Festival do Vale do Café: alto nível musical

Egeu Laus
Noite na Praça de Vassouras. O palco e a Igreja do século XIX.
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Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ
31/7/2007 · 279 · 59
 

Sábado de manhã, parei no posto, calibrei pneus, botei gasolina e óleo e por volta de 8 e meia da manhã saí em direção a Vassouras, “a cidade do Barões” no centro-sul fluminense. O caminho que utilizo é fácil: Pegar a Linha Vermelha e descer para o Sul pela Via Dutra (BR-116) até dobrar à direita na saída 205 que anuncia Miguel Pereira (1 km antes do pedágio). Dez minutos depois, seguindo pela RJ 125, cruza-se uma sólida ponte de concreto sobre o Rio Guandu (um dos responsáveis pela água do Rio de Janeiro) dando acesso à cidade de Japeri ao pé da Serra. Siga sempre as placas Miguel Pereira atravessando a cidade e você vai cruzar depois os distritos de Mangueiras, Conrado (um dos mais baixos IDH do estado) e Arcadia. Depois de uma subida sinuosa (dirija devagar) acompanhada pela belíssima paisagem do vale do Rio Santana chega-se ao trevo de Governador Portela já no alto da serra. No trevo dobre à esquerda em direção ao Morro Azul (RJ-121). Dez minutos depois você está na cidade de Vassouras. Asfalto o tempo todo. Tempo total pela minha velocidade: 2 horas. Há quem prefira o trajeto via Paracambi (saída 212 depois do pedágio da Dutra) passando por Paulo de Frontin e Mendes.

Apesar de freqüentar Vassouras há muitos anos era a primeira vez que eu ia fazer – convidado pela produção – o circuito de recitais musicais nas fazendas integradas ao Festival do Vale do Café. Nos anos anteriores assisti aos shows abertos e gratuitos na praça principal da cidade e algum recital esparso principalmente na Fazenda Galo Vermelho. O Festival já se realiza há cinco anos e vem se tornando o principal atrativo turístico-cultural no calendário da região que engloba ainda as cidades de Piraí, Valença, Barra do Piraí, Mendes, Paulo de Frontin, Rio das Flores e Paty do Alferes.

Vassouras e seus arredores formavam a mais importante região de produção do café no Império (chegando a ser responsável por 70% da produção nacional). Com o esgotamento das terras e a libertação dos escravos, além da concorrência mais moderna da produção do café no estado de São Paulo, Vassouras, hoje com cerca de 30 mil habitantes, teve seu último surto de crescimento nos anos de 1970 com a instalação da Universidade Severino Sombra, que trazia alunos de todo o Brasil, principalmente para seu curso de Medicina. Com a liberacão da abertura de universidades regionais em todo o Brasil na década de 1980 sobraram para a cidade apenas os alunos das cidades próximas, que movimentam a cidade.

As belíssimas fazendas imperiais, de modo geral agora com menor produção agrícola, começaram pouco a pouco, seguindo uma tendência mundial, a enxergar no agroturismo um caminho para completar sua sustentação. Cristina Braga, harpista carioca, junto com o violonista Turíbio Santos, maranhense radicado no Rio, músicos de renome e carreira internacional, tiveram a idéia de criar um Festival de Música instrumental em Vassouras, que entra agora em seu quinto ano.

Peguei rapidamente minha credencial e rumei pela BR-393 na entrada de Vassouras para a Fazenda Cachoeira Grande, onde às 11 horas da manhã o primeiro recital do dia nos esperava: o violonista e compositor Guinga com a cantora Paula Santoro. No palco montado ao ar livre à beira do lago da fazenda ouvi Paula, uma das mais belas vozes atuais na música brasileira, em interpretações emocionantes do repertório de Guinga, como Choro pro Zé e alguns extras como Só louco de Caymmi. Perto do final Guinga cantou Senhorinha com letra de Paulo Cesar Pinheiro. Num sutil comentário, para um público que pagou 70 reais pelo ingresso, numa aristocrática fazenda imperial, Guinga e Paula incluiram no repertório um Ponto de Capoeira, Contenda (de Guinga e Thiago Amud), que diz:

“Dei um talho em meu próprio sentimento
Pra que o mundo fulgure na clareira
Que esse nervo me aviva o sofrimento
Que esse olho é motivo de cegueira
Ê, presença difusa, desordeira
Giro de furacão sem epicentro”


A programação do festival não deixa espaços vazios e às 14 horas já estava marcado o recital de Turíbio Santos na Fazenda Cananéia, cerca de meia hora dali, seguindo a BR-393. Rumei para lá e a grande surpresa: O recital acontece no curral da fazenda. As baias do gado servem de camarotes para o público! Separadas por um corredor as vaquinhas Jersey também iriam escutar o concerto. Ana Calmon, proprietária da fazenda, nos diz que a produção de leite sempre aumenta depois desses recitais musicais. A Fazenda Cananéia é uma referência em produção de leite no Brasil e uma das maiores fornecedoras da Nestlé. Lá estavam Turíbio Santos e mais Claudio Fontes no violão e voz e o percussionista Junay. Neste recital a África era a presença principal a partir do nome do concerto: Da África à Bossa-Nova. Turíbio começou com Valsa do venezuelano Antonio Lauro, passando pelo Concerto de Aranjuez (Joaquin Rodrigo) até chegar aos temas mais afros. Em seguida Claudio Fontes cantou composições que lembram Noel Rosa e ao final o trio tocou clássicos do repertório de Tom Jobim como Samba de uma nota só (com Newton Mendonça) e Dindi (com Aloysio de Oliveira). A grande surpresa foi o percussionista Junay Diógenes, com seu tambor afro (djambê) de mil tonalidades e toques. Conversei com ele depois do recital e devo fazer uma matéria especial sobre ele e seu contato com músicos africanos de Mali que aperfeiçoaram seus conhecimentos sobre o instrumento.

Terminado o encontro, sempre acompanhado de um farto lanche servido pela fazenda (assim como em todas elas), rumamos para a Fazenda São Fernando no distrito de Massambará, à leste de Vassouras, seguindo pela mesma BR-393. São Fernando é uma das mais imponentes e belas fazendas do município. Tem duas “casas grandes”, uma de 1813 e outra de 1850 e o palco do recital estava montado no gramado, tendo ao fundo um pôr-de-sol que já se prenunciava numa amena tarde de inverno. O saxofonista Leo Gandelman e seu quarteto eram as atrações. Com algum atraso (por conta de nosso caos aéreo, pois Leo vinha de Brasilia passando por São Paulo) atacaram um repertório de altissimo nível onde os improvisos de Gandelman eram primorosos. Vocês não imaginam o que é ouvir um saxofone magistral acompanhado por um quarteto perfeito, num anoitecer esplendoroso, tocando As rosas não falam de Cartola, Lamentos de Pixinguinha e Canto de Ossanha de Baden Powell.

Com o frio da noite chegando voltei a Vassouras para o show de encerramento daquele sábado a se realizar na Praça Barão de Campo Belo. Cristina Braga e sua harpa com seu convidado Moacyr Luz era o programa. O palco, como nos outros anos, foi montado no extenso gramado da praça em frente à Igreja Matriz, onde pontifica o chafariz inaugurado em 1849 por D. Pedro II. Cristina com sua harpa de concerto de 25 quilos transita do popular ao erudito com facilidade e fez uma boa dobradinha com Moacyr Luz depois de começar com Manhã de Carnaval, de Luis Bonfá. A África esteve novamente presente com Zuela de Oxum, de Moacyr e Martinho da Vila, e Cangoma, canto de Clementina de Jesus que nasceu numa fazenda em Valença, pertinho dali.

Fim da noite, todo mundo se reunia no Armazém das Massas, bar e restaurante ali mesmo na praça, ponto de encontro dos músicos, convidados, pessoal da produção, turistas e moradores em geral.

A opção pela cultura como fator de desenvolvimento pode ser um caminho para a cidade de Vassouras. O Festival, em seu quinto ano, já se desenvolve de maneira eficiente, principalmente com a contratação de uma produtora especializada, a BackStage de Nelson Drucker. O nível musical é muito alto além de se tratar de música instrumental que tem pouco espaço no cenário brasileiro. No entanto há ainda muito o que trilhar, pois se o Festival está sendo um sucesso (em cada fazenda os 200 lugares dispostos estavam ocupados) a população local ainda precisa encontrar seu espaço. Essa consciência é clara em alguns gestores culturais da cidade, principalmente os reunidos em torno do PIM – Programa de Integração pela Música, organização não-governamental que solidificou as iniciativas ligadas a música em Vassouras e é responsável por todas as oficinas e aulas de música que acontecem em todos os dias da semana durante o Festival.

As manifestações populares de Jongo, Caxambu, Calango, Capoeira, Maculelê, Caninha Verde e Folia de Reis também estão abrindo seu espaço no festival reunidas em torno do projeto Raízes do Vale. Neste domingo dia 29, a partir de 16h30, um Grande Cortejo dessas Tradições Populares acontece encerrando o Festival com apresentações grátis em rodas e danças em torno da praça.

O Festival do Vale do Café é uma oportunidade para se acompanhar “ao vivo” a maneira como a sociedade civil, as políticas públicas, produtores e gestores culturais estão lidando, nos municípios do interior do Brasil, com as questões da cultura como ferramenta de transformação econômica, social e humana.

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crispinga
 

Sabe tudo, este Egeu! Volto já, já!
BJK
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 28/7/2007 17:18
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crispinga
 

Sabia que o Guinga e(era) dentista?

crispinga · Nova Friburgo, RJ 28/7/2007 17:20
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EgoDigital
 

legal!

EgoDigital · Santa Maria, RS 29/7/2007 16:24
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Ilhandarilha
 

as vaquinhas estão à esquerda?! sempre desconfiei que os humanos tendem à direita.

Ilhandarilha · Vitória, ES 29/7/2007 17:38
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Spírito Santo
 

Bacana, Egeu!

Já havia ouvido falar do festival. É claro que você não vai estranhar, vindo de mim, a observação de que falta dar um peso mais significativo à riquíssima cultura tradicional do Vale do Paraíba do Sul que, pelo que se pode notar, tem uma participação não mais que simbólica no evento (talvez um mero reflexo das relações sócio-culturais no Brasil). Aliás você me solicitou alguma dica sobre isto, mas, achei que você teria informações muito mais pertinentes e atuais dos organizadores. Afinal, os descendentes dos escravos da região continuam por lá, praticando suas manifestações culturais do mesmo jeito, trabalhando nas mesmas fazendas dos mesmos Wernecks, Avellares, descendentes dos barões do café que o festival evoca.
Feita esta observação (me perdoe, um pouco amarga, reconheço), a sua colaboração, tanto quanto esta já tradicional iniciativa da Cristina Braga e dos demais produtores do evento, é realmente primorosa. Um luxo, diria.
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 29/7/2007 19:27
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Helena Aragão
 

Seria meio louco dizer isso, ainda mais que certamente não vi todas as fotos do Overmundo, mas vou dizer mesmo assim: a foto "Gandelman e quarteto no anoitecer de Massambará..." é uma das mais lindas que já vi por aqui... Que luz!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 30/7/2007 13:45
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João Henrique
 

Egeu, nós vassourenses voltamos do Rio por Paracambi, embora eu concorde que a Serra de Arcádia é tão perigosa quanto bonita. Bacana seu registro do Festival que redescobriu, reiventou o turismo em Vassouras e região. O camarada Espírito Santo tem razão, mas este é um problema que transcende o Festival. São necessárias políticas inclusivas para os descendentes de Manoel Congo e Marianna Crioula. No Festival, ainda temos o Cortejo das Tradições. No dia-a-dia, acredite, a coisa é ainda pior.

João Henrique · Vassouras, RJ 30/7/2007 21:51
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Spírito Santo
 

Boa lembrança a do João Henrique. Falando do Manoel Congo. A minha pequena experiência no local, esteve inclusive, ligada, em parte, a tentativa, quase realizada, de montar nas ruas de vassouras, um Auto teatral que escrevi sobre o Manoel Congo, líder de uma controvertida rebelião de escravos, morto enforcado em 1839, em Vassouras. O evento do auto, cuja culminância era o enforcamento do dito rebelde na praça de Vassouras (a mesma onde está o palco do festival atual), com um grande show com os grupos tradicionais locais da região do Vale, envolvia também, passeios de charrete e visitas as antigas fazendas de café da região. Ocorrida em 1996, acho que foi uma das primeiras tentativas (a prefeitura da época também apoiava) de se usar o enorme potencial da região pra a o turismo cultural, sem omitir a realidade do passado histórico escravocrata da antiga comarca. Este post do Egeu me animou. Acho que vou até procurar nos meus alfarrábios o tal texto para tentar publicar por aqui. Talvez tenha a ver.

Abs,

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 06:55
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Guilherme Mattoso
 

muito legal esse festival, egeu! programação bacaníssima!

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 31/7/2007 11:22
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Egeu Laus
 

Pessoal,
Uma correção no meu texto: o chafariz na frente da praça (visto na foto de Cristina Braga e Moacyr Luz) foi inaugurado em 1846.
D. Pedro II, em visita a Vassouras em 1848, achou-o de gosto duvidoso e incentivou a construção de outro, este sim inaugurado em 1849, mas atrás da praça.
Desculpem a falha.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 12:29
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Egeu Laus
 

Spirito,
Comungo com suas preocupações sobre o espaço para a cidade (e portanto para as comunidades tradicionais), Toco rapidamente nisso no final do texto já que o tema principal eram os shows.

O Cortejo das Tradições no encerramento do festival pode se tornar um catalizador dessas manifestações e um veículo para o seu fortalecimento. Por outro lado, o Cortejo enquanto espetacularização dessas tradições poderá acirrar as contradições, que você conhece, e que estão presentes, constantemente, no contato entre tradição popular e indústria cultural.

João Henrique, nosso amigo em Vassouras que faz comentário aí em cima, poderá nos municiar de informações sobre o desenrolar dessa peleja. Ele é jornalista atuante na região e tem também um programa de rádio diário de 2 horas de duração. Fala João Henrique!

Quanto ao seu auto teatral seria fantástico você resgatá-lo. Ainda mais que no ano que vem (2008) fazem 170 anos da revolta de Manuel Congo e Marianna Crioula.

Aliás, sobre o assunto Manuel Congo, não deixe de ler o livro "Insurreição negra e justiça", tese do advogado e professor João Luiz Pinaud e outros, editado pela Editora Expressão e Cultura em co-edição com a OAB, lançado em 1987. Entre outras informações (depois de acurada leitura das atas do processo) a de que os quilombos na região existiam antes e continuaram existindo depois do enforcamento de Manuel Congo.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 13:00
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Egeu Laus
 

Helena,
Obrigado pelo elogio. Tenho mais algumas fotos do show do Léo que irei colocar aos poucos no Banco.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 13:03
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crispinga
 

Votado, Egeu andarilho!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 31/7/2007 18:36
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Isbel Rocha
 

Spirito Santo (amém!) é vc mesmo!!! Bom revê-lo e ler o que vc escreveu. Não podemos esquecer de nossas raízes e de reafirmar sempre que nossa memória preservada é apenas o suporte de memórias mais profundas e mto mais fortes.
Egeu, nós temos nos debatido sobre a questão do Festival enquanto um evento circunstancial, concordo com vc que, se ele é fator para outras ações permanentes, então temos um caminho aberto. Temos o PIM (Programa Integração pela Música) que está fazendo um belíssimo trabalho com crianças, jovens e adultos. Alíás, Cristina Braga sempre faz questão de afirmar que foi o PIM quem motivou a abertura para o Festival em Vassouras. Hoje são quase 800 alunos de música. Os cursos ministrados por ocasião do Festival contribuem muito para o aperfeiçoamento dessa rapaziada. Mto bom vc ter reafirmado a importância desse programa.
Abçs

Isbel Rocha · Barra do Piraí, RJ 31/7/2007 19:52
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Spírito Santo
 

Egeu,
Primeiro uma coisa incrível. Logo depois de comentar aqui, abri o perfil e lá encontrei um recado para mim de uma novíssima usuária (entrou ontem). Ela é a Isabel Rocha, velha conhecida do tempo em que fazia a pré produção do auto. Ela era a diretora do IPHAN da área e nos cedeu os exteriores da Casa da Hera para a encenação. Sobre o Pinaud, ele é um dos meus amigos de fé. FIz a trilha de um filme da TVE sobre o manoel Congo, bem antes de escrever o Auto (em 1988). Conheço bastante o livro dele ( com outros autores) O Insurreição Negra e Justiça' é o texto de pesquisa básico que usei para o texto do auto que é, inteiramente baseado numa descointruução que gaço dos depoimentos contidos nos autos do processo que condenou Manoel Congo.
A possibiliadde da enção lá em Vassouras nunca saiu de minha cabeça mas é cara e políticamente difícil porque, como mais ou menos disse acima, as relações sociais continuam quase q

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 20:00
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Spírito Santo
 

( Cliquei sem querer, antes de concluir. Não pude nem revisar. )
...continuam quase que inalteradas por lá. Suas observações são portanto certeiras.

Grande abraço.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 20:05
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Spírito Santo
 

E eis que a Isabel aparece aqui, antes até que anuncie a sua chegada!
Bem vinda aqui também, pois.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 20:28
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FILIPE MAMEDE
 

Excelente colaboração. O texto é muito bom e as fotos também. Um abraço Egeu.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 1/8/2007 08:34
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Egeu

Li , votei e gostei!

Parabéns!

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 1/8/2007 10:54
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Claudiocareca
 

É um prazer indescritivel fazer parte desta comunidade e comungar com textos e comentários enriquecedores. Sinto-me renovado e esperançoso no resgate e no trabalho permanente deste caldeirão brasileiro onde se acomoda o passado e o presente e onde temos pessoas incríveis pensando e fazendo o possível para integrar estas realidades.

Maravilhoso Egeu, achei incrível a programação e a produção... As fazendas ficam em cidades vizinhas e tudo conflui para Vassouras... É para um público seleto, né!? Especialmente considerando R$70 a entrada de um concerto.

Spirito Santo fiquei curioso em conhecer o auto, publica sim, será um prazer lê-lo.

Claudiocareca · Cuiabá, MT 1/8/2007 11:46
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Claudiocareca
 

As fotos estão incríveis tb. Concordo com a Helena a luz daquela foto do Gandelman está fantástica, até Vênus deu o ar da graça!

Claudiocareca · Cuiabá, MT 1/8/2007 11:50
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Egeu Laus
 

A Isabel Rocha será também uma interlocutora valiosa sobre a cultura de Vassouras. Contamos com ela para escrever sobre o assunto, e principalmente sobre as questões do patrimônio.
Fala Isabel!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 1/8/2007 15:14
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Egeu Laus
 

Realmente Claudio, as entradas são caras mesmo que incluam um farto lanche. Mas há também os shows nas praças que são gratuitos.
As oficinas de música (durante todo o festival) também são de graça.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 1/8/2007 15:17
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Mansur
 

Ação afirmativa. Intervenção positiva. Maravilha.
abs

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 1/8/2007 15:44
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CCorrales
 

Belo relato, Egeu.
Grande abraço

CCorrales · São Paulo, SP 1/8/2007 16:27
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Ize
 

Egeu, uma beleza sua descriçao sobre o festival. Pena que já tenha passado.

O que mais importa é que seu texto e o festival ficam como um convite para que Vassouras não seja vista apenas como ponto turístico, mas como lugar de conservação da memória. Visão indispensável pra que a sociedade civil seja detonadora das políticas públicas que vc mencionou.

A justa preocupação do Spirito com a presença apenas simbólica da cultura local no evento, parece ser dirimida pelo que disseram a Isabel - "se o [Festival] é fator para outras ações permanentes, então temos um caminho aberto" e o João Henrique, dando a entender que o Festival não só dá maior visibilidade a Vassouras, como abre passagem para o Cortejo das Tradições que, no dia-a-dia, ficam relegadas ao Deus dará.

Sobre aquele seu receio (que é tb do Spirito) com a "espetacularização" do Cortejo, acho que tenho uma visão um pouco diferente da de vcs, mas esse é um debate mto complexo que não caberia aqui.

Obrigada pela reflexão que seu texto - e os comentários que ele suscitou - despertou em mim.
Abrç

Como vc incursiona pela área da gestão da cultura, sua opinião pra mim é importante. Minha percepção sobre essa questão oscila ora em concordar com o seu receio, achando que a globalização econômica homogeneiza a cultura (via indústria cultural) estetizando a política maquiavelicamente. Como essa visão me paraliza e não me deixa encontrar saídas, pendo para um outro lado, que é o de entender enxergando

Ize · Rio de Janeiro, RJ 1/8/2007 20:19
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Ize
 

Ooopps, esqueci de apagar o último parágrafo do comentário. Desisti de continuá-lo pq achei que esse não era o melhor lugar para postar esse debate. Desculpem-me.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 1/8/2007 20:25
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dudavalle
 

Senti falta do Walter Alfaiate o magnata supremo da elegância :-))

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 01:01
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Benny Franklin
 

Egeu, Salve!
Saquei o que escreveu... Por isso votei.
Escreva mais sobre shows, entrevistas...
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 2/8/2007 08:41
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Maria Cecilia S Martins
 

Como já conhecia outros trabalhos seus daqui, estava aguardando êste seu do Festival. Nos conhecemos lá, você trabalhando e ainda encontrando tempo para retornar e, atenciosamente, nos dar uma informação. Tive um grande prazer em ouvir o Turibio Santos, ao lado das silenciosas vaquinhas ( ! ) e na Praça, sentados no gramado, a Cristina Braga e Moacyr Luz. Foi muito bom conhecer a cidade que exala História, conhecer pessoas interessantes que buscam reunir um movimento de cultura e turismo!!Adorei seu relato!

Maria Cecilia S Martins · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 09:05
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Maria Cecilia S Martins
 

Sim ,também concordo com Helena e outros: a foto do Gandelman está um espetáculo!

Maria Cecilia S Martins · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 09:12
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Egeu Laus
 

Ize,
No caso do que se convencionou chamar de "tradições populares" a transmissão às novas gerações no interior das comunidades não poderá mais, a meu juízo, prescindir de alguns valores estéticos que foram propostos pela indústria cultural, sob pena de aumentar a distância entre pais e filhos (ou avôs e netos).

De todo modo a cultura sempre acha suas saídas, em qualquer ambiente.

Duda, o "magnata" talvez encontre seu espaço nos shows livres nas praças, já que os recitais nas fazendas são na sua maioria de música instrumental. Mas o movimento do samba e seus compositores em Vassouras também existe, principalmente em torno do carnaval, com uma quantidade muito grande blocos e de 3 ou 4 escolas de samba (pelo menos 2 delas com alguma tradição).

Maria Cecilia,
Obrigado por seu carinho, vamos nos encontrar mais vezes.

Abraço a todos!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 10:11
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Egeu Laus
 

Isso mesmo, Claudio. Nossa "estrela d'alva" estava linda no céu!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 10:14
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Ize
 

Oi Egeu, era isso isso mesmo que eu queria ouvir. E numa resposta tão simples e direta. É que ainda tem muitas pessoas (na Academia, diga-se de passagem) que acham que a indústria cultural é uma via de mão única que opera no sentido da despossessão cultural sem, inclusive, levar em consideração essa questão intergeracional. Obrigada
Abrç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 10:24
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Bernardo Carvalho
 

maravilha egeu. lamento só o fato do festival já ter passado... pena. ano que vem estaremos lá!

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 15:58
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Spírito Santo
 

Egeu (e Ize, talvez)

Desculpem ter retomado um ponto já duas estações depois, mas, nesta seara de 'tradições populares' no contexto dos tais 'valores estéticos prostos pela indústria cultural' algums fatores me parecem meio embaralhados. Da forma como voc~e coloca, Egeu, parece que a chamada indústria cultural possue, em si mesma, atributos positivos, valores estéticos essenciais, ligados à modernidade, ao passo que, as chamadas tradições populares, do mesmo modo, em si mesmas, seriam portadoras de algum tipo de arcaísmo.
(Depois eu volto)

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 12:58
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dudavalle
 

Se tem alto nivel musical deve ter um baixo também para o Egeu, no meu entender existem gostos (depois eu volto)

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 13:29
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Egeu Laus
 

Spirito, Ize e pessoal,

O que quis dizer é que valores estéticos utilizados pela indústria cultural não são necessariamente ruins. Mesmo porque a "tradição popular" os utiliza, sem nenhum preconceito. O povo pega o que está à mão, não interessa de onde veio.

A leitura de "atributos positivos", "valores essenciais", "modernidade" em nenhum momento, repito, NENHUM MOMENTO me passou pela cabeça.

Os valores estéticos propostos pela indústria cultural não significam modernidade, nem essência, nem positividade, nem nada. Mas "em si mesma" também não significam arcaísmo, superficialidade ou negatividade.
Abraços!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 13:30
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dudavalle
 

Jah voltei aqui em casa tem Daft Punk, tem Cheio de Dedos do Guinga, Turibio dos Santos e tem Walter Alfaiate e Bonde do Rolê e tantos outros ...

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 13:32
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dudavalle
 

Talvez não tenha nada a ver talvez tenha tudo a ver:
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2886,1.shl

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 13:34
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Isbel Rocha
 

"Espetacularização", "valores estéticos", "indústria cultural", etc, etc e tal... academia x praxis, erudito x popular, cultura x tradições, artista x artista ... quem e qdo se criam esses valores e definem esses conceitos??? quem os antagoniza e por que o fazem??? O Festival é UM caminho e não, necessariamente, Ocaminho! A Praça é também um cenário para evento, mas é no dia a dia que se constroem seus atores e definem suas posições. Muito, muito mesmo, há que ser feito. Mas, e para mim sobretudo, há que se respeitar os agentes culturais locais que não podem ser, de forma nenhuma, enquadrados em valores (históricos, culturais, sociais, econômicos e estéticos - circuntanciais ou permanentes) "importados". Egeu, vale uma visita a essas comunidades para vc ver o que os jovens (filhos e netos) de nossos Mestres estão fazendo.
Bjs a todos.

Isbel Rocha · Barra do Piraí, RJ 3/8/2007 17:18
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Spírito Santo
 

Gente,

Voltei pedindo mil perdões (principalmente ao Egeu). É que comecei um comentário complicado, cabeludo (tá certo, barbudo e bigodudo também) e perdi a hora com a volta do almoço. Tive que sair do PC, às pressas, sem nem bem concluir o raciocínio. Daí, o papo tomou um rumo mais quente (e bem interessante até), mas, da minha parte, eu não havia fechado ainda o que eu queria dizer. Ficou truncado. Por isto, como prometi, volto.

Do que transcorreu até aqui, eu ia concluir, mais ou menos, no rumo que a Isabel deu para a prosa, mas, posso até estar completamente enganado, é claro.

O fato é que, a colocação do Egeu acerca do que ele chama de 'valores estéticos propostos pela indústria cultural' é, convenhamos, uma colocação altamente discutível (já dá pra sentir só pela faísca que gerou nos comentários). Para começar, penso que a Indústria Cultural não propõe, impõe. Lógico porque, se é Indústria, é também processo de massificação, de produção em série. O mote é pecuniário, comercial, circunstancial. Vender objetos, produtos culturais e ter lucro. Ponto. É este o objetivo final. Sem filosofia.

Ora, acho que isto tem pouco a ver com Cultura, propriamente dita. Só é uma instância no contexto, vá lá, cultural, porque TUDO que é apropriado, assimilado, consumido, por seres humanos, será sempre, de algum modo, Cultura.

Não há, pelo que me consta, vantagens intrínsecas ('ganhos', 'lições') na Indústria cultural (o contrário seria até mais factível), muito menos vantagens estéticas, que possam ser positivas, para nossas 'tradições populares'. Indústria Cultural, de certo modo, pode ser até um conceito negativo porque pressupões controle, apropriação, hegemonia, etc. Cultura respira diversidade, Indústria respira homogeneidade.

Estética, para mim, aliás, é um conceito que não tem quase nada a ver com o assunto. Colocado no comentário do Egeu (que, de certo modo, cria uma oposição estranha entre 'Indústria cultural' e 'tradições populares'), o conceito Estética ganha um conteúdo ideológico muito estranho (tal do 'Moderno' X 'Arcaico' do qual eu falava).

O conceito 'Indústria cultural' contém, no entanto, um significado muito elucidativo, que pode nos ajudar a entender este salada de conceitos embaralhados aqui: Indústria pressupõe meios (equipamentos), mídias, formas de se registrar e difundir produtos culturais, sejam eles quais forem, inclusive os 'populares' ou 'tradicionais'.

Democratização dos meios, esta é a questão imiscuída no nosso baralho. Para a Cultura de um país, a Modernidade real, talvez resida aí, na garantia de que a nossa Cara Verdadeira (a maneira peculiar de sermos brasileiros) poderá ser vista, no Cinema, nos Shows das Praças, na Televisão, nos Segundos Cadernos dos Jornais, nos Salões, em Teatros, etc. Com ou Sem intermediários, intérpretes, releitores, revisitadores, pesquisadores, etc.

Ninguém precisa ser marxista, portanto, para perceber que o que alguns estão falando aqui é que o Festival de Vassouras (como exemplo, é claro) é bacana sim, mas, será muito mais quando os agentes locais, a muito rica cultura local, as tais tradições populares (com ou sem aspas) tiverem acesso aos mesmos meios e recursos de registro e difusão cultural que possuem aqueles já abrigados sob na larga manta da tal de Indústria Cultural.

Ah... E tiremos a Estética desta conversa, por favor, insisto, porque, neste aspecto, a cultura popular (esta mesma, apenas insinuada em nossos comentários) já tem lá o seu valor - embora relativo - bem estabelecido, não devendo nada a outra e não tendo, necessariamente, nada a ganhar por este caminho.

Lembro sempre, para mim mesmo, que Cultura é uma coisa tão perigosa, mas tão perigosa, que aquele ideólogo nazista dizia que, quando ouvia a palavra, puxava logo a sua pistola lugger.

Puxemos pela palavra (e a coisa) certa. É o melhor que se pode fazer para evitar a proliferação dos 'chupa-cabras', o grande flagelo de nossas roças.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 21:09
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Egeu Laus
 

Concordo em gênero, número e grau com o parágrafo 9 de Spirito. Aquele que começa em "...ninguém precisa ser marxista..."
E concordo também que uma das questões (talvez mesmo a mais importante no contexto) seja a democratização dos meios com ou sem...
Isabel, quero sim visitá-los. Avós, pais, filhos e netos.
Abraços!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 21:37
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Ize
 

Oi Isabel, Spirito e Egeu, desculpem-me se provoquei um debate que, talvez, não caiba aqui, até pq não consigo me expressar tão bem como vcs em tão poucas linhas. Vc tem razão Isabel no que diz. E vc tb Spirito no que toca às suas preocupações já trazidas aqui no que diz respeito, por ex, à questão do jongo. Não me parece, no entanto, que o Egeu tenha atribuído positividade à indústria cultural, nem se mostrado favorável à "espetacularizaçao" das tradiçoes populares que ela provoca. Muito pelo contrário.
Com relação à minha preocupação, pode ser que ela esteja deslocada deste contexto em que vcs atuam. Não é propriamente este o âmbito de minha atuação. Tenho desenvolvido um trabalho de pesquisa-ação junto a jovens, inclusive de camadas populares, e o pressuposto que me guiava, e ao grupo que coordeno, era o da demonização da indústria cultural (adorniana que era. Era?!?!). O contato mais de perto com as manifestações culturais desses/as garotos e garotas, que evidentemente não deixam de se ancorar no popular, foi me mostrando que o conceito de indústria cultural, historicamente datado, não dá conta de ajudar a entender as práticas, os interesses, as linguagens desses e dessas jovens com quem temos tido intenso convívio. Como meu campo é o da educação, e meu interesse é diminuir o agravamento da distância entre a escola e esses modos de ser das gerações mais novas, tenho me esforçado muito pra não reproduzir o que a escola (nem todas é claro) faz, reprimindo o "popular" (que hj está misturado à cultura urnana de massa) que emerge das práticas deles e delas. Esse popular talvez seja ainda mais reprimido do que o popular que constitui as tradições culturais. Daí minha colocação para o Egeu, que pode estar fora do lugar.
Como eu vivo ansiosa com essas questões, quando elas pintam não consigo me controlar. Se fui inconveniente, relevem sim?
Grande abraço pra vcs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 22:32
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Ize
 

Uau, nos desencontramos. Escrevi esse comentário, antes de ler os de vcs. Concordo com vcs sobre não precisar ser marxista (embora o marxismo tenha uma versão que muitas vezes não é a de Marx. Há tb releituras melancólicas e utópicas do marxismo), sobre a importãncia da democratização de acesso aos meios, sobre o perigo do conceito de Cultura, mas não entendi mto bem uma coisa Spirito. Relativamente ao conceito de indústria cultural (cunhado por Adorno e Horkheimer no contexto do pós-guerra e tendo em vista o uso que o nazismo fez do cinema e do rádio), realmente fica difícil pensar em valores estéticos (fica mesmo ideológico). A Estética aqui estaria relacionada à potencialidade de humanização da ARTE. Mas acho que hj a gente precisa pensar e discutir a experiência estética cotidiana, ultrapassando essa oposição entre arte erudita e cultura de massa, sem reduzir a dimensão estética à experiência sublime do encontro com o objeto artístico.
Talvez eu não tenha compreendido o que vc quis dizer.
Abç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 23:09
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Spírito Santo
 

Ize,

Eu falei de Estética no sentido estrito da palavra, não como conceito filosófico. A filosofia aqui, inserida neste simples papo pode nos levar para às nuvens mas nunca a qualquer coisa parecida com uma conclusão. Falei com o sentido de forma mesmo, simplesmente assim, como substância visível, palpável de um conteúdo. A citação do marxismo também. Foi no sentido que está dito: Não precisamos entender de filosofia marxista, sermos doutores em nada, 'em geral', etc. (aliás, nunca li Adorno nem Horkheimer).

No fundo, o que eu quiz dizer é que as minhas preocupações, são rigorosamente as mesmas que você tem no seu trabalho com os jovens. É óbvio que na cultura popular, onde quer que ela esteja, camadas 'populares' e 'de massa', conviverão. Como você eu não costumo estabelecer nenhuma tipo de classificação 'geográfica' para cultura, erudito para mim é tudo que é excelente, feito com rigor e sofisticação, 'superior', mas, sei que para muitos, erudito é um conceito elitista, de classe. A estética a serviço da dominação social, por aí. Ou não?
Parece que há, as vezes, uma tendência a legitimar, 'inocentar' certas particularidades associadas à cultura das chamadas 'elites' (desculpe o chavão mas teria que gastar umas cinco linhas para atenuar isto),
As similaridades entre os nossos pensamentos indo e vindo, à medida em que tentamos nos explicar, talvez prove o quanto a teoria nos embriaga, desfocando a visão do que é simples. Ideologia pura, você disse bem.
Melhor parar por aqui. Pode virar um tese de doutorado sobre o 'Sexo dos anjos'...sem um orientador.

Façamos um artigo, pronto. Seria bom porque, ao que parece, encontrar uma definição aceitável de Cultura, para a maioria , é um uma coisa que Overmundo precisa como água, com ar.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 23:49
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Ize
 

Estamos mais uma vez super entendidos.
Abrç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 00:06
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dudavalle
 

Encontrar uma definição aceitavel de cultura ?
Talvez fosse importante passar a priorizar o Banco de Cultura ao invés do overblog , pensando neste sentido de Indústria Criativa
http://www.overmundo.com.br/overblog/planalto-planilhas-plataformas-e-palafitas

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 00:11
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Spírito Santo
 

Duda,

É mesmo, parceiro. Tá aí uma boa idéia. Afinal se somos um site de Cultura, bem que o Banco merecia ser o o oráculo predileto, o supra sumo do pedaço. Seríamos mais criativos e brigaríamos menos, já que, a arte imita a vida (o que bom, é 'light') e ainda por cima não machuca, não dá dor de cotovelo.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 09:49
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Egeu Laus
 

Falando nisso, Spirito, sinto falta de uma matéria sua (ou até mais de uma) sobre o Musik Fabrik.
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 10:19
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Spírito Santo
 

Egeu,

Qualé, mano? Fiz uma há poucos dias atrás. Para o Overblog, é claro, lugar para matérias sobre projetos. Está aqui neste link. Acho também meio delicado fazermos matérias autoreferentes. Parece auto promoção. Havia feito um anúncio sobre um curso do Musikfabrik na Agenda do Overmundo, meses atrás. Neste caso presente, segui uma boa sugestão da Helena Aragão.
Sabe o que podia rolar (me ocorreu agora): Uma matéria sobre a Rede Social de Música, envolvendo outros projetos afins. Dava um materião, não achas?

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 11:22
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CCorrales
 

Discussão de alto nível sobre cultura. Voltei aqui para me inteirar... embora não tenha como contribuir em relação a tudo que foi dito.
Mas é sempre um prazer ler o que Egeu, Spirito Santo e Ize dizem.
Abraços a todos.

CCorrales · São Paulo, SP 4/8/2007 20:02
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Ize
 

Cintia, vc deve transitar há algum tempo por essa discussão, não é? Os grafites são algumas das manifestações urbanas de jovens que a escola não compreende. E vc conhece bem eles.

Abç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 22:21
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Egeu Laus
 

Caramba, Spirito!
Não tinha visto a matéria. Que beleza!
E você tem razão. Estou devendo algumas sobre os grupos da Rede.
E estou lhe devendo também uma visita...

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 5/8/2007 12:23
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Spírito Santo
 

Egeu,
(E todo mundo)
A propósito (instigado por alguns de vocês), postei uma resenha sobre o texto do auto do Manoel Kongo. É uma introdução ao texto do auto, propriamente dito, que eu preciso digitar todinho ainda. Ralação total .
Está aqui, aguardando as bem vindas dicas de edição de todos vocês.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/8/2007 13:29
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João Henrique
 

É claro que a questão da espetacularização das manifestações existe. Preocupa, inclusive, a organizadores do Cortejo. Ficamos no fio da navalha. O Cortejo dá visibilidade a manifestações que muitos vassourenses mesmo não conheciam. Temos aqui o exemplo do Jongo, que já muito forte na cidade e que foi quase exterminado. O Maculelê renova-se a partir do trabalho da professora Cláudia, da Residência. A Caninha Verde sobrevive graças a moradores de São Sebastião dos Ferreiros. Neste sentido, acho que o Cortejo pode ter o efeito positivo de pressionar positivamente, de fora para dentro das comunidades. Em Andrade Costa, na divisa com Paraíba do Sul e a 40 km do centro da cidade, o Jongo começa a recuperar terreno -- ainda longe do que já foi um dia -- depois que a conversão de muitas famílias (negras, principalmente) à religião evangélica praticamente o exterminou. Registre-se que o Jongo de Andrade Costa ainda não tem contato com o Festival, mas o fato de as manifestações ganharem uma visibilidade a partir do Cortejo, me parece interessante. À exceção da Capoeira, presente em todo o País, e da Folia de Reis, que o vassourense já nasce amando, ninguém pode abrir mão desta visibilidade. Cabe aos atores envolvidos garantir que este risco seja sempre um risco calculado. E que o Festival se esforce para não perder a ligação com a comunidade. Se este elo não for intensificado, todos sairemos perdendo.

João Henrique · Vassouras, RJ 6/8/2007 11:12
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Spírito Santo
 

João Henrique,

Extrema e sinceramente contente de saber que existe gente por aí com a sua lucidez e seriedade (deve haver muitos outros, tenho certeza), gostaria de convidá-lo a visitar este post que mandei para edição há pouco. Nele existe um link para um outro post, mais interessante ainda para estas sua reflexão sobre o Jongo daí. Espero que possamos conversar mais adiante sobre estas coisas tão relevantes.

Grande e forte abraço,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 6/8/2007 20:05
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Carlos Henrique Machado
 

O Festival Vale do Café é um embrião que, oxigenado e alimentado por um equilíbrio social, pode calibrar a importância da paisagem com os resultados práticos da arte que ainda persistem, de forma vigorosa, em toda a região com seus artistas de alto nível técnico. Suas matrizes espontâneas têm um sabor natural e são preservadas pelas próprias comunidades. Acredito que o Festival Vale do Café possa ser um laboratório e que ele amplie, através de um olhar microscópico e paciente, que uma cidade com um ritmo mais reflexivo, de passos menos alvoroçados, distantes de um stress natural e pouco cioso das questões humanas, sirva de contraponto aos erros históricos da subjugação da nossa própria história como aconteceu nos grandes centros do Brasil. Para que se crie, através deste belo festival, um espelho corrigido das mazelas que a escravidão deixou e que até hoje não conseguimos superar, empurrando para as periferias de todo o Brasil, o próprio Brasil. Fiz esse alerta dias atrás num comentário no Cultura e Mercado e foi publicado pela Agência Carta Maior.
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14560&editoria_id=12

É, sem dúvida, uma iniciativa primorosa da Cristina Braga e do Turíbio Santos, buscar dentro das próprias bases de Vassouras, alicerce como o PIM e, a partir do seu olhar, moldar mais do que um festival, um sonho de arte fraterna, justa e consequente do ponto de vista artístico e social.


Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 10/8/2007 15:49
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Spírito Santo
 

Começando a contar o que vi e vivi: http://www.overmundo.com.br/overblog/vale-negro-festa-folia-e-festim-01

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/9/2009 10:10
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