Fuck - 30ª Mostra de Cinema SP

Divulgação
vai....
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Fernando Mafra · São Paulo, SP
29/10/2006 · 101 · 9
 

Creio que chegou a hora de perguntar: Há algum tipo de censura no Overmundo? Uns dois dias depois de começar a postar sobre a Mostra, me dei conta de que estava falando de filmes estrangeiros em um site sobre cultura nacional. Mas dois membros mais versados que eu me deram um tapinha nas costas dizendo “Não se preocupe, como está inserido em um evento nacional, ainda vale. E mesmo assim, temos que ver como a comunidade aceita os seus textos.” (esta não é uma citação literal). E eis a chave: Vamos ver como a comunidade encara.

Se todos passarmos a escrever sobre produtos internacionais no Overmundo o que poderá acontecer? Haverá uma censura ativa?

Dedicado a Hunter Thompson, Fuck lida um pouco com isso. Em minha opinião no Português não existe uma palavra como Fuck. Claro que podemos traduzir como foda ou foder, mas como traduzir motherfucker? Fode-mãe ou Come-mãe? E quanto a abso-fucking-lutly? Absolu-foda-mente? Não tem a mesma graça. Foda não é tão flexível quanto Fuck. Pelo mesmo motivo o documentário não é sobre a palvra Cunt (boceta, muitas vezes usada para chamar um homem de viado ou uma mulher de completa filha da puta, uma versão mais intensa de bitch – erroneamente traduzido como puta), uma palavra muito mais ofensiva, algo inclusive apontado por Drew Carey no documentário. Cunt não é tão flexível, não há o verbo Cunt, o que limita muito o seu uso, ao menos por enquanto.

Mas chega da aulinha de inglês.

O documentário gira em torno de inúmeros depoimentos de artistas (incluindo duas estrelas pornô) linguistas e outras figuras importantes conservadoras e liberais. Há algumas animações simpáticas espalhadas, usadas para pontuar os tópicos discutidos nas cenas a seguir, e várias imagens de arquivo com notícias relacionadas ao uso da palavra e de profanidade em geral.

Não há momentos excepcionalmente interessantes, ao menos não que sejam um produto dos documentaristas em si. Para quem conhece, o formato lembra bastante aqueles programas de Top 101 qualquer porcaria que passa no canal E! E não foge muito disso, exceto pela trilha sonora muito bem selecionada. Os momentos mais interessantes são quando a edição toma um papel mais ativo e parece simular uma conversa, um debate em tempo real, entre os entrevistados.

Há algumas imagens preciosas, como alguém mandando Bill Clinton se fuder em uma coletiva e Bush mostrando o dedo pra uma câmera. Há todo um segmento dedicado às fodas presidenciais.

O debate em si é muito interessante, pois evoca direitos universais do homem. E isso é claro toma a forma da Primeira Emenda da constituição Estado-Unidense, apesar da maioria massacrante dos entrevistados serem norte-americanos, o filme é inteligente o suficiente para nos explicar quais são as emendas em debate, e é Bill Connolly (ator escocês) que aponta que Fuck já é uma palavra universal.

Fuck parece bem neutro em apresentar os debates e fatos, mas obviamente está do lado dos fodedores, entretanto, a impressão que fica é que os conservadores acabam metendo os próprios pés pelas mãos sozinhos e fazendo papel de bobos (especialmente Pat Boone) sem haver a necessidade de ridicularizá-los ativamente. O filme é curioso, mas não brilhante em si mesmo. Vale a pena ser visto na Mostra apenas pelo fato de não haver previsão de estréia, ou como algo para relaxar.

Mas a questão que deixo aqui é: Se a maioria das pessoas querem foder, que direito tem uma minoria de impedi-los? Qual o limite da liberdade?

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Sergio Rosa
 

Eu nunca vi nenhum tipo de censura no Overmundo. O que há é uma definição editorial. O site trata sobre a cultura produzida no país, no seu aspecto mais amplo: pontos de cultura, videogames, teatro, congado, comida, quadrinhos, etc. Acho que o filtro é mínimo, mas necessário. A escolha do projeto é clara ao optar pela cultura nacional, com intuito de incentivar a produção e a divulgação da mesma. Não é nem de longe uma questão de nacionalismo cego ou coisa que o valha. A idéia é dar espaço para o que rola aqui, e a gente sabe que é muita coisa.

Na minha visão, que não necessariamente representa a visão do Overmundo e da sua comunidade, é que tem espaço sim para a cobertura de uma mostra de cinema que tá acontecendo no país. É um evento nacional, incentiva a produção, cria público, debates, etc. Eu só acho que perde o sentido quando o texto fala simplesmente da obra estrangeira. Acho então que deve ser buscado sempre um diálogo com o evento, com o público, enfim, com alguma coisa da produção brasileira (reforço o sentido amplo de "produção cultural brasileira", sabendo que ela está ligada a muitas coisas, a influencias de outros países, de outras culturas, etc). Ou seja, a idéia aqui não é falar unicamente das expressões tradicionais (e as vezes até batidas) da nossa cultura.

Sei que levantar essa questão pode gerar interpretações erradas. Explicando: Cresci escutando música estrangeira e nacional, assistindo filmes estrangeiros (e quase nenhum nacional). Já sofri com o nacionalismo ingênuo e cego ao discotecar numa festa de um festival de teatro e ser expulso aos gritos de "Brasil! Brasil!" da cabine do DJ. Enfim, não é uma questão de se fechar ao que rola lá fora. Então não imagino que ninguém será "expulso" do Overmundo aos gritos ufanistas. Realmente as ferramentas são abertas e a censura é praticamente inexistente (só para casos gravíssimos), mas entendendo a proposta do projeto, é importante, ao meu ver, fazer bom uso dele e não desvirtuá-lo.

Reforçando: acho que faz sentido falar de uma produção estrangeira quando ela de alguma forma está ligada ao que é produzido dentro do país. Acho que é mais ou menos isso.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 27/10/2006 20:49
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Fábio Fernandes
 

Fecho com o Sérgio. Tanto é que os seus textos têm sido muito bem recebidos por aqui (eu sou um grande fã deles).

De resto, lembro a famosa "piada" do stand-up comedian americano Lenny Bruce, este sim maltratadíssimo pelo sistema americano e supercensurado até sua morte: "Foder é uma coisa tão boa que fuck you não devia ser palavrão, mas sim um elogio, algo que você desejaria a pessoas que amasse, do tipo: Oi, pai, como é que o senhor está? Foda-se, pai!" Pena que hoje as pessoas continuam mandando as outras se foderem no mau sentido.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 29/10/2006 13:17
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apple
 

Acho que os administradores do site dão mais "toques" sobre o sentido pelo qual o site foi concebido. Entretanto, as pessoas podem aceitar a sugestão ou não.

Parece que os meus textos mesmo fogem um pouco da proposta do site, mas ninguém reclamou ainda...

De repente, podemos ter nossos textos deletados... Quem sabe? Vamos arriscando, levando a vida como "sentimos" que deve ser... Vamos tentando nos expressar conforme nossa necessidade e compreensão!

apple · Juiz de Fora, MG 29/10/2006 17:07
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dedalu
 

Acho que o Mafra começou discutindo censura como recurso retórico, mas vale discutir essa questão da linha editorial e as produções estrangeiras. Meus 2 cent, como dizem os gringos: a produção crítica, mesmo que sobre produções estrangeiras, é produção nacional e está dentro das fronteiras overmundiais, acredito...

dedalu · Belo Horizonte, MG 30/10/2006 12:05
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Fernando Mafra
 

O Dedalu sacou o que eu estava querendo. Embora tenha me batido uma grande dúvida no começo, agora já estou mais confortável.

Acabei inserindo isso no texto mais para ligar com a temática do filme de alguma maneira. Não imaginava um debate. Mas acho que saudável, vale a pena discutir.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 30/10/2006 12:11
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Roberto Maxwell
 

Pra vc ver, moco, um texto q nao diz nada sobre o filme que propoe a discutir esta aqui. Nao ha censura mesmo.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 11:37
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apple
 

Roberto,

O texto fala sobre o documentário sim. Olha só:

"O documentário gira em torno de inúmeros depoimentos de artistas (incluindo duas estrelas pornô) linguistas e outras figuras importantes conservadoras e liberais. Há algumas animações simpáticas espalhadas, usadas para pontuar os tópicos discutidos nas cenas a seguir, e várias imagens de arquivo com notícias relacionadas ao uso da palavra e de profanidade em geral.

Não há momentos excepcionalmente interessantes, ao menos não que sejam um produto dos documentaristas em si. Para quem conhece, o formato lembra bastante aqueles programas de Top 101 qualquer porcaria que passa no canal E! E não foge muito disso, exceto pela trilha sonora muito bem selecionada. Os momentos mais interessantes são quando a edição toma um papel mais ativo e parece simular uma conversa, um debate em tempo real, entre os entrevistados.

Há algumas imagens preciosas, como alguém mandando Bill Clinton se fuder em uma coletiva e Bush mostrando o dedo pra uma câmera. Há todo um segmento dedicado às fodas presidenciais.

O debate em si é muito interessante, pois evoca direitos universais do homem. E isso é claro toma a forma da Primeira Emenda da constituição Estado-Unidense, apesar da maioria massacrante dos entrevistados serem norte-americanos, o filme é inteligente o suficiente para nos explicar quais são as emendas em debate, e é Bill Connolly (ator escocês) que aponta que Fuck já é uma palavra universal.

Fuck parece bem neutro em apresentar os debates e fatos, mas obviamente está do lado dos fodedores, entretanto, a impressão que fica é que os conservadores acabam metendo os próprios pés pelas mãos sozinhos e fazendo papel de bobos (especialmente Pat Boone) sem haver a necessidade de ridicularizá-los ativamente. O filme é curioso, mas não brilhante em si mesmo. Vale a pena ser visto na Mostra apenas pelo fato de não haver previsão de estréia, ou como algo para relaxar."

apple · Juiz de Fora, MG 9/11/2006 18:38
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Roberto Maxwell
 

Pois eh. Cada um com aquilo que acha que eh falar sobre um filme...

Roberto Maxwell · Japão , WW 10/11/2006 06:35
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apple
 

Roberto,

Você queria um comentário mais trabalhado, mais profundo, mais explicativo, mais didático, né?

apple · Juiz de Fora, MG 10/11/2006 07:20
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