Hotel Santa Teresa: mais uma do François

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ABAETÉ MESQUITA · Rio de Janeiro, RJ
12/11/2009 · 2 · 0
 


Sem pejo de não atender às reclamações de seus vizinhos de que maneirasse nos barulhos e festas semanais que faz em seu estabelecimento sem tratamento acústico, François Delort, o dono do Hotel Santa Teresa, resolveu apelar para um juiz para impedir que seus vizinhos fizessem uma ação barulhenta em protesto contra seu descaso com a boa vinhança.

É interessante pensar o que se passa na cabeça desse juiz. Pode fazer manifestação, mas desde que seja silenciosa.

Onde já se viu manifestação silenciosa?

E esse cidadão francês, autor da ação, parece jogar no lixo toda a história de “droit des hommes” tão cara a seu país. Afinal, direito a se manifestar faz parte de uma das cláusulas pétreas dessa magnífica regulação, tão cara às lutas sociais do século XIX, XX e XXI….Este direito continua sendo, de fato, um fator de disputa, dependendo do país, mas o curioso é estarmos em um país dito democrático onde um juiz pode se dar o direito de impedir uma manifestação pública…. ferindo a nossa Constituição….

Bom, digamos que Delort agora colocou sua batata para arder. A vizinhança já o via com enorme desconfiança depois que ele demoliu um dos prédios mais antigos do bairro, reconstruíndo-o com um gabarito maior, ou seja, ocupando muito mais área construída de seus terreno, ferindo a legislação e, ainda por cima, tapando a vista de seus vizinhos.

Conta-se que ele simplesmente não resolve esse problema do barulho porque seu sistema de ar condicionado não funciona bem. Ora, mande consertar! Para quem gastou uma banana para fazer a demolição e reconstrução do hotel, essa parte do ar condicionado e do tratamento acústico não poderia ser deixada como detalhe. A não ser que ele realmente, como de fato demonstra, não dê a mínima para a boa vizinhança. Seu negócio é manter relação com a Coligação de Favelas de Santa Teresa que selecionou para ele os 80 funcionários do Morro dos Prazeres que trabalham no hotel. É uma questão de aritmética. Enquanto a “representativa” Coligação de Favelas defende o direito de seus 80 funcionários, que se lixem os seus vizinhos, menos afeitos às “migalhas” de sua política de “boa ação social”. Que fiquem eles aguentando os barulhos de seus clientes, transmitidos diretamente pelas janelas abertas de seu estabelecimento chique, onde um hamburguer custa R$ 90 reais.

Me dei conta que essa luta curiosa contra o Delort em pleno “Ano da França no Brasil” expressa bem como funciona a nossa sociedade atualmente. Os ricaços fazem alianças com os escroques estrangeiros para desfrutarem do que supostamente é “chique” no mundo, dão migalhas em forma de “projetos pontuais”, estilo ONGs, para as classes populares, fazem o maior marketing disso (sim porque supostamente o Canal Plus francês está fazendo um documentário sobre as “boas ações do Delort”) e a classe média esmagada e politizada(que é este o caso de que se trata), que fique de bico fechado….pare de incomodar!

Por Debora Lerrer
http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/
http://santaditadura.wordpress.com

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