Geraldo Roca: Sobre Todos os Trilhos da Terra

Márcio Rahal
Roca em 2004 no Festival de Bonito em uma de suas raras aparições ao vivo
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
14/3/2007 · 207 · 23
 

Geraldo Roca é autor de Trem do Pantanal. A música composta em 1975 em parceria com Paulo Simões foi eleita a mais representativa do Mato Grosso do Sul, virou praticamente o hino não-oficial do Estado e há mais de uma década é o hit do repertório do violeiro Almir Sater. Mas Roca é muito mais do que simplesmente o autor desta canção que fala do famoso trem que partia de Bauru, em São Paulo, passava por Campo Grande, chegava até Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, e rumava para o ponto final Santa Cruz de La Sierra. O compositor é dono de uma das obras mais inspiradas da música feita na região Centro-Oeste. A quem diga que seja do país. ‘Se fosse escolher um compositor para dar de presente ao povo brasileiro, este compositor seria Geraldo Roca’, revela Renato Teixeira, grande apreciador da música produzida em MS e com quem Roca gravou, tocando viola de 10 cordas, o LP Garapa ainda na década de 80.

Com sua voz gravíssima, durante a conversa é capaz de enumerar um grande número de intelectuais, como Norman Mailer, Bertold Brecht, Aldous Huxley e Maiakovski e buscar as mais diferentes teorias e livros, como A Cultura do Narcisismo, de Christopher Lasch, para explicar suas posturas ou o porquê de ter feito determinada música. Irônico e provocador, Geraldo não perdoa a falta de discernimento de quem não percebe que o seu maior sucesso, Trem do Pantanal, não tem nada de canção ecológica. ‘Tem muita gente que admira a música como uma elegia ao Pantanal. Mas Trem do Pantanal não é nada disso. É uma canção de um proscrito, que está fugindo de uma ditadura. Não tem ninguém olhando para as estrelas’, explica.

Figura rara nos eventos artísticos de Campo Grande, Roca faz shows eventuais e seus discos demoram. Com 49 anos e 26 de profissão, o compositor lançou apenas um LP e dois CDs. Carioca de nascimento, sempre flertou com o Mato Grosso do Sul, onde sua família possue fazendas, mas apenas em 1988 resolveu mudar para a capital do Estado. Autor de músicas como Japonês Tem Três Filhas, em que satiriza a verdadeira miscelânea cultural que acontece em MS, e Polca Outra Vez, considerada a pedra-fundamental para o surgimento da polca-rock na década de 80, Roca garante que o homem do interior do Brasil se parece mais com o mexicano do que com o carioca. ‘Da rodovia Castelo Branco para cá o Brasil vai virando cada vez mais o México’, assegura.

Roca também não se conforma com a falta de parâmetros do sul-mato-grossense interiorano e chega a apontar o atraso cultural como um dos empecilhos para se ter um mercado em MS para esta música feita por ele, Paulo Simões e Geraldo Espíndola. ‘É inacreditável pensar que alguém nunca tenha ouvido falar em Tom Jobim, mas vai em Maracaju e é isto que acontece’, lamenta. Bom papo, o músico abortou a idéia de ir morar em São Paulo, bola um disco só com versões para canções folk e assume que não se entusiasma mais em dizer que é compositor como nos anos 70 e 80. ‘Hoje me sinto parte de um baixo clero’, vaticina.

Você acreditava que a música Trem do Pantanal se tornaria tão representativa para o MS?
Roca – Não acreditava e ela se tornou por razões curiosas, além da insistência do Paulinho em sempre tocar a música. Trem do Pantanal é uma canção de um proscrito. É um cara que diz que é um fugitivo da guerra, que está saindo do Brasil e indo para a Bolívia, que a família está preocupada com ele. A letra ressalta que ele está muito bem e vivo. E ele sabe que o medo viaja também em todos os trilhos da terra. Me inspirei um pouco na experiência de um amigo. Eu e o Paulinho tínhamos uns 14, 15 anos e ele era mais velho um pouco, mas já freqüentava o PCB. Até o dia que estouraram uma célula do Partidão, ele estava envolvido, teve de picar a mula e fez justamente este caminho até Santa Cruz de La Sierra. Esta história ficou na minha cabeça. A idéia do cara fugindo. Tem gente que pensa que a persona que está dizendo aquelas coisas na letra poderia ser o Che Guevara. Eu particularmente fiquei sabendo há uns três anos que o Che fez uma viagem parecida ou até mesmo a própria. O Fausto Matogrosso tem um livro sobre isso e existe uma ficha do SNI afirmando que o Che teria passado pelo nosso Estado, de cabeça raspada, de óculos e tudo mais. Então até caberia, mas eu e o Paulinho não tínhamos consciência disso.

O Trem do Pantanal é incompreendido na sua essência então?
Sim. Tem muita gente que admira a música como uma elegia ao Pantanal. E não é. A letra fala de um cara fugindo de uma ditadura pelo Pantanal. Ele não estava olhando as estrelas.

Esta canção é bastante popular em MS, mas não se pode dizer que exista um mercado que reflita esta popularidade. Por que esta chamada Moderna Música de MS não consegue formar um mercado sólido no estado?
Porque o MS inteiro tem a população de Copacabana. Você imagina um cara ser estrela só em Copacabana? É difícil.

Mas para você a questão é populacional?
Não é só isso. Não aconteceu nada aqui por causa do atraso cultural das pessoas. A primeira vez que fiz shows por dentro do Estado senti que há um abismo entre Campo Grande e as cidades do interior. São dois universos culturais inteiramente diferentes. É quase inacreditável pensar que alguém nunca tenha ouvido falar de Tom Jobim... Mas é possível. Vá a Maracaju e pergunta quem foi Tom Jobim, Oscar Niemeyer, Darcy Ribeiro... É inacreditável, mas não saberão responder. Se é assim isso aqui, imagino que pelo Nordeste e Norte do Brasil e outros lugares do Centro-Oeste, como Tocantins, seja assim também. A música que estas pessoas conhecem é a música sertaneja. Que embora seja recente, ela é a música popular deste país. Música para eles é aquilo. Nesta viagem pelo interior tocamos em Nova Andradina. Eu, a cantora Maria Alice e a banda de rock Vaticano 69. Deviam ter umas 800 pessoas que não iam embora, não aplaudiam, não vaiavam e não se manifestavam. Teve uma hora que perguntei: 'Tá vivo aí pessoal?'. Foi impressionante, mas eles não estavam entendendo o que era aquilo ali.

O interior geralmente é mais difícil em todos os Estados. Mas Campo Grande é uma capital que não possui uma casa noturna com estrutura de som e luz para receber uma banda. O que acontece?
Não sei. O que sei é que por incrível que pareça quem fez alguma pela cultura foi o governo do PT através do Fundo de Investimos a Cultura, o FIC. É preciso dar a César o que é de César. Ou a Pilatos o que é de Pilatos, sei lá... Houve realmente muita produção musical financiada, a fundo perdido muitas vezes, pelo Estado. O que não houve, e é o ponto fraco da estratégia do governo, foi circulação. E claro que ocorreu muita política de clientela, mas isso no Brasil é de se esperar... Tipo o filho do vereador do interior que quer gravar um CD e deixam ele gravar naquela base de não custa nada... Mesmo assim houve muita produção e nunca se fez tanto CD.

Já é possível dizer que existe uma música sul-mato-grossense?
Existe um embrião dela. Mas na música o problema é que se você quer falar e atingir uma boa audiência, quanto menos complicar, melhor. Coisas como Água Verde, de Geraldo Espíndola, que é cheia de escalas cromáticas, mesmo sendo de um compositor que não conhece cifras, dificilmente teria chance de ser ouvida em outra rádio que não seja a Educativa aqui de Campo Grande. Mesmo sendo uma beleza de canção e diferente de tudo que existe na música brasileira. O Geraldo Espíndola é um dos grandes melodistas do Brasil de sempre... Ele é mesmo, tem um talento extraordinário e tenta, assim como eu, descomplicar as canções e fazer algo mais simples. Mas não é tão simples que chegue a tocar o cidadão sul-mato-grossense.

Não é uma música palatável ainda. Não se chegou a uma fórmula baiana digamos assim?
Exatamente. Não é palatável. A fórmula baiana eu acho genial. A Bossa Nova teve de vingar nos EUA para ser aceita no Brasil. O Almir teve que virar um ator de novela brasileira para ser reconhecido como artista em seu próprio Estado. Então a fórmula baiana é perfeita, porque é feita dos baianos para os baianos e acerta o resto do Brasil de tabela. Mas eles não estão preocupados. Porque lá eles são absolutamente a música baiana. Pode ser boa ou ruim, mas o baiano tem certo orgulho dela. Escuta aquilo o dia inteiro.

Na década de 80 surgiu o que se convencionou chamar de polca-rock, que é a mistura da polca paraguaia com rock'n roll. Muitos o apontam como o próprio pai da criança. Você se considera o que nesta história ou não se considera?
Me considero por causa de uma música chamada Polca Outra Vez. Ela iria ter inclusive um parêntese escrito Back in the Big Field, que não passa de um remake de Back in the USSR, uma paródia dos Beatles para a música Back in the USA do Chuck Berry. Polca Outra Vez é um cara saindo da civilização, do Rio de Janeiro, ou de onde ele estivesse, e adentrando o mundo do Centro-Oeste, a Terra do Boi, a Zebulandia... Polca Outra Vez é rock'n roll, não é outra coisa... Tem até aquele rife a la Chuck Berry, mas em compasso ternário.

Você batizou seu segundo disco de Litoral Central? Como é isso?
Os espanhóis, que foram os primeiros a vir para estas bandas, eles imaginavam que existia um mar interno e chamavam de Mar de Xaraés. Quando o Pantanal está cheio, na altura de Porto Murtinho, por exemplo, não se vê mais mato e parece um mar mesmo. Então o tal Mar de Xaraés é um mar que nunca existiu, mas que tem até nome. É um mar imaginário e fica na região geográfica onde a gente está. Outra coisa para eu chegar neste nome Litoral Central é o seguinte: o chamamé é chamado pelo pessoal no leste da Argentina e no Uruguai de música litoraleña, de litoral fluvial. Então quando comecei a pensar nesta expressão Litoral Central o paradoxo de ser litoral e ser central já me atraiu. É uma provocação. Como pode ter um litoral central? Mas tem e é o litoral fluvial. Li isto na biografia do Tarrago Ros, onde falam de música litoraleña, aquela que fica sempre nas beiras dos rios. Uma música que foi subindo pelo Rio Paraguai e acabou chegando aqui.

Algumas pessoas sonham com a idéia de um corredor cultural que ligaria Campo Grande, Assunção, Corrientes, Montevidéu, Rosário, Buenos Aires, Porto Alegre, Foz do Iguaçu... Falta olhar mais para o Pacífico do que para o Atlântico?
A gente olha para o lado errado sim. Misturar a música feita no miolo da América do Sul seria excelente e renderia altas figurinhas. Mas o que não tem é uma indústria para receber isso e de um público de baixo poder aquisitivo. As fronteiras são os lugares mais pobres do continente.

Você acredita que a música sul-mato-grossense tem realmente um elo natural muito maior com esta América do Sul do que com o resto do Brasil?
Meu amigo, da Rodovia Castelo Branco para cá o Brasil vai ficando cada vez mais mexicano, até que ele vira o México. O brasileiro do interior é muito mais parecido com um mexicano do que com um carioca ou um habitante de Salvador. Isto é um fato. Para bem e para mal. Estas duplas sertanejas que ficam se esgoelando para o mal e as coisas geniais que já apareceram e irão aparecer para o bem.

Na década de 80, o Mato Grosso do Sul viveu um momento de euforia musical, com os teatros lotados de público nos shows regionais, a Tetê Espíndola venceu o festival da Globo, o Almir começou a despontar... Por que a música do MS não estourou nacionalmente?
O lance do Almir é que ele explodiu, mas a música dele não necessariamente. O Almir é artista que vende 20, 30 mil discos. Ele não estava mais vendo para onde ir e meteu as caras. Conseguiu o papel e estourou como figura. O Almir se tornou popular. Não foi a música sul-mato-grossense que estourou com ele. E a Tetê estourou com uma música, Escrito nas Estrelas, que não tinha nada a ver com o universo musical do MS. Mesmo os Espíndola tendo um trabalho extremamente ligado ao universo daqui. A este ritmo em 6/8. Os teatros também tinham bem mais público nos shows dos artistas locais. Agora, por que esta tsunami virou uma marola e depois sumiu eu não sei realmente.

O projeto musical que você lançou, o disco Novidade Nativa, teve a proposta de reunir a nova safra de compositores de MS. Como foi a experiência para você?
Eu esperava uma resposta mais valente dos compositores. Algo que nunca fizeram, uma crônica urbana desta merda, e não aconteceu... Poucas pessoas compuseram para o projeto e isso me deixou triste. Mas teve coisas geniais. Uma música do Jerry Espíndola chamada Atlântica Pantanal, tirando o Jamaica que ele utiliza na letra, é legal. O Salinger Polck, que é sua, tem uma levada e letra legal, embora confusa. O Vaticano 69 fez Redoma que gostei e uma do Tomada Acústica. Teve também a homenagem do Filho dos Livres a mim com a canção Atol do Roca. Me emocionou. Por este lado foi do cacete. Mas a crônica da vida urbana de Campo Grande não apareceu. Estou pensando em fazer a segunda edição do Novidade Nativa. Mas fico pensando como veicular. Fazer os artistas circularem com esta música que não existia no Brasil até surgir a Bossa Nova. Esta música para a classe média, este bom gosto sul-mato-grossense. Porque nós estamos engolidos. Temos de um lado o popularzaço, que é a mistura de axé com vanerão representado aqui pelo Tradição, e do outro lado é o nada. Então é preciso um canal para este seguimento ser a música de MS. É isto que quero para o Novidade Nativa. Com toda a perda do poder do fogo da música, talvez seja esta a saída. Tenho esta esperança. Mas sinceramente estou de saco cheio de música.

Você compõe ainda?
De vez em quando faço uma versão para não perder o hábito. De músicas folk. Penso em um disco e chamar 10 bandas para fazer as versões. Já comecei algumas.

Quem foi o músico que influenciou a cabeça de vocês aqui no estado no início da carreira ainda na década de 60?
Aqui em Campo Grande não tinha um músico específico. Mas teve um sujeito que é a nave-mãe da cultura da qual eu, Geraldo, Paulinho e Almir somos os filhos que é o seu Humberto Espíndola. Ele foi o responsável pelo primeiro saque da cultura daqui que foi o quadro Boi-general, de 1968 (este quadro foi censurado pelo AI5). É uma crítica a ditadura, a economia, ao homem atrasado, ao bovino, tudo junto numa sacada só. Aquilo é extrair do nada a poesia. Um poético que não é falar de pedrinha, caramujo... Fala de uma sociedade através do boi. Tem tudo a ver com músicas que surgiram depois, como Polca Outra Vez, e a própria polca-rock.

Por que você lançou seu disco de estréia totalmente urbano em 1988 sem nenhuma menção a região daqui e distante do clima de músicas como Japonês Tem Três Filhas ou Polca Outra vez?
Porque fiz o que estava vivendo. Eu morei no Rio de Janeiro até lançar este disco. Sempre encarei a produção artística de modo bem simples e distanciado. Não faço 'meu querido diário'. Começo pelo conceito. Nunca achei que a minha experiência pessoal teria de ir diretamente para as minhas letras. O Maiakovski dizia que para escrever um poema você precisa de um mandato social. Os soldados russos iam lutar não sei onde e ele escrevia um poema para aquilo. Sou um pouco assim.

Dê um exemplo.
Na minha música Rio Paraguai, por exemplo. Todo mundo acha que tem a ver com meu avô, que era comandante de um navio que vinha do Uruguai até Corumbá. Mas não é por causa disso que fiz. Foi porque li o livro A Cultura do Narcisismo, do Christopher Lasch, uma espécie de anti-Marshal Berman, que escreveu Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar. Para ele a sociedade avançou e se tornou mais livre e civilizada e progressista a medida que a cidade foi crescendo. O Lasch diz o contrário. Ele acha que é preciso retomar a verticalidade. De onde você veio, de que lado saiu, de onde veio o seu avo e o seu pai... É isto que dá sentido a experiência humana. É o que leva você de filho a pai. Ele fala é que temos de retomar a ancestralidade. Aí fui atrás de saber mais deste lugar que estou morando e o que formou a mim, você... E foi o Rio Paraguai. Sem este rio, não existiria isto aqui.

Te vejo como um cronista, dono de uma visão ácida, que não se deixa levar pela beleza natural. Os compositores daqui tendem a cantar a natureza digamos assim. O que acha disso?
Este negócio de cantar a natureza equivale na economia a economia extrativista. E olhar isso aqui como sociedade e fazer a crônica de costumes, mesmo que ela seja ácida, você está falando de gente. Está agregando valor e fazendo na economia o que equivale à economia industrial. Processando aquele produto. Mostrando que há uma cultura e não é só o jacaré, a arara, o corixo, o pacu... Não é isso mais. Prefiro mostrar quem é que está lidando com estes animais, que é o pantaneiro. Isso sim é interessante.

Qual a importância da música atualmente?
Acabou da era do jazz para cá. E o que a gente está vivendo hoje é uma espécie de ressaca desta história que foi até meados da década de 70, com o punk, e agora já era. A arte existe porque as pessoas precisam dela. No nordeste brasileiro é onde se faz a música mais rica e é a região mais miserável. Ou é Deus ou é a manifestação artística. Que no fundo são as mesmas coisas. São dois constructos. A religião e a arte. Elas têm a mesma origem e dão sentido à vida. Tornam a vida tolerável. Este foi o papel da música popular do século 20. As pessoas viveram a vida delas pautadas pelo o que era a moda musical. Desde as melindrosas dos anos 20 até os hippies e Mutantes nos anos 70. Eu enchia o peito para falar que era músico e compositor na década de 70 e 80. Hoje em dia já não tenho mais. Me sinto fazendo parte de um baixo clero de gente que não tem importância nenhuma no rol das coisas. Na década de 60 a palavra estava com Jean Paul Sartre, com Norman Mailer, com Abbie Hoffman, com Aldous Huxley... Caras que lideraram a revolução de costumes. A palavra não está mais com o filósofo e escritor, ela está com o astro físico, astrônomo, a ciência exata... O pessoal das humanas vai lá perguntar como o mundo está para estes caras. Mas continuo compondo como se fosse importante o que o compositor está dizendo, embora não seja mais assim. Hoje em dia a gente se voltou para o entretenimento. Estes rappers e grupos ingleses e norte-americanos de pós-punk podem falar grosso e mal do sistema, mas tudo é um número. A música boa e transformadora é a que faz pensar. Não dá a fórmula pronta. É que nem os finais de uma peça do Brecht, tipo ache a solução.

O Renato Teixeira já declarou o seguinte: 'se tivesse de escolher um artista para dar de presente para o povo brasileiro daria o Geraldo Roca'. O que acha disso? O que gostaria que acontecesse daqui para frente?
Gostaria de ser mais reconhecido do que eu sou sim. Gostaria de estar em um lugar que as pessoas olhassem para elas mesmas. Estamos dando voltas. Olhando para um horizonte que nunca vai fazer parte de nossas vidas. E isso serve tanto para Campo Grande quanto para o Rio de Janeiro. E este corredor cultural que você falou, eu adoraria que ele florisse, como sonhei, mas sinto dizer que na minha experiência de vida ele não floriu e acredito que ele não florirá tão cedo. Mas é uma esperança. O dia que isto acontecer, a gente vencer o problema do populismo que existe na América do Sul e realmente criar uma integração real, comercial, musical, cultural... todos nós vamos ganhar muito. Nós aqui neste lado do Brasil somos provavelmente o único lugar que vai ficar a salvo do planeta em 30 ou 40 anos. Então é bom que alguma coisa sobreviva.

* Roca participou do CD GerAções. Ele cantou a canção Lá Vem Você de Novo.

Discografia:
LP Geraldo Roca (1988)
Litoral Central (1997)
Veneno Light (2003)

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Helena Aragão
 

Legal, aprendi um monte de coisa com esse texto (até mesmo essa da paródia do Back in USSR - será que só eu que não sabia disso?:). Apesar de não concordar, mas compreender algumas opiniões um tanto pessimistas, acho que ele tem o bom mérito de pensar essas questões do tal "não estouro" da música do Mato Grosso do Sul de dentro para fora. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 12/3/2007 13:15
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Bia Marques
 

A D O R O o trabalho do Roca, super bem vinda essa colaboração Tex, valeu!

Bia Marques · Campo Grande, MS 12/3/2007 16:58
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MárioAlmeida
 

Legal Cara

MárioAlmeida · Campo Grande, MS 12/3/2007 17:14
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Rodrigo Teixeira
 

Olá!

Pois é Helena, os Beatles queriam ser Chuck Berry com certeza. E foram muito mais. Fiquei curioso para saber o que você não concorcou, até para abrir o debate. Alguns encaram como pessimistas (e de alguma forma é realmente) e outro como realistas as colocações do Roca. Esta questão do não estouro da música de MS para fora do estado parece até ladainha né? Mas pensando bem que estado fora do eixo já produziu uma Tetê Espíndola (que apesar de não estar na mídia é conhecida no Brasil né?) e um Almir Sater (que em 2006 fez mais de 100 shows pelo Brasil sempre lotados)? E a produção musical aqui é realmente grande (o blog O Canto do Assum Preto já disponibiliza mais de 130 discos). Talvez por isso fica esta questão do não estouro para fora! E eu tenho certeza que o Roca, e seus amigos Simões e GEspíndola, realmente fundaram uma vertente na Música Popular Brasileira, com uma sonoridade (letra, harmonia, melodia e ritmo) diferente do restante do país. Legal é ter ajudado você compreender um pouco mais sobre a música daqui!

Bia, vai um wisky on the roca's?

Mário, como anda Coxim! Vc é músico? Conta pra gente desta terra maravilhosa! (De Coxim a Berlim / De Nioaque a New York...)

abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 13/3/2007 10:33
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MárioAlmeida
 

Rodrigo - Bem antes desta geração eu já estava com o pé nesta estrada - GEspíndola - Paulo Simões - foram alunos de violão-´la na Primeira Academia de Violão em Campão. Depois de muita Europa e EEUU - cansei do velho/novo mundo velho - muito Jazz -Rock - Bossa Nova. Agora é a vez da nossa "Moderna Música Popular de MS - claro que com a contribuiçãode Coxim -Vide o CD "Viagem pelo Mar de Xaraés" - Onde Kurikaka, Makako e os Dinosauros (dos quais sou um apenas) apresentam um trabalho novo - com direito atrilha sonorano Documentário "Karajá - O Filme" -lançado mes passado no circuíto cultural do Brasil. É isso ahí cqara - tamos na luta. Visite a "Quartaneira" na "Confraria do Piau -lá no Bar do Zé Guedes - só pra conferir o que Coxim anda fazendo... Um abraço coxinense

MárioAlmeida · Campo Grande, MS 13/3/2007 12:38
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Rodrigo Teixeira
 

Opa Mário!
Poxa que legal! Vc foi professor de violão então de Paul Simon e GEspíndola??? kkk
Gosto muito do Kurikaka e Makako, conheci no Festival América do Sul em Corumbá! Seria muito bacana se algumas faixas deste disco fosse postadas no Banco de Cultura do Overmundo! E tb seria bacana vc postar no Guia Overmundo alguns lugares descolados de Coxim! Grande abraço!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 13/3/2007 12:43
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Gisele Colombo
 

Muito boa a matéria Rodrigo! É fundamental, pelo menos para aqueles que realmente gostam da nosssa música, conhecer cada vez mais o que se passava na mente dos nossos compositores. Desde que me mudei para Campo Grande, passei a adimirar os caras pensantes aqui da nossa região. E resgatar toda essa história de vidas, só faz aumentar a minha paixão pelos compositores daqui. Abração amigo!

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 14/3/2007 15:19
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Gisele Colombo
 

Desculpe-me os erros de português! Digitei ráido demais! rs

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 14/3/2007 15:21
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Arquiteto Ângelo Arruda
 

Rodrigo, o Roca é uma tábua de salvação de nossa música. De fato, falar e conversar com ele, arrancar depoimentos, falar de sua música e de sua produção é algo que me alegra bastante. Abraços

Arquiteto Ângelo Arruda · Campo Grande, MS 14/3/2007 18:03
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E.Prado
 

Super entrevista!
Sempre coisa boa!
Valeu rodrigo!

E.Prado · Campo Grande, MS 14/3/2007 18:35
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MárioAlmeida
 

Rodrigo não sei se o espaço para colocar as músicas do Kurikaka & Makako é este.
- Aqui o espaço é do Roca, não?
Estou criando um site para abrigar as manivestações culturais de Coxim - estamos na fase de seleção do material (música, literatiura, artes pláticas, etc.) quando tiver pronto te aviso do link

MárioAlmeida · Campo Grande, MS 14/3/2007 18:47
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Marcelo Armoa
 

Quando eu crescer quero aprender a entrevistar como o meu singular amigo jornalista Rodrigo Teixeira.. Hehehehehe.. Grande, grande, grande, grande.. Roca é O Cara.. Sempre aprendo algo quando converso com esse gênio.. Sou solidário e concordo com ele em inúmeros pontos.. Para a tal falta de parâmetros, ahhh, tenho o que chamo de "teoria do monstro".. Simplificando: um indivíduo pega um violão e toca as cordas soltas; alguém ouve e acha (sem parâmetro) e acha aquilo genial; o indivíduo (também sem parâmetro) acha que está agradando; vem mais um e acha genial; e o ego do indivíduo vai inflando; e assim segue; e assim se cria o "monstro".. Bobo? Simplista? Equivocado? Sem parãmetro? Talvez.. Mas vejo muita coisa aqui surgir dessa forma.. No mais, Rodrigãoooooooooooooooooo... Parabéns meu velho!!!

Marcelo Armoa · Campo Grande, MS 14/3/2007 21:11
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Rodrigo Teixeira
 

Olá! Percebi que até agora de todos os comentários apenas UM é de fora de MS. A companheira Helena Aragão, diretamente da Terra do Tom. Parabéns pela coragem Helena... kkk

Bia vc é a história viva e testemunha ocular de babados fortes! valeuw.

Mário, me refiro a vc colocar as músicas no BANCO de CULTURA aqui do Overmundo, onde já existe centenas de músicas de todo o Brasil. Seria muito legal ter o Kurikaka lá tb, junto com vários outros trabalhos musicais do MS. Confira o banco de cultura! valeuw

Gisele vejo vc sempre nos eventos aqui e sei que tb é uma batalhadora da cultura local. Inclusive já escreveu aqui pro Overmundo sobre o Antônio Porto e Paulo Simões. Parou por quê? bjin

Arquiteto Angelo, bom é ter vc aqui pelo Overmundo. Cade a sequencia daquele artigo sobre a música de MS nos anos 80. Estamos esperando fio. O Roca? Ah este cara é muito interessante! Conversar com ele mais ainda. Gde abs

Brigado Evandro Prado. Pq vc não aproveita e coloca algo aqui no Overmundo. Seria uma honra! abs forte

Ah meu caro Armoa, o homem do Sombra-Boa! Quantos monstros se criam por aí velho... são muitos. O lance é não se levar tão a sério e nem os outros. Só o que vale a pena como o Mister Roca.

Fico sempre pensando se o pessoal abre as fotos para ver e se escutam as mp3. Alguém fez isso até agora?

abs


Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 14/3/2007 21:58
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MARCIO ARMOA
 

Roca é o cara das músicas urbanas no meio rural em que nos encontramos. Mais uma mente realista em nosso meio em que há muita fantasia. Uma bela entrevista com uma pessoa que viveu praticamente todas as fases da música em nosso Estado. Gostei da teoria do monstro hehehe.... tbm tenho a teoria da bomba. Você pega...joga uma bomba e começa tudo de novo. Ás vezes é assim que se chama a atenção e o recomeço pode apagar erros que poderíamos não ter cometido.

MARCIO ARMOA · Campo Grande, MS 15/3/2007 09:36
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Rodrigo Teixeira
 

Olá Márcio! Os realistas são necessários com certeza. Só que um mundo só realista seria muito chato. Um complementa o outro. Acho que a teoria na bomba um equívoco. A não ser que seja uma bomba sonora, como jogou o Chico Science na década de 90. Não outra saída a não ser conviver com a história meu caro. Apagar erros também é impossível, o lance é cometê-los com menos frequencia e aprender com eles. Com certeza está na hora de uma nova geração chamar a atenção (ou tomar o poder mesmo) na música de MS e eu torço por isso. Quanto ao Roca, o cara é testemunha e agente da história. Aliás, como nós manu. abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 15/3/2007 10:00
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Gisele Colombo
 

Rô, pode deixar que voltarei a escrever. Já estou até com um material de entrevista que tenho certeza que vai completar estas histórias dos anos 80. abs

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 15/3/2007 14:58
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Bia Marques
 

Dá-lhe Gisele, publica mesmo!!!! Whisk on the roca's sempre cai bem Tex, abraço meu bom!

Bia Marques · Campo Grande, MS 15/3/2007 19:06
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Sleiman
 

Este negócio de cantar a natureza equivale na economia a economia extrativista. E olhar isso aqui como sociedade e fazer a crônica de costumes, mesmo que ela seja ácida, você está falando de gente. Está agregando valor e fazendo na economia o que equivale à economia industrial.
MEU GENIAL ISSO...SE EU TIVESSEO DOM DE COMPOR, ESSA DECLARAÇÃO JAH MERECERIA UMA MUSICA!...ACHEI INTERESSANTE O PONTO EM Q ELE DIZ Q A PALAVRA HJ NAUM ESTÁ MAIS COM O ARTISTA E SIM COM A CIÊNCIA EXATA...TEM MUITO A VER COM A MÚSICA SEGUNDA FEIRA BLUES, EM Q O HUMBERTO GESSINGER DIZ MAIS OU MENOS ISSO, ? onde estão os caras que pregavam no deserto ?
(o deserto continua lá)
? onde estão os caras que deixavam as portas abertas para a vida poder circular ?
? onde está o teatro mágico só para iniciados ?
? onde está o espaço não privatizado ?
? onde estão os caras que acenavam com a mão invisível um mercado para todos nós ?

? onde estão as provas, onde estão os fatos ?
? as boas novas eram só boatos ?
? onde estão os caras que lutavam e cantavam ?
( por um mundo ideal eles gritavam : ! não estamos sós ! )

? onde estão os caras que diziam que a guerra ia acabar ?
? onde estão os caras que diziam que a maré ia virar ?
? onde estão os caras que espalharam o vírus, prometeram a cura e viraram as costas ?
? onde está o outro ? onde está o diferente ? onde está o comum a toda gente?

SOH AINDA NAUM ENTENDI, PQ Q ELE NUM FAZ SHOWS EM CG...NUNCA FUI EM NENHUM SHOW DELE, EH TAUM DIFICIL DE TER....

Sleiman · Campo Grande, MS 17/3/2007 13:51
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Tânia Brito
 

Ufa Rodrigo! Só hj conseguir ler a entrevista. Parabéns! Vc como sempre arrasando!!!
Abs

Tânia Brito · Campo Grande, MS 17/3/2007 23:23
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Tânia Brito
 

Rodrigo, você questiona se abrimos as fotos e escutamos a música. De minha parte, com certeza! Adoro isso: som, imagem, textos...

Tânia Brito · Campo Grande, MS 17/3/2007 23:32
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Karine Pegoraro
 

Uma baita crítica, mas muito construtiva...
Ótima matéria, como sempre Rodrigo...
Geraldo é sempre uma referência!

Karine Pegoraro · Campo Grande, MS 18/3/2007 12:46
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Celso Petit
 

Simplesmente perfeito!! Abriu minha mente! Me fez melhor!! Avante... Sou eternemante grato a Geraldo Roca e Rodrigo Teixeira por esta matéria! Um marco na minha vida!! Parabéns!

Celso Petit · Campo Grande, MS 22/4/2011 18:16
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rdemedeiros
 

Essa revista é ótima, sempre garimpo ótimas histórias do MS Adicionei voce no FACEBOOK \o

rdemedeiros · Campo Grande, MS 19/1/2012 10:14
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VENENO LIGHT • Capa do último disco de Roca lançado em 2003 zoom
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MÚSICA DO LITORAL CENTRAL • América do Sul, Corumbá, Roca e Telecaster na capa zoom
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