Parti às 8h da manhã de sábado já atrasado, pois a festa havia começado no dia anterior. Depois de aproximadamente 2h de asfalto, cheguei à entrada da estrada de chão, onde uma faixa indicava "IV Encontro do Bonito". Embora a poeira estivesse muito fina - provavelmente pelo longo período de estiagem - a estrada estava muito boa, e depois de quase 10km, cheguei ao local, uma bela paisagem, cercada de morros, tendo o local do evento ao pé de um deles.
Fui alegremente recepcionado pelo amigo George "Dod" e sua esposa. Percebi que havia chegado em boa hora, pois os cavaleiros acabavam de entrar na arena, junto com o pessoal da caçada da rainha. E que festa eles fizeram...! O batuque da caçada fez o povo tirar o pé do chão; dos mais novos ao pessoal da melhor idade, todo mundo caiu na roda.
Depois disso, um momento solene, com a chegada da Bandeira do Divino Espírito Santo. Enquanto aguardávamos o almoço, uma bela prosa com Volmi Batista, mestre Badia Medeiros, Inezita Poetisa, entre outros. E eu, um intruso no meio de tantos mestres, pensava na sorte que era estar ali.
Após o delicioso, maravilhoso e espetacular almoço caipira, mais um belo momento solene, o "Bendito de Mesa", quando os foliões cantam e rezam agradecendo a refeição ofertada e pedindo bençãos tanto às pessoas que a ofereceram quanto às que a preparam. Mais bonito ainda foi o momento seguinte, quando os foliões foram à cozinha principal cantar para as cozinheiras.
Enquanto aguardávamos a próxima apresentação, uma roda de viola no Ranchim da Amizade animava a tarde ensolarada. Na arena, os cavaleiros participavam dos jogos - corrida das argolas e corrida do lenço. Na primeira, o cavaleiro, em disparada, tinha que passar um graveto de pouco mais de 2 palmos por uma pequena argola. Na segunda, dois cavaleiros, à galope, disputavam pra ver quem pegava o lenço. Um cavaleiro, com o rosto todo machucado por ter caído de sua montaria, exibia com orgulho o lenço conquistado.
Diversas barracas ofereciam do bom e do melhor das comidas típicas de Goiás: paçoca de carne, pamonha, galinhada, doce de leite, rapadura, etc. Enquanto isso, a Folia do Divino passava cantando, dançando e levando mais bênçãos aos devotos.
Embora houvesse mais festa à noite e no dia seguinte, o cansaço me tomou conta, e a saudade e a proximidade de casa me fizeram regressar ao lar. Mas saí satisfeito, feliz e agradecido, não só pelo convite, mas por testemunhar tão bela festa, sabendo que ainda existem pessoas que não só preservam mas perpertuam as tradições da cultura popular, a verdadeira alma de um povo.
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