Geraldo Espíndola, o Menestrel Pantaneiro

Rodrigo Teixeira
1
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
22/8/2006 · 152 · 25
 

Compositor símbolo do Centro-Oeste, ele fala 'porta' com sotaque típico, tem discurso ecológico e, com sua alma hippie, avisa: "A arte de Campo Grande, Cuiabá e Goiânia ainda será descoberta"

Geraldo Espíndola é o compositor símbolo do Centro-Oeste brasileiro. Ele fala 'porta' e 'porteira' com o sotaque típico do povo que nasceu nestas bandas do Brasil de dentro. Não gosta de cidade grande, sustenta um afinado discurso ecológico e tem um jeito carinhoso que cativa todo mundo. O modo geraldiano de compor, aliás, mudou o rumo da música feita nestes confins do Brasil e fundou uma linha na MPB que até hoje não foi analisada devidamente. Geraldo prefere criar e se esquiva de uma auto-análise. Mantém a essência hippie do paz e amor e segue firme na missão de menestrel pantaneiro. “A arte de Campo Grande, Cuiabá e Goiânia ainda será descoberta. Vai chegar o momento do Centro-Oeste”, prevê com sua voz gravíssima.

Com centenas de composições, convive sem conflito com o fato de a maioria dos artistas de fora de Mato Grosso do Sul pedir sempre a mesma música para gravar: Vida Cigana. Canção feita para a esposa na década de 70, Vida Cigana se transformou em sucesso de rodinhas de violão e repertório obrigatório de barzinhos antes de cair nas graças de artistas populares, como José Augusto e Gian & Giovani. O grupo Raça Negra fez uma versão pagode para a música e vendeu um milhão de cópias. A balada de letra romântica e harmonia simples já conta com mais de 60 regravações e não reflete a obra de Geraldo, cheia de melodias densas, harmonias sofisticadas e letras inspiradas. “Toco quantas vezes me pedirem Vida Cigana. Não tenho bode nenhum quanto a isso”, ameniza Geraldo.

A maior intérprete do compositor campo-grandense é sem dúvida a irmã Tetê Espíndola. Ela gravou pela primeira vez Vida Cigana em seu disco Piraritã, de 1980, e mergulhou no universo geraldiano, registrando pérolas como É Necessário, Vôos Claros, Rosa em Pedra Dura, Quyquyho, Vento da Noite, Deixei Meu Matão, Lava de Blues... Tetê e Geraldo foram muito influenciados pelo mais velho dos irmãos Espíndola, Humberto, o artista plástico conhecido como O Pintor do Boi. Incentivado pelo irmão, de quem pegava letras para fazer as primeiras músicas, Geraldo praticamente fundou a cena roqueira de Campo Grande no final da década de 60. Criou o histórico grupo Bizarros, Fetos e Pára-quedistas de Alfa Centauro com seu amigo Paulo Simões e outros companheiros. Com isso, influenciou toda uma geração de músicos da pacata Campo Grande.

Geraldo também é personagem de muitas histórias. Na década de 70, quando morava no Rio de Janeiro e cantava no grupo Lodo, apareceu careca para a surpresa da maioria esmagadora de cabeludos. “Comecei a minha carreira assim no Rio. Totalmente sem cabelo e tocando craviola de 12 cordas no tempo áureo dos cabeludos e da guitarra elétrica”, lembra. Alguns anos depois, quando fundou o Lírio Selvagem com os irmãos Tetê, Alzira e Celito acabou finalmente tendo suas composições registradas em disco. Metade do repertório do LP Tetê e O Lírio Selvagem lançado pela Philips/Polygram em 1978 é de Geraldo, que só então começou a ser divulgado nacionalmente. Suas músicas já tinham forte apelo ecológico. No clipe da música Bem-te-vi, produzido pelo Fantástico, os quatro irmãos aparecem com collants imitando bichos do Pantanal, pintados pelo artista plástico cuiabano João Sebastião da Costa. Os mesmos que eles vestem na capa do disco do grupo.

A poesia de Geraldo retrata o olhar universal do homem pantaneiro, transformando a sua obra em um verdadeiro manifesto pró-natureza. Um exemplo é Pureza, a única parceria dele com o conterrâneo e amigo Almir Sater: "Você que já brincou numa árvore, ali nos matos, sabe que o prazer de uma fruta é um doce fato, se ligue nas crianças que tem no homem a esperança, de saber a natureza coisa real, e que nunca nunca nos fez mal sempre ajudou, até quem só desprezou". Justamente o teor ecológico de suas canções que acabou levando Geraldo Espíndola para a França em dezembro de 2005. Ao ser convidado para fazer um despretensioso voz e violão para abrir uma palestra sobre desenvolvimento sustentável na Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande, em 2003, Geraldo carimbou seu passaporte para a Europa sem saber. Na platéia estava o professor de economia da cultuada universidade Sorbonne, Léo Dayan. Diretor da ONG francesa Apreis, Dayan se encantou com Geraldo. Resultado, após dois anos de articulação, o ecologista cumpriu a promessa de levar o músico campo-grandense à Europa. Geraldo fez uma série de nove concertos na França: começando pela Ile d’Oléron, passando por Fouras, Ile de Ré, Tonnay-Boutonne, Jonzac, Saint-Georges-de-Didonne, Saint-Savinien e concluindo com dois shows em Paris, ambos no anfiteatro Richelieu, da Sorbonne. Para Dayan, “Geraldo é uma lenda da música de Mato Grosso do Sul e de toda a região Sudoeste do Brasil”.

As palavras de Dayan provavelmente passarão em branco no Brasil, afinal, a música sul-mato-grossense é desprezada e desconhecida na grande mídia, mas surtiram efeito em solo francês. A primeira viagem de Geraldo para a Europa vai virar o DVD Um Brasileiro na França, com imagens da apresentação do compositor na Sorbonne. A iniciativa partiu da própria universidade. "Pedi para desligar o som e toquei acústico e cantando sem microfone mesmo. Aquele lugar é mágico e passou muita coisa na minha cabeça", conta. A empolgação de Dayan em torno da obra de Geraldo e o apoio do Ministério da Cultura francês e da própria Sorbonne forçaram o músico a encarar a realidade da falta de incentivo para a cultura no país, ou no estado. Para viajar, acabou tendo de contar com a ajuda financeira de amigos para comprar uma única passagem, pois foi só ele e violão para a França. “Não tive apoio do governo nem estadual e nem federal. Vendi alguns boizinhos dos amigos para poder viajar”, relata sem constrangimento.

Com a experiência na França, Geraldo passa por um novo surto criativo. Relembrando tudo o que viu e as pessoas que conviveu, as últimas músicas do compositor estão saindo com letras em quatro línguas. “Estou misturando português, espanhol, francês e guarani. As canções estão bem bonitas”, anima-se o compositor de 54 anos. Além do DVD francês, pretende lançar o CD ao vivo Intimidade Acústica, em que o próprio Geraldo gravou pela primeira vez Vida Cigana. Mas o compositor prefere ficar longe de previsões e seguir, como gosta de dizer, o ritmo do rio. “Vivo todo dia como se fosse o último da minha vida. Não dá para ficar pensando no futuro”, finaliza.

Confira abaixo a entrevista com Geraldo:

Como é compor centenas de canções quando a maioria dos cantores só quer gravar Vida Cigana?

Acho maravilhoso. Toco Vida Cigana quantas vezes me pedirem e não tenho bode nenhum quanto a isso. Adoro ouvir as pessoas gravarem porque cada um veste a música diferente e isso me encanta e me deixa apaixonado pela obra. Vou descobrindo coisas na música que não sabia. Fico faceiro principalmente porque é meu ganha-pão. Vivo disso e espero continuar vivendo bem um dia só de música.

Por que suas músicas não chegam a uma Gal Costa ou Maria Bethânia?

Não sei responder. Mas vivo correndo atrás. Outro dia o Gian & Giovani me gravaram também com Vida Cigana. Os sertanejos me procuram bastante. Os que consigo ir atrás, mando material. Tenho me organizado para atender todo mundo que me pede música. Às vezes, na minha confusão, deixo de mandar. Mas raramente perco uma oportunidade. Ela aparece, mergulho de cabeça.

Você morou no eixo Rio-São Paulo na década de 70. Por que decidiu voltar de vez para o Matão?

Para mim tudo é experiência adquirida. No Rio toquei no grupo de rock Lodo. Quase que a gente explodiu. Na época tinha o Vimana com Lobão e Lulu. Depois fiquei mais em Sampa com o Tetê e O Lírio Selvagem. O problema é que não gosto de cidade muito grande. Só com muito dinheiro. Sem dinheiro prefiro estar no meu Mato. E foi isso que aconteceu na verdade. Muita fama e nenhum dinheiro. Aí voltei à minha terrinha para refazer a vida. Já casado e com mulher grávida. Aquelas coisas. E não errei porque sabia que o mundo iria passar na janela da minha casa. Hoje falo com o mundo inteiro graças ao computador.

Em pleno reinado dos cabeludos nos anos 70 você apareceu careca cantando no Lodo. Como foi isso?

Fui obrigado a servir o exército por três dias. Até conseguir escapar do último exame lá dentro. Fugia há três anos e eles me pegaram na hora em que ia viajar para o Rio. Usava meu cabelo tipo Jimi Hendrix e fiquei puto porque me rasparam a cabeça. Fui carregado até a barbearia e o povo ovacionando. Eles iam me mandar para servir em Porto Murtinho. Acabou tendo excesso de contingente e escapei. Então fui careca para o Rio e não me adaptava. Usei por uns três dias uma peruca enorme da Tetê de cabelo liso até formar um calo na orelha. Aí comecei a raspar todo dia e manter a careca. Então era todo mundo cabeludo e eu careca tocando craviola de 12. Esse foi o começo da minha carreira no Rio.

Como você analisaria a sua obra no panorama da MPB?

Não dá tempo de perceber estas coisas porque vivo criando. Sem parar. Não conseguiria me definir. Prefiro que os jornalistas façam isso.

Então em quem você se reconhece na música brasileira?

No pessoal de Minas, que tem uma levada em 6/8 como nós daqui também. No pessoal da Bahia, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e João Gilberto. Roberto Carlos... Todos me influenciaram e são meus ídolos.

Fala-se muito que Campo Grande não tem uma identidade própria ainda. Você concorda?

Não concordo. Acho que já tem uma identidade própria sim. Reúna todo este povo que começou há 35 anos e teremos a prova de que já existe uma identidade de arte sul-mato-grossense. O Humberto, o Jorapimo, o João Sebastião e outros nas artes plásticas, por exemplo. Justamente porque estas pessoas estão vivendo e trabalhando na sua aldeia e correndo o mundo. E eu tenho certeza de que ainda vai rolar a arte do Centro-Oeste todinho. Aqui, em Cuiabá, Goiânia...

Na década de 70 você já fazia músicas em que tocava na questão da ecologia. Você acha que as pessoas estão mais conscientes neste ponto atualmente?

Acho que o panorama melhorou muito. Tem mais gente consciente. Mas quero ver quem vai salvar o rio Taquari. Em 1980 pescava dourados enormes no Taquari. Isso não tem dinheiro no mundo que vai fazer voltar. Então o Taquari é um exemplo de como o Pantanal pode ficar se a gente continuar acabando com tudo que existe. E a água que está na nossa região, no Aqüífero Guarani, é o futuro de toda a Humanidade. Não se pode se brincar com isso. O Pantanal é Patrimônio Histórico da Humanidade e não nos pertence mais. E traz divisas, desenvolvimento sustentável, emprego para todo mundo do Turismo e este é o caminho da salvação desta região. Então todos nós temos a lucrar com isso. Nossa arte pode ser bem vendida. O mundo inteiro está passando por aqui por causa do Pantanal, um lugar maravilhoso para se passar férias. O caminho é o turismo.

Qual a análise que você faz desta primeira ida em 2005?

Percebo que o MINC tem de ficar com os olhos mais abertos. Eles não conhecem o Brasil. Tem muita coisa acontecendo. Eu me inscrevi para que eles custeassem a minha passagem, mas ninguém prestou atenção no Geraldo Espíndola. Não queriam nem ao menos incluir meus shows no roteiro oficial do ano Brasil-França e isso só aconteceu por pressão do próprio Ministério da Cultura da França. Devo ter errado alguma coisa naquela papelada toda. É provável.

Você comprou a passagem do próprio bolso?

Sim. Fui para a França com o dinheiro de amigos pessoais, que graças a Deus venderam uns boizinhos para me ajudar na passagem. Não tive nenhum apoio da Secretaria e Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Acho isso pelo menos esquisito. Entendo que todo mundo aqui tem de apoiar todo mundo. Mas este negócio de dividir o apoio a todo mundo é uma coisa meio esquizofrênica. Divide, divide e acaba não saindo um único produto de altíssimo nível. Eu não conheço. E quando pinta um lance importante como este da França não tem gente na cultura com olho bem aberto e vivo para dizer: "Isto é importante. Estou dentro!". Pelo contrário. Tem gente dormindo.

(corta! Salto de alguns meses)

... fiz esta matéria com o Geraldo em janeiro/fevereiro de 2006. Nos encontramos em uma ensolarada manhã e conversamos embaixo das árvores do Parque dos Poderes. Como já fazia um bom tempo que a matéria estava na gaveta e finalmente seria postada no Overmundo, resolvi conversar novamente com Geraldo, até porque tinha que fazer a foto dele. Em outra manhã ensolarada, fui até a sua casa, a mesma que ele mora há 25 anos na Coophatrabalho, um bairro distante do centro de Campo Grande. A porta estava literalmente aberta e foi só entrar.

... E o DVD que você gravou na França? Em que pé está?

Nós já estamos em agosto e o meu DVD na França foi parar na Justiça. Cresceu o olho da equipe francesa produziu. Eu contratei verbalmente sem assinar nada. Um dos sócios era brasileiro e os outros dois franceses. A produtora chama-se L’Equipe. Na França, os direitos autorais são fudidos. Os caras querem o copyright de tudo que gravei no DVD. Ao ponto de eu ter que pedir autorização para eles para eu poder vender o meu DVD e ainda dar a maior parte do dinheiro para eles. Então estou entrando na Justiça na França, através da ong Apreis e a associação Lez’arts dês Mondes. Eu não vi nada ainda do material gravado, mas alguns amigos viram e disseram que está deslumbrante. Tem umas cenas que estou andando nos corredores da Sorbonne, intercalando com Paris, os monumentos, entrevista no hotel... sei que está neste pé. E veja como são as coisas!

O quê?

Nós começamos esta entrevista em janeiro e já estamos em agosto. E eu já tive a oportunidade voltar à França outra vez em um grande evento em setembro. Mas é muito difícil conseguir a passagem de novo. E para conseguir no Ministério da Cultura, por exemplo, é preciso de muita antecedência. Se não eu sei que não consegue. Porque é burocracia pura. E eu to sem passagem de novo para ir para Paris, trabalhar uma semana só lá. E neste período eleitoral parece que ficou mais difícil ainda. Mas tudo bem. Janelas e portas abertas não vão se fechar por causa de um evento perdido. Tem outros. O Blue Note de Paris está interessado em um show em janeiro de 2007. Fica aos pés de Montparnasse, é a coisa mais linda. Tomei a sopa que Van Gogh e Gaughan tomaram. Eles moravam ali nas pensões e antigos prédios, em um circuito de turismo fantástico e mundial, que é o que nós podemos fazer com nosso Pantanal.

Esta situação de não ter meios de ir à França é um reflexo de algo maior? Nestas quatro décadas da dita Moderna Música de MS não se conseguiu se fazer ainda um mercado interno nosso e que impulsionasse uma ida sua como esta para a França? O que acontece?

O que é engraçadissimo porque o mercado da gente é fora do nosso estado. Os estados que nos cercam gostam muito mais da nossa música moderna de MS do que o nosso povo daqui. Isso sempre foi assim.

Talvez a resposta da pergunta esteja em algo mais profundo, antropológico mesmo, que é aquela coisa do cara vir para cá... porque o estado é formado basicamente de forasteiros. Não surgiu ainda o espírito sul-mato-grossense de fato ou uma geração que se sinta realmente de MS?

Eu acho que surgiu, isso sim, o sul-mato-grossense paulistano. É uma mentalidade bem paulista. Prestação de serviço, grana e vamos gastar fora. Sendo que aqui é que tem de se investir. Começa pela educação, conservar ecologicamente o nosso Pantanal, nossas bacias hidrográficas, nossos rios... isso aqui é o futuro de toda a comunidade de nossa terra. Nosso estado tem uma população pequena e ninguém dos empresários artísticos dos grandes centros se interessa. Nossos próprios artistas que têm condições de assumirem uma bandeira maior, todos se esquivam. Inclusive eu. Já assumi e briguei muito no passado e to cansado. Acho que é pra outra geração agora. Eu to levando a minha vida, só isso. É muito sistemático, complicado, mas muito responsável.

Campo Grande vai fazer 108 anos no próximo dia 26. Você nasceu aqui em 1952. Se você fosse analisar a passagem do tempo e a música, como seria?

Antes dos festivais no final da década de 60, já existia o chamamé sempre me acompanhando. Aquela música paraguaia. Por trás de toda a informação que vinha do Rio e Sampa, dos grandes centros, sempre tinha aquela sanfoninha do Dino Rocha ou do velho Corrêa...

Mas mercadologicamente. Na década de 60 tinha a coisa mais amadora dos festivais. Em 70 vocês foram para São Paulo. Nos anos 80 rolava mais dinheiro na música, porque o público parece que lotava mais os shows.

Tinha mais grana sim. E mais público também. E tinha o governo municipal muito voltado para os artistas locais também. Não tinha tanta divisão entre o município e estado, as duas casas andavam praticamente juntas. Sinceramente eu não sei onde está a falha. Acho que é uma falha coletiva, mas eu te garanto que não é só do artista. Sinto falta de mais jornalismo, mais arquitetura, mais literatura...

O que falta para dar o boom nesta cidade?

Estruturar, sei lá. Conseguir formar um mercado, vender discos, divulgação com mais dignidade, mais respeito das rádios daqui principalmente. Não tocam a gente e quando você sai da rádio os caras jogam seu CD no lixo.

Toda esta geração sua de músicos daqui, que envolve você, Almir, Paulo Simões, Roca, Tetê, Alzira... têm pontos de forte ligação em suas obras e poderia ter sido uma espécie de ‘Clube da Esquina’ de MS. Até a década de 80 vocês caminharam ainda bastante juntos e depois da década de 90 parece que vocês se dispersaram. É estranho porque parece que com a vinda da novela Pantanal, na extinta Manchete, em 1990, houve uma espécie de estouro da boiada (kkkkk). Aconteceu isso mesmo?

Muito interessante seu ponto de vista. Eu sinto sim que houve uma dispersão total. A gente caminhou muito junto na década de 70. No caso de Simões, eu e Roca desde 1968. Ainda na década de 80 e houve mesmo esta dispersão depois da novela Pantanal. Muito gozado. É isso mesmo.

Vamos destacar alguns momentos mais importantes da música daqui. O momento primeiro do MS em termos de música foi quando o Tetê Espíndola & Lírio Selvagem apareceram com um clipe no Fantástico em 1978.

Foi o primeiro grupo daqui a gravar um vídeo para o Fantástico e o povo do Brasil se surpreendeu com a gente, porque pensavam que existia só índio, boi e onça.

Depois foi a Tetê Espíndola ganhando o Festival da Globo em 1985 com Escrito nas Estrelas.

Isso mesmo.

E o ponto mais alto foi com a novela Pantanal, chamando a atenção do Brasil para o MS e que resultuou na explosão do Almir Sater como ídolo nacional. Depois disso acabou, não tivemos mais altos vôos na grande mídia.

Realmente esta onda não aconteceu de novo. Vamos aguardar, tem muita estrada para se caminhar.

O jornalismo cultural do Brasil está muito voltado para o Rio-SP e das coisas que vem da Europa e EUA. E eu até arrisco dizer que o máximo de interior que os jornalistas cariocas e paulistanos vêm é Minas Gerais.

O máximo do interior para o carioca é uma loja em Copacabana. A gente que saber o que são guetos culturais no Brasil. Por isso temos de nos unir mais e defender o que é nosso. Precisamos nos unir mais, mas por outro fator. Pela política da arte e não partido político. Algo que passa de geração a geração. Assim que eu penso.

E o Intimidade Acústica? Você está com este disco pronto. Quando vai lançar?

Levei para a França uma pequena tiragem e não deu para quem quis. E agora falta o dinheiro de novo para prensar o disco. La plata que move el mundo. O que se faz? Parece que todo mundo que mexe com a cultura é demais ocupado para prestar atenção na arte.

DISCOGRAFIA/GERALDO ESPÍNDOLA

30 ANOS NESTE MATO (Independente, 2004)
Produzido por Arrigo Barnabé e Mario Campos

ESPÍNDOLA CANTA (LuzAzul, 2003)
Produzido por Jerry Espíndola

GERALDO ESPÍNDOLA (Independente, 1998)
Produzido por Tetê e Humberto Espíndola

TETÊ E O LÍRIO SELVAGEM (Phillips, 1979)
Produzido por Luiz

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Rodrigo Teixeira
 

O Geraldo Espíndola tem algumas músicas no bando de cultura do Overmundo: as inéditas Atrás dos Camalotes, Sonhos de Tangerinas, O Lado Oeste da Noite, e os hinos Quyquyho e Forasteiro!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 18/8/2006 17:42
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Saulo Frauches
 

Caprichadíssimo, Rodrigo. Serviço completo, falou até das músicas no banco de cultura. Para quem - como eu - mal cohecia o trabalho do Geraldo, seu texto abriu horizontes.

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 18/8/2006 18:47
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

O objetivo é este mesmo Saulo. Vamos semear Geraldo Espíndola por este Brasil aforaaaa... quem quiser saber mais sobre esta família fantástica tem sites bons por aí sobre os irmãos, Tetê, Alzira, Jerry, Humberto...

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 18/8/2006 21:00
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Balbino
 

Bela matéria Rodrigão. Geraldo chama pra uma união muito desejada e esperada, tem que trabalhar duro e rechear esse Brasilzão com musica boa daqui. Vida longa pra essa moçada!!!!!!!!!

Balbino · Cuiabá, MT 21/8/2006 16:10
sua opinião: subir
6!U r0¢h@
 

geraldo espíndola jamais poderá ser esquecido,pela sua contribuição fantástica na cultura sulmatogrossense e do Brasil.suas composições são ótimas de se ouvir por ser únicas e criativas,parabéns geraldo!

6!U r0¢h@ · Campo Grande, MS 22/8/2006 12:25
sua opinião: subir
Érica Franzon
 

Decobri o Geraldo, na década de 90, quando ouvi Vida Cigana e quis saber quem a fez. Qdo vim pra cá, pude ampliar o repertório e conhecer mais a produção musical dele.
Já rolou até debate na faculdade sobre a origem da letra com umas amigas de Goiânia, que diziam que o autor era de lá. Isso foi em 2000. Mas só hoje, enviei a prova para elas, com a entrevista que vc fez com ele... Parabéns Geraldo e Rodrigo pela entrevista!

Érica Franzon · Campo Grande, MS 22/8/2006 14:30
sua opinião: subir
Érica Franzon
 

Ah, Rodrigo, Campo Grande vai fazer 107!

Érica Franzon · Campo Grande, MS 22/8/2006 14:31
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

Erro lamentável Érica, Campo Grande vai fazer 107 anos e não 108 como está na matéria!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 22/8/2006 15:14
sua opinião: subir
arlindo fernandez
 

prazer
Eu tenho o prazer de ter o Geraldo como parceiro e amigo,pois desde que eu era pequenininho,sou seu fã.
Rodrigo,
bela matéria!!
af.

arlindo fernandez · Campo Grande, MS 22/8/2006 16:57
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

Tem mais 2 músicas de Geraldo no banco de cultura: Cunhataipora e Prelúdio para um tango. Ao todo então são SETE músicas de Geraldo no Overmundo, quase um disco. Obrigado Geraldo!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 22/8/2006 17:40
sua opinião: subir
Geraldo Espíndola
 

Rodrigo,
Um abraço obrigado pela bela matéria.saudações pantaneira
ge.

Geraldo Espíndola · Campo Grande, MS 23/8/2006 11:53
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Raphael Teixeira
 

Ro, matéria maravilhosa. Sem dúvida o Geraldo é um grande ícone de MS, admiro muito seu trabalho. Parábens. Abs.

Raphael Teixeira · Campo Grande, MS 23/8/2006 12:59
sua opinião: subir
capileh charbel
 

bora traze tex e geraldo pra cuiabá?

capileh charbel · São Paulo, SP 23/8/2006 21:30
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
arlindo fernandez
 

vamos levar!
POsso levar O gerlado Espindola pra Cuiabá.
Quer armar?
abraços
AF.

arlindo fernandez · Campo Grande, MS 24/8/2006 11:03
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

por favor, eu quero irrr! não se esqueçam do Rodrigo Teixeira e Mandioca Loca! heeeeee

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 24/8/2006 14:38
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Bacana a matéria, Rodrigo. Deu a maior saudade de Campão.

alina prochmann · Curitiba, PR 24/8/2006 15:15
sua opinião: subir
Maria Lúcia Medeiros Teixeira
 

Linda, a matéria Rodrigo!
Também com tanto talento só podia dar nisto, Geraldo é um compositor e músico maravilhoso e o jornalista idem, idem,idem...
Beijão Maria Lúcia

Maria Lúcia Medeiros Teixeira · Campo Grande, MS 26/8/2006 10:48
sua opinião: subir
Assum Preto
 

Geraldo Espíndola é um cara que merece tudo de bom...
Eu amo o Geraldo. O cara é um gênio (com todas as letras). Ele faz poesia brincando... que aliáis, é o passatempo predileto dele - brincar de ser gente (sim, por que Geraldo não é daqui. Geraldo é um Feto paraquedista de Alfa Centauri...) :)

Assum Preto · Campo Grande, MS 26/8/2006 20:13
sua opinião: subir
Luca Maribondo
 

Belo texto. Bela entrevista. Só corrija o título do disco: não é "30 Anos Neste Mato", mas "30 Anos Nesse Mato". A primeira fórmula é a correta, mas é a segunda que está na capa. Culpa dos produtores. Aliás, o produtor foi Cândido Alberto da Fonseca e não Arrigo Barnabé e Mario Campos como está no texto.

Luca Maribondo · Campo Grande, MS 11/12/2006 18:22
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

Amigão Luca, Arrigo Barnabé e Mario Campos estão nos créditos do disco como produtores. O Cândido também! abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 13/3/2007 19:03
sua opinião: subir
Tânia Brito
 

Rodrigo, só hj vim ler esta matéria sobre o Geraldo Espíndola. Maravilhosa! O show de ontem (06/07/08) no MS canta Brasil só veio validar mais uma vez todos os elogios dos quais este grande artista é merecedor!
Parabéns a você pela matéria e ao Geraldo pelo maravilhoso show de ontem!!!

Tânia Brito · Campo Grande, MS 7/7/2008 15:42
sua opinião: subir
Karine Pegoraro
 

Muito bom mesmo o show do domingo, dia 06/07/08. Pena que faltou um pouco de respeito e admiração por tão célebre artista Sul-mato-grossense. Reconheço que foi o 1º a q assisti, mas nem por isso deixei de admirar através das poucas mp3 q achei pela internet. Grande artista! Colírio para os olhos e ouvidos!
=)

Karine Pegoraro · Campo Grande, MS 10/7/2008 22:34
sua opinião: subir
Rodrigo Teixeira
 

Valeu Tânia! Que bom que afinal leu a entrevista com o Geraldo. Apareça sempre por aqui. bj

Oi Karine. Fiquei curioso para saber pq faltou um pouco de respeito com o Gera lá no show. Conta pra gente? Quanto a MP3, aqui mesmo no Overmundo têm algumas músicas do Geraldo para ouvir. Por exemplo, ESTA e ESTA. abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 12/7/2008 23:59
sua opinião: subir
Karine Pegoraro
 

Ah Rodrigo, vc sabe pq ja passou por essa idade, entre os 18 aos 25 (acho...) e eu sei por convivência. Pelo menos onde eu estava, com um grupo de amigos, que era na grama, o pessoal tava reclamando muito que o som tava entediante, que ele era chato. Eu penso desse jeito, se vc não gosta, não quer escutar, pelo menos não deve ficar reclamando, avacalhando com o show do cara poxa. O cara é muito bom e o pessoal não tava dando o seu devido respeito, talvez por ignorância msm, por não estar aberto a novas descobertas.
Quanto às MP3, baixei um monte, encontrei as daqui e as do site do Geraldo, e aproveitei para postar as letras de algumas delas no Cifraclub (na parte das Letras), porque queria poder acompanhar na minha playlist e aprender mais rápido.
^^

Karine Pegoraro · Campo Grande, MS 13/7/2008 19:47
sua opinião: subir
Alexandre Saad
 

Grande Geraldo.

Alexandre Saad · Uberaba, MG 21/8/2013 11:58
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter