Grito Rock Amapá: missão cumprida!!!

1
PauloZab · Macapá, AP
23/2/2007 · 204 · 5
 

Realizar um evento de rock independente, com bandas autorais em pleno carnaval em Macapá é um ato de quem gosta mesmo da sonzeira que só o Rock´n Roll em todas as suas vertentes faz. Assim o Grito Rock Amapá foi prestigiado por um público de verdadeiros amantes de sons que vão além dos repiques e tamborins. O interessante foi que o evento correu com tranqüilidade desejada por todos os que organizam uma programação como esta, ou seja, tudo correu dentro do esperado.

Dia 17/02 (Sábado)

Após as mesas de discussões à tarde, que contou com a presença de diversas bandas, assim como representantes de ECAD, Quem abriu a noite de sábado foi banda 1821, seguida de Pierrot, Arma de Fogo, NDA, SPS 12, Alan Yared, Palheta Perdida, Zeta e stereovitrola. Este dia teve como destaques as bandas 1821, que passou um tempo desaparecida e agora voltou apresentando um repertório que mostra o quanto o Grito Rock Amapá perderia se não contasse com esta apresentação. Arma de Fogo também não decepcionou, apesar da ausência do Guitarrista Felipe. Outra que não poderia ficar de fora é a banda Pierrot, Cujo vocalista a guitarrista Moiséis também demonstrou muita criatividade em seu trabalho.NDA Rock também foi infalível em sua apresentação, mostrando um bom trabalho conjunto e que está pronta pra entrar em estúdio novamente. Outra que merece destaque é a banda SPS 12, que fez um show impecável, fazendo com que o público que acompanha a banda vibrasse bastante, aliás a banda vem acumulando ótimas apresentações por onde passa, restando apenas um incentivo maior pra que a banda deslanche de vez. Um momento muito empolgante foi a apresentação da banda Palheta Perdida, que tocou de cuecas levantando risos e aplausos da galera. Outro que se apresentou bem foi Alan Yared e banda, que mostrou um trabalho bem consolidado em suas bases Pop Rock. O público presente também comentou bastante a respeito desta apresentação. O mesmo foi dito sobre a banda Zeta, cuja apresentação foi impecável. A banda já é bastante prestigiada onde passa e conta com figuras conhecidas e com história na cena rock de Macapá como Cleverson Baia na Guitarra e vocal. Mas quem encerrou a noite em grande estilo foi a banda stereovitrola, que agora não conta mais com Anderson na guitarra solo. A banda agora toca em uma espécie de Power Trio Sintetizado, já que conta com Patrick fazendo o vocal e guitarra, Marinho no Baixo, Rubens na Bateria e Matrix no sintetizador. Daí você se pergunta: mas não era um Power Trio? Então posso responder que não e sim um Power Trio sintetizado. Assim a noite foi concluída com esta apresentação, a melhor da banda em minha opinião, que tocou faixas inéditas e outras já conhecidas, mas que ainda não estão gravadas como 1969 e a ótima Canção para Syd Barret.

Dia 18/02 (Domingo)

No Segundo dia quem tocou foi Corleones, onde os irmãos Alahor e Alan, líderes da banda, se mostraram em posição de destaque nesta formação recente e que promete muitos bons frutos. Em seguida foi a vez da Marttyrium, que também lançou seu CD demo no festival. Com seu Estilo White Metal eles mostraram por que vêm alcançando posições de destaque no meio musical macapaense mostrando letras bem trabalhadas acompanhadas de ótimas distorções e riffadas, sem contar com o ótimo vocal de Ronix, esta é mais uma banda que dá gosto de trabalhar. Samsara Maya também surpreendeu, não poderia ser diferente, já que qualquer um pode fazer uma banda do caralho se juntar Alexandre na guitarra e vocal, Téo na guitarra, Adriano no baixo e Careca na Bateria. Uma proposta que junta bastante solo de guitarra e letras bem trabalhadas fazendo uma das melhores apresentações do Grito. Balzabouth segue firme com o seu estilo Black Metal e mostrou maturidade em seu trabalho e um público fiel. Além de tocar músicas contidas em seu Cd Obscurum Lacus como Synfonia Funeral e Standarte de Satã, ainda tocaram músicas inéditas, mostrando que a aceitação da banda vem crescendo à medida que as pessoas passam a compreender melhor a proposta. Sangria entrou no palco pra mandar ver. O Vocal de Cacau realmente é muito bom. Imagine você em uma parede de um bar barulhento e querendo chamar uma pessoa do outro lado com um grito, só que este grito deve ser bem alto e bravo para chocar quem estiver lá. Se der pra visualizar o que estou falando então você entenderá melhor o que quero dizer sobre o vocal de Sangria. Talvez o espírito do Grito Rock tenha invadido os membros da banda e passado para os presentes, que reverberaram bastante com esta apresentação. Tudo acompanhado de letras e instrumentos bem trabalhados de responsabilidade de Anderson (Guitarra), Buba (Baixo) e JP (Bateria) fazendo som autoral há mais de cinco anos na cidade.

Quem fechou o Grito Rock Amapá foi Santo Graal de Belém do Pará. Presentes em Macapá desde o sábado a banda esteve observando tudo o que rolou nestes dois dias de programação e levarão informações importantes para a maior cena do Norte do país. Foi uma experiência muito construtiva tanto para quem é daqui quanto para eles, que foram muito educados com a organização do festival. No palco a banda só fez o que deveria fazer. Tocaram para os que ficaram suportando o cansaço e a correria da programação extensa. Não poderia ser diferente, pois a banda demonstrou toda a maturidade acumulada nestes oito anos de estrada e não decepcionaram o fiel público Underground. Tudo isso regado de explosões do conjunto e vocal bem trabalhado da performática Izabele. Parabéns.

No fim tudo deu certo. O Grito Rock Amapá vai ficar pra história do Rock Amapaense como uma das primeiras ações que visam fomentar o trabalho de bandas independentes, assim como os agentes que giram em torno da cena. Esperamos que em nossas próximas ações consigamos aproximar melhor outros produtores e músicas em torno de uma melhor construção coletiva. O Amapá ganhou espaço importante no que diz respeito à interação com outros centros onde a cena está mais consolidada. Agora é hora de pensar no futuro, aprender com nossos erros, passar a se organizar melhor, esquecer o individualismo e assumir a responsabilidade de tocar este projeto pra frente. A conquistas de valorosos parceiros, que acataram a proposta ousada do circuito Fora do Eixo e aplicada regionalmente pelo Coletivo Palafita deu certo e esperamos que ainda no próximo período possamos fazer muito mais pelo sonho que está em cada um que participou ativamente ou não deste processo. Isso se traduz em ações como a Coletânea de Rock Amapaense, Maratona de Fotografia, o Festival Açaímilombra e o II Caldeirão Universitário. Até logo.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Roberto Maxwell
 

Beleza

sugiro que vc coloque os links para as bandas.

Nas tags, sugiro tambem q vc coloque os nomes das bandas tambem.

Roberto Maxwell · Japão , WW 21/2/2007 11:19
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Pepê Mattos
 

Aí, Paulo. Sabia não desse evento aqui em Macapaba. Embora seja um quarentão que se liga nessas "undergroundices" o Grito Rock Amapá passou despercebido. Falha minha, of course. De resto muita lenha precisa ser queimada, muita pedra precisa ser carregada nas costas do Rio Pedreira até a Fortaleza para ver a cena musical na terra dos tucujus sair da farinha de mandioca com tamoatá, principalmente depois que a Elite (pelega) dos Minhocas (os tais cantores da terra) se bandeou pras benesses dos donos do poder. Agora virou jingle falar mal do governador defenestrado. É sempre assim. Isso me lembra alguns enredos das escolas de samba locais que se prestaram a tecer loas sobre esse ou aquele politico da hora. "Mas tem que ser assim mesmo, pois é desses que sai o dinheiro", comentou um conhecido meu, no que reagi dizendo algo do tipo "Mano, se a cultura sobrevivesse das benesses dos poderosos ela teria que ser feita nos laboratórios de exames fecais", se é que me fiz entender. Outrossim, valeu ficar a par das tantas bandas que por cá lançam seu grito "e esse grito deve ser bem alto e bravo para chocar quem estiver lá", conforme você mesmo diz. E vou mais longe: chocar também aos empresários de eventos e, principalmente, a própria classe dos músicos de rock, na sua maioria adolescentes ou saindo dessa fase. Sempre disse a conhecidos meus que via com tristeza a cena rock no Amapá, já que a maioria das bandas e músicos, por diversos fatores - que vão da falta de condições financeiras à desestímulo dos pais e compreensão por parte de quase todos envolvidos - não duravam mais do que um verão ou quando duravam mudavam de estilo e incorporavam os modismos do maistream. Pra não ficar muito longo, encerro, por ora, com uma mensagem aos músicos de rock: não esmoreçam, estudem bastante seu instrumento, ensaiem até as raias da perfeição, desencave tudo sobre seu ídolo e explore todos os recursos utilizados por ele, e ouçam bastante rock. E aqui não estou falando de potenciais candidatos a estrelas meteóricas, mas simplesmente, toquem pra vocês mesmos e sejam os melhores naquilo que vocês sabem fazer. É preciso manter acesa a chama do Rock, é preciso que o Grito ecoe para além do Rio Amazonas, é preciso, antes de tudo, ser/amar/respirar, enfim, viver o Rock! God save the Rock'n'Roll!!!

Pepê Mattos · Macapá, AP 24/2/2007 13:50
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Adriano
 

A ídéia de um evento que fosse um espaço para as bandas locais mostrarem seu trabalho e, principalmente, e ao mesmo tempo um modo de promover uma união de todos que de alguma forma trabalham ou estão ligados a cena-rock no Amapá foi muito boa. O rock ainda sofre com preconceito e a total falta de espaço na grande mídia, por isso, a união de todos é importante para mostrar o talento e a qualidade das bandas. Muitos dizem que o cenário amapaense quase não existe ou, que ainda 'engatinha' a passos lentos; que não existe público no Amapá. Muitas bandas desistem de seus sonhos por acreditarem nessa inverdade. O público existe, ele só está sem opções devido a falta ou má localização de estabelecimentos, divulgação adequada e maior qualidade dos eventos promovidos. Assistimos hoje, uma explosão de novas bandas das mais diferenciadas vertentes, que procuram se renovar a cada dia, mas que por falta de apoio e principalmente de público estarão fadadas ao esquecimento. É terrível ver uma banda clamar por espaços. Precisávamos fazer algo para que o destino da maioria das bandas de rock de nossa cidade não fosse este. Parabens a todos os que contribuiram para a construção deste evento.

Adriano · Macapá, AP 25/2/2007 01:13
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Marielle Ramires
 

Grande, Zab! Parabéns a todos do Coletivo Palafita. abs!

Marielle Ramires · Cuiabá, MT 25/2/2007 04:06
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Floydigo
 

Pink Floyd na veia!!

Floydigo · Campos do Jordão, SP 2/3/2007 19:36
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados