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FELLATIO IN ORE

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raphaelreys · Montes Claros, MG
17/11/2007 · 21 · 4
 



“a mesma alma que faz uma comédia faz também uma tragédia”- Platão

Localizado nas reentrâncias maranhenses, às margens do Rio Cururupú, que lhe dá o nome, e recebendo em sua composição a mistura da água salgada do Oceano Atlântico, e isolado numa reserva ambiental de 12 mil Km2, está esse pequeno lugarejo.
É local de descarga de pescado marítimo clandestino e porta de saída de contrabando de sal marinho. Ali acontecem crimes que lhe são próprios, devido à natureza social à qual estão expostos os seus habitantes.
Mensalmente, e a negócios, fazia a rota Teresina-PI – São Luiz-MA, de ferry boat até o porto de Itaúna e, se não chovia, alcançava esta cidade de Toyota com chassi modificado, após um ou mais dias de viagem. A estrada era palmilhada de alagadiços, atoleiros, mata-burros, pontes caídas, uma infâmia!
Durante uma travessia, pela baía de São Marcos, travei conhecimento com a médica diretora do Hospital Regional. Mensalmente acontecia fazermos o mesmo trajeto, pelo mar, ocasião em que conversávamos sobre os costumes locais.
Certa feita relatou-me uma prática criminosa que ocorria nas praias desertas daquela cidade, onde pescadores inescrupulosos usavam o peixe pequeno, oriundo do mar e inútil comercialmente para a venda aos frigoríficos exportadores, para obterem com o produto a prática de felação com as meninas locais..
Isso feito, em troca daquele valor o qual era usado na alimentação de suas famílias carentes. Um exercício de pedofilia, coação, abuso, aliado à total falta de escrúpulos.
Uma das vítimas, a personagem desta crônica, criara a compulsão pelo ato libidinoso, passando a praticá-lo de maneira indiscriminada pela cidade, com outros parceiros, e em outras situações.
Os pais, para se livrarem do fardo e da vergonha, transferi-la para a casa de parentes próximos, na cidade de Pinheiro-MA localizada na mesma região, visando, alegaram, melhores condições de vida e de estudo.
Os parentes receberam o encargo sem o conhecimento dos fatos motivadores.. No seu novo lar, a menina continuou a praticar o desvio, tendo feito, desta vez, como vítima, o anfitrião, o qual passou a ser usado diariamente, até a sua prostração.
A criança agredida passava a agredir outros, usando como arma o ponto em que fora maculada, levando os escolhidos à exaustão.
Tendo os fatos vindo à tona, descobriu-se já ter ela iniciado também outras crianças moradoras da vizinhança. A pobre criatura se tornara uma profissional. O pequeno ser sofrera uma mutação tornando-se uma unidade predadora.
Quando os fatos chegaram ao conhecimento público, a médica interveio, levando a menina para tratamento psicológico e amparo legal, na Capital, São Luiz. Presumiu-se, assim fazendo, cumprir os seus deveres profissionais e de cidadã.
Erro crasso! A unidade que a recebeu não prestou qualquer assistência, tendo lançado-a a guisa de sua própria sorte, de casa em casa, de mão em mão, de explorador a explorador, sempre praticando o ato.
Quando descoberta era asseverada, espancada, expulsa dos lares sem a menor proteção, sem amparo legal, sem perdão.
Escravizada sexualmente por mentes inescrupulosas, um capacho de parada em parada...indo pelos caminhos do mundo sem destino certo. Triste trajetória dessa pequena criatura!
Agosto de 1992 encontrava-me no Bairro Bela Vista, em Teresina-PI. Enquanto aguardava um cliente comprador, fui tomar um refrigerante numa lanchonete, quando travei conversação com um motorista de táxi e, tocando no assunto da pedofilia, descrevi para ele o acontecido.
Para a minha surpresa, já passados oito anos do fato relatado inicialmente nessa crônica, citou-me que uma menor com o mesmo nome e as mesmas características, havia sido expulsa da casa de um seu vizinho, após ser surpreendida na prática de felação com o dono da casa.
Na região de origem da menor, as meninas mantêm a aparência infantil até próximo à adolescência, sendo esta uma constante própria do tipo humano local, além da subnutrição, que contribuía para o fato.
A infeliz criatura seguia em sua via crucies pó esse mundo de meu Deus. Transformara-se num instrumento de karma, desfazendo lares, provocando tragédias, sendo espancada, seviciada, reagindo...agredindo...defendendo-se, envolvendo as suas vítimas masculinas, pelo fator estimulante de suas agressividades; pelo seu ponto fraco, a libido.
Janeiro de 1995, Belo Horizonte - MG, Praça da Savássi, 16: h, a polícia militar cerca um grupo de adolescentes que gritavam e faziam algazarra numa rodinha. Aproximei-me curioso, e lá estava ela, relatando ao policial que fazia o boletim de ocorrência, os seus dados.
Na ocasião, afirmou estar fazendo aquilo, para ganhar uma aposta na qual consistia em praticar o sexo oral em um garoto do grupo, mediante paga, e em plena praça pública.
A pobre criança das reentrâncias maranhenses já houvera cruzado a metade do país, em sua sina! Adequara-se aos revezes da sorte e já sobrevivia afrontando o impossível.
A alma errante, um misto de vítima-algoz, uma guerreira, uma sobrevivente, exposta à impunidade, ao desprezo, á falta de amor fraterno, de seres desprovidos de valores morais e filosóficos, se transformara numa messalina caipira, um tentáculo do mal.
Estivéssemos na idade média e ela teria sido queimada nas fogueiras da Santa Inquisição, sob a acusação de ser uma encarnação de uma Súcubus.
Atordoado, por não ter nada feito, e por não saber o que fazer, e com a alma ferida, fui buscar um alento, um lenitivo, na leitura do Novo Testamento; e na parábola da cura do cego do poço de Siloé, Jesus, respondendo aos seus discípulos, que perguntavam sobre a responsabilidade ou culpa da vítima do infortúnio respondeu...
“é apenas para que se cumpra à vontade de Deus’”.



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anamineira
 

Rafhael, entrei no seu perfil e dei de cara com seu texto.
Parabéns por colocar em pauta um grave problema não só nacional, mas mundial: a pedofilia.
Por sinal uma história muito triste e que infelizmente nem sempre damos conta de resolver. Há muito descaso para com nossas crianças de baixa renda.
Voltarei para votar.

anamineira · Alvinópolis, MG 15/11/2007 19:17
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raphaelreys
 

Cara Anamineira! Obrigado pelo apoio. A história é verdadeira, e como outras que tenho colhidas em vinte anos de viagens! Um forte amplexo!

raphaelreys · Montes Claros, MG 16/11/2007 05:50
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AZnº 666
 

Começas-te violento, meu irmão, não sei como escapaste da "santa Inquisição", os donos do pedaço não gostam de pedofilia, estupro e outras baixarias. Me vejo obrigado a usar a frase: "É apenas para que se cumpra à vontade de Deus’”.
Mas não abuse da sorte, senão....
A História vale seu ingresso, é do tipo acredite se puder!

AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2007 12:23
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raphaelreys
 

Ok! Meu caro aZn 666, número mágico! Foi a minha intuição que levou ao texto na primeira. Concordo que passei na boca da caçapa, mas como vc. disse:acredite se puder! Agradeço as dicas . Tenho muitas matérias de outros temas. Fique ligado em mim e me avise Santo Vermelho! Abraços do neófito no atriun!

raphaelreys · Montes Claros, MG 16/11/2007 16:55
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