Gabriel do Autoramas e midsummer madness lançam K7

por midsummer madness
resolvido o mistério: cassetes no computador
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Rodrigo Lariú · Rio de Janeiro, RJ
30/4/2007 · 163 · 2
 

No dia 15 de março de 1990, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência do Brasil. No rock nacional havia uma entressafra dos medalhões enquanto milhares de bandas ensaiavam em garagens. A moeda era o Cruzeiro. Ou melhor, o Cruzado... quer dizer, Cruzado novo... Ah, vai saber, o assustador era que existia em circulação notas meio milhão de cruzados.

E gravar um compact disc naqueles anos era coisa de mega popstar! Qualquer banda de garagem que quisesse fazer sua música circular precisava ter uma fita cassete demo. Além disso, “as gravadoras não queriam mais contratar bandas de Rock, relembra Gabriel (na época no Little Quail e hoje líder do Autoramas) “as demos foram a maneira de cada banda circular e ser comercializada”.

Na época o Brasil era o 7º maior mercado fonográfico do mundo. E pasmem, isso se refletia nas demos, como lembra Gabriel: ”Algumas bandas venderam bastante, às vezes até milhares de cópias, reproduzidas uma a uma em casa. As demos d'Os Cabelo Duro, Little Quail, Raimundos... Eu mesmo acordava um pouco mais cedo antes de ir pro colégio pra gravar fitas. Enquanto tomava banho, gravava uma, enquanto almoçava gravava mais outra.”

Internet ainda era assunto de geeks e o modem mais rápido mal alcançava 2.400 bps de velocidade. Se você gravasse uma demo, o melhor caminho era divulgá-la entre os fanzines (o equivalente aos blogs de hoje). Os zines eram os mais interessados, escreviam matérias a respeito e ajudavam a distribuir milhões de papéiszinhos para divulgar sua demo. Qualquer carta que você enviasse ou recebesse estava cheia de pequenos panfletos divulgando demos e shows (o equivalente ao spam de hoje). Alguns zines começaram a incorporar a função de gravadoras pela óbvia posição de destaque que possuiam nesta cadeia.

Como a K7 se tornou “o” suporte daquela cena, verdadeiras obras-primas sairam apenas neste formato e jamais veriam o brilho do CD. Cada uma destas demos trazia ao menos 1 hit daquela banda, músicas que não poderiam ficar esquecidas. Então, Gabriel, com a inestimável ajuda de Bacalhau (Autoramas) e Rafael Gonzalez, montou uma coletânea com os hits em fita K7 da década de 90. Chama se FIM DE SÉCULO, e este é apenas o volume 1.

No processo de digitalizar e preservar suas fitas-demo, os 3 escavaram clássicos como “Carro forte” do Raimundos, com uma bateria eletrônica; a primeiríssima versão de “Quando a Maré Encher” do Eddie, Oz, banda de Brasília que deixou vários sucessos em apenas 1 demo e 1 CD; além de versões pioneiras de músicas do Pato Fu, Acabou La Tequila, Maskavo Roots e Graforréia Xilarmônica.

Alguns ilustres anônimos também merecem lembrança, como Neguinhos Nojentos com a desbocada “Sua puta”, a hilária Carnal Desire com “Profissão peão” além de gente que ainda está ai na correria, como Meldas do Claudão, baixista da mineira Estrumen’tal, Gangrena Gasosa, o Doiseumimdoisema de Diego Medina...

A FIM DE SÉCULO – 1 será lançada dia 1º de maio no site www.mmrecords.com.br e em K7 de tiragem limitada. A K7 traz apenas 22 músicas, mas no site estão as 30 músicas em MP3, com 128 kbps para download e streaming gratuito. Também no site, a capa em formato K7 pode ser baixada gratuitamente.

O importante é não deixar que estas músicas sejam esquecidas. Afinal, não se esqueceram Collor...

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FILIPE MAMEDE
 

Texto batuta hein brother... tem uma galera por aí, lançando fitas K7, mas tipo brinde saca??? Aqui em Natal o banda Deadfunnydays junto com o A Sangue Frio de Salvador... saudosimo puro... abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/4/2007 15:59
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Rodrigo Lariú
 

legal Filipe, nem acho saudosismo não. É legal a galera se virar com o que tem, não ficar esperando um CD que nunca sai...

Rodrigo Lariú · Rio de Janeiro, RJ 29/4/2007 14:21
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