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Hoje no teatro tem circo

Roberto Dziura Jr.
Movimentos impossíveis utilizando apenas o corpo
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Roberto D. Jr. · Curitiba, PR
29/10/2006 · 82 · 6
 

Nesta noite tem circo para os adultos. Diferente dos tempos antigos, os circos multinacionais de hoje atraem muito mais o público adulto. Talvez seja o valor do ingresse. Ou talvez a ausências de animais se sacrificando para ganhar algumas minguadas palmas. No circo atual até a famosa lona e o picadeiro deixaram de existir. Agora o espetáculo acontece em um palco de teatro.

Voltado a grande atração da noite, caminho até chegar no famoso teatro da capital paranaense que abrigará mais uma noite do show. Nos entorno s do teatro percebo a movimentação típica das noites de gala. Entro no recinto e até localizar minha poltrona participo de mais uma aula da “educação” típica da nossa terra.

Enfim acho o local onde permanecerei nas próximas duas horas me entretendo. O ambiente já está cheio. Faltam alguns minutos para o Maio Espetáculo da Terra começar. Como lá dentro a temperatura está mais elevada do que lá fora, retiro minha jaqueta, permaneço em pé e deixo meu espaço reservo.

O show tem início. Ao meu lado está a minha namorada e no outro um até então Senhor. Com toda a “simpatia” do mundo, esse Senhor estrangeiro pede: “Pare de tirar fotos!” Sem reação e com medo de causar um incidente internacional paro imediatamente após o “gentil” pedido. Minha namorada sugere trocar de lugar. Aceito.

Este é um daqueles momentos que não temos reação imediata, ela só vem depois de alguns minutos. E o pior, só depois de trocar de lugar que analiso a situação. Não utilizo flash para fazer as fotos. Está certo que é uma máquina digital, porém nem utilizo a tela de cristal líquido?

Em nova poltrona, agora ao lado do corredor, volto a registrar na retina e na lente o espetáculo. A atração já começou e vejo um rapaz se movimentar mais rápido que o meu piscar de olhos. Em sua mão está uma espada (ela até parece de mentira, pois o cidadão a movimenta tão rápido que parece de papelão).

Após alguns pulos e piruetas inimagináveis surge um casal e duas cordas paralelas. Novos rodopios e movimentos “humanamente impossíveis” auxiliados pelas cordas. A altura dos movimentos é considerável. Nenhum equipamento de segurança está presente no palco. Antes de o casal acabar a apresentação aparecem várias argolas. Grandes e pequenas. Uma encima da outra em um total de três sobre três.

E lá vem um monte de sujeitos pulando no meio das argolas, e eles pulam simultaneamente nas nove argolas. De um lado vem um e pula ao mesmo tempo em que outros dois fazem a mesma coisa. Parece tudo tão fácil e impossível ao mesmo tempo. Caso um mortal tentasse algo do gênero seus entes ficariam apenas com as lembranças do fulano.

Ainda estupefato com a atração anterior, não percebo que a nova atração já está preparada. Algumas mulheres no centro do palco. De repede uma das moças está emaranhada em uma rede. E lá vão mais algumas piruetas realizadas em altura considerável. Em alguns leves movimentos a moça não está mais emaranhada. Agora ela usa a rede como cordas para realizar o seu trabalho.

Nossa! A moça nem acabou a sua apresentação e meninos preenchem o palco brincando com chapéus de palha. Ao fundo um espantalho completa a cena. São três, quatro, cinco chapéus simultâneos. Eu particularmente não consigo manter nem duas laranjas. Um deles joga o chapéu para cima, bem alto. No chão realiza algumas, acho que três, cambalhotas até o chapéu deslizar enigmaticamente em sua mão.

Meus olhos não conseguem distinguir mais o número de chapéus, pode ter certeza de que são muitos. Então um sobe nos ombros do outro e aquele recebe mais um nos seus ombros e, nova troca de chapéus. Agora três fazem a base, dois encima e um mais no alto trocando nem sei mais quando chapéus.

Depois de tantos chapéus voando, a atração agora são meninas com curtas cordas com peso nas pontas. O malabarismo está no corpo e no impossível que as meninas fazem. Novas meninas no palco, estas trajando roupas típicas chinesas. Parece um show de mágica. Alguns movimentos rápidos com as mãos e o impossível acontece: A mão da moça não pára de gerir bolas vermelhas. E elas trocam de roupa no palco, mas é tão rápido como o trajeto de um projétil.

Tempo para tomar fôlego. Uma voz do além diz que teremos quinze minutos para colocar os neurônios no lugar.

Com novo ar nos pulmões a cortina é aberta. No palco quatro barras de ferro na vertical. Elas são bem altas. Aparece um bando de malucos que as utilizam para a apresentação. São dez que usam o instrumento para entreter o público. E lá se vão várias acrobacias até entrar um novo casal que utilizam o equilíbrio para demonstrarem a sua arte.

Sai o casal e várias meninas entram em cena. Todas elas equilibram diversos pratos com as duas mãos. A atração não está em equilibrar os pratos, mas nas acrobacias que fazem sem deixá-los cair. Uma delas coloca a sua cabeça em cima da cabeça da outra e se equilibra. Uma pirâmide de copo é equilibrada na boca de outra menina.

A nova atração também está no equilíbrio. Dois homens “de borracha” utilizam o corpo do outro para... se equilibrarem. Nova atração que prima o equilíbrio. Agora são vasos na cabeça. E lá se vão mais piruetas sem deixar os vasos caírem da cabeça. E são acrobacias impossíveis de se fazer normalmente, imagine com vasos na cabeça.

Agora uma moça começa a se equilibrar no tablado com três cadeiras. Mais duas, mais duas, mais duas... Perdi a conta, mas ela está em uma altura considerável. Está é a única atração do espetáculo que é utilizado equipamento de segurança. Para encerrar o show a atração está na movimentação, no equilíbrio e nas piruetas dos integrantes do último numero circense.

No grand finale todas as pessoas participantes do espetáculo sobem ao palco para receberem as palmas entusiasmadas da platéia. Na saída nova lição de “educação” até chegar à rua. Saio do recinto feliz de ter participado dessa grande apresentação de circo.

Para os vencedores que chegaram até aqui vale algumas explicações. O espetáculo que presenciei aconteceu no palco do teatro Guaira, Curitiba, no começo do mês de outubro. A atração circense descrita foi realizada pelo Circo Internacional da China.

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apple
 

Talvez os circos multinacionais atraiam mais adultos do que crianças devido ao espetáculo em si mesmo também.

Você achou que as crianças presentes estavam gostando? Você viu crianças de qual faixa etária?

apple · Juiz de Fora, MG 28/10/2006 22:45
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apple
 

Roberto,

Tenho visto e ouvido falar em tantas festas de criança com o tema "circo" ... Dizem que é fácil trabalhar com essa temática.

Vi:
-Docinhos com cara-de-palhaço;
-Potes, cheios de balas, pirulito, goma de mascar, enfeitados com "roupa", babado e bolinha de isopor pintadas representando o palhaço;
-A tradicional boca-de-palhaço com prendas;
-Convite em formato de circo;
-Decoração com balões representando o palhaço;
-Pula-pula, mágico, bolo com enfeite de roda-gigante, pescaria (uma mistura de circo com parque).

Estranho, né? Conflita com o descaso verificado em relação ao circo. Como você pode explicar isso?

apple · Juiz de Fora, MG 28/10/2006 23:05
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apple
 

Uma coisa qua adoro que tem em circo é maçã-do-amor... Hummm... Meus pais acham besteira comprar quando era criança, achavam caro e sem graça...Não compravam mesmo!

Meu pai adorava e adora circo, né? Ele passa até mal vendo alguns artistas... Outro dia passou uma propaganda na tv que tinha um contorcionista... nem sei direito do que se tratava. Precisava ver a cara dele quando a pessoa entrava em uma mala!

Eu já nâo gosto tanto de circo... mas fui bastante quando criança devido ao gosto do meu pai. Gostava também....

Agora sou mais maçã-do-amor mesmo... Compro todas que quero agora! Hahahaha... Só eu entendo esse meu gosto! Hahaha...

apple · Juiz de Fora, MG 28/10/2006 23:14
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Roberto D. Jr.
 

É normal que a infância e a adolescência de hoje seja diferente da nossa. A geração computador, “Tudo ao mesmo tempo agora” e o instantâneo na frente dos seus olhos não se atraem por atrações circenses.

Na apresentação acima descrita, poucas crianças conferiram a apresentação. As presentes tinham no máximo 13 anos. Jovens eram as figuras raras. Acho que estes circos multinacionais se transformaram em atrações elitistas para adultos saudosistas.

A apresentação é sem comentário, mas os circos de rua, do “Tempo em que se comia pipoca” praticamente está morto. Este fato deve ser causado por causa da nova geração e da não reciclagem desses circos. Também como reciclar se a sobrevivência está cada vez pior, já que a presença do público em circos de rua é o grande espetáculo?

Posso estar escrevendo uma grande bobagem, porém acredito que seja mais ou menos isto.

Roberto D. Jr. · Curitiba, PR 30/10/2006 11:54
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Roberto D. Jr.
 

Talvez o circo se transformou em uma atração virtual. Muitas vezes a preparação de uma festa é melhor do que a própria festa em si. Talvez seja algo do gênero. O visual circense é mais atraente do que a própria atração. É mais fácil vender uma imagem do que o real. É mais fácil passar o virtual de que a cerveja está ligada ao relacionamento, a alegria e a diversão... Mas sabemos que nem tudo isto é verdade.

Talvez a imagem do circo, com palhaços, leões domados, elefantes que fazem piruetas... sejam mais atraentes no docinho, para os pais e o visual para as crianças, do que participar de uma atração de circo. Talvez os pais são saudosistas e as crianças acham bonitas e divertidas os docinhos com cara de palhaço. Por falar em palhaço, sempre tive medo deles e nunca achei graça na forçada animação de muitos, salvo alguns raros exemplos.

Roberto D. Jr. · Curitiba, PR 30/10/2006 12:07
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Roberto D. Jr.
 

Talvez a salvação da atração circense no Brasil esteja na promoção da arte aos menores carentes das grandes cidades. Estimulando muitos a aprenderem a arte de fazer circo estamos mantendo vivo o circo e agregando valores na vida dos jovens. Muitas cidades existem algo similar. Já vi na televisão e sei que em Curitiba possui algo do gênero.

A sua questão acima levantada é uma boa dica de estudo. Por que o circo é atração em festas infantis e não atração por ele mesmo?

Roberto D. Jr. · Curitiba, PR 30/10/2006 12:11
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