Gestão cultural integrada: o Circuito Fora do Eixo

Organograma FdE
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Rafael Lage · Niterói, RJ
10/2/2011 · 28 · 7
 

Com a maior disseminação das tecnologias digitais nos últimos anos, presenciamos o crescimento do que vem sendo chamado de cultura digital no Brasil, um país que ainda convive com mazelas educacionais e infraestrutura de comunicação tímida. Embora não haja consenso sobre o conceito de cultura digital e que impactos a centralidade das novas tecnologias de informação e comunicação exercem no campo da cultura, já podemos observar, através das redes digitais, o surgimento de dezenas de soluções criativas para problemas estruturais e burocráticos que muitas vezes impedem o avanço do profissionalismo e a sustentabilidade do setor.

Um exemplo da força das redes colaborativas é o Fora do Eixo (FdE), coletivo de produtores culturais independentes que, através de trocas de informações, serviços e experiências, viabilizam um amplo circuito econômico de produção e distribuição da cultura.

O processo teve início no final de 2005, quando produtores das regiões Centro-Oeste, Norte e Sul decidiram estimular o intercâmbio nestas áreas, tendo em vista a distância geográfica e cultural em relação ao eixo Rio-São Paulo. Parcerias entre Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR) viabilizaram a criação do que passou a se chamar Circuito Fora do Eixo. Hoje, são cerca de 50 coletivos integrados, espalhados por todo o país.

Em entrevistas realizadas durante o III Congresso FdE, que aconteceu em Uberlândia, em outubro de 2010, pudemos observar que, além da troca de know-how e tecnologias, os coletivos possuem características muito singulares, e os produtores locais são diariamente desafiados a aproveitar oportunidades únicas que cada região propicia.

Para que isso aconteça, a organização é uma questão fundamental. Os ideais do Fora do Eixo foram definidos em 2009, durante o II Congresso FdE, em Rio Branco (AC) e reunidos em uma carta de princípios. Lá também foi criado um organograma geral do grupo, que dá uma bela visão de sua amplitude, categorias e subdivisões, como mostra a ilustração acima.

A Plenária Nacional engloba todo o circuito, formado pelos Pontos FdE (coletivos atuando diretamente) e os Pontos Parceiros, categorizados por sua funcionalidade: Pontos de Mídia, Linguagem, Distribuição, Banda e Pesquisa. Juntos, formam o Circuito Estadual que, unido a outros, tornam-se Pontos de Referência Regional. Estes formam o Colegiado Nacional, que gere 5 Eixos Temáticos (Circulação, Sustentabilidade, Tecnoarte, Comunicação e Distribuição), definindo diversas frentes gestoras, com produtores responsáveis pelo andamento de cada uma. A partir daí são criados grupos de e-mails, onde os membros discutem suas ações em conjunto.

Sustentabilidade
Uma das questões centrais nestes coletivos – e por isso um dos principais debates no III Congresso FdE - é a sustentabilidade. Neste sentido, as novas tecnologias são essenciais não apenas na organização do trabalho, tornando-se ferramentas-chave na medida em que reduzem os custos de todo o processo do circuito. Partindo disto, o Fora do Eixo dá um amplo passo em direção à autogestão, criando suas próprias moedas e organizando trocas, inclusive de força de trabalho, em torno de economia solidária.

Sendo assim, como cada coletivo desenvolve o sustento dos produtores e a continuidade de seus projetos? São particularidades e detalhes de cada região que influenciam no processo como um todo.

Chama a atenção, por exemplo, a experiência do Coletivo Massa, de São Carlos, SP. Hoje, eles contam com nove pessoas em dedicação exclusiva às suas atividades e mais onze colaboradores com participação esporádica. O Massa vivencia essa experiência há pouco tempo. Suas atividades iniciaram-se há apenas dois anos, com três pessoas envolvidas diretamente. Para desenvolverem ações estruturantes durante todo o ano, enxergaram a dedicação exclusiva como essencial para manter o foco na cena cultural de São Carlos e atender às necessidades cotidianas, como eventos regulares, participações no Conselho Municipal de Cultura e outras instâncias políticas e ampliação dos parceiros locais.

“O coletivo cresceu de maneira gritante, a dedicação exclusiva trouxe automaticamente a sustentabilidade ao grupo”, declara Carol Tokuyo, integrante do núcleo durável do Massa.

Para a gestão financeira, eles fazem uso do Caixa Coletivo, sistema utilizado pela maior parte dos grupos associados ao Circuito Fora do Eixo. Trata-se de uma conta onde toda entrada do coletivo é depositada e retirada de acordo com a demanda de cada um, sem regras pré-estabelecidas. Cada retirada é feita em grupo, com valores altos sendo debatidos presencialmente e valores baixos sendo apenas anotados. O Caixa Coletivo é ligado ao Banco Fora do Eixo, que é gerido pelo Fora do Eixo Card, responsável pela movimentação financeira de todo o circuito.

Por ainda não existir uma conta institucional (está em processo de criação), as operações financeiras do Banco FdE são realizadas através dos CNPJs dos coletivos, como explica uma de suas representantes, Lenissa Lenza:
“Os coletivos podem depositar na conta do Fundo o que lhes é conferido pelo regulamento ou acionar a gestão para poder operar diretamente a verba, conforme direcionamento do conselho. O Fundo tem um conselho gestor formado por representantes de todas as frentes do circuito.”

Todas as movimentações estão computadas em planilhas na página do FDE Card, e organizadas em Compactos Tecs, bancos de tecnologia que dão uma boa visão da complexidade organizacional do circuito, como por exemplo, o Tec Financeiro 2010.

Mas não é somente na sustentabilidade financeira que os grupos se baseiam. Carol Tokuyo, do Massa (SP), ressalta outros pontos importantes na autogestão. “Acreditamos na sustentabilidade em vários âmbitos: a social, que define as relações que estabelecemos com vários parceiros e também entre os membros do próprio coletivo; a política, através da ocupação dos conselhos de cultura, espaços de participação popular, articulação nas câmaras e parceria com grupos culturais da cidade, garantindo assim, maiores chances nas aprovações dos projetos; e a ambiental, na busca pela redução de custos de matérias-primas”. No quesito ambiental, eles aplicam três Rs que ditam suas ações diárias: reduzir o consumo, reaproveitar e reciclar.

Um grande passo em direção à sustentabilidade são as moedas complementares ou moedas solidárias - a primeira delas, o Cubo Card, criado pelo coletivo Cubo, em Cuiabá (MT) - que viabilizam a circulação de valores financeiros sem o uso obrigatório do real. A criação da moeda complementar foi outro ponto importante no fortalecimento do Massa Coletiva. Os Marcianos foram lançados em agosto de 2010 e, em menos de dois meses, foram distribuídas mais de duas mil moedas no circuito local.

No Congresso Regional de 2010, por exemplo, hospedaram e alimentaram 70 pessoas durante três dias com as moedas complementares. O evento custou 4 mil reais, mas, contabilizando o trabalho das pessoas em 20 cards a hora, eles conseguiram chegar a um montante de 20 mil Marcianos e 4 mil reais. A valoração também veio dos apoios e parcerias, como, por exemplo, o hotel que hospedou os participantes em troca de Marcianos.

“Conseguimos negociar em Marcianos até mesmo a mudança de uma das integrantes do coletivo para nossa cidade. Existem casos dentro do Fora do Eixo em que a moeda abrange muito mais do que 50% da sustentabilidade do coletivo. Entendemos a moeda como um grande avanço na valorização do próprio coletivo”, emenda Carol Tokuyo.

Assim como o Massa, outros quatro coletivos possuem moeda solidária: o Cubo (de Mato Grosso, com o Cubo Card), o Palafita (do Amapá, com o - Palafita Card), o Goma (de Minas Gerais, com o - Goma Card) e o Lumo (de Pernambuco, com a – Lumoeda). Estas moedas circulam livremente pelos coletivos e eventos, onde é possível adquirir, com qualquer uma delas, produtos nas banquinhas montadas, grandes responsáveis pela circulação de materiais.

O Fora do Eixo associa suas trocas solidárias à captação de recursos estatais e de empresas privadas. Para isso, conta com um grande banco de dados em código aberto na ferramenta “Google docs”, para quem quiser consultá-lo. Lá, estão cadastrados todos os projetos do circuito, aprovados ou não, possibilitando a troca de informações e a capacitação da rede em angariar recursos.

Distribuição
O Fora do Eixo lida com um grande volume de produtos, principalmente CDs e camisetas, que são os mais requisitados, mas já começam a trabalhar também com livros (através do FdE Letras, ainda em início) e DVDs (tanto musicais quanto documentários ou curtas-metragens). Esses materiais são normalmente distribuídos aos coletivos em consignação durante congressos e eventos. O responsável pela circulação destes artigos é o FdE Distro, que também responde pela distribuição virtual, divulgando e coordenando o selo Compacto Rec.

Em 2010, o selo lançou seis discos virtuais, atingindo um total de 4.375 downloads gratuitos, segundo relatório do grupo. Cada lançamento vem acompanhado de material de divulgação, como release, fotos, vídeos, avatares, mapa de palco, ficha técnica e tutorial de inserção de banner.

Cultura Digital
A distribuição online tem um peso fortíssimo no circuito, incluindo também a circulação de curtas-metragens e produções audiovisuais, através da Distribuidora DF5. Se a internet tem uma importância primordial, o que fazer quando o estado onde se reside não oferece conexão em banda larga?

É o que enfrentam, com muita criatividade, os integrantes do Palafita, no Amapá. O estado ainda não possui serviços de banda larga, retrato da enorme desigualdade de acesso aos serviços de internet ainda existente no Brasil. Para divulgarem seus projetos, utilizam-se do corpo-a-corpo em panfletagens e anúncios em seus próprios eventos. “Usamos redes sociais como MSN e Orkut, mas, por exemplo, o Youtube, lá, demora uma tarde inteira para carregar. O Amapá não tem uma cultura de internet muito forte,” analisa Jenifer Nunes, integrante de coletivo.

“Ao pensarmos na internet como integrante da sustentabilidade do coletivo, para formar um público novo, é importante fazê-lo reconhecer que existe uma nova música brasileira surgindo, e a internet tem um papel fundamental neste sentido. Mas aqui temos dificuldades com este canal de divulgação. Por exemplo, a banda Móveis Coloniais de Acaju é conhecida no Amapá através da TV. Já o Curumin não é famoso lá, pela dificuldade de acesso à internet. Nosso trabalho de formação musical também acontece quando colocamos estas músicas para tocarem nos eventos que produzimos”, diz Heluana Quintas, do Palafita

Quando precisam, por exemplo, carregar vídeos no Youtube, a solução é o correio. “Já aconteceu de mandarmos material para Belém para ser postado no Youtube. Às vezes deixamos o vídeo carregando durante a noite. O problema é quando de manhã você acorda e vê que deu erro (risos)”, completa Jenifer Nunes.

Neste cenário, a distribuição através das banquinhas do circuito torna-se um ponto-chave. Quando viajam, os “palafitas” levam material de artistas locais para serem redistribuídos nos outros circuitos, barateando custos e suprimindo a deficiência da internet local na distribuição digital, que é um ponto crucial no circuito Fora do Eixo.

Durante o III Congresso Fora do Eixo, esta tecla foi muito reforçada, através do Cidadão Multimídia. Em resumo, é a ideia de que cada cidadão integrado à internet pode colaborar na construção de uma grande “cidade digital”. Com isso, cria-se um batalhão de colaboradores digitais que permanentemente produzem conteúdo, com suas câmeras, celulares, em forma de vídeo, fotografia ou textos, utilizando blogs e redes sociais. Este caráter multimídia dos integrantes é muito fácil de observar nas reuniões, congressos e eventos, onde muitos, com seus laptops ou mesmo em celulares, reportam na internet o que acontece naquele momento.

Comunicação
A cobertura colaborativa é outra ação muito utilizada pela rede. Além dos próprios eventos do circuito, os “cidadãos multimídia” utilizam esta possibilidade como mais uma fonte de sustentabilidade. O último festival Jambolada, realizado em Uberlândia-MG, no ano passado, contou com o patrocínio da operadora de telefone Vivo, que, divulgando seu apoio, deixava clara a importância da cobertura em tempo real através do uso de sua tecnologia 3G.

A cobertura colaborativa propicia um grande envolvimento de profissionais que, utilizando recursos próprios, contribuem na formação de conteúdo. Este material torna-se primordial para os coletivos na hora de negociar apoios e patrocínios.

Esta área também é onde acontecem muitas parcerias. Por exemplo, o MIU (Mídias Integradas Uberlandenses), coletivo exclusivamente de comunicação e divulgação, focado na cobertura colaborativa, categorizado pelo circuito como Ponto de Mídia, é um Ponto Parceiro. Em pouco tempo, realizaram a cobertura dos festivais Goma e Jambolada, na região. Possuem um canal no Youtube, o Folhetim Baticum, especializado em cobertura audiovisual, com entrevistas e vídeos de shows. O MIU estuda também seu processo de sustentabilidade através da utilização de cards. “Muitas bandas ficam felizes em ver seu material exposto e vêm nos pedir o material depois do show, estamos estudando a troca deste material por moedas solidárias”, declara Carla, integrante do grupo.

O Enxame Coletivo (Bauru-SP) possui um portal de cobertura colaborativa, o E-colab, usado para produção livre, inclusive para cobertura de eventos que não sejam do Enxame, mas de interesse para a cultura local.

Apesar da intensa utilização da internet e dos circuitos alternativos de comunicação, a mídia tradicional também é foco dos coletivos. E aqui, mais uma vez, as diferenças regionais são aproveitadas. Alguns coletivos conseguem gerar boa quantidade de mídia espontânea sem gastarem um centavo com assessoria de imprensa, como o Palafita. “Os eventos do Palafita viram pauta fácil na mídia local, em vista da carência de eventos culturais na região. No Festival Quebra-Mar, de 2010, conseguimos insert ao vivo no jornal de meio-dia da Globo, e foi através de mídia espontânea”, diz Jenifer Nunes. “Já com a MTV fizemos troca mesmo, divulgamos a logo no folder do festival e a MTV realizou algumas inserções também”, finaliza Heloisa.

Parcerias
As trocas realizadas no Fora do Eixo são, em grande parte, baseados em economia solidária e associativismo. O coletivo Enxame, de Bauru-SP, tem uma parceria local com uma comunidade chamada Lua de Ubaia, que também trabalha com trocas diretas e tabela de serviços. Possuem moeda física, as Luas, em formatos de bolinhas de madeira. Os produtores do Enxame realizam com o Lua de Ubaia trocas de produtos e serviços e contabilizam estas Luas em cards, com cada hora de trabalho valendo 20 cards. “Eles são uma comunidade mais restrita, existe a necessidade de se adentrar a comunidade para poder participar das trocas, enquanto que no Enxame você apenas se credencia no sistema de crédito. Com isso, pudemos abrir serviços deles para mais pessoas, e nós entramos com comunicação e produtos culturais, já que eles lidam mais com produtos orgânicos”, sentencia Isis, do Enxame.

Já no Espírito Santo, o coletivo Multi dialoga com a Rede Cultura Jovem, parceria público-privada, através de Kenia Lyra, que integra a rede e também faz parte do escritório do FdE no estado. O Rede Cultura Jovem une cerca de 25 coletivos de artistas independentes, que convergem através do Portal Yah, viabilizando trocas de economia solidária com o circuito.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o Fora do Eixo conta com o Pontão de Cultura Guaicuru como parceiro do Bigorna, o coletivo central de lá. Há dois anos, o Guaicuru trabalha com verbas públicas e privadas diretamente com os povos Guarani, através do projeto Ava Marandu que, em parceria com a ONU, produziu concursos de quadrinhos, exposições de fotos, nove curtas e um média-metragem, resultados de oficinas nas aldeias.

Direitos Autorais
A utilização de códigos abertos possibilita a livre troca de informações no circuito. Isso levanta o debate sobre direitos autorais, ainda inicial no circuito, já que muitos dos coletivos não se preocuparam até agora com o registro de obras. Mas alguns já começaram esta discussão. “No Massa Coletiva (SP), temos um grande debate sobre direitos autorais. Nós acreditamos que o conhecimento tem de transitar livre, e vemos o fim dos direitos autorais do jeito que são hoje em dia. Todas as bandas que auxiliamos têm registros em Creative Commons”.

A livre circulação não impede que os coletivos também pensem em estratégias para remunerar os artistas e autores a partir do sistema tradicional de recolhimento dos direitos pela execução pública.

“O ECAD muitas vezes vai à rádio e capta um valor mensal, como acontece na Rádio UFSCAR (de São Carlos-SP), que paga uma mensalidade, mas nunca chegou a pedir uma lista das músicas executadas. Pensando na conjuntura de hoje, uma banda como o Macaco Bong, se fosse associada a uma entidade, receberia uma grande verba que já existe lá no nome deles. Pensamos se não estamos deixando de ocupar um espaço importante, uma verba que deixamos de captar que está lá nas mãos de quem não deveria estar. Sempre liberamos a execução das obras quando nos é solicitado, mas acreditamos que o recolhimento do recurso pode ser utilizado de maneira coletiva. Na prática isso já acontece em alguns coletivos, onde bandas investem os direitos autorais nos Caixas Coletivos para gestão compartilhada do recurso. Em âmbito nacional, isso ainda vai ser debatido”, pontua Carol Tokuyo.

O Enxame Coletivo também está atento às formas de licenciamento. “Estamos estudando as nuances dos direitos autorais e do Creative Commons. As bandas que trabalhamos no coletivo (Almighty Devildogs e Pé de Macaco) serão lançadas agora com registro em Creative Commons. Lançaremos em breve nosso selo virtual, o Enxame Rec, com tudo liberado para download gratuito e registrado em CC. Trabalhamos também com plataformas livres, como blogspot e 4shared”, avisa Vinícius. “Mas o que fizemos até agora não foi registrado, a ideia do registro em CC surgiu mesmo com o lançamento do selo”, avisa Isis.

Como a licença Creative Commons é muito associada à cultura digital, produtores com pouco acesso à internet o veem como algo distante. “Ainda não temos este acúmulo no Amapá. Sabemos que é uma discussão muito pertinente nesta nova era de cultura digital. Mas ainda não discutimos este modelo de registro. A maioria das bandas do Amapá não registra suas músicas”, pontua Heluana, do Palafita.

E a rede não para de criar
O enfoque na livre circulação de ideias levou à criação do Fora do Eixo Tec, com as tecnologias do circuito disponíveis para os internautas. Ali se encontram muitos formulários explicativos de como se integrar às ações do circuito, além do banco de projetos e o mapeamento de editais públicos e privados, todos abertos para consulta.

E há mais novidades para 2011. O grupo já deu início às discussões sobre a Universidade Livre FdE, rede de recursos didáticos repletos de cartilhas colaborativas, e criou a Casa FdE em São Paulo, com agentes de todo o Brasil.

O maior festival realizado pelo grupo é o Grito Rock, que acontece este ano em 132 cidades brasileiras e nove países da América Latina, sendo o maior evento integrado da região. As inscrições são feitas através do Toque no Brasil, portal que une produtores, artistas e casas de shows em uma única plataforma, diminuindo a distância entre esses agentes da cadeia produtiva em uma grande rede social de gestão musical.

O circuito segue se reinventando a todo momento, com características singulares como, por exemplo, a DF5, distribuidora de cinema que, por questões próprias, será abordada separadamente aqui no Overmundo.

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Viktor Chagas
 

Bem legal o texto! Vou só pontuar umas questões pra seguirmos no debate...

Primeiro, acho super-válido relatar casos como o do Circuito Fora do Eixo. Mas, em geral, acabo sempre sentido falta dum grau de detalhes do cotidiano, que ainda não vi por aí. Por exemplo, não consegui entender 100% como é que os coletivos se organizam para manter um fundo comum sem uma conta institucional única. Sobre as moedas, me parece uma solução ótima e super-bem-acabada, mas sinto falta de saber quais os profissionais e estabelecimentos que realmente aceitam essas moedas. Há dados sobre isso? Acredito que devam haver dificuldades na circulação deste tipo de sistema monetizado alternativo também...

Achei ótima, por exemplo, a menção a tantos GDocs e Spreadsheets, alguns dos quais conseguimos inclusive editar e manipular os dados (será que isso não é uma falha de segurança? fiquei intrigado...). É uma cultura realmente de gestão transparente. Esse tipo de informação é que faz realmente toda a diferença.

Daí, uma outra coisa que acho importante levantar é justamente que a "fonte aberta" (ou "opensource") do modelo adotado pelo FdE está muito mais na cultura de compartilhar esses dados do que propriamente no uso de ferramentas livres como GDocs, Blogspot e 4Shared, como eles mesmos citam. É que, embora grátis, essas ferramentas não são opensource stricto sensu. Em contrapartida, é stricto sensu "opensource" a atitude de liberar e compartilhar a administração dos coletivos.

Por fim, embora ache super-interessante a menção continuada às licenças Creative Commons de vários dos integrantes do FdE, me parece ainda haver uma certa "confusão" na sua aplicabilidade. Em muitas falas, eles se referem às CC como registro e não como licença. Talvez fosse importante adicionar no texto uma nota explicativa sobre essa diferenciação, sobretudo porque esta má interpretação está na base de muitos dos argumentos críticos contrários à flexibilização da lei dos direitos autorais.

Que bom que o texto trouxe essas e várias outras discussões à pauta. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 8/2/2011 12:31
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Rafael Lage
 

Corrigi o Guaiacuru. As questões são muito pertinentes, mas o texto já está enorme, o editor não aceita mais quase nada. Talvez um outro texto com estes debates?

Rafael Lage · Niterói, RJ 8/2/2011 12:43
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Olívia Bandeira
 

Oi, Rafael, bem legal o texto mesmo, e concordo que o espaço do post é pouco para a quantidade de ações que o Fora do Eixo executa e para a quantidade de questões que podemos debater a partir delas. Acho que o espaço dos comentários é ótimo para aprofundarmos algumas questões, como as que o Viktor levantou. Os próprios coletivos poderiam contribuir com esta tarefa.

Colocando aqui outras questões que eu gostaria de entender melhor. Uma, a forma de circulação das bandas, como se dá a circulação/curadoria dentro do circuito e se há dados sistematizados sobre as bandas que também circulam fora do FdE.

Gostaria de entender melhor também o funcionamento do Toque no Brasil. É uma ferramenta interna, que funciona como inscrição e seleção de bandas para os festivais do circuito, ou se pretende também uma plataforma que propicie negócios para os coletivos e bandas além do circuito?
Acho que esta discussão casa com o que o Viktor levantou sobre a utilização de ferramentas "grátis", mas não necessariamente abertas. O Toque no Brasil poderia funcionar como uma ferramenta livre, que seja uma alternativa às plataformas proprietárias (que, embora grátis para os usuários, geram recursos de outros modos, como anúncios e vendas de perfis) por onde os artistas se divulgam hoje?

Olívia Bandeira · Niterói, RJ 9/2/2011 11:31
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Lenissa Lenza
 

Olá galera!

Muito bacana o texto e o debate! Vou tentar esclarecer alguns pontos mencionados:

1) O CFE tem um modo de organização que destrincha as frentes (temáticas, de mediação e produtoras) e o fluxograma dos agentes da rede.

O Banco Fora do Eixo é uma frente mediadora dividida em núcleos que operam pesquisa, projetos, sistematizações em geral, plano de negócios, o fundo entre outras atribuições. Existem coordenações e suplentes por cada frente, núcleo e etc. O planejamento e investimento da rede se dá continuamente pelas listas que organizam todos os debates, idéias, viabilidades e operacionalização das ações.

O Fundo Fora do Eixo não opera só com uma conta institucionalizada. Pelo contrário. Organizamos todos os CNPJ's da rede e trabalhamos em cima do planejamento anual das frentes e das demandas regionais. O regulamento do Fundo mostra como deve se trabalhar as operações econômicas e o conselho gestor opera em cima do regulamento.

Sobre as moedas solidárias, temos diversos coletivos que já opera com ela física e a maioria opera com registros em planilhas. Temos o cardápio do cubo card que é um exemplo de como se deixar disponível os agentes integrados a moeda. Além dessa ferramenta, temos diversas outras que vão compondo as necessidades para a operacionalização do sistema. Desenvolvemos já um manual da moeda solidária (básico) pra facilitar a operação junto aos coletivos da rede e demais interessados.

Sobre a questão do CC é de fato uma ampla discussão no CFE. Mas assim como diversas outras, vamos caminhando em cima do que a inteligência coletiva vai operando e desenvolvendo. Essa organicidade e nivelamento é fundamental pra que possamos crescer cada vez mais.

Do ponto de vista pragmático, o objetivo de disponibilizar o código da rede da forma mais acessível possível para ampliar o desenvolvimento da própria rede e interessados, vale mais do que se esbarrar na ferramenta do gdoc's. Paralelo a isso, claramente vamos desenvolvendo nossas plataformas até possibilitar a migração completa. Mas é mais uma construção. Enxergo mais como medida tática e politica afirmativa, pra que possamos conquistar sempre um degrau a mais do que buscamos. Mas entendo a sua questão e agradeço pelo toque! :)

P.S.: A medida de segurança do gdoc's está na sua permissão ou não em editar o arquivo. Ainda funciona, embora daqui a pouco o ideal vai ser transformar tudo em PDF. rs


beijos

Lenissa Lenza · Cuiabá, MT 9/2/2011 20:36
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Nerito
 

Olá, Rafael. Gostaria de acompanhar mais de perto o trabalho do Circuito Fora do Eixo, aprender mais. Atuo na área cultural, tanto como voluntário quanto como profissional e me identifiquei com os ideais do circuito. Gostaria de manter contato. Abraços.

Nerito · Belo Horizonte, MG 13/2/2011 16:53
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Rafael Lage
 

Olá Nerito, que bom que você se identificou! O fora do Eixo tem uma página que também serve como rede social onde podemos trocar informações e trabalhos: http://foradoeixo.org.br
Me adiciona no Gtalk: rafalage77@gmail.com ou MSN: rafalage77@hotmail.com Abraço!

Rafael Lage · Niterói, RJ 14/2/2011 09:37
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Mecenas
 

Parabéns pela iniciativa, levarei estes conhecimentos a proposta. Uma boa estratégia, dando exemplo de democracia !

Mecenas · São Mateus, ES 15/2/2011 16:38
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