Histórias de famílias nem tão parecidas

Camila Braga (montagem photoshop)
Alice (Carla Ribas) em cena do filme&059&059; Da. Angelina, mãe de Zélia Gattai
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Camila Braga · Pindamonhangaba, SP
23/12/2007 · 209 · 3
 

Fui assistir no cinema ao recente filme “A casa de Alice” (Brasil, 2007), do diretor Chico Teixeira. Tinha lido alguma resenha sobre ele, mas já fazia tempo, portanto não me lembrava ao certo do que se tratava o filme – a não ser do cotidiano da família de Alice (Carla Ribas), uma manicure.
A história tem um drama complicado de se encarar, que são os relacionamentos familiares nada harmoniosos. Há a amante do marido, o amante da esposa e mais três filhos resultantes desse ambiente. Observamos algumas cenas, compartilhando os olhares atentos, porém silenciosos, da mãe de Alice dona Jacira (Berta Zemel), que também vive na casa.
Esse filme me marcou de uma maneira diferente, acredito que por estar às voltas com o livro de Zélia Gattai, “Anarquistas graças a Deus” (Brasil, 1983). Nele, a autora conta partes de sua infância quando morou em São Paulo, em meados dos anos 10 e 20. Zélia consegue nos inserir dentro do cotidiano de sua numerosa família – Dona Angelina, a mãe; seu Ernesto, o pai; Eugênio, o avô; e os irmãos Remo, Wanda, Vera e Tito – em um tempo bem diferente do qual Alice encara com sua família.
O interessante é observar as semelhanças e os contrastes das duas obras. Ambas se passam na cidade de São Paulo; em contextos, como já disse, muito diferentes; tratando da história de famílias nem ricas, nem pobres; e por fim, enquanto uma é considerada um caso real, a outra é uma ficção - mas que poderia muito bem ser um caso verídico.
Ao ler o livro de Zélia Gattai, sentimentos contraditórios se encontram, pois ao mesmo tempo que nos sentimos bem ao tentar imaginar uma ingenuidade e bondade tão puras de todos “personagens”, sabemos que nos dias atuais os comportamentos extremamente altruístas de dona Angelina com os desconhecidos e os animais soariam bobos. O que mais se percebe na história - e que me deixou com os sentimentos contraditórios que citei antes – é o poder que havia nos princípios de uma pessoa, isso sim era algo valioso. Ter em algo para acreditar e defender, como o anarquista seu Ernesto, que era um honesto trabalhador e por isso colecionou respeito e admiração por aqueles que o cercavam.
Não parava de pensar no livro enquanto assistia à “Casa”. Como pode haver uma diferença tão grande entre esses dois mundos? Fiquei com vergonha ao imaginar a situação totalmente absurda e hipotética, de um dos filhos da personagem Alice escrevendo um livro parecido com o de Zélia, contando como era o seu ambiente familiar, e esse livro, por sua vez, sendo lido por uma geração mais nova. Qual a imagem que ficaria?
Sei que não estou na idade do pessimismo para dizer “na minha época que era bom”, mas me assusta pensar como serão os próximos anos, como as famílias vão conseguir se reunir – e apreciar esses momentos -, e quais lembranças que restarão. Por isso, se você for assistir ao filme e ele te deixar para baixo; leia o livro, pois algo bom do início do século XX vai te deixar mais tranqüilo.

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Andre Pessego
 

Camila,
É por aí. O que é dito, pregado como evolução o mundo começa a perceber que não a é. O que primeiro foi utilizado, mal utilizado, para com a natureza o foi para com as pessoas.
Para com a natureza há - no fim do túnel, um enorme´túnel
alguem com um fosforo querendo a acender uma vela, e uma multidão barrando o vento para não apagar o fósforo antes de acender a vela. Ainda acompanhei, criança, a caçadas de onças - um acontecimento; vi gente ganhando dinheiro para matar cobra, etc.
E as pessoas? A resenha que faz, em cima de duas obras conhecidas, é oportuna bem feita.
um abraço andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 24/12/2007 08:09
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Higor Assis
 

Gostei da forma como trabalhou seu questionamento e como deixou que suas plavaras também tocasse que fosse ler o teu texto.

Higor Assis · São Paulo, SP 24/12/2007 08:57
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Cintia Thome
 

Falar do diretor Chico Teixeira já é maravilhoso. As duas obras citadas de valor cultural ímpar. Muito interessante e boa colaboração ao Overmundo. Vale a pena conferir. Parabéns pelo texto. abç

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/12/2007 11:56
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