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Hermila Guedes: nome que pesa

Rafael Urban
A atriz Hermila Guedes, depois de apresentação no Festival de Teatro de Curitiba
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Rafael Urban · Curitiba, PR
12/4/2007 · 141 · 10
 

Hermila Guedes, a Suely que levou o cinema brasileiro aos céus, e as dificuldades do sucesso*

“Meu Deus, o que é isso? Por que isso?”, Hermila Guedes pergunta a si, tentando entender o próprio sucesso. Se já pensou em desistir da carreira? A atriz não hesita: “Várias vezes”, responde. Como a toda pergunta que faço, a jovem metralha a resposta, pára, respira e olha fundo nos meus olhos, como se esperando uma reação, uma próxima pergunta ou o final da entrevista. Hermila tem um aperto de mão forte, não guarda uma grande distância do ouvinte. Mas está cansada. Esperava que sua vinda a Curitiba - esteve em dois espetáculos no FTC: As três viúvas de Arthur, na Mostra Oficial, e Angu de Sangue, sensação no Fringe - fosse divertida. Não foi. Sessões intermináveis de fotografia e entrevista após entrevista. Não veio desavisada: quando Karim Aïnouz a convidou para o papel de O Céu de Suely, a alertou: depois do sucesso de Madame Satã, a protagonista de seu próximo filme seria muito assediada. “O filme é seu, está em suas mãos”, lhe disse o diretor. Ela considera que o trabalho veio como um presente, mas que existe uma Hermila antes e outra depois. “Tem o lado bom e o ruim. Sempre vão estar me cobrando uma Hermila-Suely”. Apesar disso, para ela, Suely é um papel que vale o reconhecimento.

Em dezembro, representou Elis Regina num especial da Rede Globo, “a televisão te ajuda a te espalhar pelo mundo”, diz. Também atuou em Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. Já contracenou com um copo de leite - no curta homônimo. “O difícil foi beber litros de leite misturados com [iogurte] Danone. Eu odeio leite”. Chegou aos ensaios de Angu de Sangue bastante tímida, dizendo-se sem experiência. Mas, segundo o diretor da peça, Marcondes Lima, Hermila é uma atriz nata, que era muito insegura, tinha medo de cantar e pensava em desistir. Numa das cenas mais fortes do espetáculo, vai ao microfone para cantar um conto - que fala da história do estupro de uma menina - acompanhada da manipulação de um fantoche que representa a criança. Sempre que canta a música, lhe dá vontade de chorar, especialmente quando lembra da sobrinha, recém-nascida.

“Não sou acadêmica, estudiosa, mas preciso ser. Compenso a minha falta de informação com a entrega mesmo”. Marcondes lembra que, apesar de ela não ter feito cursos, tem dentro de si as preposições do Stanislavski e de outros teóricos do teatro. Até agora, Hermila Guedes parece ter feito as melhores escolhas possíveis. No premiado Baixio das Bestas, que estréia em maio, representa uma prostituta. Não tem medo de ficar marcada com estereótipos. O seu grande desafio será conseguir viver com o estigma do seu próprio nome, “esse nome que já está pesando quando eu ouço”.

* Matéria originalmente publicada no Jornal do Estado do dia 06/04/2007.

Link sugerido:
Assista ao curta Copo de Leite, com Hermila Guedes, no Porta-Curtas: http://www.portacurtas.com.br/filme_abre_pop.asp?cod=2617&exib=2486

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José
 

Eu gostei do que aqui você escreveu...
“Não sou acadêmica,..." Espero que continue não sendo, apesar do querer dela... A acedemia tira a alma e coloca o poder!
Grato, José!

José · Criciúma, SC 9/4/2007 09:39
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Rafael Urban
 

Caro José,
obrigado pelo comentário.

Rafael Urban · Curitiba, PR 11/4/2007 02:32
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DaniCast
 

Muito bom!

DaniCast · São Paulo, SP 11/4/2007 09:43
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Cida Almeida
 

Rafael, parabéns pela matéria. Gostei da sensibilidade da sua visão e muito do texto.
Abraços.

Cida Almeida · Goiânia, GO 12/4/2007 10:09
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Paula Corrêa
 

Essa mulher é incrível. Tem um mistério que não cabe em si.
Tem uma bela entrevista com ela no site www.cinemandobrasil.blogspot.com, feita pelo Marcelo Salinas, que escreve sobre cinema pro Destak. Vale a pena ler!

Paula Corrêa · São Paulo, SP 12/4/2007 14:47
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Jarmeson de Lima
 

Ocasionalmente tem aquela coisa da pessoa que sai daqui de Recife e ganha uma projeção nacional. Mas aí por terem passado muito tempo aqui, não há como olhar pra elas e não reconhecermos e sentirmos aquela proximidade e aquele certo grau de bairrismo. Digamos que seja falta de costume pelo provincianismo recifense, onde cada grupo de pessoas frequenta os mesmos bares e festas, onde esbarramos com os famosos, quase-famosos e ainda não-famosos.
Devo ter perdido a conta de quantas vezes vi Hermila pelo Recife, seja nas peças de teatro, nos curtas que participou ou nas festas da cidade. Mas aí como conterrâneo dela, tenho que dizer: Hermila é gente boa!

Jarmeson de Lima · Camaragibe, PE 13/4/2007 00:22
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anaflores
 

Olá Rafael, gostei muito do texto, especialmente do começo, citando frases dela. Muito interessante! O texto inteiro é muito envolvente e gostoso de ler.

anaflores · Ribeirão Preto, SP 13/4/2007 20:03
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valdezz
 

gostei do teu texto, otima materia boa de se ler

valdezz · Arraial do Cabo, RJ 28/11/2008 11:19
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Rafael Urban
 

Caro,
obrigado pelo comentário.

Saludos,
Rafael

Rafael Urban · Curitiba, PR 28/11/2008 12:35
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Rafael Urban
 

Em meu blog, há reportagens mais recentes.

Rafael Urban · Curitiba, PR 28/11/2008 12:36
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