Violonista, filho de Almir Sater, prepara disco e turnê pelo MS e vai atacar de cantor
Gabriel Sater já nasceu marcado para brilhar em um palco. No dia 27 de novembro de 1981 nascia em São Paulo o primeiro filho do artista mais famoso de Mato Grosso do Sul, Almir Sater. Da infância - ele veio morar em Campo Grande com dois anos e meio - até a adolescência, foi questão de tempo para ele enveredar pelo mesmo caminho que o pai. Com 15 anos já arriscava os primeiros acordes no violão e pouco tempo depois já começava a dar o start para se tornar músico profissional. Hoje, com 27 anos, se prepara para alçar vôo mais alto e assumir a própria maturidade artística.
O violonista lançou o primeiro disco, homônimo e instrumental, em 2006. A repercussão foi grande. Agora ele foi contemplado com o prêmio Pixinguinha, da Funarte, e está finalizando a gravação de seu segundo disco. Após o lançamento, provavelmente em julho ou agosto de 2009, ele fará três shows em MS (Campo Grande, Dourados e Três Lagoas) e se apresentará em quatro escolas públicas da Capital. A maior novidade, no entanto, é que das 13 faixas, dez serão cantadas.
Morando em São Paulo desde o ano passado, ao lado da casa do pai na Serra da Cantareira -, Gabriel busca na metrópole maior divulgação e valorização. Também participa de vários projetos, como o disco instrumental dedicado a Eupídio dos Santos, compositor do clássico caipira "Você Vai Gostar", com o filho do músico, o instrumentista João Gaspar e Gabriel Guedes, filho de Beth Guedes. Tentei chamar meu pai, mas eu ainda não posso confirmar, então não estou contando muito, melhor me surpreender do que me frustrar.
Rodrigo Teixeira - Quais seus objetivos em se fixar em São Paulo?
Gabriel Sater - Estou focado nesse próximo CD que estou gravando. Acabou tendo um atraso devido ao meu produtor que ficou quase um mês fora, então era pra estar praticamente terminado. Mas estou totalmente focado nesse CD, desde preparação vocal até arranjos. Eu fiz quase tudo nesse disco, com exceção dos arranjos do sexteto de cordas, que foi o Maestro Gualtieri Beloni Filho quem fez.
Que tipo de disco vai ser?
Vai ser um disco totalmente autoral com dez canções cantadas e três instrumentais.
Por que você decidiu cantar? Foi uma necessidade? Como surgiu isso?
Desde do começo, quando comecei a estudar música em 99 eu já trabalhava com canções e então teve um período da minha formação que eu comecei a trabalhar muito com instrumental e quase fui para os EUA estudar. Isso me fez deixar um pouco de lado as canções e composições, que eu sempre gostei, e quando eu estava acabando meu primeiro disco instrumental eu senti essa necessidade, essa vontade de trabalhar com canções novamente. Isso foi em 2006, desde então comecei a retomar essa vertente. Mas continuei trabalhando esse disco instrumental, é muito difícil trabalhar esse tipo de disco no Brasil, mas foi muito bom, consegui graças ao FIC e esse novo disco consegui pela FUNARTE, que está dando essa força, é o disco do prêmio Pixinguinha.
O prêmio Pixinguinha possibilitou o que além do disco?
Além do CD tem ainda três shows grandes de lançamento, um em Campo Grande, um em Dourados e um em Três Lagoas e outros quatro shows menores, em escolas públicas de Campo Grande e em asilos. No disco tem participações de diversos músicos que sempre admirei. Os que gravaram foram o Paulo Paulelli, um baixista fantástico, o Celso de Almeida, baterista da Rosa Passos gravou com a gente, o Yamandu Costa também vai participar de uma faixa e a minha tia Gisele. Fora outros músicos do MS que participaram. Graças ao prêmio eu consegui fazer essa produção um pouco mais arrojada, com o sexteto de cordas, em um estúdio bacana aqui de SP, com um baita som, o Estúdio Cool Cut.
Quando você começou a gravar?
Eu já tinha feito duas músicas, que eu mandei para o prêmio para que eles pudessem ver o trabalho, que tem as raízes do MS, mas também novas cores. Eu estou bem diferente do primeiro disco; os meus gostos mudaram, o que eu estou ouvindo mudou, minha inspiração para fazer música mudou. Então o trabalho que está vindo é bem diferente.
Já tem uma data de lançamento?
A previsão era para fazer isso em Julho, mas como atrasou, eu estou esperando a disponibilidade do estúdio. Porque a parte de mixagem demora muito, é um CD com banda, com vários músicos e cordas.
Você acha que ficar só no instrumental limita o raio de alcance de público? Isso tem a ver com sua decisão de cantar?
Não, primeiro veio a vontade mesmo. Logicamente fazer instrumental no Brasil é difícil, em termos de mercado é bem complicado. Eu acredito que para viver de música instrumental tem que se fazer mil coisas: produzir artistas, dar aula e buscar um mercado fora do país. A vontade de tocar minhas composições que me levou a cantar, tanto que o disco é totalmente autoral. Tem uma música que eu considero muito importante na minha humilde e pequena carreira, que me abriu várias portas, muita gente gostou em Lisboa, se chama "Luz do Querer", uma música do meu parceiro Fernando Andréa, que fiz um arranjo, ela é cantada. Todas as instrumentais do disco são minhas e uma é minha como Daniel Rondon. Quero aproveitar no lançamento do cd em Campo Grande e fazer uma festa convidando vários amigos para participarem, estou com saudades demais do pessoal daí.
Você está fazendo um projeto com filhos de outros artistas?
Na verdade ano passado me convidaram para fazer uns shows. Primeiro foi a filha do Mário Zan, fiz uns shows com ela e ela queria fazer esse projeto, mas estou sem tempo por conta do prêmio Pixinguinha. E depois que terminar esse CD vou iniciar um outro projeto que é do compositor Elpídio dos Santos, que fazia trilhas para o Mazzaropi, fez mais de mil músicas e fez "Você Vai Gostar", que foi considerada o marco do sertanejo. O filho dele, o Negão dos Santos, toca comigo, e agora no centenário do Elpídio ele aprovou um projeto para gravarmos eu, ele, o Gabriel Guedes e João Gaspar um CD só de choros.
Como você decidiu ir para São Paulo?
Eu senti isso desde o ano passado, tentei morar um tempo em Maracaju, morava um pouco em fazenda no Pantanal, porque eu gosto muito do mato, e gosto muito de Campo Grande também, mas comecei a ver que para trabalhar estava muito complicado e cada vez, infelizmente, ficando mais difícil. A minha sorte é que estou conseguindo trabalhar cada vez mais com a Fundação de Turismo do MS, porque em cada show que eu faço levo o nome do Estado. Isso eu já fazia naturalmente e criou-se uma parceria com a Fundação.
O que você sentiu como reação à música de MS na Europa?
Foi muito bacana, as pessoas querem ouvir, tanto o instrumental quanto o cantado. Acabei fazendo um trabalho mesclado, mesmo as pessoas não entendendo a letra, pediam para que eu cantasse. É um mercado que me interessa muito.
Qual sua data de nascimento?
27 de novembro de 81, estou com 27 anos. Nasci em São Paulo e fui com 2,5 anos para Campo Grande. Gosto muito de São Paulo, mas meu coração é pantaneiro, não tem jeito, sinto muita falta daí, meus amigos estão aí. Fico aqui para trabalhar, mas se eu pudesse viver de música no MS, com certeza moraria aí.
Você acha que ainda falta formar um mercado aqui? A união do turismo e cultura seria um caminho?
Sem dúvida, a união faz a força. O Pantanal é único, é preciso ter união para o turista vir e conhecer a cultura do Estado também. Recebi amigos de fora várias vezes, foram conhecer o Pantanal e perguntavam onde poderiam ir para ver a nossa cultura, e não existia esse lugar. A dificuldade está aumentando, os festivais que antigamente tinham um padrão, estão diminuindo. Entendo que tem que estar dentro das possibilidades do governo, mas o Festival América do Sul e o de Inverno de Bonito eram muito maiores, um cachê que era mediano ficou menor ainda, e tem pessoas que vivem dessas participações e editais. Isso é o que vejo comparando com os mineiros, o que me falam é que os editais são maiores, têm mais dinheiro. Claro que o Estado é mais antigo, têm mais municípios, não estou querendo comparar dessa forma, mas sim que eles valorizam os artistas de lá, eles têm união e orgulho de sua cultura, têm um mercado autosustentável.
O seu pai teve uma participação na TV, o Rodrigo Sater, seu tio, agora está na novela das seis "Paraíso". Esse é um caminho que você enfrentaria também? Já surgiu algum convite?
Já. Esse ano eu recebi um convite muito legal de um curta-metragem. Fiz teste e passei para ser protagonista, mas não deu certo por conta do Pixinguinha, porque tenho prazo para entregar o CD e o tempo de gravação do curta era muito extenso, 21 dias direto, aí não pude fazer. Mas este ano quero me dedicar ao canto, que é algo que estou voltando a estudar agora para poder conciliar as duas vertentes.
Quantas horas você toca por dia?
Faz um ano que tenho que trabalhar também na minha produtora, que eu criei, toda noite tenho que revisar os trabalhos feitos. Antigamente eu estudava de oito a nove horas por dia, hoje tenho que estudar seis. Como fiz essa escolha na minha vida tenho que dedicar o máximo de tempo que eu conseguir para isso. Fazer música e arranjar música é muito mais difícil que tocar músicas dos outros, então está dando um trabalho imenso para acabar todo o disco e arranjar novos materiais para os shows. Estou focado como nunca. Estou quase fechando um contrato com uma produtora para eu poder voltar a tocar apenas, e deixar essa parte de disco por conta deles, que isso tira um tempo precioso em que eu poderia estar estudando.
QUE O MUNDO TE BATA PALMAS!
www.myspace.com/laionmen
PAZ AMOR E FELICIDADES!
THE LAYONMAN
Quem quiser conferir o som de Gabriel o MySpace dele é este AQUI
ABS
Aqui no Overmundo também é possível escutar algumas faixas como:
Envido
Turunino
Doma" target="_blank">http://www.overmundo.com.br/banco/cd-geracoes-doma-rodrigo-sater-e-gabriel-sater-i">Doma (com Rodrigo Sater)
Nossa, ele é a cara do pai... Legal ver a determinação em fazer o caminho que não é o "mais fácil". A opção por fazer arranjos e se dedicar à música instrumental pode ser recompensadora, mesmo que o retorno seja menor do que o da música cantada. E bom ver que o Projeto Pixinguinha ainda esteja rendendo fruto, apesar de esta nova diretriz - de gravação de discos, no lugar de priorizar os shows e os encontros de músicos de regiões diferentes, como era antes - ter sido bastante criticada. Abraço!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 23/4/2009 22:34
Na última sexta-feira do mês de julho homenagearemos os dez melhores poetas/poetisas do Overmundo e quem vai elegê-los será você !
Escolha os dez melhores poetas / poetisas na sua opinião e me envie o mais rápido possível pra que possamos tabular e dar o resultado com toda aquela honestidade de sempre !
Atenção, essas são os eleitores, caso a pessoa que você quiser eleger não esteja relacionada, não tem problema, basta ela estar no Overmundo, certo ?
Dúvidas, fale comigo, Delen, Rosane Mergener ou Vasqs !
Lembre-se sempre em mensagens particulares, isso é uma coisa nossa, ok ?
Responda, pra quem te enviou a mensagem, através de E-Mail, indicando os ‘seus’ dez !
fvasqs@.bol.com.br
Rodrigo , sempre nos trazendo boas novas...
Somos sortudos ![:)]
Bjinho
Evohé! Jovens artistas a vista! Utilzando um verso do querido Chico Buarque. Chegando bem, Gabriel Sater.
Sobre o comentário da Helena com relação ao Pixinguinha, todas as vezes em que fui ao teatro, eu e minnha companheira, voltavá-mos em verdadeiro estado de êxtase por causa da qualidade musical de artistas que nunca tinhámos ouvido falar. Por isso, defendemos um projeto Pixinguinha plural, onde caiba o modelo de patrocinio a produlção de CDs como de produção de shows e mais... (sobre o mais, poderemos escrever mais tarde).
Mas, o principal mesmo é que fica a certeza de que musicalmente falando o Brasil possui um verdadeiro "pré-sal" em matéria de criação e beleza estética.
Espero que Ana de Holanda que é do ramo, comprenda a necessidade estratégica de priorizarmos a nossa produção musical.
Projeto Pixinguinha ainda esteja rendendo fruto, apesar de esta nova diretriz - de gravação de discos, no lugar de priorizar os shows e os encontros de músicos de regiões diferentes, como era antes - ter sido bastante criticada.
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