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Festival da polêmica música universitária

Você demais
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Glês Nascimento · Palmas, TO
30/6/2006 · 76 · 4
 

Vi no jornal que haveria na cidade um Festival de Música Universitária. O primeiro a ser realizado em Palmas. Fui lá conferir.
No jornal dizia que seria na sexta-feira, 23, às 20h. E eu acreditei! Cheguei às 20h30, pensando que estava atrasada, mas a primeira banda subiu ao palco às 22h.

Antes que eu descreva o que rolou na festa da música universitária palmense é preciso abrir um parêntese para apresentar os organizadores do evento: Arnaud Júnior ( ator e apresentador e também filho de Arnaud Rodrigues – humorista que atualmente faz uma ponta na “Praça é Nossa”). E a namorada de Arnaud Júnior, a tocantinense Núbia Dourado (cantora pop, pré-selecionada para o global “Fama”, universitária e, agora, promoter). Juntos, eles organizaram o show do DJ Marlboro, em abril, em Palmas.

Voltando ao festival. Dez da noite, depois de muita enrolação e piadas de Arnaud Júnior, o compositor Sergius Prestes subiu ao palco e cantou uma moda sertaneja. Intitulada Um sonho, a canção romântica fez alguns torcerem o nariz na platéia: “O rapaz é corajoso de cantar assim num festival universitário”, comentou a jornalista Gina Carla. Passou. Recebeu aplausos e quebrou o gelo para os próximos concorrentes.

Léo Pinheiro jovem cantor que por essas bandas já foi conhecido como “Pinheirinho”, ainda na infância em sua fase sertaneja, ousou e fez um misto de pop e rock na canção Visão da Paz – letra de sua namorada. Boa presença de palco – tanto que conquistou o júri levando para casa o prêmio de melhor intérprete. Mas quanto à apresentação musical, há controvérsias.

Não sei se por dor-de-cotovelo ou por conhecimento empírico, mas o fato é que muitos artistas presentes na noite de sexta-feira disseram que Léo Pinheiro teria usado o play back no acompanhamento de back vocal, guitarra e bateria. Não entrarei neste mérito porque não percebi isso durante a apresentação – talvez a interpretação de Léo tenha sido tão convincente que não notei -, mas quem quiser falar mais sobre o assunto, o espaço “comentários” abaixo deste texto está aberto ao fórum.

O festival segue. Foram 22 apresentações. As 12 melhores, na opinião dos jurados, serão incluídas em um CD homônimo ao festival.

O primeiro lugar ficou com o grupo cênico musical Trupe Atrupelo e a sua Rosa e a Bola de Fogo – inspirada na literatura de cordel. Mais para o teatro do que para a música, o grupo trouxe à cena amálgama de forró, com xaxado e rock. A torcida era grande, com direito a faixas (“Trupe Atrupelo atropela a tristeza” – dizia uma delas), gritos e a mesma entonação. Só que em um descuido, num momento de silêncio em meio à apresentação, um anônimo na platéia grita: “Vão para a Fecoarte”.

Explica-se: Fecoarte é a Feira de Folclore, Comidas Típicas e Artesanato do Estado do Tocantins, que também estava rolando no mesmo dia. A Trupe Atrupelo realmente se apresentou na feira, mas só no domingo. No momento do grito, nem a torcida se conteve e riu, porque, de fato, a Trupe parecia folclórica. Mais adiante, as faixas foram para frente do palco e a Trupe conquistou o restante da platéia, que aplaudiu bastante o espetáculo. Quem zombou da banda teve que engolir o grito e admitir que ali estava sendo feito algo novo e bom. Colorida, entusiasta e cheia de alegorias, a Trupe Atrupelo somou 90 pontos extras, além das notas do júri. O primeiro lugar deu ao grupo o prêmio de R$ 3 mil.

Com a segunda colocação ficou a banda Cripta. Com bateria, sax tenor, flauta doce, violão e com o intérprete Tiago, estreante em apresentações públicas, ele agradou com o Palhaço triste. A música um tanto longa, é bastante reflexiva. Tiago foi um show à parte. Vestido de palhaço fez lá uma graça e agradou. Dramático, ele mergulhou na performance. E nos bastidores já se ouvia: “Ele tem que ganhar a melhor interpretação”, comentou Gil Doliath – guitarrista da banda Desconcerto e da Trupe Atrupelo enquanto deixava o palco. Não foi o melhor intérprete, mas faturou o segundo lugar e, de quebra, R$ 2 mil.

Polêmica

Antes que eu diga quem ficou em terceiro, faço uma pausa nesses dois quesitos. O motivo é polêmico, o corpo de jurados, formado por Cícero Belém, diretor da Cia. de Teatro Chama Viva e de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o humorista e músico Arnaud Rodrigues, o diretor e produtor teatral, Marcelo Souza, o músico Camacho, e o cantor e compositor Orley Massoli, está sendo questionado pelas escolhas feitas no festival.

Como os dois primeiros lugares ficaram para bandas que apresentaram performances mais teatrais que musicais, e o festival se propunha a ser de música, o público, as bandas e os jornalistas presentes no evento começaram a se perguntar: por quê? A maioria apontou o óbvio, a presença de dois jurados ligados ao teatro, sendo que um deles ensaia a Trupe Atrupelo, impediu a isenção no julgamento.

Para pôr mais lenha nessa fogueira, cito aqui o que ouvi quando cheguei ao festival. Nitidamente, um dos jurados virou-se para o músico Marquinhos, da Trupe Atrupelo, antes da apresentação e disse: “Meu voto é de vocês”, sendo cumprimentado pelo mesmo.

O circo está armado. Bandas como a Desconcerto, que foi bastante aplaudida, não gostou do resultado e promete entrar com uma representação contra o festival. Já a Mestre Kuca – selecionada para o CD – diz que não vai participar do disco em protesto. “Não têm condições. Qualquer leigo que estivesse no festival saberia dizer que muitas bandas que ficaram de fora da gravação do CD mereciam ter ganhado e muitas que entraram não tinha a menor qualidade técnica”, afirmou o guitarriasta da Mestre Kuca, Samuel Daltan.

Para ele, apenas a Trupe mereceu o prêmio. “Não tem lógica”, categorizou.

O Jornal do Tocantins engrossou a discussão publicando nesta terça-feira, 27, a repercussão com os artistas. Grande parte insatisfeita, a classe questionava os critérios de votação do júri. Outra parte dizia que a estudante da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Glacielle Torquato, merecia o prêmio de melhor intérprete pelo Blues Azul. De fato a música era boa e Glacielle, experiente de outros festivais, fez uma excelente apresentação. Sua premiação era certa, a maioria dos veículos presentes até pegou entrevista com ela antecipada, para garantir. Mas não deu.

Em entrevista ao jornal, Arnaud Rodrigues defendeu os jurados explicando que eles pontuaram de 0 a 10 os concorrentes nos quesitos letra, harmonia, melodia, interpretação, vocal e carisma e ainda listaram os três melhores, sendo que os primeiros recebiam 30 pontos, os segundos, 20, e os terceiros, 10.

Rodrigues acrescentou que se as bandas quisessem reclamar que o fizessem antes, já que a lista com o nome dos jurados foi divulgada com antecedência. Mas a comissão mudou no dia do evento, mais precisamente poucas horas antes.
Mesmo assim, aos descontentes e aos curiosos, as todas as notas estão disponíveis no DCE- Diretório Central dos Estudantes do Ceulp/Ulbra (Fone: 63 - 3223-2002).

Ia me esquecendo, quem faturou o terceiro lugar foi o cantor Leonardo Torres , com a música Quimera. Uma crítica social de arrepiar. O estilo comove e, segundo o próprio músico, seria uma forma “de cantar um novo mundo, um novo negócio”.

Quem quiser conferir a lista de premiação está abaixo. É importante frisar aqui que, apesar dos tropeços de organização, e da polêmica – que na minha opinião até favorece o festival porque mostra a veia crítica do público – a iniciativa é louvável. O espaço para novas bandas e novos cantores foi aberto de fato – e com democracia. Selando a festa, o cantor e compositor Nando Reis deu uma canja – de mais de três horas de show - no encerramento do evento, no sábado, 24.

O show fechou com chave de ouro o festival, mas não abafou a polêmica que deve seguir durante esta semana, e render ainda notas e páginas nos jornais.

Colocação
1º lugar – Trupe Atrupelo (A Rosa e a Bola de Fogo)
2º lugar - Cripta (Palhaço Triste)
3º lugar - Leonardo Torres (Quimera)
4º lugar - Melhor Intérprete, Léo Pinheiro (Visão da Paz)
5º lugar - Beto Naves (Bruce Lee)
6º lugar - Glacielle Torquato (Blues Azul)
7º lugar - Ubirajara (Vou tentar)
8º lugar - Vertical/Primo Itt (Coisa Alguma)
9º lugar - Sinestesia (Mandala Alada)
10º lugar - Nacotal - (Já Era)
11º lugar - Mestre Kuca (A cada história)
12º lugar - Meu xampu fede (Ska da Praia)

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leca Bacelar
 

Particularmente, não estive no festival na sexta, somente no sábado, e nesse dia já achei um absurdo, a premiação sem os premiados se apresentarem e sendo que a participação especial não foi tão participação assim. A iniciativa é boa, mas por trás dessas iniciativas sempre tem pontos a serem questionados. torço para que um dia, as coisas sejam mais profissionais e que não se tenha de questionar a atuação da comissão se foi ética ou não,a té porque resultado de festival sempre desagrada a algué.

leca Bacelar · Palmas, TO 29/6/2006 14:01
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Adriel Diniz
 

Dá-lhe Glês! Muito bom mesmo. Confesso que sempre fico com um pé atrás com festivais deste tipo.

Adriel Diniz · Porto Velho, RO 29/6/2006 23:15
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Gisele França
 

Acho muito bacana esses festivais universitários. São deles que surgem grandes revelações da música brasileira. Mas é lamentável alguns fatos que acontecem nos mesmos. A gente sabe que não se pode agradar a gregos e troianos, até aí tudo bem. Mas me revolto com injustiças. Espero muito um dia poder confiar nestes festivais...

Gisele França · Palmas, TO 30/6/2006 09:06
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Roberto Maxwell
 

Caraca, mas um dos jurados ensaiar a banda vencedora foi o fim. Acho que nao ha nem o que questionar que este jurado faltou com a etica. E que a banda, por melhor que seja o seu trabalho, sai enlameada do evento. Ganhar nao eh mais importante do que manter a dignidade. Ao menos na minha singela e minoritaria opiniao neste corrupto pais que se chama Brasil.

Roberto Maxwell · Japão , WW 13/5/2007 13:10
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