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Feira Música Brasil 2007

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Moysés Lopes · Porto Alegre, RS
27/2/2007 · 180 · 14
 

Este texto nasceu na seção Conversas e após uma breve troca de opiniões fiquei encarregado de postá-lo aqui no Overblog. Estive em Recife durante a Feira Música Brasil e gostei muito de ter participado. É certo que grande parte do meu entusiasmo decorre de ter reencontrado amigos queridos e conhecido pessoas bacanas também, mas espero conseguir dar um depoimento isento.

As conferências apresentadas no Porto Musical foram, no geral, muito interessantes. Nas que freqüentei o nível do debate foi muito bom, o que demonstra não só a qualidades dos palestrantes mas também o nível da assistência. Uma pena que houve mais palestras do que tempo para assisti-las, mas feiras são assim mesmo. Vale a pena comentar o guia da feira, um caderninho prá lá de simpático com toda a programação musical, mapas, resumos das conferências e - muito importante! - uma pequena biografia dos palestrantes, que se mostra muito útil nas ações pós-feira.

Os shows: A FMB contou com shows de todos os tamanhos, alguns nos bares e restaurantes do Recife Antigo, outros no Teatro Santa Isabel, alguns na Praça do Arsenal e os maiores no Marco Zero. Não assisti a muitos shows mas como os palcos eram próximos circulei bastante enquanto aconteciam e vi um público que - no meu entender - me pareceu pequeno. Esta baixa freqüência talvez se explique em razão da grande oferta de atrações, pois havia muita coisa acontecendo não só na feira mas em todo o Recife e talvez isto tenha dispersado o público. Outro detalhe: vi poucos olheiros nos shows, ou seja, se o objetivo foi ofertá-los para serem vistos por produtores estrangeiros ávidos por comprá-los, frustrou-se.

Sobre o curso Especialização sobre gestão de propriedade intelectual como ativo econômico, não tenho como opinar pois não o freqüentei, mas só o fato de ele estar inserido na programação da feira é - no meu entender - muito positivo.

A mostra de produtos foi igual à todas outras que já vi, sem grandes novidades: muitos estandes, muitos produtos bacanas, centenas de milhares de CDs à venda, muita gente circulando, essas coisas. As grandes vedetes foram, sem dúvida, o Venture Forum Música Brasil do BNDES e as Rodadas de Negócios comandadas pelo Sebrae. Não cheguei a participar do Venture Forum - de caráter bem empresarial - mas vi e ouvi pessoas muito motivadas com esta iniciativa. As Rodadas de Negócios do Sebrae tiveram foco em negocições com selos, gravadoras e distribuidoras, mas nem por isso foram menos importantes. Muitos músicos miúdos (como eu) tiveram oportunidade de oferecer seus produtos a empresas estrangeiras e brasileiras que por sua vez tiveram acesso a uma produção não ofertada no mainstream. Acredito que estas iniciativas foram um golaço da organização da feira porque elas extrapolaram o discurso e passaram à ação. Todo o dia ouço alguém dizer que a cultura é um dos maiores ativos do Brasil e coisa-e-tal, mas via de regra são só palavras. Estas ações concretizaram este discurso e acho que isso foi um marco, espero ver estas iniciativas repetidas em outras feiras no Brasil.

Para ser sintético, era isso. Estou ansioso para ouvir outras opiniões.

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Darlan
 

Prezado Moysés Lopes,

não estive em Recife, mas, pelo que você explicitou, um ponto realmente claro, forte, objetivo da Feira foi a presença do SEBRAE.
Creio que pessoas de visão mais ancha, músicos como você, ou não, se sentiram melhor com tal perspectiva de que noutras Feiras o padrão seja mantido e ampliado.

Um abraço.
Darlan M Cunha

Darlan · Belo Horizonte, MG 27/2/2007 12:16
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Marcelo Cougo
 

Sempre é bom compartilhar as experiências, trazê-las à luz de outros olhares e distãncias! Agradeço descrição da feira, em nós da Bataclã FC estivemos presentes com um clip no DVD de amostra, feita pelo colega tarrafeiro Moysés! Valeu e até mais!

Marcelo Cougo · Porto Alegre, RS 27/2/2007 14:58
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Joao Reis - Mitologia do Amor Selvagem
 

Moysés, estive também da Feira, indo representando a IMA - INDEPENDËNCIA MUSICAL ASSOCIADA com uma caravana de músicos e produtores vinculados ao Pólo de Desenvolvimento da Música da Bahia. Considerei o evento excelente. Participamos ativamente de todo o processo. Queremos também ir para a feira de Brasília, jáprogramada para maio próximo.
Na visáo empresarial que buscamos, será interessante conseguir mensurar os resultados conseguidos a partir de uma feira como essa. São muitos contatos, muita informação de qualidade e muitas idéias para desenvolver projetos.
O pessoal do Sul não trouxe stand. Vamos nos ver na próxima feira.

Joao Reis - Mitologia do Amor Selvagem · Salvador, BA 27/2/2007 15:14
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Moysés Lopes
 

Pessoal:

Vou aproveitar estes três comentários (obrigado a vocês por terem-nos feito!) e ver se consigo atar algumas coisas. O Darlan tem razão quando diz que a presença do Sebrae foi muito forte e objetiva, principalmente em relação ao aproveitamento que os músicos puderam fazer das rodadas de negócios. Claro que o BNDES foi importantíssimo, mas o foco era outro segmento do setor produtivo. Quando o João fala do Pólo de Desenvolvimento da Música da Bahia eu não posso negar que tenho uma breve (mas não tão leve) dor-de-cotovelo...

Explico: Vejo o SEBRAE atuar em muitos estados na área da cultura. Só prá citar as últimas feiras que freqüentei vi a presença dos SEBRAES do DF, CE, PA, BA, SP e PE. Em dezembro de 2005 estive no Mercado Cultural, em Salvador, e participei de uma palestra com representantes dos Sebraes de diversos estados. Solicitei-lhes então que nos auxiliassem a acordar o Sebrae do RS, ao que me responderam que os estados do sul (PR, SC e RS) JAMAIS estiveram presentes nas reuniões temáticas de cultura.

Num momento como este, em que os diversos segmentos da cultura buscam sua sustentação e em que a cultura desponta como um importante alternativa para o desenvolvimento sócio-econômico do país, e incrível que algumas instituições fiquem simplesmente vendo o trem passar. Quando tu falas, João, que o Sul não levou estande à Recife brota-me um sentimento misto de revolta, indignação e pena. Revolta pela passividade mórbida, indignação pela falta de visão e pena por ver que as instituições que deveriam estar nos ajudando a construir este desenvolvimento não tem inteligência para entender a oportunidade que lhes passa diante dos olhos.

Tento contato com o Sebrae do RS há mais de 2 anos e até hoje não fui atendido. Estarei eu a me queixar? Ainda não, pois como diz a máxima gaudéria "não tá morto quem peleia". O que precisamos agora - ao menos aqui no sul - é dar um "bypass" nestes moribundos e buscar outras alternativas, outros parceiros que possam caminhar conosco na construção de um modelo sustentável para a cultura, e nisso eu vejo que o nordeste está léguas à frente.
Espero que possamos nos encontrar em Brasília, João. Eu, tu, o Marcelo Cougo (da Bataclã, grande batalhador da cultura auto-sustentável aqui no RS), enfim, todos que - de uma maneira ou de outra - possam contribuir para o enriquecimento da discussão.

Grande abraço,

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 27/2/2007 20:59
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alexmono
 

Grande Moysé, O Sebrae PE estava na feira, mas não apoiou ação do Fórum Permanente da Música-PE, falta muito para que haja uma ação efetiva do Sebrae para desenvolver nossa cadeia produtiva, apresentamos projeto coletivo de CD e DVD e nos foi negado apoio, mas não deixamos de realizar e projetamos o DVD durante a Feira e no Pré Amp, contamos com apoio apenas da Prefeitura do Recife e muita brodagem na produção, o Sebrae por enquanto está aprendendo a lidar com a cultura e nós somos os cobaias deles, depois essas informações que acumulamos na nossa carreira vai se tornar realmente um ativo nas mão do Sebrae.

alexmono · Recife, PE 27/2/2007 22:12
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alexmono
 

Ah, o nome do projeto é Recife Transatlântico Sound's , estou preparando a edição p/ postar aqui no Overmundo, mas o podcast com as faixas do CD estão no;
www.alexmono.podomatic.com
um abraço do seu amigo Alex Mono

alexmono · Recife, PE 27/2/2007 22:18
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Felipe Gurgel
 

Moysés, estive lá também e acho que essa perspectiva do "olheiro" hoje é um pouco ultrapassada. Tanto que o conceito dos festivais independentes hoje se apóia na questão de boa vitrine para a nova música, sem necessariamente estar voltada para algum investidor específico.

O artista que consta na programação da Feira está lá para contatos além da expectativa pontual de ser procurado por selo ou gravadora. No entanto, acho que você tem razão quanto à dispersão: é um problema de eventos de programação intensa e simultânea, como a Feira da Música aqui de Fortaleza.

Mas não vejo como ser tão diferente hoje em dia. Caso contrário, ficamos na perspectiva de poucos escolhidos e redução de espaços para um bom número de artistas. Acho que o ideal seria a realização de mais feiras do tipo. É por aí. Abraço!

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 28/2/2007 05:25
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bucadantas
 

aproveitando o discurso do Felipe, é reforçar exatamente essa "rede" dos artistas mesmo, no individual e coletivo...enquanto isso, Moyses, vai tomando pé de quem faz as coisas no SEBRAE no RS...é cutucar mesmo.

bucadantas · Natal, RN 28/2/2007 10:33
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bucadantas
 

Ô Alex...muito show o www.alexmono.podomatic.com
parabéns!!!

bucadantas · Natal, RN 28/2/2007 10:46
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penas
 

Bacana seu relato Moyses. Eu vi uma feira muito parecida com a sua, especialmente no que as feiras tem de melhor, que é juntar os bois pretos e podermos nos encontrar. Muitas discussões, alguns negócios, uma enxurrada de informação, mas tempo junto com os amigos que fazem a mesma coisa que nós é o que vale.
Felipe, é uma questão simples, não cabemos todos nos palcos, portanto alguns serão escolhidos, no mundo do bem são os que tem talento - e ai voce está certo, é preciso muitos muito mais palcos para conseguirmos comparar os talentos. Vivam as feiras e festivais independentes.


penas · São Paulo, SP 28/2/2007 11:07
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Moysés Lopes
 

Pessoal:

Quem me ajuda a mapear as feiras existentes? Pesquisei na memória (e no Google, claro!) e achei as seguintes (ordem cronológica dentro do ano):

Feira da Música de Curitiba (junto à Oficina de Música) - janeiro
Porto Musical (este ano acompanhada da FMB) - fevereiro
Feira da Música Independente (Brasília) - abril
Feira da Música de Fortaleza - agosto
Expomusic (SP) - setembro
Feira da Música Capixaba - novembro
Feira da Música do Sul-Mato-Grossense (a última aconteceu em dezembro de 2004)
Mercado Cultural - dezembro

Como bem lembraram algumas mensagens acima, uma estratégia muito saudável seria aumentarmos o número de feiras e festivais. Com isso teríamos mais visibilidade e poderíamos trabalhar no sentido de trazer ao Brasil produtores internacionais para apreciarem (e comprarem, é claro!) nossa cultura, e as economias locais aqueceriam pois estaríamos trazendo divisas do exterior diretamente para as cidades que sediariam as feiras... Parece interessante, não acham?

Alex: muito legal o teu podomatic!

Um abraço a todos,

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 28/2/2007 16:39
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Moysés Lopes
 

No texto que postei esqueci de falar das rádios comunitárias na feira. Deram um show de organização e mobilização. Uma matéria legal está no site da FMB, é só acessar e clicar em notícias. Muitas vezes discutimos o abandono ao qual a mídia radiofônica relega a classe musical, mas será que não estamos relegando um parceiro importante como as rádios comunitárias ao abandono também?

Vamos refletindo... Um abraço,

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 6/3/2007 07:40
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alexmono
 

então bucadantas gostou do podcast, subscreve lá e fica atualizando direto no seu pc.
Pessoal isso a gente pode fazer em cada estado e depois a gente linka tudo, saca lá reuni o que tá espalhado na rede em termos de música pernambucana
Ouça Pernambuco

alexmono · Recife, PE 8/3/2007 12:02
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Viviane Soares
 

Moysés, de fato o SEBRAE gaúcho nao acordou para cultura... e, pelo visto, muitas outras entidades também não. Sinto afirmar que não vejo muita esperança nesta nova gestão o SEBRAE visto que o atual presidente é o Sperotto (aquele fazendeiro !)
Só agora, ao ler teu depoimento, fiquei sabendo (e tal foi minha decepção) que o RS não tinha um stand na Feira. Não tem cabimento ! Um stand coletivo, rateado entre entidades, e algum apoio estatal se fosse necessário, já seria digno !
Bem, fica aí a idéia !

Viviane Soares · Porto Alegre, RS 23/4/2007 22:50
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