Em tempos de globalização, neoliberalismo, mundialização, modernidade e pós-modernidade, as rotinas da vida cotidiana constituem um desafio para a religião. Este novo momento histórico desafia as formas religiosas diversificadas.
A religião, como um dos elementos centrais do campo simbólico da sociedade, não escapa a essa dinâmica cultural em que a sociedade está envolvida, na qual o heterogêneo e o diverso contrapõem-se ao monolítico e ao homogêneo; o concreto, específico e particular ao abstrato, geral e universal.
Nessa nova sociedade, a religião também muda, ela se desterritorializa, depende das forças mercantis da oferta e da procura; ela passa a ser orientada a adaptar-se a situações inusitadas e a novas demandas. Reage às suas concorrentes lançando mão da propaganda e dos meios eletrônicos de comunicação, simplificando sua linguagem em função de um limitado número de "produtos" religiosos.
Uma das coisas mais surpreendentes nessa nova dinâmica da religião é a facilidade que qualquer um tem de mudar de uma para outra sem problemas de consciência e de constrangimento. Estamos na era da religião do mercado sem fronteiras; ela se espalha e se fragmenta, não se sabe mais de onde veio; refaz-se a cada demanda; avança nos espaços e lança-se no mercado. A religião explode, se pluraliza, e por isso se sujeita à lei da concorrência; como mercadoria, é vendida a um conjunto de “clientes” que não se sentem mais obrigados a consumí-la.
Somos um país onde novas religiões e filosofias de vida despontam, transformando o Brasil num país mais tolerante e cada vez mais desenraizado em matéria religiosa e em termos culturais. Nunca as religiões foram tão livres para se instituírem, para concorrerem entre si e se multiplicarem. Vive-se uma livre concorrência entre os mais diversos tipos de organização religiosa (igrejas, seitas, cultos, centros, terreiros, ordens, denominações, comunidades, casas, redes, movimentos), as quais dialogam criticamente com a religião católica, ainda hegemônica no país.
O pluralismo religioso possibilita que o mercado concorrencial seja abastecido com uma variedade de ofertas religiosas (terapia corporal, mental e afetiva; cultos de reposição de energia; crença no poder dos cristais e de tantas outras formas de espiritualidades ou de manipulação de forças e energias), onde o melhor produto é aquele que cada adepto elege e consome como tal.
A pluralização é o rótulo de um tipo de sociedade que possibilitou os limites do desejo de escolha e de liberdade de preferências. No Brasil, aproximadamente um quarto da população adulta já teve a experiência do sentido da conversão e da adesão a uma outra religião, diferente daquela que herdou de seus pais.
A religião passa a interessar somente no sentido de seu alcance individual; aos poucos ela vai se reterritorializando na esfera do indivíduo e deste para a dinâmica das relações de consumo, vendo-se obrigada, agora, a ser regulada pelas regras do mercado.
A sociedade passa a recorrer à religião apenas festivamente, tendo em vista o aparecimento de formas religiosas que se apresentam como espetáculo. Aquela religião que era fonte de transcendência perdeu seu sentido; um outro tipo de religião que está preocupada com causas localizadas, reparos específicos, portanto, adquire expressão e relevância nos tempos atuais.
Oi Rodrigo.
Achei interessante a questão que cê levantou. Eu mesma teria muitas coisas a comentar sobre minha experiência pessoal, mas fiquei 1/2 confusa com relação ao teu ponto de vista. Não entendi se você é neutro; se você é a favor da hegemonia católica; ou se você é a favor do pluralismo religioso. Ou nenhuma das alternativas.
Acho que ainda dá pra trabalhar num gran finale, enquanto tá na fila de edição. Lapidando teu texto, ele vai dar muito pano pra manga.
Abraço.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!