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HOSPÍCIO É DEUS: literatura e insanidade

Gilberto G. Pereira
Capa do livro de Maura Lopes Cançado (Record, 1979)
1
Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP
1/2/2008 · 127 · 26
 

“Sempre estive à altura do inesperado”
Nietzsche

“Considero-me além de qualquer expectativa”
Maura Lopes Cançado


Pouca gente já ouviu falar de Maura Lopes Cançado. Mesmo entre os leitores assíduos da literatura brasileira, é raro encontrar quem conheça pelo menos um dos dois livros que ela publicou: Hospício é Deus (Diário I) e O sofredor do ver. Passou despercebida pelo público geral, essa escritora que viveu entre a lucidez e a loucura e que encantava os colegas de redação no Jornal do Brasil na década de 60 com histórias divertidas e dramáticas.

Em Hospício é Deus, escrito durante uma de suas internações no hospital psiquiátrico Gustavo Riedel, no Rio de Janeiro, aos 29 anos, ela diz: “Sou um anjo com vocação para demônio”. A frase lapida a essência de Maura, não só pelo que tem de demoníaca, mas também pelo que possui de luz e amplidão. Conforme o subtítulo, o livro foi escrito como se fosse um diário. Nas 20 primeiras páginas, Maura faz um apanhado autobiográfico, da infância até sua ida para o Rio de Janeiro, aos 22 anos. Depois as anotações são marcadas por datas que vão de 25 de outubro de 1959 a 7 de março de 1960.

Ao falar de seu tempo de infância, escreve: “Não creio ter sido uma criança normal, embora não despertasse suspeitas. Encaravam-me como a uma menina caprichosa, mas a verdade é que já era candidata aos hospícios aonde vim parar”. Em suas próprias palavras, a primeira entrada numa casa de loucos foi aos 18 anos, ainda em Minas Gerais, Estado onde nascera em 1930. Nessa mesma época, também tentou o suicídio pela primeira vez, e desde então, até a casa dos 30, sempre freqüentou sanatórios.

Ela define o hospício como “uma cidade triste de uniformes azuis e jalecos brancos”. Num momento de rara sensibilidade e capacidade de olhar ao mesmo tempo ao redor e para dentro de sua própria condição, ela escreve: “O que me assombra na loucura é a distância – os loucos parecem eternos”, e diz mais: “Hospício são flores frias que se colam em nossas cabeças perdidas em escadarias de mármore antigo, subitamente futuro. (...) Hospício é não se sabe o quê, porque Hospício é Deus.”

Hospício é Deus é mais que um diário. O que há de literário nele é pulsante, vivo e muito atual. Hábil na arte de narrar, Maura costura suas conjeturas, conspirações e maluquices no interior do sanatório junto a histórias que evocam lembranças recentes. “Não é, absolutamente, um diário íntimo”, dizia ela, “mas tão apenas o diário de uma hospiciada, sem sentir-se com direito a escrever as enormidades que pensa, suas belezas, suas verdades. Seria verdadeiramente escandaloso meu diário íntimo.”

O tom megalomaníaco em que ela se expressa revela sua loucura, mas também deixa florescer a forte presença de espírito, e é isso que nos faz crer em tudo que está ali. A literatura, antes de mais nada, precisa convencer o leitor. Segundo Assis Brasil, “é bastante curioso, do ponto de vista crítico, saber que um escritor do porte de Maura Lopes Cançado tem um acervo existencial raramente encontrável em escritor brasileiro, sempre apegado a draminhas domésticos ou ligeiras crises passionais. Se seus diários tivessem sido publicados num outro país, teria elevado o nome de Maura Lopes Cançado ao plano literário internacional.”

Seu ‘acervo existencial’ é mesmo raro, e sua capacidade de criar vai além da loucura comum, fazendo observações agudas de si mesma e de seu mundo conturbado. “Existo desmesuradamente, como janela aberta para o sol. Existo com agressividade.” Eis mais uma frase lapidar de Maura, entre muitas que nos encantam, como este outro feixe esclarecedor: “Que emoções escandalosas tenho dentro de mim: é que às vezes tudo ameaça precipitar-se, minto para mim mesma, não sei para onde dirigir estas emoções. Minha consciência da inutilidade de tudo mata-me. Esta incapacidade de sofrer torna-me árida, vazia – (...) invento-me a cada instante.”

A voz dos outros

Esta assertiva coloca a obra de Maura no seu lugar devido, ou seja, no terreno da invenção. Não se trata de um diário realmente, mas de pura ficção. Quando escreve, Maura nos convence de que está falando sobre sua realidade. Mas basta o cotejo com um ou dois textos de quem conviveu com ela no Jornal do Brasil para descobrirmos a profunda montagem inventiva que é sua autobiografia. Ou seja, Maura é uma criação de si mesma, um personagem de sua própria obra.

Entremeando com outros relatos do diário, a autora vai contando uma história de amor platônico entre ela e o vice-diretor do hospital, o Dr. A. Como boa romancista, ela sabia que essa história serviria como fulcro de sua narrativa para a maior parte de seus possíveis leitores.

Em muitas passagens de Hospício é Deus, Maura se diz dotada de uma beleza avassaladora e de uma inteligência rara. No Jornal do Brasil conviveu com grandes nomes, que na época estavam se formando como figurões das artes brasileiras, como Carlos Heitor Cony, Amílcar de Castro, Ferreira Gullar – de quem ela diz “acho-o frio, esquizóide, distante. Creio não gostar dele. Mas gosto” –, Reynaldo Jardim, que prefaciou o livro, Assis Brasil, Mário Faustino, José Guilherme Merquior, entre outros.

De acordo com o jornalista José Louzeiro, que também conheceu a escritora, ela fora casada com um rico empresário mineiro, de quem se separou quando, ao pilotar um teco-teco, caiu sobre uma casa no bairro onde morava. “Feita a perícia, constatou-se que o aparelho não apresentava qualquer defeito mecânico. Maura abriu o jogo: tinha vontade de ver um avião cair e, estando dentro dele, a coisa lhe parecia muito mais empolgante.” O resultado foi o fim do casamento, o ex-marido querendo colocá-la no hospício e os parentes olhando-a com o rabo do olho.

Segundo Louzeiro, num texto que circula na internet, Maura encantava as pessoas com histórias iguais a que foi contada acima. “Sempre que começava a falar de suas aventuras, formava-se a roda de curiosos. Mas quando descobriram que ela misturava alhos com bugalhos, a platéia diminuiu.”

Louzeiro ainda diz que a escritora matou uma colega de hospício, enquanto estava internada, afirmando que a interna estava “impregnada”. Cony também conhece muitas histórias de Maura. Em texto publicado no caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, do dia 15 de junho de 2007, ele lembra alguns desses casos. “Maura me procurou, dizendo que desejava escrever um romance. Tirei o corpo fora, não se ensina ninguém a escrever um romance, um ensaio, uma poesia. Ajudei-a apenas materialmente, dando-lhe uma máquina de escrever. O resultado foi ‘Hospício é Deus’.”

Maura Lopes Cançado tornou-se uma espécie de lenda nos parcos meios literários do Brasil. Além da ficcionalidade a partir da autoconstrução de seu perfil psicológico e físico, percebe-se que até mesmo os relatos de fontes confiáveis, como Cony e Louzeiro, podem entrar para o rol da ficção. Como é o caso do homicídio, cujo número sobe nas contas de Cony, passando de um para dois, e com outra versão. “Em duas de suas crises mais violentas, matou uma enfermeira e um namorado, cumpriu pena em presídios psiquiátricos, foi liberada por parecer de médicos que a examinaram e por juízes que absolveram.”

Apesar da tendência psicopática de Maura, sua literatura fala mais alto. Mesmo porque seus dados biográficos nunca foram apurados e trazem muitas contradições. Pelo menos ninguém se interessou em apurá-los até agora. O ano de sua morte aparece em textos da internet como sendo 1992, 1993 (segundo a edição de abril de 2002 do jornal Estado de Minas, no caderno Feminino & Masculino) e 1997.

Segundo Cony, Maura “morreu há pouco [1997?], esquecida e conformada, aparentemente curada da loucura que a levou a diversas internações em hospícios e clínicas psiquiátricas. Não mais escrevia, não procurava ninguém e por ninguém era procurada, a não ser por seu filho, Cesarion Praxedes, que morreu dois anos atrás.”

Já o jornalista e escritor Pedro Rogério Moreira, na revista Encontro (Março - 2004 - Ano II - nº 25), diz que Maura “morreu em 1993, aos 64 anos, num hospício do Rio.”

Uma possível ascensão

Sua fortuna crítica também é parca, em parte pelo volume de sua obra, o que não é desculpa, porque, mal comparando (chegando a cometer uma heresia), Juan Rulfo escreveu aproximadamente a mesma quantidade de páginas e tem uma fortuna crítica dez vezes maior do que sua própria obra. E em parte pelo desinteresse ou desconhecimento dos estudantes de Letras.

Mas, voltando ao Cony, segundo ele, as dissertações de mestrado sobre a escritora já começam a crescer. “É um fato mais ou menos comum em todas as literaturas: escritores de talento, alguns beirando a genialidade, passam desapercebidos por seus contemporâneos e somente aos poucos vão conquistando espaço entre os estudiosos fatigados de analisar as obras já exaustivamente analisadas pela massa crítica que se forma nas academias, nas editoras e na mídia. Temos alguns exemplos entre nós – e o de Maura me parece o mais recente e emblemático.”

Entre os estudiosos da literatura brasileira, o escritor e crítico literário Nelson de Oliveira é um dos que sempre recomendam Maura Lopes Cançado como importante autora da prosa em língua portuguesa.

No prefácio de Hospício é Deus, Reynaldo Jardim escreve:

“Eis a tranqüila fúria. Ei-la aberta à emoção e ao tédio. Ei-la cantando a ficção real do cotidiano alumbrado. Ei-la, pânico sem susto, desvairando o pensamento claro, assombrando o sonho preciso, limpo e justo do pesadelo em vigília. Calmo sobressalto. Eis o canto mais alto de ser, sendo a um tempo e medo, lúcido punhal e carne transpassada. Eis o que não pode ser amada e se autodevora: flora animal, passiva flor urbana sob o peso da luta, transmutando impotência de vítima em demoníaco cacto flamante, visgo de fogo simulante, granadas no arsenal.”

Jardim diz para termos medo do livro, chamando a atenção para a periculosidade do escrito contra a lucidez dos leitores tranqüilos. Faz isso como isca, é verdade. Em todo caso, o que se vê no livro de Maura Lopes Cançado é uma beleza profunda. O belo assusta, às vezes, por ser demasiado abissal, mas também nos revela muitas verdades. E é o que a autora faz nesta obra.


Frases do diário:

“Considero meu diário simplista. Sou muito mais do que aparento ser neste diário.”

“Estou brincando há muito tempo de inventar, e sou a mais bela invenção que conheço.”

“Chego à conclusão de que o mal é uma dimensão da minha natureza.”

“Qualquer reação, se estamos diante de um analista (ou com pretensões a), é sintomática, reveladora de conflitos íntimos, ponto de partida para as mais variadas interpretações. Em se tratando de simbologia, somos traídos a cada instante (ignoro se sobra algum prazer na vida para estes interpretativos analistas). Jamais expressamos a verdade – que passa por caminhos sinuosos, apenas conhecidos do ‘monstro’ à nossa frente, o analista, único que não se deixa enganar. Em relação ao sexo a coisa é um desastre: lápis, caneta, dedo, nariz, são símbolos fálicos. É irritante: tenho o inocente hábito de estar sempre com um dedo ou lápis na boca. Não compreendo como um simples lápis ----------. Mas o tal de analista compreende. E julga flagrar-nos quando fazemos observações puras e autênticas. Ah, ele sabe que não são autênticas. O tal de analista sabe. Uhhhhhhhhhhhhhh!”

OBS: Hospício é Deus foi publicado pela primeira vez em 1965. Depois teve outras edições. O exemplar utilizado para o presente texto foi editado pela Record em 1979, e, apesar de trazer o subtítulo “Diário I”, o autor deste texto nunca encontrou o possível Diário II. Talvez tenha ficado apenas na intenção da autora.

Site onde se lêem algumas cartas de Maura Lopes Cançado http://www.verabrant.com.br

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Higor Assis
 

Olá Gilberto!

Muito bacana o texto e excelente contribuição para quem não conhece Maura Lopes. Nos escritos de Maura senti muito o reflexo de Clarice Lispector, parece até que são imás, lado-a-lado coladas na idéia, na entrega - sei-la!!!

Higor Assis · São Paulo, SP 29/1/2008 09:24
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Lilly  Freitas
 

A psiquiatria atual decididamente é fashion 3/4 em que pese a metáfora capenga,uma vez que a moda promove releituras,rejeita discursos hegemônicos,dialoga com outras áreas,sustenta anacronismo,enfim, é HIBRIDA.Porque não haveríamos de pleitear a mesma liberdade para uma diciplina médica que é depositária de tamanho cabedal de contribuições oriundas de diferetnes discursos e práticas como é o caso da psiquiatria? - Todo e qualquer recorte teórico, usado de forma doutrinária nesse lugar ,será passível de deduzir,empobrecer, a pertubadora experiência que é estar frente a frente com o outro ser humano. Eu diria : Escute o paciente. Abraços,
Lilly F.

Lilly Freitas · São Paulo, SP 29/1/2008 10:14
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Pssil
 

Excelente artigo. Fico grata por ele ter me possibilitado ouvir falar de Maura Lopes Cançado, apesar do livro já ter sido editado há tanto tempo. Abraços, Silvana

Pssil · Porto Alegre, RS 30/1/2008 14:56
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Joana Eleutério
 

Puxa vida, Gilberto!!
Não acredito que nunca tinha visto falar de Maura Lopes Cançado. Agora vou procurar conhecer. Encantada, claro. Além do mais sou mineira e meio maluca também, apesar de não ter me hospedado ainda em nenhum Hospício. Nem de Deus nem do Diabo.

Amei:

“Existo desmesuradamente, como janela aberta para o sol. Existo com agressividade.”

Parabéns por esse trabalho maravilhoso. Sinto-me presenteada por, mesmo tardiamente, conhecer essa grande mulher e escritora. Grande abraço.

Joana Eleutério · Brasília, DF 30/1/2008 15:34
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Gilberto G. Pereira
 

Oi, pessoal! Obrigado pelas palavras elogiosas! Conforme disse Higo Assis, Maura tem mesmo um quê de Lispector no que escreve, talvez pelo caráter introspectivo, de jogo de espelho. A obra dela está esgotada, mas, para quem deseja encontrá-la, como Pssil e Joana, de vez em quando no Estante Virtual aparece Hospício é Deus. O sofredor do ver, eu nunca vi. Deste, há alguns contos circulando na internet, como no blog http://www.polichinello2004.blogger.com.br
Grande abraço!

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 30/1/2008 18:46
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Lilly  Freitas
 

Gilberto, uma sugestão: Que tal fazermos uma discussão sobre o Tema abordado, além da escritora. Falar da Loucura é falar da vida.
Debatemos esse assunto?? - è de alta priopridade a Ação Social no assunto tangente. Defendo-o diáriamente. Como DIGO SEMPRE : ME ENFRENTE!!!
oBRIGADA POR trazer o assunto e a Divina Escritora.
Até +
Lilly F.

Lilly Freitas · São Paulo, SP 30/1/2008 21:13
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Gilberto G. Pereira
 

Oi, Lilly! Eu acho uma idéia boa. Falar da locura me parece que é tocar em questões como exclusão social, exclusão intelectual, além de abordar patologias, que já não é a minha praia. A mim me parece que o termo loucura é empregado de tantas formas e o senso comum já o abarcou de tal maneira que não se pode levar a palavra muito a sério quando se trata de patologia mesmo. Por exemplo, no caso da Maura, é evidente que ela tinha um problema psicológico, mas isso não significa que ela não pudesse fazer boa literatura, tanto que o fez. Agora, no caso de um debate, a única contribuição que eu poderia dar, e ainda assim muito limitadamente, é falando de arte, especialmente literatura, e loucura (levando ao extremo a acepção da palavra e a abordagem), porque de outro modo eu não teria nem instrução, nem informação.
Quando se fala de loucura, eu penso que há duas divisões básicas: aquela de que falamos com um certo sorriso no rosto e simpatia (no caso da de Maura, para seus contemporâneos não devia ser tão divertido assim, mas, ao que tudo indica havia o lado mais leve da balança, seu momento sociável), em que muitas vezes não se trata de patologia, e aquela que é de situação de risco. Mas, aí já corro o risco de misturar os conceitos, porque, realmente não sei se sofrer psicopatia é ser psicopata, pronto para ser um serial killer, ou se um esquizofrênico é louco ou simplesmente um esquizofrênico, enfim.
Na verdade, minha tangência com a loucura é na literatura, lendo Lima Barreto, Cervantes, Campos de Carvalho, Horácio Quiroga, Freud (e até mesmo incursionando um pouco a psicanálise), Arthur Schnitzler, Antonin Artaud, Foucault, etc.
É isso. Acho que falei demais e não esclarecei muita coisa. Mas se over espaço para um debate sobre o assunto, por favor, acho que você pode dar as cartas, sugerir uma discussão específica.
Como já disse, não entendo da parte mais médica da loucura, enfim.
Abç!

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 30/1/2008 22:48
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Lilly  Freitas
 

Gilberto...vc entendeu perfeitamente o PONTO G da LOucura. Não iremos debater como psicanalistas, ou psiquiatras, mas dar uma amplitude realista ao assunto, onde aborda que, os pensadores,escritores,cientistas, enfim, tudo q tange a Arte, tange a Loucura..Cito aqui um exemplo: Fernando pessoa, em sua maior fase de Criação foi em seus momentos mais depressivos. Mas, não podemos Fechar os sentidos e olhos para tudo q nos cerca, e nisso inclue-se a Loucura, seja SAna ou INsana. Os médicos tem seus pré-conceitos, eu uso Conceitos, e dentre eles a razão, o viver, o existir , o movimento, e o mais amplo sentido a VIDA, e por ela uma multidão . rs....até sorri agora!!! Sabe existe dentro de nós os 2 lados, o branco e o negro...para falarmos claramente. Michel Foucault , é um exemplo. Isso ´so vem a acrescentar e brindar a Obra de maura. Meus escritos acima Valorizam ambos os lados da Escritora.
Abraços,
LIlly F.

Lilly Freitas · São Paulo, SP 30/1/2008 23:01
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Higor Assis
 

A 'loucura' de Maura, talvez fosse creditada neste pensamento de Clarice Lispector: “Meus Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha Máquina é macio. Que é que eu posso escrever ? Como recomeçar a anotar frases ? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.”

Destas entregas quem uma única vida não dão conta...

Higor Assis · São Paulo, SP 31/1/2008 08:12
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Joana Eleutério
 

Pessoal,
Neste asunto tão apaixonante, também não me sinto nenhuma autoridade para contribuir. No entanto, um nome a ser lembrado é o da psiquitra Nise da Silveira. Formou-se me medicina em 1926, única mulher numa turma de 157 homens.
Recusava-se a aplicar eletrochoques nos pacientes e criou "ateliês de pintura e modelagem com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade, revolucionando a Psiquiatria então praticada no país." (Wilkipedia)
Dizia que não se atrevia a definir a loucura e era enfática : "O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceitos."
Ela criou em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente no Rio de Janeiro, que infelizmente ainda não conheço. Um grande abraço pra todos.

Joana Eleutério · Brasília, DF 31/1/2008 09:11
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Gilberto G. Pereira
 

É verdade, Joana. É nesse contexto de arte e loucura que se encontra a obra de Bispo do Rosário, interno do Manicômio Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no Rio de Janeio, que morreu aos 80 anos, em 1989.

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 31/1/2008 09:29
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Higor Assis
 

Gilberto, obrigado pela estima no blog.

Joana, que dica maravilhosa vou deixar anotado na agenda, quando puder ir no rj estarei vendo este museu. Obrigado!

Higor Assis · São Paulo, SP 1/2/2008 09:15
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Saramar
 

Gilberto,muito obrigada.
Eu não conhecia a autora e fique encantada por finalmente tomar contato com sua obra instigante.
Seu textofoi muito ilustrativa, ultrapassando até os limites da resenha.
Gostaria muito de ler o Hospício (haverá edições recentes?).
O prefácio de Reinaldo Jardim é belíssimo.
Obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 1/2/2008 14:05
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Gilberto G. Pereira
 

Obrigado, Saramar!
Hospício é Deus é hoje um livro raro. De vez em quando ele aparece naquele site de sebos Estante Virtual. Se você tiver o hábito de consultar o site e tiver sorte, talvez um dia consiga encontrá-lo. Acho uma pena não haver uma edição recente.
Um abraço!

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 1/2/2008 15:07
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Joana Eleutério
 

Pessoal.
Pelo sobrenome da Maura, eu bem que desconfiava que ela tinha alguma coisa a ver com minha terrra - Bom Despacho/MG. Suspeita confirmada. Vejam isto.
Bom carnaval pra vocês. Usem um pouco da loucura e exorcizem alguns demônios. Grande abraço.

Joana Eleutério · Brasília, DF 1/2/2008 16:36
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Ferry, B. Joe
 

Realmente uma bela colaboração a todos que participam do overmundo teu texto. Ainda sou leigo quando se trata de Maura Lopes Cançado, mas, certamente, vou atrás de seus escritos a partir de agora...
abraços,

Ferry, B. Joe · Teresina, PI 1/2/2008 17:23
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Gilberto G. Pereira
 

Vocês mineiros são mesmo especiais! Sem Drummond e Guimarães Rosa, só para ficar em duas figuras emblemáticas da literatura, na poesia e na prosa, a literatura brasileira seria bem mais pobre. E por falar em Rosa, ele também entendia muito de loucura, né. Sua obra tangencia muito com o outro lado, mais do que isso, com a terceira margem, é o nem lá nem cá, é o demasiado, o extraordinário.
Abração!

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 1/2/2008 17:25
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Frazao my brother
 

"Segundo a definição dos estóicos, a sabedoria consiste em ter a razão por guia; a loucura, pelo contrário, consiste em obedecer às paixões; mas para que a vida dos homens não seja triste e aborrecida Júpiter deu-lhe mais paixão que razão. (Erasmo de Roterdã).
Essa matéria sobre Maura é uma loucura!
Parabéns, Gilberto.

Frazao my brother · Anastácio, MS 1/2/2008 17:26
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Gilberto G. Pereira
 

Obrigado, Frazão! Já que você lembrou bem Erasmo de Roterdã, sobre a loucura ser guiada pelas paixões, também me lembrei de um comentário de Luzilá Gomçalves Ferreira em sua biografia sobre Lou Andreas-Salomé, Humana, Demasiado Humana, segundo o qual Lou, que um dia foi bem próxima de Nietzsche, passou a temer seu incrível pathos, ou seja, a força apaixonada que emanava dele e que ela percebia, como percebia também nas conversas. Veja você, Lou se afastou de Nietzsche bem antes de ele ficar enfermo e não poder mais sair de casa, passando assim dez anos até morrer. Mas veja a questão da loucura, né, essa conduta levada pelas paixões desvairadas, que Lou soube perceber e temer. Há sempre que haver um combustível para o fogo da loucura arder. E sempre há.
Abrç!
Gilberto

Gilberto G. Pereira · São Paulo, SP 1/2/2008 18:01
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Joana Eleutério
 

Pesoal, sendo repetitiva (já disse isto em outras ocasióes), quero dizer que acho muito legal o texto e os textos que váo se construindo através dos comentários. E aqui, este fenömeno está fantástico. LIndo! Parabéns a todos e meu voto pra vocës também. Grande abraço.

Joana Eleutério · Brasília, DF 2/2/2008 14:00
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jujuba
 

Cara, eu estou cada vez me interessando mais em literatura que fale sobre temas como a loucura! Já vou garimpar sebos!

jujuba · Santo André, SP 2/2/2008 16:30
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Higor Assis
 

Gilberto, como sou garoto esperto fui no estante (já sou cadastrado) e comprei o livro. Quando terminar a leitura venho lhe contar...

Abraços cordiais.

Higor Assis · São Paulo, SP 8/2/2008 16:42
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Mel Fortes
 

Olá gente, Gilberto, td bem? Esse tema -loucura- realmente encanta todos nós pela simples razão de ser tratado literariamente com tanta verdade/sensível! Devir ....
Bom! meu interesse maior em Maura Cançado é pq faço mestrado e o meu tema é, exatamente, Mulher/loucura. estou seduzida pelo conto de Guimarães -Primeiras Estórias- Sorôco, sua mãe, sua filha - canto de desatino-. Mãe e filha, sem voz, sem razão, mas com o (en)CANTO.
Preciso de um norte para minha pesquisa. Adorei a história da Maura e queria muito, de repente, fazer jus a essa mulher no meu trabalho, mas temo a falta de material - dificuldade- será? Quem sabe mais aí? como poderia conseguir suporte? ainda ñ resolvi tudo na minha dissertação. Quem sabe?
Obrigada,
Aguardo!

Mel Fortes · Santos Dumont, MG 23/1/2011 11:05
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Joana Eleutério
 

Mel, já leu A QUEDA PARA O ALTO?

Joana Eleutério · Brasília, DF 3/2/2011 12:53
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Mel Fortes
 

Oi, Joana! Td bem?
Não! Ainda não o li! Pq?
Vou logo aceitar a sugestão.
Aliás, tenho que ler muitos livros ainda para o estudo, mas toda sugestão é bem-vinda.
abraços
vlw a dica!
obrigada

Mel Fortes · Santos Dumont, MG 3/2/2011 15:40
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Joana Eleutério
 

Veja também este texto:

Joana Eleutério · Brasília, DF 3/2/2011 17:50
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