

Oi Leo,
em primeiro lugar, obrigada pela menção ao texto sobre DRM. Fico feliz de ver que ele está sendo útil circulando por aí.

Agora, queria falar um pouquinho sobre TVD também. Acho legal ver o seu olhar positivo sobre a questão, até porque FAQs costumam mesmo ser positivos.

Mas, com muita tristeza, não consigo compartilhar com você esse olhar otimista sobre o futuro da TV Digital. Eu queria mesmo poder olhar pra pra tudo isso e acreditar nas inúmeras vantagens da novidade.

A despeito das possibilidades abertas a tecnologia da TV Digital, as definições técnicas – e também as políticas – do governo, infelizmente não têm contribuído em nada para o maravilhoso potencial da TV Digital. Não permitiram também que o advento da TVD seja democratizante do ponto de vista do uso do espectro (concessões públicas), da produção de conteúdo e de acesso à nova tecnologia. Sem nem recorrer a problemas antigos (como o investimento em pesquisa nacional e posterior abandono do verdadeiro sistema brasileiro de TV digital), gostaria de apontar alguns problemas que considero graves:

- com a escolha pelo padrão japonês, defendido pela ABERT e pelo Ministro das Comunicações , a alta definição é tal que não se aproveitou a oportunidade para se criar mais canais e inserir novos players no mercado. A automática concessão às atuais exploradoras dos canais analógicos nos fará ter diferentes grades de programação das mesmas emissoras. Ou seja, mais do mesmo. A tal da multiprogramação só dará aos atuais concessionários mais espaço. Mas nada de novo na área.
- Preço: o valor dos conversores está altíssimo: mínimo de R$ 500 pra qualidade de DVD e mínimo de R$ 700 pra altíssima definição. Vamos ter a nova elite da TV Brasileira, quando a TV aberta tinha se universalizado em termos de acesso. Essa reportagem é fundamental pra entender o que está em curso. E acrescento: diante do mercado saturado, a TVD atende a uma necessidade da indústria de aparelhos eletrônicos ao criar um novo mercado.
- Interatividade: nenhum conversor (nem os mais caros, de R$ 1000) está preparado para a interatividade. Hoje mesmo inclusive o Ministro deu uma coletiva e falou disso
Aparentementeee, também na entrevista o Ministro declarou que os conversores impedirão a cópia dos programas para além do ambiente do conversor. Ou seja, estaríamos retrocedendo em relação ao vídeo-cassete. Em termos de direito e em termos do modelo de negócios, isso não faz sentido. Filme na TV é a última exibição da cadeia (depois de passar no cinema, lançar DVD etc). E quem é que vai copiar e comercializar o Fantástico ou o Pânico? Sobre isso, além do nosso texto já citado tem um muito bom do Nelson Hoineff

Enfim, há tantas outras coisas de que eu poderia e até gostaria de falar aqui, mas este comentário já está quase virando um novo post.

Apesar da minha perspectiva mais cética, ficam os meus parabéns por propor debate sobre assunto tão relevante.

E espero que, no futuro, essas possibilidades que você lançou tornem-se mesmo realidade.

Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ 28/11/2007 20:28
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Leo Lima
 

Oona,

Obrigado pelo comentário e pelo interesse. Seu texto sobre as travas à TVD é muito bom e, melhor de tudo, esclarecedor.

Não sei se acho esse meu texto otimista. Não havia pensado nisso, de verdade. Só busquei uma abordagem leve, acessível e bem humorada para um assunto que costuma ser muito técnico e tem deixado confusas muitas pessoas com quem tenho conversado. Essa era a motivação, atrair a leitura de pessoas que talvez nem se interessem pelo assunto, mas que com certeza gostam de ver televisão.

Mas entrando no debate, tenho algumas considerações que podem afugentar alguns leitores, mas que são necessárias nesse momento.

Existe uma pergunta que é sempre pertinente quando se fala de TV no Brasil: afinal, a televisão é uma concessão do Estado ou o Estado uma concessão da televisão?

Desde sempre sabemos que ambas as opções se equilibram em peso e contrapeso. E com a TVD não é diferente.

Realmente, fica difícil falar em democracia para o uso do espectro, acesso, produção e diversos outros aspectos da TVD no Brasil. E isso não muda porque o jogo está sendo jogado pelos jogadores de sempre.

Os processos políticos se mantêm idênticos, os interesses também, os objetivos...tudo igual como sempre foi. Ingênuo pensar que não seria assim. A novidade nesse cenário é a tecnologia, que pode trazer novos jogadores. Apesar das decisões pouco ou nada democráticas que conduziram o processo de implantação da TVD no Brasil, vejo a nova televisão como um sinal dos novos tempos.

A tecnologia está trazendo à tona uma série de debates que estavam esquecidos. Já existem vozes dentro do nosso parlamento colocando o Código Brasileiro de Telecomunicações de 1962 em questão. Nesse exato momento, no Congresso Nacional, a Lei do Cabo e outras regulamentações sobre TV por assinatura estão sendo reescritas sob novas regras. Tudo em virtude das novas mídias e das novas tecnologias, que fazem nossas leis obsoletas. Pode ser que nada mude agora, mas o tempo vai transformar tudo.

E quando o telespectador efetivamente começar a se apropriar desses recursos tecnológicos, da forma como se apropriam hoje os internautas, aí sim, é ligar a TV para ver uma revolução.

Se eu sou otimista? Talvez! Ou só esteja vendo que, como em Truman Show, o mundo está perto de bater com a ponta do barco no fim do cenário.

Leo Lima · Rio de Janeiro, RJ 29/11/2007 16:54
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Oona Castro
 

Poxa, Leo, excelente! Estou vendo que, se deixar, faremos novos posts a cada comentário. Por ora, vou só dizer que isso aqui é sintoma de que há realmente muito pra ser debatido e que devemos aproveitar ao máximo os espaços. Espero que mais gente comente e não se assuste com nossas longas considerações.

Pra esquentar ainda mais o debate sobre Estado, concessão pública e TV, ainda teremos a TV formada por NBR e TVE, que dá um capítulo à parte dessa discussão. Sem tempo agora pra fazer um texto sobre isso, mas acho que ainda dá pano pra manga.

Vou tentar!

Abs!

Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ 29/11/2007 17:22
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j.alves
 

Seria uma revolução se toda população pudesse participar e usufruir dela..
Mas parabéns pelo texto. um abraço

j.alves · São Paulo, SP 29/11/2007 20:25
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Higor Assis
 

Vou continuar obeservando e aprendendo.

Higor Assis · São Paulo, SP 30/11/2007 08:44
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FlavioDeSouza
 

Gostei bastante do texto - e do debate abaixo dele.
Parabéns, Leo - e Oona, claro!

FlavioDeSouza · Rio de Janeiro, RJ 1/12/2007 10:11
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Paulo Apolonio
 

Leo e Oona, tudo bom?
Eu tive uma prova ontem sobre esse assunto e também sobre TV Pública.
Também não sou tão otimista a esse assunto, por se tratar de Brasil. País que tanto amo, mas sei dos seus governantes.
E desde de o começo da matéria, Politica da Comunicação, que ´professor começou a falar do advento dessas TVs fiquei com o pé atrás e pensei: isso não será tão bom quanto ele diz.
Mas fiquei ouvindo o que ele falava com tanto gosto. E aí e quem discordasse, era motivo de briga.
Agora com esse texto muito bom e esse e com essa debatedora melhor ainda já vi que eu estava certo.
Vocês acham que as grandes mídias vão deixar isso assim, sem ter que mecher seus pauzinhos. No Brasil há políticos e "políticos". Com essa TVD que vem aí se for como Léo diz as grande espresas terão prejuízos finaceiros!!!
Dúvido que as GRANDES MÍDIAS concentrada nas mãos de poucas famílias vão deixar isso passar sem interferir em nada.
Abração a todos.

Paulo Apolonio · Salvador, BA 1/12/2007 11:59
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Zezito de Oliveira
 

Leo,

Deixemos o otimismo para dias piores. Se é que a forma como o sistema de comunicação é gerido no Brasil, já não chegou ao nivel mais baixo em termos éticos e antidemocráticos.
Abrs.

Veja abaixo o que escreceu Marcelo Tas, em seu blog

O VEXAME DA TV DIGITAL
Neste domingo, 2 de Dezembro, está prevista a estréia da TV digital no Brasil. Se formos caridosos com os responsáveis pela aventura deveríamos avaliar esse debut como no mínimo "um vexame".

Enquanto o Presidente Lula prepara o seu gogó para o discurso de abertura, sua especialidade, não consegui encontrar em loja alguma o decoder para assistir a tão esperada "virada tecnológica histórica" como alguns membros do governo se referiram a essa manobra do Hélio Costa que, importante lembrar, não passou pela devida discussão com a sociedade.

Resumo da ópera: não se preocupe em sair correndo para comprar uma nova TV ou um decoder, porque ainda não estão disponíveis. Muito menos aquele prometido e jurado de pé-junto pelo ministro peruca que iria ficar abaixo de U$ 100 dólares. Para não dizer que não falei das flores, a Sony colocou nas lojas o seu topo de linha da Bravia, imagem sensacional, preço nem tanto. Só o receptor do sinal digital sai pela bagatela de R$ 999, conhecido também como um mil reais!

Acima publico imagens de um momento que não volta mais. Semanas atrás era possível pegar o sinal digital teste das emissoras até num lap-top. O videozinho acima fiz com o meu celular na casa do amigo Mauricio Arruda, diretor do Altas Horas de Sergio Groissman, quando ele exibia seu brinquedinho novo trazido do Japão: um cabinho USB que permite a sintonia do sinal digital muito facilmente. Quer dizer, permitia. Esta semana este até sinal sumiu misteriosamente dos ares.

Portanto, muita calma nessa hora. Quem se apressar a gastar com TV digital corre o risco de morrer na praia. E quem um dia ainda vai sacar o tamanho do prejú é a sociedade brasileira. Quando perceber que a TV Digital, do jeito que aí está, significa apenas uma melhoria na imagem para quem tem grana para comprar uma TV nova e uma significativa ampliação do status quo nas concessões das emissoras de TV. Agora, ao invés do único canal em VHF, elas podem usar até oito faixas de frequência para suas transmissões.

É bom lembrar que a maioria das emissoras, especialmente no Norte-Nordeste do país, foram concedidas para políticos durante o assustador e inesquecível mandato de Zé Sarney, quando se implantou o maior curral eletrônico do mundo!

Escrito por Marcelo Tas às 13h57

Algumas idéias que defendo a propósito do assunto, podem ser encontradas no link abaixo:

http://www.overmundo.com.br/overblog/comunicacao-cultura-e-politicatudo-a-ver

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 1/12/2007 12:13
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Andre Pessego
 

Leo,
Informação a dar com pau, como se diria no meu lugar, e muito oportunas. Afinal é amanhã. E muita coisa mesmo os técnicos de outras áreas como eu, não sabiam, não procuraram
informar-se. Bacana.
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 1/12/2007 12:43
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Mansur
 

Tenho acompanhado a atuação do jornalista Paulo Henrique Amorim no portal IG. Por vezes, dependendo da matéria, ele expõe um comentário interessante: "Em nenhuma democracia do mundo há um empresa de comunicação que detêm 70% de toda a verba de publicidade do país".

Nós sabemos bem de que empresa ele está falando: Sistema Globo. Por vezes, ele também diz que o governo Lula é frouxo com a Globo. Também fala das melhorias que o governo Lula trouxe para o país, que realmente são significativas, em face da inépcia, incompetência e cumplicidade de outros governos com os oligopólios e oligarquias que mandam e desmandam no Brasil a séculos.

Amigos, vivemos numa "democracia tropical", uma democracia-fake, de fachada. Me parece que o Lula fez um acordo com essa elite: Vocês continuam como estão, mas eu quero esse dinheiro aqui para os pobres (a grosso modo). Daí essa percepção esquizofrênica de que, as coisas mudaram e não mudaram, ao mesmo tempo.

Vejo com apreensão a escolha do modelo japonês e as conclusões advindas dos comentários da Oona. Há que se ter ceticismo, sim. As possibilidades do sistema TVD, estão em muito diminuídas em face às posturas adotadas pelo Ministério e pelas empresas envolvidas na mudança.

Vejo que a internet pode ser um canal de manifestação para quem se sente vilipendiado em seus direitos de cidadão, com essas escolhas equivocadas, que servem para manter o poder nas mãos de quem contribui para a degradação do tecido social a seculum seculorum amém.

Vamos nos manifestar por aqui e onde mais seja possível para esclarecer, as mudanças tecnológicas que estão em curso, e interpretar corretamente, a quem essas mudanças estão beneficiando.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 1/12/2007 13:18
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Mauro Paz
 

Leo,

Parabéns por levantar este tema. Como publicitário, não posso ignorar que a TVD vai modificar a forma de se fazer propaganda, convergindo para a questão do conteúdo. Semana passada li no site Jonalirismo um artigo do Oliveto comentando que a publicidade do Brasil não acompanhou o Brasil nos últimos anos. Nossa propaganda estaria utilizando muito mais linguagens gringas e deixando a brasilidade de lado.

O argumento dele é de que o brasileiro teve o seu poder de compra ampliado, no entanto sua cultura continua a mesma, logo não adianta eu querer vender espelho pra índio falando inglês.

Torço pela TVD e todas as possibilidades de criação que ela vai me possibilitar, no entanto ainda faltam alguns anos para que ela possa ter o status de comunicação de massa.
Grande abraço,

Mauro Paz · São Paulo, SP 1/12/2007 15:02
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Francolino
 

Bom texto Leo, gostei. A TV digital ainda está cercada por incógnitas. Sem querer ser apocalíptico, mas sendo, nesse caso, a vinda de tal tecnologia permite hipnotizar, mais ainda, aqueles que absorvem passivamente a enxurrada de imagens que acometem os homens dos tempos atuais. Desde que a televisão chegou ao Brasil, ao invés de telespectadores, somos tratados como consumidores. Ora via publicidade, ora via informação. Ao meu ver - e não generalizo - a maioria da população, ainda, não possui capacidade crítica para filtrar conteúdos. Além do mais, a convergência (TV, internet, som) no celular, deixa o questionamento sobre a necessidade de comunicação, de informação, ao ponto de torná-las móvel. Não sei se é de conhecimento geral, mas muitos de nós sabemos que a TV não informa nada. O noticiário é apresentado em fragmentos de notícia, descontextualizados, temporal e espacialmente. Ao mesmo tempo em que se noticia a escalação da selação, logo em seguida entra em cena o homem-bomba que explodiu no Oriente Médio. Jornalismo sem sequência, como uma história em quadrinhos, muda ao virar a página. No dia seguinte, o escândalo, ou suposto escândalo político, sobre o desvio de recursos públicos, é discutido nos salões-de-beleza, rodas de conversa, nos ônibus, no caminho para o trabalho, como se as pessoas se achassem bem informadas. A TV digital vem aí, para poucos é verdade, mas empresário não dá ponto sem nó. Sendo assim, tudo ali se compra e tudo se vende, principalmente, sonhos, ilusões e estilos de vida. Desliguem a TV e vamos viver.

Francolino · Salvador, BA 1/12/2007 22:22
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llamar al pan
 

VOTEI!
É preciso coragem... levantar do sofá e abrir um livro... ceder espaço para idéias... reflexões... imagine quantos novos mundos seriam descobertos, em pleno capitalismo.
Uma retomada de inspirações passadas...
Ahhh... aair, shows, manifestações culturais, dança, música, teatro, literatura....
Desligar a tv, abandonar o controle remoto e guiar nossas próprias vidas... Viu como seu texto me inspirou?!
Se puder leia sobre o FAN
http://www.overmundo.com.br/overblog/balanco-positivo-para-a-cultura-em-bh
ABRAÇOS

llamar al pan · Belo Horizonte, MG 1/12/2007 23:35
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Blude
 

Texto muito bom, Leo. É interessante ver essas mudanças da TV digital començando a influênciar a TV, basta ver as novas vinhetas da rede Globo: degradês, prateados, formas e volumes, tudo tentando passar a idéia de moderninade e em meio a isso um ruido estranho, o famoso "plin-plin", só que dessa vez - que ironia! -, o mais antigo sendo usado. Não sei se vocês conseguem notar a diferença, mas o plin-plin É um usado mais antigamente. Será a Globo tentando se manter ainda um pouco amarrada ao passado, com medo de se perder e deixar o telespectador perdido com tantas mudanças?

Voltar a usar antenas UHF vai ser um pouco estranho. Com a variedade e qualidade das TVs-a-cabo e via satélie, quem vai querer trocar o certo pelo dúvidoso apenas por algumas promessas e públicidade sedutora demais?

Fora as conseqüências para o futuro geradas por essa ampliação da comunicação em massa até dispositivos móveis. Tudo mundo lindo e glorioso, poder assistir ao programa preferido no celular, mas a sociedade estará preparada para isso? E mais: é isso que se deseja para o futuro, alienação 24h/dia/360º ao redor da nossas cabeças?

Blude · Vitória, ES 2/12/2007 16:02
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Leo Lima
 

Pessoal, obrigado a quem se interessou em participar do debate. Para esses, deixo o link desse texto: Novas tecnologias acirram disputa entre capital e democracia, por Verena Glass - Carta Maior. Excelente continuação para esse debate. É mais ou menos por aí!

Leo Lima · Rio de Janeiro, RJ 3/12/2007 12:19
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Egeu Laus
 

Continuando o assunto TV, leiam:
TV Brasil: uma emissora cada vez menos pública.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 3/12/2007 13:40
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