Grande conversa (sobre) crítica - 1ª parte

Thiago Camelo
Não dá para ver, mas, na foto, Eduardo está ao lado de dois cinemas em Botafogo.
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Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ
27/9/2006 · 429 · 12
 

Antes da entrevista, acompanhei Eduardo num almoço. Ele pagou a conta com o cartão de débito. A moça sorriu, ele disse “obrigado”. Fomos embora. Uma cena normal, nada cinematográfica.

Volta.

Ele pagou a conta com o cartão de débito. A moça olhou para o lado enquanto Eduardo digitava a senha. A moça sorriu, ele disse “obrigado”. Fomos embora. Uma cena normal, nada cinematográfica?

Não para Eduardo:

- Cara, esta olhadinha para o lado na hora em que você coloca a senha do cartão é incrível. É um marco do nosso tempo. Um movimento dos dias de hoje. É um gesto tão importante quanto, sei lá, quanto alguma coisa que o homem das cavernas fazia. Todo mundo tem a sua maneira particular de olhar para o lado para não ver a senha, é um gesto muito pessoal e muito solitário. Ainda vou colocar isso num filme.

O Eduardo em questão é o Eduardo Valente. Ele é cineasta, formado na Universidade Federal Fluminense, aqui do Estado do Rio, e essa certamente é a parte fácil de definir. Falar sobre a sua relação com a sala escura é um pouco mais complicado - é entre direção de filmes, aulas, organização de mostras e festivais, avaliação de roteiros e textos críticos que a vida desse rapaz de 31 anos, absolutamente fascinado com os pequenos detalhes do mundo, acontece.

Para quem é do Rio e gosta de cinema, talvez uma reportagem sobre Eduardo soe um pouco enfadonha, já que – por mais de uma vez - foi possível ler sobre o cineasta, até, como os links indicam, num mesmo veículo. Mas a repetição do tema não é escassez de pauta, porque a verdade é que não faltaram assuntos na conversa de mais de duas horas que tivemos, em que, cabe aqui dizer, NÃO falamos a fundo sobre: o prêmio recebido em Cannes em 2002 de melhor curta-metragem universitário; o fato de esse prêmio ter sido entregue pelas mãos de Martin Scorsese (presidente do júri daquele ano); a residência por quatro meses em Paris com bolsa da Cinéfondation (entidade ligada ao festival de Cannes que incentiva novos diretores); a relação quase afetiva com a França e com o maior festival realizado por lá; o começo, no ano que vem, das filmagens do seu primeiro longa-metragem; enfim, sobre tudo aquilo que já foi e poderia ter sido conversado com Eduardo Valente.

Não que a lista acima não seja interessante e que – volta e meia – esses assuntos não voltem à mesa. O caso é que a ênfase agora é na sua carreira de crítico de cinema, certamente, a frente em que ele atua com mais freqüência. Fosse na Contracampo, respeitado (talvez, o mais respeitado) site de crítica de cinema no Brasil, onde Eduardo fez parte da equipe editorial por seis anos, seja na Cinética, projeto virtual inaugurado em maio deste ano.

A verdade é que diversos assuntos surgiram quase espontaneamente. Porém, num primeiro momento, a conversa girou em torno do nova empreitada de Eduardo.

- Como assim sair da Contracampo, desfazer o time mais que vencedor que se formou nos últimos oito anos da revista eletrônica e começar tudo de novo?

- Como assim levar para a Cinética uma turma que já escrevia na Contracampo? Por que correr esse risco?

Foram essas, sem dúvida, as primeiras perguntas que passaram pela minha cabeça. Mal sabia, no entanto, que a primeira resposta fora dada um tanto antes, ainda dentro do restaurante, logo após o digitar da senha do cartão: Eduardo precisa (e gosta) de observar o mundo de dentro, interagindo, aguçando e modificando sua visão à medida que vive. A contemplação diante do inclinar de cabeça da moça do caixa não me parece – em termos sentimentais e afetivos – muito distante das respostas a seguir.

Pergunta óbvia, porém importante: Por que sair da Contracampo? Quando uma nova revista se fez necessária?

Quando a Contracampo surgiu (1998) era uma coisa meio inédita. Você não tinha essa quantidade de sites. A Contracampo ia contra duas lógicas – uma geracional e a outra do meio. A geracional dizia que a juventude não tinha interesse em correr atrás, em refletir sobre arte, em formar um movimento. Um discurso pós-anos 80 de geração alienada.

A questão do meio dizia respeito à Internet, vista, na época, como veículo de rapidez de informação, acesso rápido, imediatismo tanto de quem procura a informação como de quem a produz. Íamos contra isso tudo. A Contracampo surgiu de uma vontade de um grupo de pessoas de falar sobre cinema e não encontrar isso nos meios tradicionais.

Depois de oito anos, tinha uma série de processos tanto internos quanto da relação da revista com o mundo exterior que eu não digo nem que tenha involuído ou evoluído, simplesmente mudou. Os maiores interesses do Ruy [Gardnier] e do Junior [Luiz Carlos Oliveira Jr], atuais editores da revista, não eram os mesmos interesses que Cléber [Eduardo], Felipe [Bragança] (antigos “contracampistas” e atuais editores da Cinética) e eu tínhamos.

Ficou claro que tanto pelo lado pessoal, todo mundo é muito próximo e muito amigo, quanto pelo lado de qualidade do material que estava sendo produzido, fazia mais sentido a gente estar fazendo duas coisas diferentes em vez de tentar encaixar uma só revista em duas ou mais coisas que a gente queria fazer. Isso levava a desgastes tanto na relação interna quanto na produção.

Você pode citar exemplos da diferença entre as duas revistas?

A Contracampo é mais semelhante a uma idéia de uma revista impressa que usa a internet como meio de difusão. Por quê? A idéia dela é ter edições mensais, bimestrais, fazer toda uma pesquisa sobre um tema antes de fazer matéria sobre ele. As pautas são completas. A revista produz todo um saber, um raciocínio, uma pesquisa.

A Cinética raramente trabalha com pautas. Quer fazer as coisas de forma muito mais rápida. O próprio nome foi escolhido por conta disso. É uma questão de você ter a velocidade mesmo, de uma coisa que está em movimento, o pensamento em movimento, então, na maioria das vezes, não é fruto de uma longa pesquisa sobre o assunto, é uma resposta imediata em movimento de determinadas coisas que você está vendo e que podem ser revistas no futuro, repensadas, colocadas de outra forma.

A gente tem um projeto de intervenção nesse sentido. Se você tem um diálogo que se dá a partir de determinada obra e um público, a gente quer colocar o papel da crítica como um terceiro vértice que intervém nesse diálogo entre obra e público, diretamente. Nesse sentido, a Cinética é muito relacionada ao produto do seu tempo. Alguns dos textos da Cinética, se retirados do momento em que foram escritos, talvez não tenham tanta importância. Mas a gente quer que tenha importância, que os textos sejam considerados importantes, enquanto as pessoas estiverem lendo na hora.

Uma diferença é que a obra em si para a Contracampo tem uma presença importante. Para a gente, da Cinética, é sempre a obra em relação a alguma coisa. Seja em relação a nós críticos, seja ao público, seja a hoje, ao momento histórico.

E hoje você enxerga mais algum site tão resolvido editorialmente quanto a Contracampo ou a Cinética?

Quando a Contracampo surgiu, quase não havia patamar na Internet. Estava muito distante de todo o resto que já havia sido feito. Hoje, tem exemplos até interessantes, como o Cine Imperfeito (site que terminou este ano) e alguns outros que foram surgindo e usavam a Contracampo como referência de alguma forma. Mas não chegavam a ser um meio de cinema que fazia exatamente uma concorrência. Por exemplo, o Críticos.com.br não faz exatamente isso, pois se incumbe quase apenas de fazer a crítica dos filmes que estão em cartaz.

Eu vejo alguns sites que fazem atualidades, vários, Cineweb, Omelete, Cinequanon, que fazem uma revista de atualidade, seja no sentido de notícia ou de crítica das coisas que estão em cartaz, e ainda assim uma crítica não muito diferente das que estão nos grandes meios. Não consigo ver uma linha editorial, uma idéia de mundo, uma idéia de revista.... não tem.

Hoje em dia, com linha editorial no Brasil, só a Cinética e a Contracampo.

E ser um veículo editorializado é fundamental?

Eu não acredito no jornalismo não editorializado. Todo jornalismo, assim como todo cinema, é uma tomada de posição sobre determinada coisa. A necessidade de se ater aos fatos não esconde a verdade maior de que tem alguém por trás daquele relato dos fatos. Você pode ouvir os dois lados, que é uma questão, mas eu não acho que é um problema exercer o jornalismo que toma um dos lados, eu acho que é um problema quando o jornalismo faz isso escamoteadamente, que eu acho que é o que a maioria do jornalismo faz sob o manto da imparcialidade.

Você tem exemplos de algumas posições editorais da Cinética?

A gente não entrevista cineastas em época de lançamento de filme, pois a gente sabe que todos os lugares do mundo entrevistam a mesma pessoa, e todas as pessoas fazem a mesmas perguntas. Por mais que a gente se dedicasse a perguntas diferentes... até por experiência pessoal de realizador, eu posso dizer... você, na época do lançamento do filme, acaba criando um certo discurso de repetir determinadas coisas. Um discurso que talvez, até mesmo para o próprio realizador, não seja o mais interessante. Por isso, a gente prefere entrevistar cineastas no processo anterior, ou durante a realização do filme. Como a gente considera nossa crítica eternamente em processo, o processo de realização nos interessa muito.

A Cinética também tem o plano de fazer outra coisa. A gente quer falar com cineastas dos quais não gosta. Embora a gente não tenha conseguido fazer isso até agora. A gente ainda não conseguiu achar a maneira certa de fazer isso. Mas esse é um dos projetos da revista, falar com diretores que não gosta, com partes do meio cinematográfico que não admira.

Assumindo isso?

Assumindo isso. Se eu for conversar com o cara sobre os filmes dele que eu não gosto, eu vou conversar com ele sobre isso. Eu vou dizer pra ele as coisas que eu não gosto no filme dele, ele vai me dizer por que ele o defende e daí vai sair alguma coisa. A gente não sabe se os próprios cineastas estão preparados pra fazer isso hoje em dia, então a gente não teve o animo e a coragem pra começar esse esforço. A gente acha que isso é o mais honesto. Não achamos que a crítica deve ficar escondida, num castelo de algum determinado lugar, apenas vaticinando. Eu posso estar errado, o diretor pode me dizer coisas interessantes sobre o filme dele.

A gente ainda quer estender isso às grandes distribuidoras, às majors. Se quiserem conversar ótimo, mas se eles não quiserem conversar é importante demarcar que eles não quiseram conversar. É assim: não vou perguntar qual é o line-up de lançamento dele pro ano que vem. Vou lá perguntar por que determinada coisa é feita, por que determinada não é, botar em questão, se o cara quiser responder a gente vai estar lá pra ouvir dando a cara à tapa mesmo.

E qual é o retorno que o meio cinematográfico dá em relação às suas críticas? Elogiam ou tacam pedra?

Os cineastas, na média, respondem da mesma forma. Se você escreve bem, tem muita procura de gente dizendo, “é muito necessário pessoas como vocês, porque a crítica está morta e blá, blá, blá...". Se você escreve mal deles, você escuta isso, “a crítica é ressentida, cineastas frustrados, pessoas que escrevem fora da realidade da realização e blá blá blá...".

Mas eu também já ouvi diretores dizerem que aprenderam coisas sobre os próprios filmes lendo os meus textos. Isso é um elogio mais interessante, importante, porque é quando finalmente alguém reconhece, no bom sentido, não no de admitir, mas de concordar mesmo, que a crítica serve pra isso, ela ilumina coisas sobre cinema que, eventualmente, estão acima da gente.

Mas, no seu caso, é difícil ser crítico e ser realizador também? Como é lidar com o seu próprio espírito de crítico enquanto dirige um filme?

Eu tenho muito mais facilidade de analisar, de perceber e de falar a respeito da obra dos outros do que dos meus filmes. Eu acho que eu sou a última pessoa indicada pra falar sobre os meus filmes. Eu acho que no processo de realização artística existe um componente enorme de intuição, de sensibilidade que se dá para além da consciência racional.

Você acha que a crítica dos grandes jornais cumpre esse papel, o de tentar entender racionalmente esse componente de intuição e sensibilidade inerente a todo processo artístico?

Pela lógica dos cadernos de programação cultural dos grandes jornais, a crítica é colocada no lugar de orientadora de programas. Na minha visão, a maioria das coisas que as pessoas chamam de crítica não é crítica, e, num segundo momento, a leitura das pessoas não é crítica. Por sua vez, a crítica acaba moldando também esse leitor para que ele queira apenas isso do texto. Não adianta o cara ser um ótimo crítico se quem lê não lê com olhos críticos. Se o cara que abre a revista ou o site só está querendo saber o programa que ele vai fazer no fim de semana, não adianta. Assim como o cinema só se completa quando alguém vê o filme, a crítica só se completa quando alguém, de fato, lê o texto.

E o que habilita alguém a ser crítico de cinema?

O crítico, pra mim, seja por que meio for, seja porque estudou, seja por assistir a muitos filmes, autodidata, a forma não importa, tem que ter um saber, ou uma percepção, um olhar especial.

O crítico tem que ter dois talentos, o talento da percepção, de um olho muito bom, e ele tem que ter uma escrita muito boa. Às vezes, tem crítico que tem sacadas incríveis e o texto dele é sofrível, muitas vezes isso atrapalha. Você consegue ver que ali tinha uma ótima idéia, mas o cara não conseguiu passar isso no texto.

Você parece contrário ao tipo de crítica de jornal que diz “vá ver esse filme porque ele é bom”, ou, o oposto, “fuja desse filme porque ele é horrível”. É isso mesmo?

Existem muitos textos que eu gosto muito que, em muitas vezes, no final, eu não sei se o cara gostou ou não do filme. Porque isso de dizer “é bom ou é ruim”, que virou o mais importante da crítica, às vezes é desimportante. Certamente, é o menos importante. Eu acho que a crítica dos grandes jornais virou esse jogo, né? Seja pelos bonequinhos, seja pelas estrelinhas, seja pelo “gostei” ou “não gostei”. Penso diferente: uma constante pra mim é ver filmes que eu não gosto gerarem uma reflexão muito mais interessante do que filmes que eu gosto. Meu papel é de crítico, não é de polícia.

Sobre o cinema nacional: no primeiro editorial da Cinética, vocês praticamente repetem o lema de Paulo Emílio Salles Gomes, o de que todo filme brasileiro deve ser visto. É isso mesmo?

O cinema brasileiro conseguiu provar que a gente estava errado. No penúltimo editorial da revista, já mudamos de idéia.

O caso é o seguinte: existe uma quantidade enorme de filmes sendo lançados aqui no Brasil por gente que não se interessa por cinema. Eu não me incomodo com filme ruim, só acho que o filme tem que ter um olhar. Por mais que eu o odeie, eu vou poder me colocar contra esse olhar. Agora, alguns dos filmes brasileiros mais recentes chegam ao ponto de parecer que não têm esse olhar. Eles não são feitos por ninguém! Depois que começou a ter tecnologia digital nos cinemas, começou a ter uma série de documentários que são programas de televisão no cinema. Como eu não assisto a tudo que se produz na televisão brasileira, e o meu compromisso é com as salas de cinema, então eu não quero ver esses filmes. Porque eu vi alguns já e já me encheram o saco. Eu acho um despropósito em vários sentidos. Acho que os filmes não se propõem a serem vistos no cinema. Acho que eles não foram pensados pra isso, pra essa linguagem. Os cinemas não ganham nada, porque esses filmes são, eminentemente, sempre fracassos de bilheteria. O espectador também não ganha nada... Esses filmes deviam ficar contentes em passar no GNT, o diretor tem que saber que um filme no GNT, se passar durante uma hora, terá muito mais audiência do que os filmes têm no cinema brasileiro. Esse fetiche de o filme passar no cinema é uma coisa que eu não consigo entender. Se o cara acha que o filme dele é cinema e quer lançar, não tenho nada contra, porque eu sou contra censuras estéticas e ideológicas, mas só acho uma perda de tempo dele, meu, então eu não quero mais ver assim, eu estou fora, pra ver televisão eu assisto à televisão.

Então entramos nessa questão eterna. A diferença entre TV e cinema. Você saberia definir?

Há diferença no documentário e na dramaturgia, isto é, na ficção. A questão do documentário é muito clara pra mim. Na TV, o documentário não se pensa internamente, como se pensa no cinema. Então, um filme como Intervalo clandestino, embora seja um monte de entrevista, acaba tendo intervenção no som, um Dolby 5.0, que ecoa pela sala inteira. O filme acaba se valendo do cinema para acontecer. Diferente de um filme que pega Santos Dumont, um tema super chapa-branca, entrevista um monte de gente... Se ele acha que é cinema tudo bem, eu não vou lá ver.

A diferença na dramaturgia é um pouco mais complicada. Jorge Furtado fala muito sobre isso. A questão não é de equipamentos, porque você produz muita coisa em TV com película, e em cinema com digital. Não tem a ver também como você enquadra as pessoas. Porque, embora na TV você use mais o close, o close é uma arma do cinema desde 1900. Inclusive isso veio do cinema.

A questão principal é a relação do espectador com o meio. No cinema, você pressupõe o espectador voltado para apreensão daquela obra durante o tempo que ela dura naquele determinado momento.

O cinema pode se dar ao luxo de complicação da trama e da própria linguagem, porque supõe toda a atenção do espectador. A TV é mais um eletrodoméstico. A linguagem da TV tem que ser mais repetitiva. Toca o telefone, a pessoa perde a atenção... A pessoa pode perder um capítulo e ter que assistir a outro, então a TV tem que ser óbvia e eventualmente caricatural.

E como se dão as diferenças estéticas?

Na parte estética existe sim uma questão industrial de produção. A televisão é industrial no Brasil e o cinema não é, aquelas imagens devem ser produzidas muito rapidamente e em muita quantidade. Na média, elas são sim menos cuidadas. Onde enquadra, de onde enquadra, daqui pra onde... Qualquer um que já foi a uma gravação de novela sabe que não é a coisa em que gastam mais tempo de discussão, enquanto no cinema é, às vezes, exatamente onde se gasta mais tempo de discussão.

Mas as coisas que passam na TV brasileira são necessariamente piores do que as que passam no cinema?

Não. Tem novelas e séries de TV melhores que alguns filmes brasileiros que passam no cinema. Mais interessantes na linguagem. Alguns filmes brasileiros que passam no cinema são feitos como lingüiças de fábricas industriais.

***

[Continue lendo a entrevista com Eduardo Valente, ainda dentro do Overmundo, por aqui]

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ronaldo lemos
 

Comentei certa vez com um importante cineasta aqui do Rio sobre a emergência do cinema nigeriano, que tenho chamado de "cinema povo". A resposta dele foi categórica: "Ronaldo, isso não é cinema!".

Eu me pergunto se a definição de cinema não se tornou muito mais política do que substantiva. Em tempos digitais, tudo é cinema (ou nada mais é cinema, já que os filmes hoje são em sua maioria assistidos em telas pequenas e que ficam cada vez menores). Adoraria saber a opinião do Eduardo sobre a questão, já que o assunto foi tangenciado na conversa.

ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2006 16:47
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Thiago Camelo
 

Opa Ronaldo, beleza?

Acho muito interessante essa idéia do cinema nigeriano. Não diria que não é cinema, muito pelo contrário. Aliás, é um julgamento difícil de fazer, né? Acho que o Eduardo trata disso sim na segunda parte dessa entrevista, não sei se você chegou a ler. Tem uma passagem que eu gosto, onde o Eduardo fala de esperar para ver o que vai acontecer quando as pessoas começarem a fazer cinema tratando Internet como meio, e não apenas como veículo para divulgar o filme pensado primordialmente para o cinema.

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2006 18:06
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Bruno Nogueira
 

Tem um livro muito bom para quem se interessa sobre isso tudo falado no texto chamado "A Sociedade Enfrenta sua Mídia". Muito bom mesmo. =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 27/9/2006 22:56
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Bruno Nogueira
 

Essa foto ai é em frente ao escritório do Overmundo, né? :P

Bruno Nogueira · Recife, PE 27/9/2006 22:57
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Edson Wander
 

Rapaziada,
Daqui da minha humilde espiada na conversa, que aliás gostei muito e parabenizo, viu Thiago, fiqui particularmente vidrado quando o entrevistado falou sobre o tipo de crítica que se faz hoje nos jornalões brasileiros. E ele o fez comparando com as opções que ele e os parceiros fazem nas coberturas dos lançamentos nos sites Contracampo e Cinética. Bem inteligente essa escolha de evitar abordar os filmes na época dos lançamentos. Os caras falam as mesmas coisas em respostas às mesmas perguntas sobre o filme x ou y; só muda mesmo o endereço das ditas questões. É a esparrela que os jornalões (e as revistonas) continuam a cair não se sabe por que cargas d´água, já que em última análise, essas produtoras nem pagam mais anúncios desses filmes. Pra quê né ? se já têm mídia espontânea e cadelinha. No máximo, pagam a viagem e estadia dos repórteres para "exclusivas" do lançamento, como se cultura tivesse furo como na política. E tem repórter que sequer se dá à honesta preocupação de dizer ao leitor que foi ao lugar às custas da produtora. Êta cegueira sem fim meu deus. E pensar que isso pouco ou nada tem a ver com as direções das empresas, na maioria das vezes (e sim dos iluminados editores).
Abraços,
EW

Edson Wander · Goiânia, GO 28/9/2006 21:59
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Bia Amorim
 

Oi, não entendo muito sobre cinema e desculpe a minha ignorância não conhecia o Eduardo (agora conheço por que li o texto!), mas eu me apeguei sobre o que vc falou da olhadinha. Eu era garçonete e acho de estrema importância ela, acho que é o mínimo de honestidade que um profissional tem que ter. ( acho q não tem mto a ver com o texto que vc escreveu, mas qnd comecei a ler, eu lembrei q fazia isso). Obrigada!

Bia Amorim · Ribeirão Preto, SP 29/9/2006 15:08
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Thiago Camelo
 

Obrigado pelos elogios, Edson, compartilho da tua opinião. Bia, não há do que se desculpar, o texto está aí e o fim maior dele, nesse caso, é justamente esse - apresentar o Eduardo e o seu novo projeto. Eu é que agradeço a leitura atenta para os mínimos detalhes (no caso, a história do cartão).

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 29/9/2006 15:44
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rendevouz
 

Oque existe é uma falta de respeito com o cinema brazuca...E isso é cultural, está embutido em cada um que paga para ver filmes Globo e viram a cara para boas produções nacionais alegando a complexidade das tramas... Difícil é entender Matrix Reloaded.

Sobre as críticas muito me preocupam, estudo jornalismo e esse é meu foco, crítica.
o Eduardo é uma figura hein?
que visão deliciosa de mundo...realmente de detalhes se faz o cinema...mas hein?
dá para esquecer o sudeste ou nordeste um pouquinho?
conhecem meu estado?
não daria só um filme, daria também papo para mais de 4 da manhã e um lindo poema!
sintam-se convidados e tragam a camera

rendevouz · Cuiabá, MT 2/10/2006 16:53
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Tacilda Aquino
 

Escrevi sobre cinema em um jornal de Goiânia por quase 20 anos e vivi na pele toda a mudança do papel de crítico de cinema.A crítica jornalística- cinematográfica passou por diversas fases. Houve um tempo em que era interessante comentar roteiro, desenvolvimento da história, atuação, preferência dos diretores em relação a posicionamento de câmara e, é claro, o gosto pessoal do crítico. E os leitores, em sua grande maioria, reclamavam que se escrevia crítica não para o grande público, mas sim para intelectuais, cinéfilos e mesmo para a academia.
E foi a lógica dos editores de suplementos culturais dos jornais que transformou a crítica em orientadora de programa. As matérias de cinema deixaram de ser críticas de cinema e se transformaram em “matérias de serviço”, para usar o jargão jornalístico.
Também houve um tempo em que o exibidor tinha interesse de divulgar os filmes programados para lançamento e no interior do País - como Goiás - a maior dificuldade era se conseguir material de divulgação dos filmes. Assim, a alternativa era exibir os filmes em sessões especiais para a imprensa dias antes de sua estréia - as chamadas cabines. Hoje, com a facilidade de se conseguir informações de produções nos “sites oficiais dos filmes”, das distribuidoras e mesmo das produtoras, com direito a downloads de fotos em alta resolução, essa exibição prévia deixou de existir.
Resultado: o jornalista usa o press - release e material de pesquisa para “apresentar” o filme no dia de sua estréia e os editores (em sua maioria), acreditam que a matéria de apresentação está de bom tamanho. Para que se assistir ao filme e “opinar” sobre ele? Muitos acham que é desperdício de tempo e de espaço jornalístico. Uma pena, mas essa é a realidade. Mesmo porque são tantos os filmes que entram em cartaz semanalmente que dificilmente “o crítico” - os jornais geralmente só têm uma pessoa encarregada desta tarefa - daria conta de assistir a todos, escrever sobre todas em tempo hábil, principalmente porque essa mesma pessoa é encarregada da chamada “grade de programação”, cuja montagem é um dos trabalhos mais cansativos em um jornal diário.
Com isso a crítica vai perdendo espaço e quem realmente gosta de cinema tem de procurar outros meios para registrar sua opinião.
A propósito, gostei muito da matéria.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 8/2/2007 17:11
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Ystatille Gondim
 

Gostei bastante dessa prosa delicada, despretensiosa e muito bem construída. Para além das discussões sobre a produção e o pensar cinematográfico, o que me fez debruçar sobre o seu texto foi a forma que utilizou para capturar o leitor. Você o transportou para o universo da entrevista através de mínimos detalhes. A qualidade dessa matéria está nos mínimos detalhes, no jeito gostoso de se enfronhar em histórias, em cotidianos, nos espaços que há entre uma palavra e outra, entre um gesto e outro. Uma narrativa cinematográfica montada por você. parabéns!

Ystatille Gondim · Rio de Janeiro, RJ 25/6/2007 00:01
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Mangabeira
 

(Tinha que dizer isso:) demais a teorização antroplógica da olhadinha que se esquiva da senha que se revela!
A Confraria das Ovelhas Negras - mangabeira@ovinigra.org

Mangabeira · Natal, RN 10/1/2008 22:03
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ANIBAL BEÇA
 

Até que enfim encontrei alguém que se interessa pelo nosso cinema.Thiago vc. tinha que fazer mais entrevistas nesse rumo.Aqui em Manaus, em setembro, iremos ter mais uma vez o Festival de Cinema. Parbén aos dois. Entrevistador e entrevistado. Fui. Mas volto para votar...

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 5/5/2008 13:48
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