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INDEPENDÊNCIA E MÚSICA!

http://ruidojacknoblog.blogspot.com/
Banda de PequiRock montesclarense Ruído Jack, Grito Rock, em Uberlândia [2008].
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Manuh Morango · Montes Claros, MG
18/2/2008 · 181 · 11
 

A PRODUÇÃO INDEPENDENTE NO NORTE DE MINAS É UMA DAS MAIS TALENTOSAS DO BRASIL.
É TAMBÉM A MAIS COMPLICADA.

Em uma tarde de 1978, o professor Darcy Ribeiro palestrava no auditório da FAMED, antiga faculdade de medicina de Montes Claros, norte de Minas Gerais. Os poucos alunos que assistiam começaram a sair do auditório, embromados, com aquela cara de desânimo, típica dos adolescentes. No final da palestra, um som de viola ressoa nos ares. Os alunos que saíram, atentos à música que vinha de dentro da sala, voltaram correndo para ver o que estava acontecendo. As pessoas que não haviam entrado seguiram atrás. Assim, aconteceu a primeira apresentação do lendário Grupo Agreste. Lendário, no sentido maravilhoso da palavra, claro. O Grupo Agreste, formado por Pedro Boi, Ildeu Braúna, Manoelito, Gútia, Sérgio Damaceno, Zé Chorró e Tom Andrade, foi uma das primeiras bandas independentes de Montes Claros, gravaram dois discos autorais, e tiveram duas de suas músicas (Zumbi e Jaíba) tocando na novela Rosa Baiana, produzida e exibida pela Rede Bandeirantes em 1981. O grupo parou no início dos anos 80, dentre outras coisas, por causa das dificuldades de se produzir música na nossa região.

O cenário musical alternativo dos gerais nunca foi forte. Os artistas passam por situações complicadas até conseguirem gravar um cd, ou serem reconhecidos. Desde os anos 70 até hoje os problemas não mudaram muito. Aliás, não mudaram quase nada. A falta de recursos financeiros, de apoio de entidades públicas e privadas e, tecnicamente, de um público mais numeroso, são os principais fatores que condicionam as bandas independentes ao reconhecimento limitado de algumas poucas tribos ligadas à cena indie. Não que isso seja um aspecto ruim, mas essa situação aumenta as chances de uma banda não dar certo. Para o bem, ou para o mal, certa arte (ou artista) só se constrói e evolui de acordo com a aceitação do público vigente. Em Montes Claros e, lamentavelmente, em todo o norte de minas, a cultura underground (uma contracultura, surgida em meados dos anos 60, para questionar e desmistificar os valores impostos pelos mass media) é extremamente mal valorizada, e isso implica diretamente no bom desempenho dos artistas independentes.

Aqui no extremo norte de Minas, particularmente, há um caso clássico a se pensar: as pessoas não gostam das bandas do cenário indie, ou apenas não as conhecem? Há controvérsias! Os próprios artistas não sabem qual é a melhor resposta. As “novas” bandas, principalmente, acreditam que o que falta é espaço para mostrarem sua arte, e que, por isso, as pessoas não têm chance de escutar. Ou seja, não é que a aceitação do público não existe, é que ela não pode ser vista; mesmo porque, para aceitar (ou deixar de aceitar), é preciso, antes de tudo, conhecer. Pode-se dizer, a partir disso, que o desenvolvimento de uma cultura autoral (entende-se uma cultura musical que ultrapasse o simples cover) não depende apenas dos artistas e do público, depende do espaço; em outras palavras: apoio.

Como uma contra-proposta às culturas de massa, surge gradativamente em Minas Gerais um cenário alternativo independente disposto a mostrar uma estética cultural diferente da que o público está acostumado a ver e ouvir. O único problema é que nem todas as bandas estão dispostas a seguir a via-sacra da produção autoral, logrado de uma melhor qualidade e singularidade dos trabalhos. A produção independente é árdua, requer sacrifícios físicos, psicológicos e, sem dúvida, financeiros. É por isso que, dentre as dezenas de artistas que existem, a maioria prefere seguir o caminho mais fácil e se entregam à “cultura cover”, fomentando, assim, a alienação do público.

Essa história do cenário indie ter se fortificado não é conto-do-vigário. O fato é que os artistas, hoje, estão correndo atrás do reconhecimento, e as pessoas começaram a acreditar que há muito mais a ser conhecido além das músicas importadas das grandes capitais e, como é o nosso forte, dos ritmos da bahia. Esse é o ponto positivo. O negativo é que, mesmo sofrendo pequenas evoluções, a música autoral ainda não é comercializada, e isso diminui as chances de apoio e produção de novos projetos.
De 1970 a 2000, diversas bandas apareceram e desaparecem em Montes Claros com facilidade. Brucutus, Animal Core, Solução Suicida e Sickness foram as mais conhecidas naquela época. Hoje existem bandas de qualidade que, inclusive, já conseguiram gravar cds demos e estão correndo atrás de espaço para mostrarem do que são capazes. Umeazero, Vomer, Bruno e Fabiana, Exorcista, River Raiders, Feeble, Maracutaia S.A. e Ruído Jack (que acabou de participar do Grito Rock em Uberlândia), são exemplos de bandas do cenário independente atual, que produzem trabalhos autorais, já gravaram cds, participam de festivais e tentam, a todo custo, expandir a cultura indie no norte de Minas. Por falta de apoio financeiro a Internet se tornou a principal ferramenta de divulgação dos seus trabalhos. Blogs, Orkut, My Space e vários sites de hospedagem gratuita facilitam a distribuição e propagação das músicas e clipes, de uma forma pouco dispendiosa.

O que não se pode negar, no fim das contas, é que o pouco público que existe leva a sério o trabalho desenvolvido por esses artistas. São pessoas realmente interessadas que entendem o real valor das músicas autorais. O problema disso é que o público e os locais onde ocorrem os chamados “eventos underground” são limitados, isso faz com que as mesmas pessoas freqüentem sempre os mesmos lugares. Mais uma errônea forma de se dividir as “tribos”, criando barreiras para a expansão de novas culturas e artistas. Sempre que festivais independentes são realizados, por iniciativa de algumas bandas que se unem ou qualquer outro grupo ligado à cultura regional, a quantidade de pessoas que comparecem é muito pequena.

Os norte-mineiros ainda estão bitolados, aceitam facilmente só o que já é vendido pelos grandes veículos de comunicação. Quando existe um mercado paralelo, logo surgem rótulos e estereótipos. O caso mais conhecido é o do Rock. O Rock’n Roll veio para o Brasil na década de 1950, e no final dos anos 1970 surgiu, em Montes Claros, uma banda de punk rock chamada LEPRA. O movimento não conseguiu se expandir e, no final dos anos 1980, o rock regional praticamente já havia desaparecido. E quando tudo parecia perdido para o cenário indie (que na época era conhecido apenas como independente), surgem, em 1995, as bandas grunge. Foi uma época marcada por ótimas bandas cover, e poucas com trabalhos autorais. Uma das primeiras bandas desse novo movimento cult-musical foi a banda Insanity. Dentre as bandas que surgiram nos primórdios do rock montesclarense, a FÚRIA é um exemplo de que as dificuldades nem sempre são o bastante para estacionar. A banda está ativa até hoje e tem trabalhos autorais gravados.

Um dos primeiros coletivos organizados a favor do rock e, conseqüentemente, dos músicos independentes foi a Associação do Rock de Montes Claros e Região (A.R.M.C.R.), fundada em 28 de agosto de 2006. “É uma Associação Cultural sem fins lucrativos que tem como objetivo fomentar os aspectos sócio-músico-culturais do segmento do rock na cidade de Montes Claros e em todo o estado de Minas Gerais; assessorando bandas, músicos e seus associados de um modo geral, ligados ao mundo artístico. Tive essa idéia ao vivenciar uma total falta de organização e a exploração das nossas cultura e arte por parte de terceiros, pessoas que só se aproximavam e promoviam eventos em busca de lucro” [Fred Sapulia – idealizador da A.R.M.C.R.]. No segundo semestre de 2007 também começaram a ser desenvolvidos os primeiros projetos do Coletivo Retomada, que nasceu a partir de um encontro com os organizadores do Espaço Cubo, que hoje é um dos maiores grupos organizados ligados ao apoio do cenário independente nacional. Com o aumento do número de bandas e artistas, quem sabe o número de coletivos e associações aumente e se multiplique o público ativo da música independente em nossa região? Força de vontade e talento com certeza não são o tempero que falta. O que será então? Acredita-se que tudo não passa de falta de organização, por mais incrível que pareça. Em Montes Claros, Iniciativas como a da Associação, do Coletivo Retomada, do webzine Pirata e do impresso UHU! fanzine são louváveis, mas não conseguem mudar uma realidade enraizada como a dos gerais. Não sozinhos. “Fazemos o nosso trabalho com muito esforço, porque não temos apoio financeiro e, é triste ter que dizer isso, mas esse é o tipo de apoio que faz falta hoje. Continuamos torcendo e ajudando os artistas, as bandas e as associações, mesmo sabendo que as dificuldades não serão apagadas, simplesmente, de um dia para o outro. É claro que temos artistas maravilhosos, que merecem o reconhecimento, merecem palmas. Mas o que a maioria deles precisa entender é que não se faz uma mudança dessa sozinho. Mudar uma cultura vigente, como é o caso da cultura cover e baiana em Montes Claros, requer organização, atitude e, acima de tudo, requer que saibamos unir forças para agirmos juntos! Como seres pensantes! E não ficar cada um correndo para o seu lado, tentando fazer e acontecer!” [editoria do UHU! fanzine]. E que os anjos digam amém!

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Saulo Frauches
 

Muito interessante seu relato, Manuh. Legal não ter se limitado ao resgate histórico e ter trazido a conversa pro presente.

Da discussão toda, fiquei na dúvida: o único foco de produção musical realmente organizado hoje em dia está ligado ao rock, não é? E como estão outros ritmos e propostas musicais nessa história?

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 15/2/2008 17:06
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Manuh Morango
 

Aloha Saulo,
Obrigada pela opinião. Oficialmente, aqui na cidade, só existe uma associação organizada ligada à música: a A.R.M.C.R.. Existe também o Coletivo Retomada (que, devido a problemas internos, me parece, não chega ao fim do ano de 2008). Mas o coletivo também enfoca, de certa forma, o rock. O fanzine UHU! (do qual sou fundadora e editora) engloba outros estilos, dando enfoque à música experimental. Mas o UHU! não publica apenas matérias musicais; é cultura diversa: música, teatro, cinema, dança...

Espero que tenha respondido a sua pergunta!

=)

Manuh Morango · Montes Claros, MG 16/2/2008 09:32
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Helena Aragão
 

Manuh, também adorei seu histórico sobre o rock de Montes Claros. Por mais que os movimentos, associações e fanzines ainda não tenham conseguido mudar a situação, acredito que este é o caminho mais certo em busca de uma reviravolta. É a longo prazo mesmo. Só de ler um relato como esse, tão detalhado e ligado nos detalhes da música da cidade, dá pra perceber que há gente se importando em buscar novos rumos. Com o contato com o Espaço Cubo e outros bons "agregadores" culturais independentes, só posso concluir que vocês estão no caminho certo. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 18/2/2008 13:32
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Alê Barreto
 

Manuh, parabéns pelo seu texto. Você está aprendendo. A reflexão sobre a sustentabilidade é fundamental. Não descuidem disso. Criem maneiras de viabilizar o sustento de vocês e após isso maneiras de financiar a continuidade do sonho de vocês.

Espero conhecer sua cidade. Parabéns!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/2/2008 01:08
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Manuh Morango
 

Obrigada Helena e Alê.. É bom saber, através da opinião de pessoas mais experientes no assunto, que, apesar das inúmeras dificuldades, vale à pena continuar correndo atrás do fomento musical aqui no sertão.

Espero que possam conhecer nossa cidade e nossas bandas!!

=)

Manuh Morango · Montes Claros, MG 19/2/2008 09:31
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Chico Santos
 

REALMENTE MUITO BACANA...PARABÉNS PELA INICIATIVA MANUH(posso te chamar assim?) E MUITO OBRIGADO PELO APOIO...ALÉM DE DIZER A VERDADE ESSE HISTÓRICO SERVIU MUITO PRA MIM, APRENDI SOBRE AS RAÍZES DA MÚSICA EM MONTES CLAROS. ATITUDES COMO ESSA JUNTAMENTE COM NOSSA SATISFAÇÃO PESSOAL FORMAM O COMBUSTÍVEL PRA QUE AGENTE NÃO PARE DE CORRER ATRÁS E CONTINUE TENTANDO DIVERSIFICAR A CULTURA OU AO MENOS CRIAR ESPAÇO PARA DESENVOLVERMOS A NOSSA!

Chico Santos · Montes Claros, MG 26/2/2008 11:30
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Manoel Alves
 

De Manu para Manu

Minha cara Manu, meu nome é Manoel Alves, tenho 39 anos, sou professor de inglês formado pela Unimontes e nas (poucas) horas vagas, sou baixista da banda COVER Sabbothage.
Quero começar meu comentário elogiando sua narrativa. Um texto muito bem escrito e historicamente coeso. Acredito que poucas pessoas definiram a cultura alternativa (ou underground, ou indie, como vocês queiram rotular) de Montes Claros tão bem.
Mas o seu texto também me alertou muito. Nunca imaginei que o som que nós fazemos com tanta dedicação, há mais de sete anos era alienador. Nunca imaginei que tocar as músicas que tanto gostamos (temos o direito de gostar delas, né?) estão contribuindo pra destruir a cena alternativa de Montes Claros. Pra te falar a verdade, quando fazemos releituras de músicas, estudamos os arranjos e as harmonias, quando quebramos a cabeça pra entender porque tal banda usou determinada escala em detrimento a outra, exatamente naquele trecho da música, nunca imaginei que estávamos optando pelo caminho mais fácil... Sem falar que pesquisamos a história da banda, sua formação, suas influências, o contexto histórico quando a música foi composta. E tudo isso é escolher o fácil...
Aliás, na semana passada, centenas de pessoas foram alienadas pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, (inclusive eu) em plena Praça de Esportes quando a referida orquestra não tocou músicas próprias, optando pelas músicas “mais fáceis” como Strauss e Liszt.
E ainda tenho que lembrar de um cara que eu respeito muito, e é meu amigo, o Ageu Marques da banda COVER dos Beatles Hocus Pocus, que pra nosso orgulho, já foi considerada a melhor banda cover dos meninos de Liverpool do mundo...
Os meninos da Star Promoções, a galera da Gêmeos Produções são profissionais, e independente do tipo de evento que fazem, respeitam muito o público e as bandas com as quais eles trabalham.
Fiquei muito triste ao ver que um texto tão bem elaborado se mostra preconceituoso quando chama o público que nós tanto respeitamos de tolo. Fiquei triste também com o fato de não termos o direito de tocar o que queremos e do jeito que bem entendemos. Será que para salvar a cidade teremos que compor? Será que teremos que abrir mão de nosso direito de "fazer o que der na telha" para que o público se torne mais inteligente?
Vou te falar com toda sinceridade: O público vai a todos os eventos procurando diversão, satisfação, e principalmente qualidade. Sabe, nós conhecemos toda a galera que faz trabalho autoral, como o Chikin (meu chegado, abraço!) da Umeazero, César Negão, o Thiago da Calm Scream, Aírton e Clayton da Vômer, respeitamos muito o trabalho deles e damos a maior força. E quer saber? Eles nos respeitam muito também, pois todos nós sabemos a dor e a delícia de tocar rock (cover ou "indie") e duvido que eles concordem que a galera que vai aos shows é alienada. Aliás, provavelmente você, Manu, nem foi ao último show na garagem que estava cheio de pessoas para ouvir bandas de trabalho autoral tocar Led Zeppelin. Só a gente era banda 100% cover no show, e mesmo com todos os problemas que acontecem em todos os shows, todo mundo se divertiu e gostou do evento. Acho muito bom defender o trabalho autoral, a "des"alienação do público, mas acho que antes de mais nada, o respeito às bandas, e ao público é fundamental.
Existe público para o Axé, para o Sertanejo, para o Hip-hop e por quê o publico do rock tem que se dividir? Antigamente, (você era muito jovem e não era jornalista na época) as próprias bandas que você citou eram super unidas, compartilhavam equipamentos, shows, se uniam pra trabalhar, sem preconceito se fulano era cover ou não. Tenho certeza que o pessoal da associação entende bem o que eu estou dizendo e que não concordam com algumas coisas que você citou no seu texto.
Nós somos cover porque escolhemos ser cover (deve ser porque é fácil tocar Deep Purple, né, Manu?) e por enquanto, não deixaremos de ser. E o pessoal vai aos nossos shows, justamente porque em primeiro lugar, respeitamos todos, tocamos com muito profissionalismo e coração.
Mas por favor, não pense que esse texto é uma negação ao trabalho da associação. Pelo contrário, estamos sempre apoiando os eventos que eles produzem, trocando idéias, dando apoio para que a associação cresça cada vez mais e mostre à todos que a cultura underground é séria, responsável e profissional, além de rica em diversidade de gêneros e manifestações. E por isso mesmo, nunca vamos deixar de tocar o que queremos tocar. Liberdade é a primeira bandeira do rock. Ou por sermos COVER o som que tocamos deixa de ser rock?
De qualquer forma, espero que publiquem esse texto, pois sei que a associação é democrática e respeita a opinião de todos, e que quem dá sua opinião sobre um assunto, deve estar pronto pra ouvir a opinião dos outros também.

Manoel Alves · Montes Claros, MG 20/4/2008 12:36
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Manoel Alves
 

Não se ofenda com meu comentário. Espero que entenda que eu estou apenas defendendo meu direito de livre pensar, e gostaria que você analisasse bem o que eu acabei de escrever.

Beijos e novamente parabéns pelo texto.

Manoel Alves

Manoel Alves · Montes Claros, MG 20/4/2008 12:37
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Manuh Morango
 

É claro que eu não me ofenderia com o seu comentário, caro Manoel. E sinto imensa gratidão pelo tempo gasto na leitura e eventuais críticas feitas ao meu texto.
Tenho algumas explicações a dar... (como jornalistas, nos esquecemos como as palavras podem ser entendidas de diferentes formas). Primeiro, eu não pretendi, de forma alguma, enaltecer a música "indie" em detrimento da arte "cover". Em certo momento, no texto, até cito uma época em que o cover estava 'em alta' em Montes Claros:

"(...) E quando tudo parecia perdido para o cenário indie (que na época era conhecido apenas como independente), surgem, em 1995, as bandas grunge. Foi uma época marcada por ótimas bandas cover, e poucas com trabalhos autorais. (...)".

Nem sempre o "indie" não pode ser considerado "cover", se é que você me entende. Indie não é só "independência musical", é mais um estilo, quase uma ideologia arraigada à arte (se é que você me entende).

Posso ter generalizado (errar é humano?), mas quando eu disse que o cover aliena, eu supunha ter deixado claro que: primeiro, a mídia impõe artistas, músicas, bandas (em sua maioria de qualidade discutível) que, como se não bastasse escutarmos o dia inteiro através dos mass média, ainda somos obrigados a ver as bandas da região "copiando". Veja bem, essa parte é importante: "copiando". E "copiando" o que é ruim.

Já ouvi cover dos beatles, led, ramones, pink e iron... Todos maravilhosos! Se digo que o cover aliena, é porque não considero (e admito que prezo o jornalismo opinativo mais que qualquer outro) esse tipo de produção um "simples cover", como eu mesma já havia citado no texto.

Se não me expressei da melhor maneira possível, me desculpem! Me desculpem as bandas que fazem um trabalho "cover" bacana, de qualidade. Acho, entretanto, que eu não argumentei tão mal assim, a ponto de distorcerem completamente as minhas críticas. Mesmo porque, o fato da banda Seu Stylinga ter sido a primeira capa da nossa revista (UHU! fanzine), antes mesmo que começarem a tocar as autorais, deve significar alguma coisa (não é mesmo, Manoel?).

E por último... Não! Não acredito que tocar Deep Purple seja fácil. Como não acredito que ser DJ é fácil, que compor é fácil, que fazer arte é fácil! Releituras são árduas, você acredita que aquilo é bom, vai atrás, mostra que sabe entender o que o cara quis passar pro público naquela época, naquela melodia... Eu acredito no "cover artístico", não acredito no "cara-de-pau".

Manuh Morango · Montes Claros, MG 6/5/2008 09:40
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ANIBAL BEÇA
 

Manuh querida, acho que a situação que vc. relata, diga-se, muito bem fundamentada, é extensiva a todo o Brasil. Eu que faço parte do Outro Brasil, que não circula no eixo-Globeleza-Rio-Sampa, pelas minhas andanças só vi chororô. Não só dos roqueiros, mas os da MPB, instrumental e do cover artístico também. Por que não? Meu filho tem uma banda de nome JUCKBOX e eu vejo como a turma ensaia. Também tenho um pé na música popular, faço letras e música, já tive um quarteto vocal nos idos de 70.O que eu realmente acho, já passado na 'casca do alho', é que temos que saber dialogar com essa nossa sociedade capitalista neo-liberal com o mesmo liquidificador com que eles nos espremem. Aí sim, poderemos servir o suco da tribo.Aí em Minas, ao que eu saiba, existem muitas fundações particulares que investem em arte. Sei de duas: Camargo Corêa e a Andrade Gutierrez. Tenho oferecido no Conselho de Cultura, oficinas de empreendedorismo e confecção de projetos. Mas, infelizmente a moçada que mais lamenta não está nem aí...nem seu Souza... É isso. Mas seu relato espicaça para que debatamos o assunto. Fui.


Um cheiro da floresta

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 6/5/2008 13:46
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Manoel Alves
 

Oi, minha cara Manuh.
Fiquei muito feliz com sua resposta.
Tá vendo como aquela velha máxima do "conversando é que se entende" realmente funciona?

Antes de mais nada, acho necessário te contextualizar: Vi seu texto pela primeira vez no blog da A.R.M.C.R. e postei lá um comentário. Como não tive sequer uma resposta deles e o encontrei aqui no Overmundo, postei de novo o mesmo comentário.

Seu texto foi pra gente (pra banda) um gatilho que desencadeou a percepção de algo que nós - por acreditarmos no associativismo e na união das minorias pra ganhar força - teimávamos em não enxergar. Tudo ficou muito claro pra nós agora. A oportunidade de criar esse debate foi construtivo para a banda e com certeza para você como profissional das palavras.

Eu me lembro que conversamos há algum tempo no Festival da Santo Agostinho e senti bons fluidos em você (e não costumo errar nessas sensações) e tanto seu texto inicial como sua resposta me mostraram isso. Eu também me amarro no jornalismo opinativo, inclusive minhas publicações preferidas seguem essa linha, como a revista Trip, que em minha opinião é a melhor do país.

Acreditamos muito no nosso “trabalho”, e fazemos tudo com muito amor e dedicação. Usei as aspas por que nunca tivemos pretensões de ser músicos profissionais, embora nossa tecladista seja musicista e lecione no Conservatório Lorenzo Fernandez e seja no fim das contas, uma profissional da música. Todos nós temos nossas profissões e a banda é pra gente uma diversão, uma fonte de prazer. A sensação de ver o público agitando não tem como descrever em palavras. Isso sem falar no orgulho de saber que muita gente conheceu trabalhos legais de bandas importantes do mundo do rock em nossos shows, pois nunca nos prendemos a tocar só as músicas "conhecidas".

Penso que para uma cena underground crescer é preciso existir respeito mútuo, cooperação e nunca distinção entre suas manifestações. E o que vejo aqui na nossa cidade é exatamente o contrário. Mas não vai ser por isso que vamos deixar de lutar pelo que acreditamos.

Você a cada dia (e a cada texto) está se tornando uma profissional mais completa.

Parabéns minha cara, e um grande abraço.
Manoel Alves

Manoel Alves · Montes Claros, MG 10/5/2008 11:20
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