Precisava sair de casa, se desentoxicar de si mesma. Nada de festas ou farras, mas um cinema, um teatro, uma exposição, um curso noturno de Ikebana, qualquer coisa onde pudesse respirar algo de novo.
No entanto, ficava apenas na vontade que sem muita força era rapidamente abatida pela proteção da solidão. E ela, invariavelmente cedia ao silêncio e à individualidade da solidão.
Agora nada romântico a comovia, nem mesmo uma canção de amor, como a arrebatadora "Eu Te Amo" do Chico Buarque, ou a juvenil "Eu Te Amo" do Roberto e do Erásmo, nada a fazia tremer íntimamente sentindo que cada palavra cantada numa canção de amor entrava dentro dos seus ouvidos com a força de poder ter saído dos seus próprios pensamentos ou sentimentos.
Às vezes até se pegava dizendo "Eu Te Amo" e depois se dava conta de que não havia ninguém a quem ela quisesse dizer essa frase, dizer isto assim, do nada, só por sentir uma verdade cheia de vontade de expressar o amor sentido por determinada pessoa.
Sentía agora, apenas que as palavras ditas a ninguém caíam num vazio pesado, no nada, no sem sentido. então perguntava para si mesma, "Pra quem você está dizendo isso?"
acontecendo de estar se sentindo muito bem ela respondia com alguma convicção, "Para mim mesma." No entanto, mesmo usando esse frágil pano de fundo, as palavras era sugadas para dentro de um triste vazio.
Parecia-lhe às vezes que durante um longo tempo ela desperdiçou o amor, escasseou o brilho, a beleza, a pureza e o sentimento de cada uma das três palavras por uso demasiadamente indevido. Foi como dissecá-las até que elas se tornaram apenas mais uma frase em sérpia, guardada dentro do imenso baú da memória.
A solidão a levara a essas pequenas descobertas sobre si mesma, e do mundo em que viveu durante todos esses anos, e decidir se quer continuar nele ou quer criar um mundo novo para si mesma, onde ela queira se dar outra chance de dizer "Eu Te Amo" para alguém.
Seu texto ficou bem legal, Dora. Parabéns. :)
Mas pela natureza literária dele, talvez ele ficasse mais confortável e mais bem acompanhado se fosse publicado no Banco de Cultura do Overmundo, vc não acha? Lá ele teria uma competição mais leal por espaço e destaque.
É só uma dica.
Abraços do verde.
Concordo com o Verde. Gostei muitíssimo do texto. Mas aqui fica deslocado.
Thiago Perpétuo · Brasília, DF 7/9/2006 12:22Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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