No livro "Cerrado - espécies vegetais úteis" seus autores dedicam sete páginas ao pequi (também conhecido como piqui, piquiá ou piqui-do-cerrado), discorrendo sobre sua ocorrência, distribuição, floração, botânica, uso, entre outros. Pode ser consumido com arroz, feijão, galinha, ou batido com leite e açúcar. Seu uso medicinal tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e resfriados, é expectorante e o chá de suas folhas é tido como regulador do fluxo menstrual.
Mas o pequi é mais que isso.
Há estórias de crianças "filhas do pequi". De ter que se lamber chapéu de couro como única alternativa para retirar seus espinhos da língua daqueles mais descuidados. Das índias que esfregavam o fruto nas partes íntimas para evitar que seus companheiros as procurassem. Algo que não devia adiantar muito porque, para quem gosta, o aroma do pequi é irresistível.
Com o pequi é assim, ame-o ou deixe-o.
Então é muito bem-vinda uma festa em celebração ao pequi, como a que aconteceu em Crixás-GO. Uma maneira de agradecer a dádiva deste fruto do cerrado.
Diversas barracas estavam espalhadas em torno da "praça principal", cada uma com um prato aproveitando o pequi. Do tradicional empadão goiano, passando por uma galinhada e um peixe assado, e terminando num delicioso bombom de pequi, tudo estava do bom e do melhor. Várias pessoas saíam com marmita para comer em casa.
Tive a honra de participar de uma degustação de outros pratos com pequi, degustação esta conduzida pela chef Carla Tamyrys. O purê de batata com pequi e o arroz com pequi e camarão estavam verdadeiros manjares dos deuses.
No domingo houve um desfile cívico em comemoração ao aniversário da cidade, com a volta da fanfarra, depois de mais de 5 anos desativada. E, confesso, vê-la passar foi emocionante, tive que conter as lágrimas. Junto a ela, desfilaram várias escolas, a turma da terceira, digo, melhor idade - com um sanfoneiro espetacular - , o pessoal da APAE, entre outros. O palhaço Patati e sua assistente Patatá foram um espetáculo à parte.
Senti falta de palestras de conscientização para a preservação do cerrado, hoje tomado por pastagens e plantações de soja. Senti mais falta ainda de ver os Foliões e a Cavalhada no desfile. Naquele mesmo dia, mais tarde, fiquei sabendo que também era costume convidá-los. Quem sabe, no próximo ano, não serão esquecidos?
Mas valeu o passeio, valeu conhecer o festival e saber que ainda temos pessoas preocupadas em preservar este fruto que é o verdadeiro ouro do sertão.
Opa, catengo,
Sensacional o teu texto. Fiquei muito curioso com essas histórias das crianças "filhas do pequi" e das índias que esfregavam a fruta nas partes íntimas. Tem por acaso uma mitologia em torno disso, como têm os "filhos do bôto"? :)
Hm realmente não sei dizer. São estórias que ouvi dos antigos.
Os "filhos do pequi" são crianças que nascem nove meses após a temporada do fruto, pois ele é tido também como afrodisíaco.
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