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Guarapa Gore

foto retirada do javali.
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Carlos Calenti · Rio de Janeiro, RJ
11/7/2006 · 98 · 6
 


E eu que morei em Guarapari, cá no Espírito Santo, durante 17 anos, fui pra Perocão pela primeira vez já na faculdade, por causa do Primeira Mão, jornal laboratório do curso de Comunicação da Ufes.
Perocão é um bairro do meu balneário natal. Uma vila de pescadores muita bonita, que a cidade parece ter alcançado sem querer.
Mas não estávamos ali pra fazer uma matéria sobre pesca, nem sobre as belezas naturais do lugar. Estávamos ali atrás de uma produtora de vídeos de terror. De uma não, de duas. Quer dizer, de três.

Encontro
Um Batman desenhado na parede nos indicava que ali era o lugar marcado. A fachada, um fliperama; algumas máquinas maiores (arcades) e algumas TV’s enfileiradas na parede, ligadas à videogames e à crianças, por fios e controles. Mas como bom QG que se preze, era atrás daquilo tudo que se escondia o mais interessante: um salinha repleta de bustos de zumbis, fotos de monstros e bonecos de todos os tipo de seres do além. Era o ateliê do Rodrigo Aragão, realizador dos curtas “Peixe Podre” e “Chupa-Cabra” e dono da produtora Fábulas Negras.
Ao som de música eletrônica, ele nos apresenta a sua namorada chilena de cabelos rosa e Juninho, da produtora Pestilento. Também mostra as suas criações, os tais bustos, que, a seu bel-prazer, mexem sobrancelhas, mãos, bocas e várias outras partes assustadoras. Eles farão parte do seu próximo projeto, o longa Mangue Negro, sobre pessoas que se tornam zumbis depois de comerem caranguejos contaminados (letárgicos?), e que saem dos manguezais para atacar geral.

Conversa
Já num boteco ali nas redondezas, com Brahmas na mesa e copos cheios, começamos a conversar direito. Primeiro com Juninho, que disse que com ele tudo começou de brincadeira, um churrasco num sítio, um cachorro de pelúcia e surgia o curta Cachorro Sangrento. Mas que agora quer mais “seriedade”. Mas nunca vídeos sérios, claro, já que define seus filmes mais como comédias que como terror. O próximo projeto, por exemplo, se chama “A dois cliques do inferno”, sobre um cara que sem querer faz um pacto com o demônio pela Internet e acaba indo parar no inferno, que, dantescamente, é uma agência de publicidade.
Rodrigo é que queria seriedade desde o início. Desde criança, pra ser mais exato. Brincar de cinema era a diversão do cara que cresceu, foi trabalhar com teatro, trampou numa casa de terror em várias cidades do país (onde aprendeu a criar os monstros que vimos, tanto com maquiagem quanto com geringonças eletrônicas) e acabou de volta a Perocão, onde nasceu, pra ver as novas tecnologias do vídeo, mais baratas e acessíveis, possibilitarem a realização do seu sonho.
Entre o pagode rolando no bar vizinho e as crianças descendo o morro próximo em seus carrinhos de rolimã, Rodrigo era a personificação do sujeito apaixonado. Amar o cinema o fez parar de oscilar entre outros empregos e, como ele mesmo disse, tentar viver de fotossíntese para levar adiante a feitura dos seus vídeos de terror. Como quem acredita, desfiava idéias: a finalização a perder de vista do seu longa e uma série de vídeos baseados em contos populares assustadores da região.
O Thiago, da produtora Javali, infelizmente deu o bolo na gente. Foram eles que terminaram o primeiro longa dentre as três produtoras, chamado de Sob Encomenda, que lotou duas sessões numa sala de cinema da cidade (foto) e que está disponivel para download no site www.javali.com.

Revolução
Pensar numa revolução provocada pelas novas tecnologias é mais ou menos pensar nisso. Uma galera apaixonada que pode criar outros, os seus próprios discursos, nesse caso audiovisuais. Discursos contra a corrente, de um gênero pouco considerado pela crítica e ainda com peculiaridades regionais.
Uma subcultura gore emergindo no meio do mangue, num bairro, numa cidade e num estado periféricos.

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Ana Murta
 

Oi Carlos,

é um prazer encontrar um conterrâneo aqui. Ainda mais escrevendo sobre um assunto tão legal. Esses caras arrebentam.
Eu coloquei um tempo atrás, no guia, uma dica sobre o Fábulas Negras, I Mostra Audiovisual de Guarapari, que exibiu os vídeos dessa galera.
Que acha de escrever um capítulo 2 dessa colcaboração e falar sobre os vídeos ?
Eu, que infelizmente só conseguir assistir um trecho do Chupa-Cabras, adoraria.
E será que é possível colocar algum vídeo no banco de cultura ??

Ana Murta · Vitória, ES 11/7/2006 18:31
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Raquel Baiana
 

Oi amigo lindo... quero escrever aqui tb! adorei o texto.

Raquel Baiana · Teixeira de Freitas, BA 12/7/2006 01:50
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Raquel Baiana
 

Ah, já te dei meu overponto

Raquel Baiana · Teixeira de Freitas, BA 12/7/2006 01:50
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Brun_o
 

Bom texto!

Brun_o · Vila Velha, ES 13/7/2006 03:31
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Sergio Rosa
 

Pô, não rola uma amostra no Banco de Cultura não? :)

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 23/10/2006 13:15
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Greyce Kelly Cruz
 

você é ousado!

Greyce Kelly Cruz · São Luís, MA 23/2/2010 00:14
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