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H. DOBAL, um dos maiores poetas brasileiros

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Saudades do nosso maior poeta
1
Naeno · Teresina, PI
12/5/2009 · 3 · 2
 

O TEMPO CONSEQÜENTE

(Professor de Literatura do Ensino Médio)
Hindemburgo Dobal Teixeira nasceu em Teresina em 1927. Poeta, cronista e
Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Piaui. Pertence à Academia Brasiliense
de Letras e à Academia Piauiense de Letras É considerado o maior poeta vivo do Piauí.
Um dos grandes poetas contemporâneos da Literatura de Língua Portuguesa. Recentemente
(outubro de 2002) foi homenageado, em sessão especial, pela Academia Brasileira
de Letras, na pessoa do próprio Presidente, o poeta e crítico, Alberto da Costa e
Silva. Presentes a essa cerimônia os professores: Luiz Romero Lima, Cineas Santos,
Nilson Cordeiro, Halan Silva, o poeta e letrista Salgado Maranhão, o escritor Assis
Brasil, o arquiteto Davi Cury...
Recomendamos o documentário "H. Dobal - Um Homem Particular", do
cineasta Douglas Machado que muito tem divulgado a Obra e o Autor. Esse documentário
contou com a participação do Instituto Dom Barreto, na figura do seu dirigente, Professor
Marcílio Flávio Rangel de Farias. Esse Instituto conta hoje com a mais completa
biblioteca sobre a cultura piauiense. O vídeo foi apresentado em escolas, na APL, acompanhamos
a exibição em Brasília e na Academia Brasileira de Letras. O documentário é
esclarecedor e revela o amor do poeta por sua terra. Recupera, pelas confissões despojadas
do poeta sobre a vida do homem e o Piauí, um tempo perdido na memória.
"...Os leitores da província, testemunhas do talento de quem se pode igualar
aos eleitos pela fama. Junte-se, a esses que não aparecem o piauiense H. Dobal. No
discurso com que recentemente o saudou em nome da Academia Brasileira de Letras, o
poeta Ivan Junqueira desculpou-se pela demora em descobrir um escritor com a estatura
do colega de Teresina, comparável, segundo ele, a Carlos Drummond de Andrade e a
João Cabral de Meio Neto" (in. A grande poética de H. Dobal, ensaio de Edmilson
Caminha, publicado no Cor- reio Corisco)
H. Dobal é um poeta. Mais que isso. é um grande poeta que consegue, da sua
pobre província, ver o mundo. O poeta é universal sem sair da sua aldeia pobre e
desasistida. Sua poesia é um reflexo de sua poderosa visão do homem e sua condição
precária. É um poeta totalmente comprometida com a realidade social. Usa a linguagem
sem clichês e artifícios. É direto, simples, conciso, substantivo, objetivo, lacônico. Um
poeta de lirismo contido, depurado e em sintonia perfeita com a vida difícil do homem.
0 crítico M. Paulo Nunes, companheiro de Grupo Meridiano, observou aspectos
marcantes de sua rica poética: a lírica, (praticamente toda sua produção), a elegíaca
(muitos poemas que remetem à família, à terra dos avós e bisavós, à cidade de Teresina
e momentos da infância perdida...) e a épica (dois poemas antológicos - Leonardo e EI
Matador).
H. Dobal é um conhecedor da linguagem da poesia Sua poética é uma poéticada leitura e da escritura. As duas situações estão no mesmo nível de qualidade e prazer
estético. É um caso especial de poesia que desperta interesse pela performance linguística
e literária. A história literária do Piauí passa pela poesia de H. Dobal. Cada poema seu é
um reflexo do mundo feito palavras recomeçadas e arquitetadas de um outro modo, isto
é, sua poesia é o resultado último da expio- ração, em alto grau, das múltiplas possibilidades
significativas. Tudo isso sem ser hermético e complexo. Pelo contrário é uma
poesia de linguagem simples e produtiva. É dono de uma linguagem criadora.
A poesia dobaliana é o resultado da capacidade que o autor tem de combinar
e conectar logicamente as diversas partes de sua obra. É uma poesia de qualidade, de
solidez, de força e durabilidade. Sua poesia é o espelho do seu conhecimento das
significações do mundo, a partir de sua província. É uma poesia de carne e sangue.
Cada poema tem uma força mágica de evocação do homem e da terra. Dar as duas
palavras dorsais de toda a sua poética - telurismo e ecumenismo. Confirme essas observações,
lendo poemas neste breve es paço e nos exercícios.
OBRA:
• O Tempo Conseqüente -(estréia, 1966)
• O Dia Sem Presságios (1970)
•A Viagem Imperfeita (1973) .A Província Deserta (1974)
• A Serra das Confusões (1978) .A Cidade Substituída (1978)
• Os Signos e as Siglas (1986)
• Uma Antolologia Provisória (1988) .Cantiga de Folhas (1989)
• Roteiro Sentimental e Pitoresco de Teresina (1992) .Ephemera (1995)
• Grandeza e Glória nos Letreiros de Teresina ( 1997) .Lírica (2000)
• Um Homem Particular (contos -1987, Coleção Contar, vol.4, 2002)
• Gleba de Ausentes -Uma antologia provisórial 2002 - ano do sesquicentenário de
Teresina
I. O TEMPO CONSEQUENTE
Sobre esse livro, leia o comentário de um dos grandes críticos e estudiosos
da Literatura Brasileira, o Sr. 'Wilson Martins: "Biografia espiritual, igualmente, o volume do Sr. H. Dobal ( O Tempo Conseqüente) repropõe a poesia brasileira, se pudesse centuar fortemente o adjetivo, não só no plano de qualidade a que, em conjunto, ascenderam as nossa letras poéticas, mas, ainda, no sentido de uma integração per- feita entre os temas, a língua poética e o tempo em que vive- mos. O Sr. H. Dobal retransforma a
poesia brasileira e fotclórica pelo instrumento da poesia erudita e literária" (in. Jornal O Dia, de 17 de outubro de 1997, Caderno Torquato).
PRIMEIRA PARTE: "CAMPO DE CINZA"
"What Can I But Enumerate Old Themes?" (W. B. Yeats In: The Circus Animais
Desertion)
Livro de estréia de H. Dobal. O poeta trabalha, quase sempre, o mesmo tema:
o homem e a terra. É nesse livro que encontramos o Piauí -o homem e os outros bichos.
Essa obra é fruto de sua visão aguçada da realidade do homem do Piauí. A transposição
dessas observações para a linguagem poética, foi chamada por Péricles da Silva Pinheiro
de realismo poético. Uma poesia do reconhecimento do outro homem. Nunca é
demais repetir que o grande tema desse livro é a nossa pobre província.
A identificação do poeta com o Piauí é um caso de consciência social, política,
histórica e geográfica. É um poeta de versos curtos, magros, incisivos Poesia de
aparência áspera focalizando o Piauí também áspero de paisagem rude, mas sedutora
que se transforma com as primeiras chuvas. Além da seca, outro grande tema é o nosso
rio-maior, mas principalmente o homem e os outros bichos. Confirme com o próprio
poeta: "Sou um piauiense cem por cento, desses que dizem: -está pra chover. Mas
minha província não é apenas o Piauí. É o Universo".
Assim se expressou Manuel Bandeira sobre o livro. "Só mesmo um poeta
ecumênico como Dobal podia fixar a sua província com expressão tão exata, a um
tempo tão fresca e tão seca, despojada de quaisquer sentimentalidades, mais rica do
sentimento profundo, visceral da terra". Fechando esta primeira parte do livro, encontrase
o poema épico LEONARDO que, infelizmente, por ser um texto longo e de complexa
estrutura, deixamos de apresentar neste trabalho. Contudo, recomendamos a Poesia
Completa, publicada pela Editora Corisco. Vejamos os poemas:
CAMPO MAIOR
Ai campos do verde plano
Todo alagado de carnaúbas, Ai planos dos tabuleiros
tão transformados tão de repente num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem. Aí rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves amanhecidos na várzea longa,
.cabeças dágua do Surubim no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas. Ai campos de criar. Fazendas de minha avó onde
outrora
havia banhos de leite. Ai lendas tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.
O RIO
Meu rio Parnaíba feito lembrança
não corre mais entre barrancos.
É um fio na memória um rio esgotado
no recreio de muitas manhãs, rio risco rio tatuado
na deriva de um dia perene.
Meu rio turvo se depositando
num claro engano que não se renova,
e descendo suas águas pelo nunca mais
de outras infâncias ensolaradas
Meu rio largo de água doce de brejojaz o seu curso entre coroas e canaranas,
e de outros meninos consumidos
no sol de suas águas
num delta escuro dividido
rola o dia perene.
FAZENDA
São trinta cabeças de gado cabrum. Criaç~o miúda
sem qualquer ciêncía.
Somente um chiqueiro defesa noturna
que bem cedo aberto o dia Ihes dá.
Rústicas a vida
de qualquer maneira sabem extrair
Mas vem da morte sua serventia
o couro e a carne para o homem mais pobre do que elas.
RÉQUIEM
Nestes verões jaz o homem
Sobre a terra. É a dura terra
Sob os pés lhe pesa. E na pele
Curtida in vivo arde-lhe o sol
destes outubros. Arde o ar
deste campo maior desta lonjura
onde entanguidos bois pastam a poeira
E se tem alma lhe arde o desespero
De ser dono de nada. Tão seco é o homem
Nestes verões. E tão curtida é a vida,
Tão revertida ao pó nesta paisagem
Neste campo de cinza onde se plantam
Em meio às obras-de-arte do DNCOS
O homem e outros bichos esquecidos
SEGUNDA PARTE: AS FORMAS INCOMPLETAS
Esta segunda parte é anunciada pelo "Não amei bastante meu semelhantes", de Carlos
Drummond de Andrade e apresenta poemas cujos temas são mais amplos do ponto de
vista geral. É uma poesia mais universal; o espaço urbano, o amor, a infância, a morte, o
medo, a solidão, a frieza de vidas na metrópoles. Vejamos alguns poemas.
OS AMANTES
Eis-me de novo adolescentes. Triste
Vivo outra vez amor e solidão.
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Canto em segredo palpitar macio
De pétala ou de asa abandonada.
Do amor em silêncio e na incerteza
Oprime o coração desalentado
Ó lentidão dos dias brancos quanto
A angústia os deseja breves como um sonho
Insidioso amor em minha vida
Reverte o tempo para o desespero,
A inquietação da adolescência
E o pensamento me tortura, prende
Como se nunca houvesse outro consolo
Que não é mais de amor. Porém de morte.

A MORTE
A morte aparece
Sem fazer ruído
Senta-se num canto
Fica indiferente
Com seu ar de calma
Absoluta
Mira longamente
O quarto o retrato
A cama os remédios
Postos entre os livros
Sobre a mesa escura.

por Luiz Romero Lima, professor de Literatura.

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+ comentar
O NOVO POETA.(W.Marques).
 

interssante.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 14/5/2009 23:05
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Zeca Avelar
 

menino Naeno

Me incluo entre os tantos ignorantes, que ainda não tinham ouvido, sabido e conhecido esse SER que ora divulgas. Vou no deus google, para acrescentar um titiko mais ao meu reconhecido insaber, para depois melhor dizer...

Por ora, copiei seu trabalho, que já dá pinceladas da grandiosidade da alma poética desse H. Dobal... Volto loguinho...

KarinhoZamenT,
ZecaFeliz - gaDs!

Zeca Avelar · Florianópolis, SC 17/5/2009 14:19
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