Fomentar a economia da cultura

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Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ
30/9/2007 · 105 · 7
 

Artistas, produtores culturais e parlamentares reuniram-se em audiência pública da Comissão de Economia e Desenvolvimento, nesta quarta-feira (26), para discutir o tema "economia da cultura".

Após as palestras das pesquisadoras Ana Carla Fonseca Reis, Paula Porta e Valéria Barros, o proponente do debate, deputado Ronaldo Zülke (PT), sugeriu a formação de um grupo de trabalho (GT), que se propôs a coordenar a criação de programas de fomento e de linhas de crédito para atividades culturais e a realização de um levantamento geral por parte da Fundação de Economia e Estatística do Estado (FEE) do setor cultural no Estado. Também acatou a proposta de criação de uma incubadora cultural, sugerida pelo produtor Alê Barreto, e de contestar o valor de R$ 250 mil previsto no Orçamento 2008 para o Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

"A atividade cultural é importante para o entretenimento e faz bem para a nossa alma, mas também é geradora de emprego e renda e fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado", disse Zülke (PT), na abertura do debate. Em seguida, a assessora especial do ministro da Cultura e coordenadora do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, Paula Porta, apresentou um panorama da economia da cultura ao longo da história. O setor, explicou a técnica do Governo, envolve toda a criação artística e cultural, bem como produtos e serviços ligados à fruição cultural. "Abrange todos os segmentos artísticos, editoriais, de comunicação, de festas, expressões populares, design, moda e publicidade", exemplificou ela, informando que o Banco Mundial estima que o setor responde por 7% do PIB mundial. O grande desafio hoje, segundo ela, é incluir o fomento ao setor no rol das políticas estratégicas dos governos.

A administradora pública e economista Ana Carla Fonseca Reis, autora do livro Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável – o Caleidoscópio da Cultura e consultora da ONU em economia criativa discorreu sobre a economia da cultura desde as relações de mecenato até os dias de hoje, passando pela Revolução Industrial, pela Guerra Fria e pela consolidação como disciplina a partir da década de 60. Entendendo desenvolvimento como "expansão da liberdade de escolhas", apresentou as relações do tema com a economia da cultura. A consultora destacou a necessidade de políticas públicas com objetivos definidos.

A coordenadora de Cultura e Entretenimento do Sebrae Nacional, Valéria Barros, avaliou o cenário cultural no país como promissor e citou uma série de projetos apoiados pela instituição, como a Feira de Música do Ceará e a Cidade do Samba no Rio de Janeiro. Antigamente, disse ela, os resultados do setor se baseavam em dados quantitativos, como o número de consultas realizadas, porém hoje se dá mais atenção às mudanças desencadeadas a partir dos projetos apoiados.

O presidente do Conselho Estadual da Cultura, Gilberto Herschdorfer, criticou a ausência de políticas culturais no país e defendeu a descentralização da cultura por meio da criação de um conselho nacional e de conselhos municipais de cultura. Contestando a interpretação de estatísticas apresentadas sobre o setor, disse que não há hoje mais salas de cinema do que em anos anteriores, apenas uma maior concentração de salas nas grandes capitais. "Noventa por cento dos municípios não têm salas de cinema", observou.

A consultora da ONU, Ana Carla Reis, lembrou que embora não haja salas de cinema em vários municípios, existem locadoras de vídeo, por isso a necessidade de se conhecer a realidade e traçar metas. Se a intenção for propiciar à população a experiência de ir ao cinema, a ação será uma; mas se a idéia for divulgar o conteúdo das obras cinematográficas, a medida será outra, exemplificou.

Participação
Acompanharam a audiência os deputados Nelson Härter (PMDB), presidente do grupo técnico, Ronaldo Zülke (PT), Raul Pont (PT), Elvino Bohn Gass (PT), Raul Carrion (PCdoB), Heitor Schuch (PSB), Miki Breier (PSB), José Sperotto (DEM), Mano Changes (PP). Também presentes os escritores Moacyr Scliar e Luiz Coronel, o diretor teatral Camilo de Lélis, os ex-secretários estaduais da Cultura, Victor Hugo, e do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Zeca Moraes, os representantes da Secretaria Estadual da Cultura, Fabio Rosenfeld, coordenador da LIC, e Luiz Armando Capra Filho, assessor de projetos especiais, o assessor de Operações da Caixa-RS, Fernando Gomes, entre outros representantes da comunidade artística.

Nota Explicativa:
A presente matéria foi produzida pela Agência de Notícias da Assembléia Legislativa do RS, é informação de domínio público e foi aqui reproduzida com o objetivo de dar visibilidade às iniciativas de fomento à Economia da Cultura que estão acontecendo no RS.

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Oona Castro
 

Que boas notícias do Sul! Está aí um assunto que deveria mesmo ser objeto de audiências públicas em todo o Brasil, inclusive no âmbito federal.

Alê Barreto, aproveitando que ainda está em edição, sugiro a supressão da vírgula na frase "cooordenar, a criação".

Continuemos acompanhando a saga da produção cultural no RS...

Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2007 02:23
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Alê Barreto
 

Boas notícias, por isso achei importante dar visibilidade a este conteúdo, pois é o tipo da notícia perecível, logo sairá do ar do site da Assembléia Legislativa e dificilmente chega nos veículos de comunicação fora de Porto Alegre. Já arrumei a vírgula, prazer em contar com tua colaboração.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2007 09:28
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Benny Franklin
 

Se no Brasil as coisas fossem sérias, este seria um tema deveria estar em pauta, tal a sua importância para cultura de todo o Brasil.
Boa, Alê. Sempre atualissímo.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 29/9/2007 10:09
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Alê Barreto
 

As coisas estão em processo, Benny. Já esteve bem pior, poderia estar melhor. Mas o importante é que está andando :)

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 29/9/2007 19:11
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Candice Gonçalves
 

O Brasil inteiro devia seguir esse modelo!
Parabéns pelo texto.

Candice Gonçalves · Crato, CE 30/9/2007 08:20
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Gledson Shiva
 

Muito bom, Ale!

E apesar dela ser uma acadêmica-tecnocrata-da-burocratisse adorei a definição de desenvolvimento da Ana Carla: "expansão da liberdade de escolhas". Agora nos resta por a sentença em pratica, so a ação faz as coisas se mexerem.

Gledson Shiva · Fortaleza, CE 30/9/2007 19:18
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Alê Barreto
 

Candice, Gledson, obrigado pelas palavras. Há muito que fazer neste país.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 1/10/2007 11:06
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