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HOMENAGEM A FEVEREIRO, WANDO E FÁBIO PASSADISCO

Capa do disco Deus no Céu e o Samba na Terra
Wando, de sambista a cantor romântico
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Abílio Neto · Recife, PE
25/2/2012 · 0 · 0
 

É, gente, o mês de fevereiro está na reta final e a saudade vai chegando. Para mim, fevereiro é o melhor mês do ano, afinal a gente “esquece tudo quando cai no frevo”. Só isso já é bastante!

Geraldo Azevedo diz numa de suas famosas músicas: “Quando Fevereiro chegar/ Saudade já não mata a gente...” Já Wando, o talentoso sambista que se transformou em brega e depois que morreu a hipocrisia nacional o elevou para “cult”, disse na sua primeira composição: “O importante é ser fevereiro/ E ter carnaval pra gente sambar...” Marrom Brasileiro (quando ainda era simplesmente Marrom) escreveu esta pérola: “Escuto o ano inteiro/ A tua voz na palha do coqueiro/ O vento traz no mês de fevereiro/ O carnaval pra me acabar inteiro...”

É preciso ter sensibilidade para curtir fevereiro, o mês mais lindo do ano! Vocês observem que o Wando sentia tanto essa beleza do segundo mês calendário que morreu em fevereiro (08/02/2012), ele que cantou em outro belo samba: “de fevereiro a fevereiro o samba é aleluia...”

Mas é de Wando mesmo que quero falar e da imagem que ele deixou para a posteridade, que é aquela da sua fase “obscena”, cantando letras que se aproximavam do erotismo e da sedução. Mas não há da minha parte nenhuma crítica quanto a isso, afinal ele somente conseguiu vender mais de um milhão e duzentos mil discos quando ingressou no rol dos românticos, no entanto, o Wando que me marcou não foi o de “Fogo e Paixão” nem o de “Moça” em que se aproximou do gênero brega (com sentimento!).

A saudade que sinto dele é da sua época de sambista, uma fase em que os críticos musicais também não perdoaram. Mas o que é afinal a crítica musical? Para mim é um zero à esquerda porque quem decide do que gosta é o público consumidor de música. Toda liberdade deve ter o povo na escolha dos seus artistas preferidos e a crítica às vezes tem um gosto muito esquisito. Agora, para ser muito sincero, a divulgação da música brasileira em geral, em Pindorama, é que está em petição de miséria desde o fim dos anos 90. Quem merece ser divulgado dificilmente aparece no rádio e na TV. Ainda bem que apareceu a internet!

A primeira música que eu conheci de Wando foi na voz de Jair Rodrigues, gravada em 1971, e que fez muito sucesso no carnaval de 1972: “O Importante É Ser Fevereiro”, que completou nesse carnaval passado 40 anos. É uma composição de Wando e Nilo Amaro, aquele dos “cantores de Ébano”. Aliás, disseram algumas línguas afiadas do meio artístico que Nilo somente entrou nessa parceria porque tinha acesso a Jair Rodrigues, outros artistas e às gravadoras e Wando precisava disso. Se vocês não sabem, ele passou até fome no início da carreira e morou em um hotel de São Paulo sem pagar, na certa com a ajuda de alguma alma bondosa. Não quero entrar no mérito dessa discussão. Apenas acho que ele tinha talento para fazer a música sem parceiro.

Confirmou Jair Rodrigues que em 1971 foi procurado em seu escritório por Nilo Amaro. O líder do grupo “Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano” queria justamente lhe apresentar Wanderley Alves dos Reis que depois se tornou simplesmente Wando. Disse Jair: “ - Ele nem era o Wando ainda. Era o Wanderley. Mostrou suas composições. Gostei, mas falei que, como estava perto do carnaval, queria um sambão, uma coisa mais alegre”. Depois Wando levou “O importante É Ser Fevereiro”, que após ser lançada estourou nas paradas de sucesso na voz do cantor sorriso. Os dois compuseram outro samba famoso: “Se Deus Quiser”. “Gravei outras canções dele, principalmente sambas. Depois Wando achou sua fórmula: o homem das calcinhas. Lamento muito sua morte, mas Deus sabe o que faz”, finalizou Jair Rodrigues.

Lançado em 1973, o primeiro disco (LP) de Wando “Glória a Deus no Céu e Samba na Terra” não dá nenhuma dica que depois de alguns anos o cantor se tornaria um ícone da música romântica brasileira (brega, no dizer dos críticos). Na capa do disco, o cantor mineiro apareceu com um violão e uma vasta cabeleira estilo afro. Nas 14 faixas, Wando cantou sambas exaltando o carnaval,fevereiro, a malandragem e até falou de amores desfeitos, mas de uma maneira que em nada lembraria a “marca registrada” dos seus futuros lançamentos.

Wanderley foi cantar para sua avó que foi a pessoa que lhe colocou esse nome Wando que marcou profundamente o mundo artístico brasileiro. Até hoje não li um só depoimento sobre esse cantor que nos deixou em fevereiro (mês sagrado) que não dissesse que ele era uma pessoa maravilhosa. Ah, se todos fossem iguais a você, Wando!

Fábio (Passadisco) Cabral entrou nessa porque nasceu em fevereiro e ingressou no período de comemoração do seu meio século de vida, festas que acontecerão de fevereiro/2012 a fevereiro do próximo ano. Haja cerveja e convite!

Para escutar “O Importante É Ser Fevereiro”, a primeira composição de Wando, na voz de Jair Rodrigues, clique aqui.

Para ouvir “Deus no Céu e Samba na Terra”, outro sucesso de Wando, na sua própria voz, clique aqui.

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