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Festivais de Música X Feiras de Música

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Ivan Ferraro · Fortaleza, CE
7/4/2008 · 178 · 11
 

Em primeiro lugar não acredito que essa peleja seja necessária, mas se for para o crescimento do mercado da música independente no Brasil, deveríamos antes de tudo definir as regras do jogo, coisa que não parece ser o que a realidade nos apresenta.
A importância dos muitos Festivais de Música Independentes no país hoje, não pode e nem deve ser ignorado por ninguém. Quanto as Feiras de Música, também independentes, é tão importantes quanto, não se pode dizer o mesmo. Tiramos isso pelo acontecido com a FMI – Feira da Música Independente Internacional de Brasília, que perdeu o patrocínio da Petrobras.
Sabemos que esse tipo de retirada de patrocínio de um evento onde a empresa já apoiava desde sua primeira edição não é uma normalidade para nossa gingante do petróleo e da cultura. Ora, isso só pode acontecer se realmente for uma mudança de política na gerencia de patrocínio. E é aí que começa o jogo.
Não estou aqui para advogar a favor ou contra Feiras e Festivais, e sim buscar o entendimento desse novo cenário.
Vejamos: primeiro temos os Festivais. Uns grandes, uns pequenos e muitos invisíveis. Esses festivais se especializam em mostrar o que tem de especial na música contemporânea brasileira. Embora a maioria se defina como festivais de rock, com direito a todas as infinitas vertentes.
Festivais têm como formato um modelo muito simples, um, dois, três ou mais palcos, dependendo do poder financeiro de cada festival, uma programação que varia entre atrações de peso para garantir a maior presença de público, atrações peso pena e outros grupos ascendentes. E assim vinha rolando a pelota.
Por segundo temos as Feiras. Que no Brasil só existia para a área de instrumentos e equipamentos musicais. Estou falando da Expo Music, maior feira do gênero na América do Sul que se realiza anualmente em São Paulo.
A partir de 2002 passamos a ter em Fortaleza, uma feira de música voltada pra a cadeia produtiva da musica como um todo. Com direito a pavilhão para expositores, conferencia internacional e uma programação artística dividida nos diversos gêneros musicais. Fora do eixo esse evento entra em 2008 na sua sétima edição. Mas não parou por ai não. Veio logo em seguida (2005) a Feira em Brasília, também com formato semelhante e no ano passado (2007) veio a Feira Música Brasil realizada em Recife com iniciativa governamental e um montão de milhão bem grande.
O que acontece com os festivais agora? Aos poucos estão adaptando seus modelos de forma que passem a ter também outras atividades além das apresentações artísticas, como por exemplo feirinhas da música, debates, palestras, cursos, etc. mudança que me parece saudável.
O que acontece com as Feiras agora? Aos poucos estão desaparecendo. Como são muito poucas, apenas três, será muito fácil ainda esse ano não termos mais nenhuma feira de música no Brasil. Basta não acontecer a Feira da Música de Fortaleza que está prevista para agosto, pois a Feira Música Brasil já havia cancelado a edição 2008, a FMI em Brasília acaba de anunciar adiamento sem definir data. Essas sim são mudanças que de forma nenhuma me parecem salutar.
Será que é uma boa política para a cadeia produtiva da música, acabar com os eventos em formato de feiras? Será uma boa política para a música transformar festivais em feirainhas? Ou a melhor política é transformar as Feiras em Festivais?
São dúvidas sem dúvida!

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Alê Barreto
 

Na minha opinião, a questão que deve ser pensada é que modelo de financiamento é necessário para que as diferentes cadeias produtivas da cultura no Brasil se desenvolvam. E tal modelo de financiamento, quando público, deverá contemplar a diversidade e o maior número possível de agentes culturais.

Poderia também se olhar que modelos de financiamento, público e privado, são utilizados para estimular feiras de outros setores da economia. Talvez seja possível aplicar boas práticas no setor cultural.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 3/4/2008 23:40
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Andre Pessego
 

Eu tenho a impressão que tudo terá de passar por uma união dos recursos - ESPORTE E CULTURA - um esquartejamento do volume arrecadado de tal modo a que
por ex. do esporte, de qualquer natureza, inclusive publicade
25% seja destinado à cultura e vice versa.
o recurso desta sangria seja para 50% atividade profissional de 50% para atividade amadora.
estará resolvido.
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 6/4/2008 22:21
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andrea dutra
 

acabei de colocar na edição um texto que fala da mesma questao, mas do ponto de vista do músico carioca. a cadeia produtiva da musica está em extinção?

andrea dutra · Rio de Janeiro, RJ 7/4/2008 04:16
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clara arruda
 

Uma exelente matéria e um proveitoso alerta.parebéns!

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 7/4/2008 06:38
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Makely Ka
 

Ivan meu caro, talvez seja o momento de se criar uma associação dos produtores de feiras, assim como a ABRAFIN se tornou uma entidade de interlocução com o governo e as empresas patrocinadoras.

Eu incluiria aí nessa sua lista de feiras ainda o Mercado Cultural de Salvador e o Porto Musical de Recife, que apesar de não levarem o nome de feira funcionam mais dentro dessa lógica do que o festivais propriamente ditos.

E a Feira Música Brasil, segundo informações que tenho, será um evento bienal. Mas acho que a ABMI não tem interesse em acabar com ela.

Abraços

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 7/4/2008 13:59
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Isabela ramos
 

Caro Ivan, achei muito interessante seu texto e fico feliz em saber que existem pessoas que se importam tanto com os festivais de música como eu. Quero acrescentar a esses três festivais que por você foram citados, o festival de música do Piauí, que embora muito esquecido pelo resto do mundo, vem ganhando mais força a cada ano. Ah! E é preciso frizar que não temos no nosso estado nenhum tipo de patrocínio de grandes grupos nacionais. Quem financia tudo isso é o povo Piauiense!
Um grande abraço!

Isabela ramos · Teresina, PI 7/4/2008 14:17
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Leo Salazar
 

O Abril Pro Rock, em Recife, é um festival que vai para sua XVII edição, e só recebeu apoio da Petrobrás nas últimas três. Acho que se a feira ou festival é independente mesmo, isso signfica que deve acontecer independentemente de qualquer coisa. Acho também que o sol nasce para todos. Os festivais têm suas funções de promover o artista e alavancar carreiras, as feiras têm suas funções de intercâmbio de tecnologias e conhecimentos.

Leo Salazar · Recife, PE 7/4/2008 16:03
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Walesson Gomes
 

Votei, gostei!!!

Walesson Gomes · Belo Horizonte, MG 7/4/2008 18:33
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Chico Egídio
 

Acho super importante levantar questões sobre as novas tendências e formatos dos eventos. Precisamos sempre pensar sobre as novas possibilidades da música e das suas organizações. Promovemos o Festival Raiz e Remix, em Petrolina/PE temos a intenção de discutir e difundir a tradição e as novas tendências. Valeu!

Chico Egídio · Juazeiro, BA 7/4/2008 18:36
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Felipe Gurgel
 

Legal levantar a reflexão. Eu acho que os produtores de festivais e feiras têm que primeiro pensar se o porte dos eventos acompanham o tamanho de suas cenas locais. No caso da Feira da Música de Fortaleza, a multiprogramação até se justifica, teoricamente, por conta do evento não ser direcionado apenas aos que fazem música dita independente, mas para toda a cadeia produtiva local em si, com ramificações que dialogam fora do Estado e do País. O problema é que, por exemplo, às vezes temos ciclos de palestras interessantes com pouquíssimo quórum justamente porque o público não consegue absorver toda aquela programação. E em nossa escala de prioridade, infelizmente o debate é relegado a segundo plano. Primeiro vem os shows, os workshops com neguinho virtuose se masturbando com a guitarra ao invés de ensinar algo interessante para a ocasião, e por aí vai. A proposta da Feira é ideal. Só não vejo ainda público e os agentes dessa cadeia produtiva abraçando a idéia como tal. No caso de Fortaleza talvez seja esse um dos problemas: a proposta da Feira da Música é maior do que o interesse dos que movimentam o cenário. Se por um lado temos idéias bacanas e bem sucedidas como a Rodada de Negócios, as palestras por enquanto são subaproveitadas. De qualquer modo, acho que a Feira tem um sentido relevante de compartilhar informação e contatos entre as pessoas que participam. Mas vejo a necessidade de sempre deixar aberto o debate sobre o seu formato. Discutir um equilíbrio entre o conceito da Feira e as formas de participação dentro da programação do evento.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 7/4/2008 19:48
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SANDRO
 

Feiras de música e festivais independentes são praticamente o principal espaço para bandas novas e ascedentes...em um país do tamanho do Brasil!!! Sem eles não existe mais nada...
http://www.myspace.com/bandamataleao

SANDRO · Uberlândia, MG 8/4/2008 14:14
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