Um dos maiores brasileiros está enterrado em sepultura simples, há 139 anos, em território estrangeiro dentro do próprio Brasil. Ele é o pouco lembrado José Inácio de Abreu e Lima que, ao morrer em Pernambuco, em 1869, não foi levado para um cemitério público sob administração da Igreja Católica, por ordem do bispo Dom Francisco Cardoso Ayres. Seu repouso eterno foi dado, por caridade cristã, por anglicanos que o recolheram ao Cemitério dos Ingleses, no bairro de Santo Amaro, no Recife, ainda hoje considerado um território britânico. De acordo com o Tratado de Navegação e Comércio, estabelecido em 1810, entre Portugal e Inglaterra, “os vassalos de Sua Majestade Britânica, que morressem em territórios de Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal, deviam ser enterrados em lugares designados para este fim.”
Mas o que fez em vida esse homem exilado em sua própria terra, que é nome de um pequeno município a 20 quilômetros da capital e que dará, dentro de pouco tempo, denominação à refinaria de petróleo que a Petrobras constrói em Pernambuco com a empresa estatal venezuelana PDVESA, por solicitação expressa do presidente Hugo Chávez ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva? José Inácio de Abreu e Lima foi, nos anos finais da vida, defensor extremado dos valores republicanos e da liberdade religiosa e um duro adversário de Dom Francisco. Mas esses fatos consomem poucas páginas de sua brilhante e extensa biografia. Ele foi muito mais. Tornou-se um dos generais diletos do Libertador Simon Bolívar, pai da independência da Venezuela e de grande parte da América espanhola. Abreu e Lima acompanhou o Libertador por rios, vales e montanhas. Segundo a história que se conta nos países dos Andes, lá do outro lado do continente, o general brasileiro é “llamado el héroe de las dos Américas, tanto la de origen portugués donde nació, como la española donde también luchó por la libertad.”
José Inácio de Abreu e Lima foi diplomata a serviço do Libertador, escreveu para ele discursos e proclamações e o acompanhou em campanhas e batalhas históricas como as de Apure, Pisba, Gámeza, Pantano de Vargas, Boyacá, Carabobo, onde foi ferido no peito, e Maracaibo. Sob as ordens do general José Antonio Páez ele participou do ataque contra Puerto Cabello, em 1823. Ao lado de outros generais, seu nome está inscrito, em português rudimentar no monumento que os venezuelanos erigiram em honra de Simon Bolívar, em Caracas: “General Abreu e Lima. Brasilero.” Isso mesmo: brasilero. Outro grande brasileiro, Barbosa Lima Sobrinho, quando governador de Pernambuco, em 1948, homenageou esse herói de muitas pátrias, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, figura histórica precursora do ideário de integração sul-americana e pai do socialismo no Brasil dando seu nome ao pequeno Distrito de Maricota. Em 1982, Abreu e Lima passou à condição de município, integrando a região do Grande Recife.
Vamos voltar à História. Como morreu, José Inácio de Abreu e Lima nasceu libertário. Ele veio ao mundo em 6 de abril de 1794, na mesma cidade onde continua banido e sepultado em solo estrangeiro. Seu pai era também um revolucionário: José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o Padre Roma, líder da Revolução Pernambucana de 1817. Abreu e Lima cursou a Academia Real Militar do Rio de Janeiro e, em 1816, já capitão de Artilharia, foi preso no Recife como insubordinado e acusado de responsável por desordem pública. Condenado a cumprir pena na Bahia, ele assistiu, em 29 de março de 1817 ao fuzilamento do pai. Já dotado de sólida visão crítica do mundo o jovem oficial fugiu para os Estados Unidos, ajudado pela Maçonaria, jurando defender, na América do Sul, os mesmos princípios anticolonialistas e de independência nacional do pai.
Sempre que vem ao Brasil, o presidente Hugo Chávez vai a Brasília e a outra cidade importante mas faz questão de viajar ao Recife. Lá, como fizeram todos os presidentes venezuelanos que visitaram o Brasil, ele deposita, em nome do povo de seu país, uma coroa de flores no túmulo simples do eterno exilado de José Inácio de Abreu e Lima. Herói romântico, audaz e destemido o brasileiro ofereceu, em 1818, como conta a história narrada na Venezuela, “sus servicios militares como capitán, grado obtenido en el Brasil, y fue aceptado por el Libertador en Angostura en 1819, durante la vigencia del Congreso del mismo nombre. Luego participó en el equipo de redactores del Correo del Orinoco, en el que dio frecuentes noticias de los movimientos brasileños de independencia, sobre todo de su estado de origen, Pernambuco.” Intelectual de excepcional cultura, Abreu e Lima logo se tornou um dos favoritos de Bolívar. Por delegação dele, o brasileiro viajou à Europa para defender a causa libertária latino-americana dos ataques de Henri-Benjamin Constant.
Em 9 de agosto de 1831, já no ocaso de Simon Bolívar, o general Abreu e Lima foi expulso da Venezuela, em companhia de outros oficiais estrangeiros, viajando para os Estados Unidos e Europa e depois para o Brasil. Alguns historiadores dizem que sua saída da Venezuela foi motivada por questões pessoais. Mulherengo, ele se apaixonou por uma sobrinha de Bolívar, desagradando o marido que o desafiou para um duelo. Abreu e Lima preferiu despedir-se de sua nova pátria, em respeito à figura de Bolívar. Aqui, logo que regressou, ele deixou de lado seu espírito republicano e passou a defender uma tese polêmica: a volta de Dom Pedro I ao trono brasileiro, numa monarquia constitucional parlamentar. Abreu e Lima julgava que Dom Pedro poderia ser um “Bolívar coroado” e líder inconteste da integridade política e geográfica do Brasil. Esse ponto de vista foi muito contestado no Rio de Janeiro por aqueles que desejavam ver Dom Pedro II coroado, mesmo sendo criança, o que ocorreu em 1840, quando ele completou 14 anos de idade. Um de seus mais ferrenhos adversários de Abreu e Lima foi o escritor Francisco Adolfo de Varnhagen, um áulico e lacaio da Corte que escreveu uma lastimável história de um Brasil sem conflitos, violência e escravagismo e colonizado por um Portugal admirável e generoso.
Hostilizado e temido e no Rio de Janeiro, José Inácio de Abreu e Lima voltou a Pernambuco, na esperança de eleger-se deputado. Atacado por usineiros e conservadores, ele perdeu a eleição. Mas logo seria um dos líderes do último movimento revolucionário contra o Império, a Insurreição ou Revolta Praieira, entre 1848 e 1852. Ao lado do capitão de artilharia Pedro Ivo Veloso da Silveira, do deputado Joaquim Nunes Machado e de Antônio Borges da Fonseca, militante da ala radical do Partido Liberal, Abreu e Lima – já denominado pelos pernambucanos com o epíteto de “general das massas” – liderou, em Olinda, uma rebelião que logo se espalhou pela Zona da Mata de Pernambuco. Era a culminação de uma luta contra a destituição do governador da província Antônio Chichorro da Gama e de ferrenha oposição à aristocracia proprietária de terras, usinas e comércio.
As páginas do jornal “Diário Novo”, dos revolucionários, publicavam inflamados protestos contra o poder imperial e os conservadores pernambucanos. Já se liam textos de Abreu e Lima com forte conotação socialista utópica inspirada na leitura de pensadores como Pierre-Joseph Proudhon, Claude Saint-Simon, Charles Fourier e Roberto Owen, europeus pré-marxistas. Na Europa, como em Pernambuco, considerava-se que a Revolução Francesa fracassara, apesar de ter consagrado a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Onde estava a igualdade numa sociedade tão dividida entre ricos e pobres? Liberdade? Só a de mercado, a do burguês livre para explorar o trabalhador. Fraternidade? Com tanta desigualdade e escravagismo?
E o “Diário Novo” divulgava as bandeiras de luta do Movimento Praieiro: defesa do voto livre universal, liberdade de imprensa, fim do Poder Moderador (a corte imperial), quebra do monopólio político das oligarquias agrárias e a nacionalização do comércio, totalmente em mãos dos portugueses. Donos de engenho de pequeno porte, artesãos, profissionais liberais, setores da classe subalterna e negros libertos aderiram ao movimento. Sem grande apoio, a Revolução Praieira foi derrotada pelas tropas imperiais. Abreu e Lima foi preso e exilado no Arquipélago de Fernando de Noronha. O advogado Thomaz Nabuco de Araújo, pai de Joaquim Nabuco, fez a defesa de José Inácio de Abreu e Lima nos tribunais. Mais tarde ele foi solto e anistiado.
Já eram, então, outros tempos. Tempos de cansaço físico, mas ainda de forte vigor intelectual. Lembram os historiadores venezuelanos: “en 1855 publicó los primeros libros brasileños sobre socialismo, en los moldes de Fourier y los socialistas utópicos.” O historiador Manuel Correia de Andrade escreveu: “Abreu e Lima também foi um precursor do movimento de defesa do meio ambiente, tão em voga nos dias de hoje, de vez que de sua permanência como prisioneiro em Fernando de Noronha, após a revolta praieira, resultou um artigo sobre o famoso arquipélago no qual faz grandes observações de ordem ecológica, que foi publicado na revista do Instituto Arqueológico.”
O jornalista e acadêmico Barbosa Lima Sobrinho, uma das maiores figuras da vida brasileira no século passado, fez uma previsão no prefácio que escreveu para a segunda edição do livro “O Socialismo”, publicada em 1979: “no dia em que o Brasil se interessar realmente pelo seu relacionamento com as repúblicas da América espanhola, Abreu e Lima conquistará a importância que merece, na história de seu país. Não nos faltam heróis nacionais e figuras de grande projeção. Mas, por assim dizer, limitadas às fronteiras do Brasil, quando muito às fronteiras de Portugal. Mas figuras continentais, com serviços prestados a outros países da América Espanhola, são raras, excepcionais. É verdade que tivemos Hipólito da Costa, no (jornal) Correio Braziliense, defendendo apaixonadamente a Independência de todo o território da América Espanhola, exaltando Francisco Miranda e acompanhando, dia por dia, a ação libertadora de Simon Bolívar, no seu mensário londrino.”
Lembrou mais o ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Academia Brasileira de Letras: “mas Abreu e Lima não se limitou ao domínio literário. Incorporou-se ao exército de Bolívar, com a patente de capitão, e tomou parte nas batalhas decisivas, em que estava em causa a liberdade da Colômbia e da Venezuela. E foi conquistando, com o seu valor e a sua bravura, as patentes que merecia, até chegar a general. General de Bolívar é um título que pode consagrar qualquer pessoa e dar-lhe direito à gratidão de pátrias a que não pertencia.”
O Cemitério dos Ingleses é o monumento de José Inácio de Abreu e Lima. Lá ele deve ficar para sempre. Se sua memória continuar sem ser honrada pelos brasileiros, pouco importa. Seus feitos e seu exemplo estão nas páginas da História e algum dia serão resgatados pelos contemporâneos da época. Por ora, bastam o reconhecimento e a honra que lhe prestam a Venezuela e a América de língua espanhola.
ufa... (que folgego em amigo)
Parabéns pelo texto, pela pesquisa e principalmente pelo conteúdo. Uma grande aula, li tudo e fiquei feliz e vem citado o nome do tema que ando pesquisando 'joaquim nabuco'.
Valeu!
Eloy meu querido,um texto primoroso principalmente para mim que desconhecia o fato.Uma grande aula nos deste com seu trabalho.Receba meu imenso carinho.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 23/9/2008 19:35
Eloy,
Ótimo relato sobre um homem de seu tempo. Apaixonado, utópico e libertário. Um homem que viveu e morreu de acordo com seus princípios e sonhos tem sempre que ser respeitado. Eu ainda acho que os grandes heróis são aqueles que lutam por seus ideiais sem derramar sangue, como Rondon e Gandhi, mas estes são realmente poucos na história da humanidade. Abreu e Lima foi sem dúvida um grande brasileiro e merece ser lembrado. Parabéns pelo artigo.
Abraços,
Carlos
Brasil de tantos Heróis sem honra.
Mais a Historia faz seu papel e aqueles que são Heróis verdadeios sempre serão lembrados.
André Luiz Mazzaropi
Eloy,
Maravilhoso texto
E que currículo exemplar
desse " Herói de muitas Pátrias"
que não teve ainda, honrarias na sua.
É pena que fatos assim aconteçam.
De homenagem vilã, o Brasil esta cheio!
Parabéns pelo texto.
bjssssss
Parabéns pelo trabalho de resgate histórico. Votado!
Clésio Tapety - Cultura da Paz · São Paulo, SP 24/9/2008 14:29
Obrigada pela sua aula da História, sul americana.
Um abraço
Eloy,
meus parabéns por se preocupar e ensinar e fazer conhecida figura tão importante de nosso País. Como Abreu e Lima há-os às pencas em nosso Brasil, como estrangeiros desconhecidos. Cito, por exemplo, na educação, Anísio Teixeira, que se conhece apenas por dar nome a colégios Brasil a fora, mas nada lido, nada conhecido.
Um abraço.
belissimo texto!
Um grande carinho para você!
beijo na alma
Cara, você foi muito feliz em seu artigo.
Realmente, Abreu e Lima é um nome que o Brasil precisa conhecer melhor. É uma daquelas figuras que mostraram que é possível lutar por uma sociedade diferente. Ele foi um herói nacional, do mesmo patamar de Apolonio de Carvalho.
Parabéns, cara.
Abreu e Lima , já um defensor do meio ambiente, já era herói. Belo texto, rico e muito importante relembrar um homem desse quilate. abs
Cintia Thome · São Paulo, SP 25/9/2008 09:16Belo trabalho , deixo aqui meu voto e admirações . Abraço...
delen · Cotia, SP 25/9/2008 09:22
Num País tão escasso de verdadeiros heróis, onde nossos jovens possam se espelhar, seu Texto é primoroso e de qualidade inquestionável.
Abraços. Luz e Paz. jbconrado
Lindo texto. Demonstra grande conhecimento e acima de tudo como nós da América Latina, somos desunidos.....
Chabudé · Tarumirim, MG 25/9/2008 15:37
Parabéns por seu trabalho de pesquisa !
Um abraço !
Excelente pesquisa e texto... Voto com louvor...
Airton
Estrela-RS
Um fato histórico... um homem um lutador.. da américa!
sempre tem que ser relembrado......
abraz
Agradeço a todos que se manifestaram com votos e comentários.
O que fiz - e tenho feito aqui no Overmundo - é resgatar páginas da História. É uma obrigação de cidadania, de brasilidade. Mais uma vez, obrigado a todos.
Eloy,
Parabéns pelo escrito. Jamais tinha tido esta informação, mesmo
passando por longe.
abraço
andre
Caro Eloy,
excelente resgate histórico. Se tiver algo relacionado aos aspectos da formação agrária no Brasil, em qualquer época, será bem vindo para discussão.
Parabéns meu amigo
Eis-me aqui lhe prestigiando
Beijos
Eloy Santos · Rio de Janeiro (RJ)
Herói, exilado e estrangeiro em seu próprio país.
Um Trabalho Admirável e com toda Certeza este Heróis das Américas vai reassumir seu papel de Dignidade ná História
Porque na História das Lutas da América por Liberdade Os Brasileiros foram dos que mais lutaram.
Essa Beleza e desprendimento Heróico pela Justica e pela Liberdade é uma caracteristica linda dos Humanos e dentre os Humanos dos Brasileiros que tanto fazer a gente ter orgulho desta Pátria de Tiradentes, Zumbi, Aimbere, Sepe Tiaraju, Ajuricaba, Cunhambebe, Anuita Garibaldi,, Pagu, Olga, Margarida, Frei Caneca, e Jose Inácio de Abreu e Lima um Brasileiro táo Querido.
Maior orgulho do nosso Povo e Nacáo Brasileira.
Maior orgulho do Herói José Inácio de Abreu e Lima, Companheiro de Simáo Bolivar pela Independéncia da nossa Amárica
Parabéns pelo Trabalho.
Uma Leitura emocionante.
Abracáo Fraterno
Abracáo Amigo
Abreu e Lima vive; assim como Bolívar, assim como Guevara e tantos outros que lutaram e ainda lutam por uma América Latina livre, de fato! Nada utópico. Com sangue derramado sim.
Parabéns Eloy!
Resgatando as verdadeiras páginas da História.
Uma aula de história e, sobretudo de escrita. Obrigado por trazer a terras overmundanas uma figura que foi preterida pela historiografia, mas, que aqui encontra um espaço merecido. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 26/9/2008 13:54
Eloy Santos, parabéns pelo artigo. Muito bom!
Uma pergunta: por que mesmo o bispo Dom Francisco Cardoso Ayres proibiu o enterro de Abreu e Lima no cemitério católica?
Prezado Thiago,
como escrevi, José Inácio de Abreu e Lima era um "defensor extremado dos valores republicanos e da liberdade religiosa e um duro adversário do bispo de Pernambuco, Dom Francisco Cardoso Ayres."
Naquela época, o Brasil Império tinha uma subalternidade diante da Igreja.
Era submisso nas questões cerimoniais e parceiro e agente do clero na manutenção de um estado de coisas extremamente conservador, reacionário.
Abreu e Lima, com sua visão crítica do mundo, tinha superado os valores burgueses estabelecidos pela Revolução Francesa. Já era um socialista utópico, mas de muita ação política, com princípios revolucionários até para o Brasil de hoje.
Assim, ele se colocou frontalmente contra o poder da Igreja, como havia desafiado o Estado com a Insurreição Praieira.
Com Abreu e Lima morto, a Igreja (que concedia os passaportes para o céu) fez o que sempre fazia com aqueles que afrontavam seu poder na terra: impediu o sepultamento do grande brasileiro num cemitério sob sua guarda.
Obrigado pela pergunta. Abraço do amigo.
que aula! maravilhoso... videos de sexo amadoras coroas caseiras sexo anal mature
Marta Rodrigues · São Paulo, SP 26/9/2008 18:15
Belo texto e memória sublime. Ouvi falar deste Abreu e Lima quando surgiu nos jornais a respeito da refinaria. Numa entrevista que "Chaves" deu à recordnews falava desta brasileiro tambem.Aliás este Chaves é um louco varrido, megalomaniaco, pequeno ditador. Deu pra perceber que não gosto dele. É uma pena pois ele tem um lado poético libertador muito lindo. Pena que o lado "ambição " dele ou o lado "escuro" esteja mais sobressalente.
Abraços amigo belo trabalho de pesquisa e resgate de uma memória tão importante. Oxalá nossa autoridades tomem conhecimento e façam algo a respeito.
Abraços.
Eloy Santos,
A leitura do seu excelente texto só nos faz ter orgulho dos nossos heróis. Muitos deles desconhecidos do grande público brasileiro.
A clareza, conteúdo e conhecimento fizeram com que mantivesse um texto didádico, com cunho jornalístico (no bom sentido).
Um artigo para jornais, uma crônica para a história.
Enquanto perde-se tempo em ler tantas bobagens temos um historiador, um cronista, um "repaginador" para o conhecimento dos brasileiros de agora. Somos um povo sem heróis? Não! Mas nossos heróis são desconhecidos dos bancos escolares, dos professores de história e da comunidade. Elevemos o nome de Abreu e Lima e de tantos outros ao patamar que eles merecem estar.
Com admiração deixo meu abraço.
Regina
Se não me engano - é possível - Ele não se considerava brasileiro, porém Bolivariano, acreditava que haveria um novo país unindo toda a América Morena. Esta certo isso? Serioa ele um herói brasileiro oú não???
Eloy,
Infelizmente a história da humanidade tem esses tristes episódios, aqueles que lutaram pela liberdade e justiça social, acabam sempre injustiçados, assim foi com Cristo, e não seria diferente para com os meros e imperfeitos mortais,
Esse é realmente um trabalho da maior relevância cultural.
Abraços
Grande história de um homem e sua contribuição a humanidade
PASSAVANTE · Recife, PE 27/9/2008 12:06
Amigo Pedro Rivero. Amigos, amigas.
José Inácio de Abreu e Lima era brasileiro. Nasceu, viveu e morreu brasileiro, apesar da ingratidão da pátria.
No tempo em que esteve ligado ao Libertador Simon Bolívar não havia o Bolivarismo. É óbvio que esse movimento surgiu anos, anos e anos depois da morte deles.
Os venezuelanos têm Abreu e Lima como brasileiro e não como venezuelano ou bolivariano.
Honram Abreu e Lima como herói e reconheceram isso ao colocar seu nome no Panteão da Pátria erguido em memória do Libertador Simon Bolívar, em Caracas. Numa placa está escrito, como descrevi acima, "General Abreu e Lima - brasilero." Isso mesmo, "brasilero".
O brasileiro que é estrangeiro em sua própria pátria era um excepcional intelectual, com ampla visão crítica do mundo.
Como Bolívar, Abreu e Lima viajou à Europa e aos Estados Unidos. Foi muito influenciado pelas consequências da Revolução Francesa e da Revolução Americana.
Abreu e Lima e Bolívar se envolveram com a dialética de Rouseau, Voltaire e outros luminares do Iluminismo.
O general brasileiro foi mais longe que Bolívar no conhecimento teórico (que ele tanto soube usar isso na prática): tornou-se um dos mestres do socialismo utópico, ao lado de Proudhon, Saint-Simon, Fourier e Owen, como também escrevi.
Com Abreu e Lima, Bolívar chegou a unir Venezuela, Colômbia e Equador na República da Gran Colombia. Peru e Bolívia (por que esse nome?) se juntariam também à grande nação.
Teríamos uma América do Sul formada por Brasil, Gran Colombia, Chile, Paraguai, Uruguai, Argentina e pelas Guianas libertadas depois do jugo colonialista.
Um sonho deles? Sem dúvida.
Quem não vive de sonhos?
De utopia?
Eloy,
Li com grande alegria e com emoção também. Já venho ouvindo falar de Abreu e Lima a partir da Venezuela e utilizando uma palavra que o overmano Azuir gosta muito de utilizar: Orgulho de ser latino americano e brasileiro, é o que esse texto provocou em mim.
“no dia em que o Brasil se interessar realmente pelo seu relacionamento com as repúblicas da América espanhola, Abreu e Lima conquistará a importância que merece, na história de seu país..
Sem dúvida nenhuma, estamos começando esse tempo,
Contribuição bastante pertinente.
Abraço,
sem história nossa vida é um mero pedaço de papel em branco. obrigada...
Maria... · Blumenau, SC 4/10/2008 10:56
não é minha poesia que lhe surpreende, mas as suas emoções interiores diante das palavras - que verdade seja dita - são sempre as mesmas... apenas, talvez, postas de forma inusitada ao seu próprio modo... entendeu? nem eu! na verdade amigo, só queria dizer: obrigada!
Maria... · Blumenau, SC 5/10/2008 10:52
Caro Eloy, como pernambucano fiquei orgulhoso do seu texto.
Só faltou dizer também que Abreu e Lima era profundo conhecedor da História e que escreveu os "Compêndios de História do Brasil", Volumes I e II, obra proibida de ser usada pelos estudantes da época, porque mostrava o colonizador paulista (os bandeirantes) tal qual foi realmente: cruel, sanguinário e extremamente ambicioso. Muitos que foram sertanistas por contrato, conquistando terras pra quem estivesse disposto a pagar por elas, mesmo com o sacrifício dos seus então legítimos donos, os índios. Alguns deles que roubaram o ouro das Minas Gerais e outros territórios. E outros que foram assaltantes das Igreja Católicas e assassinos de padres!
Grande abraço do,
pena nossa história oficial deixar de lado essa gente, os verdadeiros brasileiros, esquecidos, marginalizados às vezes
parabéns Eloy Santos pelo texto e pelo tema
obrigado pelo texto tão cheio de conteudo, te ler é um prazer para quem como eu tem sede de saber
valdezz · Arraial do Cabo, RJ 7/1/2009 20:56
Foi muito bom ter me retornado este artigo. estou arquivando em pasta propria, para nao perde-lo de vistas
abrço, Eloy
a
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