Vivi a alegria de participar do FORUM SOCIAL URBANO que aconteceu em minha cidade, RJ, de 22 a 26 do março e que pela primeira vez coincidiu com a passagem de marte pelo meu céu astral, forçando o destino a me deixar participar. Depois de tantos que suspirei não poder ir.
Participei da oficina que se propôs apresentar e debater a Função Social da Propriedade, a elaboração do plano diretor da cidade no contexto da participação popular no planejamento urbano. Passando por todos os trâmites políticos e burocráticos no desenvolvimento das ações.
Durante 3 dias, líderes e integrantes de movimentos populares de diversas partes do Brasil, funcionários públicos e acadêmicos, estudantes e pesquisadores se reuniram em torno do tema. Pesquisas foram apresentadas por especialistas, conceitos foram amadurecidos em coletivo, práticas foram expostas para a reflexão de todos.
Mais do que o conteúdo programático da oficina, ainda que rico e importante, me engrandeceu viver a experiência do aprendizado coletivo. Da busca coletiva pelo saber, pela melhor alternativa, por um maior conhecimento possível em busca do bem de todos. Saber de pessoas que ousam, ao reconhecer a injustiça que sofrem, agir coletivamente em busca determinada, obstinada, de solução. Que não se resignam diante da omissão de quem justifica a autoridade que tem no combate do mal que cuidam fazer manter e agravar até.
Me vi representada diante daquelas lideranças, daqueles pensadores que estavam ali, percebi meu próprio olhar lançado ao mundo no discurso diversificado que encontrei ali. Minha identidade devolvida por alguns dias, restrita a um galpão do Cais do Porto. Seres humanos reunidos para discutir a melhor maneira de garantir a participação democrática de todos em todas as dimensões do existir, não apenas na produção e consumo alienado, obediente.
Se nossos verdadeiros representantes tivessem seus direitos políticos garantidos, se os candidatos oferecidos pelos partidos políticos tivessem real representatividade entre nós, não haveria necessidade de VOTO OBRIGATÓRIO. Se o tal pacto social de que franceses e ingleses nos falam de fato existisse em nosso contexto histórico, estou certa de que a obrigatoriedade não teria razão de ser. Só que ninguém aceita participar de jogo vendido se não for por obrigação, chantagem ou assédio impositivo, corrompido.
Participei também da feira solidária onde artesãos, artistas, pesquisadores e movimentos populares diversos ofertavam seus talentos.
A praça de alimentação feita em casa. A família do Betinho, responsável pelo espaço anfitrião, transbordando solidariedade no cuidado com o êxito do encontro.
Aprendizado cidadão por todos os lados. Cada ator que encontrei ali trazia consigo a atitude transformadora diante de nosso habitat e a abertura indispensável diante da mudança positiva que o outro pode despertar para a melhora do todo. Fiz amigos.
Agora que o evento acabou, volto para a realidade da vida como quem teve o quase exclusivo privilégio de olhar por entre as frestas que rachamos no sólido muro que a mentalidade dominante ergue diariamente em nossos corações nativos.
Rachado, agora sei, com a cabeça dos desobedientes, daqueles que insistem em se deixar nascer, alheios a planos de controle de natalidade, assepsia étnica, de clareamento cultural, de inclusão consumista, educação classista e tantas outras estratégias trazidas do além mar, implementadas em terras nossas.
Sem teto, sem terra, sem remuneração. Sem ar refrigerado, sem detector de metal, sem tradução simultânea, passando o chapéu e fazendo festa no final.
Sigo agora diferente, com sonhos menos utópicos, utopias compartilhadas ganham força.
Mais confiante que nunca em nosso potencial de crescimento não institucional, consciente, livre.
Parabens por este seu lindo exercicio de cidadania. Que outros fóruns aconteçam pra tornar o mundo melhor. Paz em Ñanderu.
graça grauna · Recife, PE 28/3/2010 09:52
Obrigado por compartilhar conosco experiências tão ricas e estimulantes. Uma linda demonstração de que os sonhos de fato não envelhecem.
Bjo.
Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ
FÓRUM SOCIAL URBANO 2010
Um Trabalho admirável, Um Forum Importantíssimo, um Tema preponderante na importância e na influência na vida dos Humanos.
A Grande Luta da Humanidade é pelo desfrute dos bens da Terra.
Numa relação desigual os poderosos dominas e excluem os mais fracos e os excluem desumanamente.
Os movimentos populares são as Esperanças do Mundo pois
vão na frente forçando as condoções para haver mais justiça e igualdade nas relações Humanas.
Temos de Exaltar Todos que ajudam os Movimentos Sociais na ajuda para que a humanidade avance e se liberte do seu espírito bandido de o irmão explorar e excluir o seu irmão. Fazem Lembras de jesus e os Apostolos que viviam com os bens em comum para que todos partilhassem em comunhão.
A cada um conforme a sua necessidade e de cada um, conforme a sua possibilidade.
Um grande ideal, só mesmo Jesus.
...Da busca coletiva pelo saber, pela melhor alternativa, por um maior conhecimento possível em busca do bem de todos. Saber de pessoas que ousam, ao reconhecer a injustiça que sofrem, agir coletivamente em busca determinada, obstinada, de solução...
Parabéns pelo Trabalho.
Abração Amigo para todos.
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