Este texto nasceu na seção Conversas e após uma breve troca de opiniões fiquei encarregado de postá-lo aqui no Overblog. Estive em Recife durante a Feira Música Brasil e gostei muito de ter participado. É certo que grande parte do meu entusiasmo decorre de ter reencontrado amigos queridos e conhecido pessoas bacanas também, mas espero conseguir dar um depoimento isento.
As conferências apresentadas no Porto Musical foram, no geral, muito interessantes. Nas que freqüentei o nível do debate foi muito bom, o que demonstra não só a qualidades dos palestrantes mas também o nível da assistência. Uma pena que houve mais palestras do que tempo para assisti-las, mas feiras são assim mesmo. Vale a pena comentar o guia da feira, um caderninho prá lá de simpático com toda a programação musical, mapas, resumos das conferências e - muito importante! - uma pequena biografia dos palestrantes, que se mostra muito útil nas ações pós-feira.
Os shows: A FMB contou com shows de todos os tamanhos, alguns nos bares e restaurantes do Recife Antigo, outros no Teatro Santa Isabel, alguns na Praça do Arsenal e os maiores no Marco Zero. Não assisti a muitos shows mas como os palcos eram próximos circulei bastante enquanto aconteciam e vi um público que - no meu entender - me pareceu pequeno. Esta baixa freqüência talvez se explique em razão da grande oferta de atrações, pois havia muita coisa acontecendo não só na feira mas em todo o Recife e talvez isto tenha dispersado o público. Outro detalhe: vi poucos olheiros nos shows, ou seja, se o objetivo foi ofertá-los para serem vistos por produtores estrangeiros ávidos por comprá-los, frustrou-se.
Sobre o curso Especialização sobre gestão de propriedade intelectual como ativo econômico, não tenho como opinar pois não o freqüentei, mas só o fato de ele estar inserido na programação da feira é - no meu entender - muito positivo.
A mostra de produtos foi igual à todas outras que já vi, sem grandes novidades: muitos estandes, muitos produtos bacanas, centenas de milhares de CDs à venda, muita gente circulando, essas coisas. As grandes vedetes foram, sem dúvida, o Venture Forum Música Brasil do BNDES e as Rodadas de Negócios comandadas pelo Sebrae. Não cheguei a participar do Venture Forum - de caráter bem empresarial - mas vi e ouvi pessoas muito motivadas com esta iniciativa. As Rodadas de Negócios do Sebrae tiveram foco em negocições com selos, gravadoras e distribuidoras, mas nem por isso foram menos importantes. Muitos músicos miúdos (como eu) tiveram oportunidade de oferecer seus produtos a empresas estrangeiras e brasileiras que por sua vez tiveram acesso a uma produção não ofertada no mainstream. Acredito que estas iniciativas foram um golaço da organização da feira porque elas extrapolaram o discurso e passaram à ação. Todo o dia ouço alguém dizer que a cultura é um dos maiores ativos do Brasil e coisa-e-tal, mas via de regra são só palavras. Estas ações concretizaram este discurso e acho que isso foi um marco, espero ver estas iniciativas repetidas em outras feiras no Brasil.
Para ser sintético, era isso. Estou ansioso para ouvir outras opiniões.
Prezado Moysés Lopes,
não estive em Recife, mas, pelo que você explicitou, um ponto realmente claro, forte, objetivo da Feira foi a presença do SEBRAE.
Creio que pessoas de visão mais ancha, músicos como você, ou não, se sentiram melhor com tal perspectiva de que noutras Feiras o padrão seja mantido e ampliado.
Um abraço.
Darlan M Cunha
Sempre é bom compartilhar as experiências, trazê-las à luz de outros olhares e distãncias! Agradeço descrição da feira, em nós da Bataclã FC estivemos presentes com um clip no DVD de amostra, feita pelo colega tarrafeiro Moysés! Valeu e até mais!
Marcelo Cougo · Porto Alegre, RS 27/2/2007 14:58
Moysés, estive também da Feira, indo representando a IMA - INDEPENDËNCIA MUSICAL ASSOCIADA com uma caravana de músicos e produtores vinculados ao Pólo de Desenvolvimento da Música da Bahia. Considerei o evento excelente. Participamos ativamente de todo o processo. Queremos também ir para a feira de Brasília, jáprogramada para maio próximo.
Na visáo empresarial que buscamos, será interessante conseguir mensurar os resultados conseguidos a partir de uma feira como essa. São muitos contatos, muita informação de qualidade e muitas idéias para desenvolver projetos.
O pessoal do Sul não trouxe stand. Vamos nos ver na próxima feira.
Pessoal:
Vou aproveitar estes três comentários (obrigado a vocês por terem-nos feito!) e ver se consigo atar algumas coisas. O Darlan tem razão quando diz que a presença do Sebrae foi muito forte e objetiva, principalmente em relação ao aproveitamento que os músicos puderam fazer das rodadas de negócios. Claro que o BNDES foi importantíssimo, mas o foco era outro segmento do setor produtivo. Quando o João fala do Pólo de Desenvolvimento da Música da Bahia eu não posso negar que tenho uma breve (mas não tão leve) dor-de-cotovelo...
Explico: Vejo o SEBRAE atuar em muitos estados na área da cultura. Só prá citar as últimas feiras que freqüentei vi a presença dos SEBRAES do DF, CE, PA, BA, SP e PE. Em dezembro de 2005 estive no Mercado Cultural, em Salvador, e participei de uma palestra com representantes dos Sebraes de diversos estados. Solicitei-lhes então que nos auxiliassem a acordar o Sebrae do RS, ao que me responderam que os estados do sul (PR, SC e RS) JAMAIS estiveram presentes nas reuniões temáticas de cultura.
Num momento como este, em que os diversos segmentos da cultura buscam sua sustentação e em que a cultura desponta como um importante alternativa para o desenvolvimento sócio-econômico do país, e incrível que algumas instituições fiquem simplesmente vendo o trem passar. Quando tu falas, João, que o Sul não levou estande à Recife brota-me um sentimento misto de revolta, indignação e pena. Revolta pela passividade mórbida, indignação pela falta de visão e pena por ver que as instituições que deveriam estar nos ajudando a construir este desenvolvimento não tem inteligência para entender a oportunidade que lhes passa diante dos olhos.
Tento contato com o Sebrae do RS há mais de 2 anos e até hoje não fui atendido. Estarei eu a me queixar? Ainda não, pois como diz a máxima gaudéria "não tá morto quem peleia". O que precisamos agora - ao menos aqui no sul - é dar um "bypass" nestes moribundos e buscar outras alternativas, outros parceiros que possam caminhar conosco na construção de um modelo sustentável para a cultura, e nisso eu vejo que o nordeste está léguas à frente.
Espero que possamos nos encontrar em Brasília, João. Eu, tu, o Marcelo Cougo (da Bataclã, grande batalhador da cultura auto-sustentável aqui no RS), enfim, todos que - de uma maneira ou de outra - possam contribuir para o enriquecimento da discussão.
Grande abraço,
Grande Moysé, O Sebrae PE estava na feira, mas não apoiou ação do Fórum Permanente da Música-PE, falta muito para que haja uma ação efetiva do Sebrae para desenvolver nossa cadeia produtiva, apresentamos projeto coletivo de CD e DVD e nos foi negado apoio, mas não deixamos de realizar e projetamos o DVD durante a Feira e no Pré Amp, contamos com apoio apenas da Prefeitura do Recife e muita brodagem na produção, o Sebrae por enquanto está aprendendo a lidar com a cultura e nós somos os cobaias deles, depois essas informações que acumulamos na nossa carreira vai se tornar realmente um ativo nas mão do Sebrae.
alexmono · Recife, PE 27/2/2007 22:12
Ah, o nome do projeto é Recife Transatlântico Sound's , estou preparando a edição p/ postar aqui no Overmundo, mas o podcast com as faixas do CD estão no;
www.alexmono.podomatic.com
um abraço do seu amigo Alex Mono
Moysés, estive lá também e acho que essa perspectiva do "olheiro" hoje é um pouco ultrapassada. Tanto que o conceito dos festivais independentes hoje se apóia na questão de boa vitrine para a nova música, sem necessariamente estar voltada para algum investidor específico.
O artista que consta na programação da Feira está lá para contatos além da expectativa pontual de ser procurado por selo ou gravadora. No entanto, acho que você tem razão quanto à dispersão: é um problema de eventos de programação intensa e simultânea, como a Feira da Música aqui de Fortaleza.
Mas não vejo como ser tão diferente hoje em dia. Caso contrário, ficamos na perspectiva de poucos escolhidos e redução de espaços para um bom número de artistas. Acho que o ideal seria a realização de mais feiras do tipo. É por aí. Abraço!
aproveitando o discurso do Felipe, é reforçar exatamente essa "rede" dos artistas mesmo, no individual e coletivo...enquanto isso, Moyses, vai tomando pé de quem faz as coisas no SEBRAE no RS...é cutucar mesmo.
bucadantas · Natal, RN 28/2/2007 10:33
Ô Alex...muito show o www.alexmono.podomatic.com
parabéns!!!
Bacana seu relato Moyses. Eu vi uma feira muito parecida com a sua, especialmente no que as feiras tem de melhor, que é juntar os bois pretos e podermos nos encontrar. Muitas discussões, alguns negócios, uma enxurrada de informação, mas tempo junto com os amigos que fazem a mesma coisa que nós é o que vale.
Felipe, é uma questão simples, não cabemos todos nos palcos, portanto alguns serão escolhidos, no mundo do bem são os que tem talento - e ai voce está certo, é preciso muitos muito mais palcos para conseguirmos comparar os talentos. Vivam as feiras e festivais independentes.
Pessoal:
Quem me ajuda a mapear as feiras existentes? Pesquisei na memória (e no Google, claro!) e achei as seguintes (ordem cronológica dentro do ano):
Feira da Música de Curitiba (junto à Oficina de Música) - janeiro
Porto Musical (este ano acompanhada da FMB) - fevereiro
Feira da Música Independente (Brasília) - abril
Feira da Música de Fortaleza - agosto
Expomusic (SP) - setembro
Feira da Música Capixaba - novembro
Feira da Música do Sul-Mato-Grossense (a última aconteceu em dezembro de 2004)
Mercado Cultural - dezembro
Como bem lembraram algumas mensagens acima, uma estratégia muito saudável seria aumentarmos o número de feiras e festivais. Com isso teríamos mais visibilidade e poderíamos trabalhar no sentido de trazer ao Brasil produtores internacionais para apreciarem (e comprarem, é claro!) nossa cultura, e as economias locais aqueceriam pois estaríamos trazendo divisas do exterior diretamente para as cidades que sediariam as feiras... Parece interessante, não acham?
Alex: muito legal o teu podomatic!
Um abraço a todos,
No texto que postei esqueci de falar das rádios comunitárias na feira. Deram um show de organização e mobilização. Uma matéria legal está no site da FMB, é só acessar e clicar em notícias. Muitas vezes discutimos o abandono ao qual a mídia radiofônica relega a classe musical, mas será que não estamos relegando um parceiro importante como as rádios comunitárias ao abandono também?
Vamos refletindo... Um abraço,
então bucadantas gostou do podcast, subscreve lá e fica atualizando direto no seu pc.
Pessoal isso a gente pode fazer em cada estado e depois a gente linka tudo, saca lá reuni o que tá espalhado na rede em termos de música pernambucana
Ouça Pernambuco
Moysés, de fato o SEBRAE gaúcho nao acordou para cultura... e, pelo visto, muitas outras entidades também não. Sinto afirmar que não vejo muita esperança nesta nova gestão o SEBRAE visto que o atual presidente é o Sperotto (aquele fazendeiro !)
Só agora, ao ler teu depoimento, fiquei sabendo (e tal foi minha decepção) que o RS não tinha um stand na Feira. Não tem cabimento ! Um stand coletivo, rateado entre entidades, e algum apoio estatal se fosse necessário, já seria digno !
Bem, fica aí a idéia !
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