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FURNAS DO DIONÌSIO

Annaline Piccolo
Dona Iracema
1
Annaline Piccolo · Campo Grande, MS
6/10/2008 · 107 · 3
 

UM TESOURO CULTURAL, GUARDADO A POUCOS QUILÔMETROS DE CAMPO GRANDE.


À medida que o ônibus vai invadindo o cerrado e aproximando-se da serra, tem-se a sensação de um total desligamento com o mundo moderno. Ao contrário do que se possa imaginar, não é preciso afastar-se muito da capital sul-matogrossense para encontrar tal diversidade. Bastam 45 km e, logo ali, ao pé da Serra de Maracaju, está a Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio. A comunidade foi fundada em 1901 por Dionísio Antônio Vieira, ou apenas “Véio Dionísio”, assim chamado por Dona Iracema, uma simpática moradora de 65 anos, que nunca se distanciou da comunidade. Ela conta que seu bisavô, ex-escravo, oriundo de Minas Gerais, deslocou-se com sua família na expectativa de encontrar solo produtivo no qual pudesse garantir a subsistência de seus familiares. O que ele encontrou foi muito mais do que uma terra fértil. A região escolhida por Dionísio possui paisagens naturais singulares, que surpreendem por tamanha beleza.
Furnas é constituída de pequenos sítios e chácaras, onde atualmente vivem cerca de 400 moradores, agrupados em 86 famílias que, assim como Dona Iracema, descendem diretamente de Dionísio. São eles, os “dionísios”, o maior tesouro desta comunidade. Através da preservação das raízes e costumes herdados de seus fundadores, os moradores conseguem ter uma rotina muito parecida com a que tinham nos tempos de Dionísio. Apesar da idade, Dona Iracema ainda se levanta bem cedo para arar a terra e mudar o gado de pasto, enquanto seu marido cuida do engenho, de onde vem o sustento da família.A produção de mandioca, cana-de-açúcar e seus derivados é a principal fonte de renda da comunidade, já que o excedente desta produção é comercializado com o Ceasa em Campo Grande, ou vendida a visitantes.
A “vó” Iracema é quem impõe a ordem na casa, que é bem simples e pequena, mas suficiente para abrigar todos os netos. Os mais velhos mudaram-se para a cidade, assim como seus pais, em busca de melhores possibilidades de trabalho e instrução, mas voltam frequentemente à comunidade para matar as saudades. Já as crianças, presentes em grande número em Furnas, freqüentam a escola e encontram ali sua maior diversão. Na casual chegada de um visitante, os pequenos “dionísios” são os primeiros a disponibilizarem-se como “guias turísticos” da comunidade.
Os moradores, de uma simplicidade comovente, são sempre muito simpáticos e acolhedores com os visitantes. Permitem a estes, através de algumas horas de conversa, um verdadeiro mergulho na cultura quilombola. Após oferecer um delicioso chá de erva cidreira aos visitantes, Dona Iracema sente-se à vontade para contar-lhes alguns episódios de sua história. “Eu já sofri muito nessa vida. Hoje, graças a Deus, eu vivo na benção.” Assim desabafa a senhora, evangélica como uma boa parcela dos moradores da comunidade. A outra parte da população local é formada por católicos.




A falta de infra-estrutura e o difícil acesso por estrada de chão batido fazem de Furnas do Dionísio um tesouro cultural não explorado turisticamente. Aqueles que decidem enfrentar uma hora e meia de estrada no único ônibus que leva à comunidade, ou vão por conta própria, testando os amortecedores do carro nos quebra-molas naturais que o caminho lhes reserva, certamente não se arrependem. Visitar Furnas e ter a oportunidade de conhecer pessoas tão peculiares como Dona Iracema, é uma experiência de puro enriquecimento cultural, combustível essencial na vida de todo ser humano.

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Helena Aragão
 

Annalice,
Que linda colaboração esta sua. Obrigada por apresentar os "dionísios" por aqui e mostrar essas belas fotos. Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 4/10/2008 17:36
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Rodrigo Teixeira
 

Que beleza Annaline. Realmente este é um lugar que muito pouca gente conhece aqui em Campo Grande e é muito pouco divulgado. Continue divulgando o MS no Overmundo. Já votei!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/10/2008 15:37
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Giovanni Guidi
 

Gostei bastante. Dá muita vontade de conhecer esse tesouro.
Sucesso.
Votado.

Giovanni Guidi · Piracicaba, SP 7/10/2008 14:26
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