São 18 anos de cidadania (curiosamente a mesma idade da Constituição Federal do Brasil) e nunca consegui marcar o X ou apertar teclas para eleger um candidato a qualquer que fosse o cargo.
Aos 18 anos minha bandeira era o voto nulo. Ainda hoje é assim.
Não se trata de manifesto, protesto ou o que quer que possam alegar aqueles radicalmente contra o ato de inutilizar esse direito paradoxal (ser obrigada a exercer um direito que, por definição, é uma faculdade acaba com o meu humor). Anulo cada voto porque me recuso a eleger o famoso “menos pior”, entendo que – a despeito de quem seja eleito – o sistema que estrutura os Poderes Legislativo e Executivo não funciona (o Judiciário é tema diverso e maior). Da forma como são eleitos, senhores e senhoras nem sempre ilustres, por mais que bem intencionados, sempre terão que ceder a alguma forma de crime/contravenção para atuar na máquina pública. A história não deixa dúvidas quanto a isso.
Já dizia um amigo, a quem admiro: “Meu partido conta mais de 500 anos, milito até a morte pela cultura”.
Concluí minha graduação em Direito por um daqueles mecanismos da vida que a gente nunca vai entender. Aprendi muito, passei muita raiva, encontrei o link do universo juris com minha atuação em comunicação e produção cultural, acabei ingressando numa pós-graduação em Direito Ambiental. O meio ambiente cultural é meu campo de pesquisa.
Dia 27 pp assisti uma palestra do professor doutor Celso Fiorillo, sumidade em Direito Ambiental com publicações e currículo suficientes pra cansar a vista. O cidadão sabe muito e qualquer oportunidade de ouvi-lo me é grata.
Dessa vez não foi diferente. Com sua oratória eloqüente disse exatamente o que penso, independe se este ou aquele candidato for eleito Presidente da República Federativa do Brasil enquanto os paradigmas da Administração Pública desse pedaço do planeta não forem dramaticamente modificados.
Enquanto aquele ser maldito (são milhões), varrendo sua calçada com milhares de litros de água doce e potável, achar que isso é direito dele, afinal quem paga pelo consumo é ele, voto nulo.
Enquanto ética for apenas um jargão de discursos demagógicos, voto nulo.
Enquanto a educação gerar seres de uma mediocridade e ignorância absurdas, voto nulo.
Enquanto o grito for o argumento maior, voto nulo.
Como dizia no início, me irrita ser obrigada a exercer um direito.
E amo o mestre palestrante que, ao ser taxado cínico, dá de ombros e segue desconstruindo dogmas.
Pela cultura, Bia!!!!
Até a morte!!!
Belo texto, belo mestre!!
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