“Isso não é músicaâ€!, pragueja quem vê ou ouve Geladeira Metal. Quem não diz nada, nem precisa. Basta olhar para a expressão do rosto: varia entre indignação, riso, pasmaceira, nojo... Se em algum lugar a Geladeira goza de boa reputação, é porque ainda não tocou lá. O “dado concreto†é que ela geralmente não pisa duas vezes no mesmo local.
E isso não é música mesmo. É quase tortura. A dupla formada pelos artistas multimÃdia low-profile Grilo e Paulinho do Amparo é muito mais performática do que musical, no sentido de que, no que eles compõem, não existe o mÃnimo de decência em termos de harmonia, melodia ou ritmo. São urros guturais, grunhidos, notas desconexas no teclado e contrabaixo tocados como ou como se fosse heavy metal, ou delicadamente fazendo climas para as letras, estas variando entre cartas de apoio ao programa nuclear da Coréia do Norte, protestos contra a companhia de eletricidade e declarações de amor à Lili, a cachorra de estimação.
As reações são adversas. Por exemplo, durante um programa de TV ao vivo, Grilo botou um sonrisal na boca e simulou um ataque epilético, gerando revolta em uma entrevistada politicamente correta. Pra quem perdeu, o tape foi parar no You Tube , entre alguns outros momentos especiais gravados em DV. Num show mais recente, que ainda não chegou ao popular site de vÃdeos, Paulinho fez um despacho com um pacote de Elma Chips e uma garrafa de Coca-cola no lugar da galinha preta.
Praticamente ignorados pela imprensa musical (são simplesmente citados quando tocam em alguma festa), o Geladeira Metal continua a tocar seu auto intitulado “jazzy core, ou noise infantilâ€, com inspiração dadaÃsta em artistas como o japonês Yamatsuka Eye e o saxofonista americano John Zorn.
Seu mais novo projeto se chama Abaixo o Carnaval de Olinda, um CD-movimento social disseminado por email, onde uma das músicas e capa estão disponÃveis lá em cima. Para saber mais sobre o movimento, assim como o projeto "Afunda, Meu Recife", clique aqui.
Bah. Isso é coisa de desocupado! Eles são patéticos!!!!
Edson Costa Filho · Aracaju, SE 21/2/2007 04:15
mmm... deve ser muito louco, masssss querer transformar em cool... nao sei nao...
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 21/2/2007 11:55
Interessante... Yamatsuka (ou Yamataka, ele usa vários nomes) Eye (ou Ae, ou ae, ele também usa vários sobrenomes) e John Zorn são referências porradas. Ainda não sei se curti, talvez sim, talvez não... O carnaval de Olinda é uma experiência muito punk (Woodstock foi coisa de criança perto do carnaval de Olinda), talvez eles tenham pirado... :-)
Um abraço,
gostei! quem gosta de zorn e boredoms, eu gosto também, automatocamente - e já gosto do grilo de outros carnavais!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 21/2/2007 22:33muito bacana essa dupla. num paÃs onde a gente tem tantas merdas pra pensar nada mais indicado do que uma bela banana a essas mediocridades que imperam, e nada melhor do que a negação de tudo isso que só deu em merda até hoje, gostei e a argumentação se expande, me lembrei Antonin Artaud e o seu teatro, me remete a uma reação que se não for linda de se ver e ouvir é porque estamos acostumados a uma "sujeira/clean" que nos faz cegos à nossa própria miséria de colonizados babacas que que aceita tudo que vem de fora com olhos de fina madame de merda, viva os assaltos à nossa medÃocre pasmaceira, viva essaa dupla maravilhosa que nos faz pensar, viva a reação, viva o delÃrio , viva a poesia gutural desses sujeitos loucos que invadem o bem estar e deixa essa sensação de que a vida tem mesmo que ser questionada como está sendo levada. ADOREI!!!!!!!!!!!
Balbino · Cuiabá, MT 22/2/2007 11:33ótimo texto. me incomoda muito que tentem hypar o geladeira metal e legitimar uma bizarrice sem sentido como essas. nem noise o cara é, noise é boris.
Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ 22/2/2007 11:33
Realmente não conhecia,mas achei muito loco e com certeza ao que diz respeito ao resultado eles piraram geral e pra quem não ouviu ainda é melhor abrir a mente e respirar fundo e apertar o cinto de segurança,porque o som é Experimentalzaço e No Limits.
O conceito de o que é música é muito amplo então....
Continuem assim cada vez mais "fora da casinha".
Os desenhos são ótimos, o resto é porrada sonora.
Fanny · Rio de Janeiro, RJ 22/2/2007 11:46Não sei se gostaria da Geladeira Metal. Mas gostei do seu texto e também de saber desse movimento...
Cida Almeida · Goiânia, GO 22/2/2007 11:55
Ótimo, ótimo! E divertido. Tive bons ataques de riso na frente da tela. A "praga pro Alceu" no hino é hilária. Apenas acho que essa questão do "Isso não é música" já tá datadÉÉÉÉrrima. Claro que é música, Pôrra! Existem experiências mais limites que esta, que rolaram décadas atrás, e esse papo "é-não é" já tava lá. "Gostou não gostou", e pronto - sem complicações! Eu gostei - onde acho mais?
Fábio Cavalcante · Santarém, PA 22/2/2007 11:56ô Felipe bizarrice é essa corja de loucos que estão nos poderes no mundo todo. isso aà em cima é poesia lÃricaromantica perto desses loucos que controlam o mundo
Balbino · Cuiabá, MT 22/2/2007 12:06
Alô
Realmente, Moyses, o Woodstock foi pirulito de criança comparado ao carnaval de Olinda (isso merece um outro post... aguardem).
Valeu o comentário, Balbino, massa invocar Artaud.
Felipe e Cida, obrigado à parte que me toca... ;-)
C Dala & Haid_Uk®, meus conterrâneos, Paraná, salve, salve seus coqueirais... Fábio, esqueci de deixar o contato dos caras, eles já tem três CDs gravados: geladeirametal@gmail.com
Fábio, ouvi um "isso não é música" de gente que acha que toda banda obrigatoriamente precisa fazer sucesso, estar na capa de revista, mtv, release bonitinho, essas coisas... Ficam horrorizados de saber que durante um evento promovido pela prefeitura do Recife, o Geladeira xingou o prefeito, o secretário de cultura, e até o produtor do evento!! No final, os funcionários da prefeitura fizeram fila pra cumprimentar os caras pela coragem que os próprios nunca tiveram!!!
André Dib · Recife, PE 22/2/2007 12:54
Gosto de experimentações, mas acima de tudo as respeito... talvez se eu ouvir o Geladeira Metal nem goste. Mas a personalidade deve ser levada em conta.
Ei, André! E esta história de criticar quem convida para a festa é engraçada e o oposto dos abraços e recados que em geral a maioria dos artistas manda.
Show! Parabéns pela matéria e parabéns ao rapazes do ruÃdo!!!
Viva o Geladeira Metal e Viva o Carnaval de Olinda! Aliás, eles fazem parte deste carnaval e não sabem.... ; )
Olha, gente. Ame-os ou deixe-os. Não há meio termo. Eu conheci o Grilo em Recife, em circunstâncias surreais. Figura impagável. Concordo com o Hermano e posso dizer que também gosto. E mais: não dá para ficar alheio a uma música que se chama "Gatinha Vitiligo".
Kuja · São Paulo, SP 22/2/2007 14:22
Uma coisa já sei: o texto polemizou, e isso é bom. Muita gente pode rever ou arraigar seus conceitos musicais. Tô comentando antes de ouvir, vou ouvir e comentar depois tb. Acredito que com Geladeira ninguém vai ficar frio: ou entra no clima quente ou esquenta de raiva. Não passarão despercebidos, embora, como Dib diz na matéria, não passem duas vezes no mesmo lugar.
abcs
Salam, Yussef!
Sabe que agora que você falou dos opostos, me dei conta que a Geladeira é um bom exemplo de anti-banda, onde a reação das pessoas faz parte do recado...
E retificando uma informação sobre a imprensa musical: Guilherme Moura, do Recife Rock! postou há pouco uma matéria legal com músicas para download.
André Dib · Recife, PE 22/2/2007 14:57
O mundo ainda não está preparado para a verdade.
Daniel Werneck · Belo Horizonte, MG 22/2/2007 20:26e parece que ela dói ...nos ouvidos
Pio Lobato · Belém, PA 22/2/2007 22:44
É isso aà André!
Por isso disse e repito: Eles fazem parte deste Carnaval e não sabem. Negar faz parte do show.
achei du caralho. pau no cú de quem ainda acha que tem que ditar (cagar) regra. achei o máximo a resposta do cara no final do vÃdeo. "a gente faz, vocês tiram as conclusões" que quiserem. não gosta. não vai no show, não compra o disco. parabéns. e quando descerem pro sul "maravilha" (aahahaha), dêem um toque que de repente a gente arma algo aqui em Curitiba pra irritar os polacos.
OAEOZ · Curitiba, PR 23/2/2007 12:21Pode crer!!!!!!!!!!!!!!!! O Gela Metal lembra tb uma outra parada do Recife de uns tempos: República Federativa da Merda Bestificada.... só que não tinha integrantes fixos ( além do letrista/vocalista que era eu mesmo...hahahaha), era tudo no improviso inclusive a formação se fazia na hora das apresentações... mas o conteúdo das letras e a estética sonora era parecidÃssima com o GM ! Mas sobre o Geladeira: acho que os caras são a maior reprentação daquilo que eu entendo por punk, até este lance de dizer que o que fazem não é música é bem punk tb. Ingênuos ou não, inovadores ou não... não é o que importa, o que importa é que estamos aqui a comentar sobre os caras! Hehehe. Os caras tem fâ e eu sou um deles... quero que os caras toquem em todos os buracos do Recife e dou a maior força... Esta banda não vai durar nem um ano!!!!!!!!!!!! ( Verdade?)
Q? · Recife, PE 25/2/2007 11:08
Evandro!!! Que bom tua participação... O legal do conceito de punk é que ele pode ser aplicado até numa orquestra filarmônica. Uma vez entrevistei Aki Nawaz, um indiano que participou do Porto Digital 2005, e ele disse exatamente isso:
"Música clássica indiana é punk, eles quebram as regras das outras culturas musicais, tem conotação polÃtica, é sobre pressão social, exploração, o bem e o mal. Acredito que as diferentes formas musicais do Mundo, seja aqui, na Ãndia, na Ãfrica do Sul, ou na China, são o melhor do punk. A filosofia delas é punk. O fato da palavra ter surgido no ocidente não quer dizer que a idéia seja ocidental. Fora da Inglaterra, a cultura punk existe há milhares de anos. Por isso existem centenas de estilos de músicas diferentes, porque as regras foram quebradas ao longo do tempo"
Abraços!!
Os desenhos são muito melhores que as músicas :) As xilo de Paulinho do Amparo são ótimas. "Homenagem a Alceu e o frevo, que estão fazendo 100 anos…" :)
Gui Moura · Recife, PE 25/2/2007 18:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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