Ingenuidade marginal

Marcelo Camelo
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Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ
3/2/2007 · 282 · 18
 

Copacabana está em festa. Os fogos já foram e os primeiros shows do ano começaram. Daqui, o olhar é para o alto. Um cara grande está em cima de uma cadeira. Câmera em uma mão só, ele estica o corpo todo e fica na ponta dos pés. Gira o tronco para frente e para trás, a fim de registrar o que acontece no palco e – também – a reação da platéia. O cara não olha para o visor quando filma, é o que chama primeiro a atenção. Parece confiar no olhar do olho (e não da lente) para enquadrar banda e público. O cara olha para baixo, olha para cá. Abre um sorriso, estica a câmera em direção à areia e pergunta: “E aí, quer filmar também?”.

Confiar a câmera a um desconhecido foi o primeiro gesto de Nilsão que vi. O desconhecido no caso era eu. Nilsão filmava já há algum tempo (é o que vim a saber depois) os shows da turnê dos Los Hermanos, banda cujo vocalista – Marcelo Camelo – é meu irmão, como o sobrenome não permitiria omitir. Portanto, o movimento de me oferecer a câmera não era assim tão perigoso e eu, bem ou mal, não era um completo estranho. Mas Nilsão, naquele já distante 2004, não sabia daquele elo entre a gente. Muito menos eu. E foi por não saber que, provavelmente, ganhei assim, de cara, tanta simpatia por ele.

Após aquela noite de conversa sobre tudo e qualquer coisa (mas também sobre o interesse comum por cinema), Nilsão me chamou para ajudá-lo no roteiro e na edição das tantas imagens que registrara da banda. Cheguei a assistir a uma parte do material bruto, mas, por completa falta de organização, acabei não dando continuidade ao projeto. O caso é que o documentário “Ventura” acabou sendo editado e já foi exibido em algumas capitais do país, sobretudo em cineclubes. Vi “Ventura” e me impressionei. Nilsão optou por entrevistar os fãs da banda em conversas improvisadas, muitas vezes em imagens fora de foco, toscas mesmo. A banda é o segundo plano do filme, e só aparece para dar ainda mais vida aos fãs (e não o inverso, como o óbvio sugeriria). O filme pulsa sinceridade de um jeito estranho, e se vale - de algum modo (que honestamente tenho dificuldade de explicar) - da total falta de comprometimento formal e clássico que Nilsão estabelece com as imagens.

***

“Mas quem é Nilsão!?”

Nilsão é Nilson Primitivo, Primitivo Gonzales ou só Nilson mesmo. Começou a se envolver com o audiovisual apenas aos 27 anos. Hoje, com 40, é considerado um dos maiores realizadores independentes do país. Independente, alternativo, marginal... são muitos os rótulos que já foram atribuídos a Nilsão. A maioria por conta dos seus métodos de filmagem e montagem não-convencionais, que vão desde a revelação de negativos em uma banheira à montagem do filme na própria câmera. Isso mesmo, Nilsão não revela os negativos em laboratório e, muito menos, monta o filme em alguma ilha digital:

- Comecei com a banheira. Depois evoluí prum tupperware. Fiz assim porque é muito caro mesmo. Os negativos também são todos dados. Eu acabo gastando muito pouco. Para ter uma cópia do filme, eu pego carona em alguma telecinagem de algum filme de amigo, ou filmo direto da parede mesmo – explica Nilsão, em uma conversa adiada por meses, mas que finalmente aconteceu semana passada.

Mas e para editar, como é essa história de editar na câmera?

- Eu filmo montando. O que aparecer apareceu, cara. Até porque o mais legal disso é que é quase um jogo, entendeu Thiago? É meio para ver o que acontece. É lógico que eu sei o que eu gosto, a gente conversa antes do figurino e de coisas que me interessam, mas sempre sai muito diferente, e eu já fico prevendo esse diferente. De ficar com cor, de ficar um lado mais revelado que o outro. Dar uns fades nuns lugares que eu não estava prevendo. E eu assumo tudo.

Os filmes de Nilsão também são conhecidos pelas colagens de áudio e pela ausência de som direto. Os atores muitas vezes dublam uma fala ou – em momentos mais radicais (que não são poucos) – interpretam algum poema ou frase que Nilsão lhes pede para ler. Tudo isso é “jogado” na pista de áudio e ajuda a emprestar sentido nos propositalmente obtusos filmes do cineasta. O modo como ele lida com o som talvez seja uma das grandes marcas das suas obras. Segundo o que diz, muitas vezes, a motivação de rodar um filme vem de ter ouvido a música de algum amigo:

- Eu tenho uns amigos que fazem música instrumental completamente fora do mercado e que acho interessantíssimas, muito convergentes com o que eu quero dizer.

Mas, assistindo aos seus filmes, não é tão fácil entender o que se vê na tela - aquilo que Nilsão quer dizer. Ele mesmo parece saber disso. Neste documentário / entrevista dirigido por Christian Caselli (outro famoso cineasta independente, alternativo, marginal...), o próprio Nilsão afirma enxergar uma linha tênue que divide a inteligibilidade das suas obras. Já dentro da nossa conversa, ele diz:

- Eu gosto de assumir essa dificuldade. Acho que, a partir do momento em que tu assume sua fraqueza, você acaba transcendendo ela. Você não fica resistindo à própria fragilidade. Agora, por outro lado, não deixa de ser uma técnica também.

Nilsão realmente parece ter a consciência de que dificultar a compreensão da narração (porque há sim um enredo em seus filmes) é uma técnica. Não raro, é possível ouvi-lo falar sobre alcançar o impossível, de sonhos, de loucura, de Porto dos balões (“Mas balão não tem porto!”), daquilo que não se pode ver. Ou, ainda, divagar sobre ligações de coisas que – em princípio – não combinam, como, por exemplo, o áudio e a imagem de seus filmes.

- Gosto do insight. Quando junta lé com cré. No fundo, cara, eu mesmo não faço nada. Eu pego um verso que eu gostei, um ator que fala bem. O cara fala o verso que eu gostei. Vou juntando uma coisa com a outra. Não tem nada meu original. Não tem nenhuma frase saída da minha cabeça. Não vem de dentro para fora, vem de fora para dentro, entendeu?

Antropofagismo dadaísta

Numa espécie de mistura de poesia dadaísta com antropofagismo modernista, Nilsão parece ser uma esponja, que absorve, digere, corta e cola aquilo que ouve na rua.

- Outro dia eu escutei um rabicho de conversa. Depois, escutei um rabicho de áudio no rádio. E eu formei uma frase que tem um verso lindo. “Atravessando o deserto dos caminhos, um grito abandonou meu peito", sacou? E não era nada disso. Fui eu que achei, "ih, isso parece não sei o quê, isso parece não sei o que lá...". De uma certa maneira fui eu que fiz, mas não fui eu que fiz, sacou? Não tive uma idéia e falei assim, “vou escrever uma frase genial”. Eu escutei meio errado. Achei, "atravessando o deserto dos caminhos...”, mas era outra coisa. Era atravessando “outra coisa” dos caminhos. E depois, "um grito abandonou meu peito". Eu pensei, "porra, é lindo!".

Os olhos brilhando por trás das hastes pretas de lentes grossas dos óculos e a singeleza com que fala “porra, é lindo!” contrastam bastante com o que faria sugerir aquela figura de quase 1,90m, barba por fazer e cabelo despenteado. “Faria sugerir” já é uma fala sob um viés estereotipado e é de fato reconfortante que Nilsão consiga quebrar isso logo num primeiro contato. Depois de muito pouco tempo, mesmo as tantas tatuagens desbotadas (ele mesmo tatua em si próprio algumas) não fazem mais imagem prévia. Ao contrário, começa-se a entender melhor os dizeres de algumas delas, como o “Sonhador” cravado em forma de garrancho em seu antebraço. Sonho que ele mesmo não sabe definir com o quê. Mas o cinema parece o ajudar a descobrir:

- Encontrar o cinema, mesmo que tardiamente, me deixou fascinado. Pensei, “por aqui eu consigo me comunicar, expressar um pouco o que eu estou sentindo”. Senão você fica só recebendo informação, né cara? Se você só recebe e não transmite, você fica sem a sua liberdade, né cara? Você fica só levando. Assim, pelo menos, você devolve um pouco.

Zé do Caixão em 16mm

Nilsão não gosta de filmar em digital, e cita Amilcar de Castro como exemplo:

- Perguntaram para ele por que não fazer as esculturas em alumínio, que é muito mais fácil. Ele fazia tudo em ferro, uns monólitos maravilhosos. Ele respondeu assim, "porque o alumínio não tem caráter". É um pouco isso, sabe? Ou pelo menos, o digital não tem o caráter que eu quero, sacou?

É por isso que Nilsão filma a maioria dos seus filmes com uma Bolex 16mm (emprestada) da época da 2º Guerra Mundial - “um Fusquinha 56, uma coisa de relojoeiro”, segundo ele. Foi se valendo da sua preciosidade que Nilsão ligou para Paulo Sacramento, produtor do novo longa de José Mojica – o Zé do Caixão –, e pediu para participar das filmagens:

- Soube pelo jornal que estavam produzindo o filme do Zé do Caixão. Para mim, como Griffith, Orson Welles, Chaplin, ele é um dos fundamentos do cinema. Eu tinha um rolinho só de Bolex, três minutos. Liguei para o Paulo e me convidei para participar das filmagens. “Primeira cena do Zé do Caixão depois de 20 anos, eu vou lá e filmo”, pensei. Mas daí eles me arrumaram mais negativos, uns sete ou oito rolos. O Paulo me disse que o orçamento estava todo fechado, que eu não tinha como ganhar nada. Mas tudo bem, né? Ele disse que pode usar as minhas imagens como making of do DVD oficial, uma coisa dessas. E eu também pretendo fazer um filme próprio com as imagens que fiz.

Se tudo seguir como programado, "A Encarnação do Demônio” deve sair no segundo semestre deste ano. Um filme carregado de expectativa, pois fecha a trilogia idealizada por Mojica e iniciada, em 1964, com “À meia-noite levarei sua alma”. Além disso, o longa ainda traz as últimas cenas rodadas por Jece Valadão, que faleceu durante as filmagens. Para Nilsão, a espera ainda parece ser maior. Por quê? Quem explica agora não é ele, e sim o filho de José Mojica, Crounel Marins, em diário de bordo à época da gravação:

Foi proposta uma seqüência que necessitava de apenas mais um ator, que interpretaria o prisioneiro tatuado morto por Zé do Caixão e que vem assombrar o funerário. Tentamos contatar o ator já escolhido para o papel, mas, não foi possível. De repente, o Paulo teve uma daquelas idéias que só a pressão faz surgir. Lembrando que neste filme contamos, por vários dias, com a presença do cineasta experimental Nilson Primitivo, que tomou imagens em 16mm para um documentário, resolveu convidá-lo às pressas para o papel. Ele era imponente, quase 1,90m, e tinha muitas tatuagens pelo corpo. Mas, como chegar para alguém numa noite de sábado chuvosa e propor algo como: “Você quer filmar hoje com o Zé do Caixão? Teremos apenas que pintar seu corpo inteiro, usar uma maquiagem que só sairá totalmente em alguns dias, deixá-lo careca e trancá-lo por algum tempo em um caixão.”.

Foi mais ou menos desta forma que o Sacramento abordou o Nilson pelo celular. A resposta, imediata, foi antológica: “E eu tenho que pagar quanto?”. Tínhamos o nosso ator, sem preparação especial para a cena, mas, com a disposição de um jogador de futebol que, do nada, tivesse tido uma chance para jogar a final da Copa do Mundo.


***

Gosto, presente, passado e dinheiro

Nilsão não gosta de quase nada que vê atualmente no cinema. Ele combate ferrenhamente a forma atual dos filmes e a falta de disposição dos cineastas em pensar sobre aquilo que estão enquadrando. Acha a maioria das imagens um híbrido de TV com esporte radical. Sempre quando começa a falar mal de alguma obra, porém, dá um corte em si próprio, comentando que é muito leviano julgar quem não conhece. Nesse momento, ele parece começar a fazer um outro movimento, o de olhar para trás com igual senso crítico.

- Tem uns discursos da década de 70 que nêgo fica querendo resgatar que não tem mais nada a ver, o cinema como formação da subjetividade, como queria o pessoal da Nouvelle Vague, querendo mudar o mundo pelo cinema... Aquilo era uma coisa diferente, porque o cinema era a televisão do planeta, era o YouTube. Hoje em dia não é mais, não tem tanto poder. Tem ainda o cinema americano, né cara? Mas tudo é tão louco, né? Na Praça da República vendem sete DVDs a R$ 10,00. Tudo lançamento. Não saiu aqui no Brasil ainda. É muito barato. E é claro que eu acho isso tudo ótimo - comenta o cineasta que, embora santista, morou no Rio boa parte de sua vida e, há apenas um ano, mudou-se para a cidade de São Paulo.

O curioso é que Nilsão se utiliza muito pouco dessas novas tecnologias que - de certo modo - enaltece. Ele mal tem os seus filmes convertidos em DVD e, por só gostar de filmar em película, faz pouco uso das facilidades de produzir em digital. Quando chega a este ponto, a conversa acaba levando à pergunta inevitável: com tantos filmes experimentais, que mal passam no cinema, como esse cara vive, dá pra ganhar dinheiro com o que faz?

- Se eu fosse outra pessoa, sim. Mas do jeito que eu sou, não. Mas também não estou muito preocupado com isso. Acho que a gente está fazendo uma coisa muito mais importante que trabalho. O trabalho é uma coisa que a gente troca por dinheiro. Para pagar o condomínio ali. Aqui, você está tentando descobrir por uma investigação científica um desespero seu, sabe? Acho que quem ganha dinheiro é quem chega em casa, janta, vê um jornalzinho, vai para cama e dorme. Quem fica rolando na cama até às 6 da manhã sem saber por que não vai ganhar dinheiro. É mais provável que essa pessoa faça um grande filme - diz Nilsão, que em muitas vezes completa o pagamento do aluguel do apartamento em que vive passeando com cachorros ou consertando máquina de lavar:

- É menos chato. Você tem uma relação mais lúdica com a coisa. Não fica querendo pagar o condominio através daquilo.

***

Bom, a idéia aqui foi fazer um retrato do Nilsão (ser humano que, inegavelmente, admiro), muito mais até do que falar sobre os filmes dele. Mas quem não viu as suas obras na Mostra do Filme Livre ou no Festival do Rio do ano passado (lugares em que foi homenageado), ainda tem a chance de assisti-las dia 2 de fevereiro, no projeto “Desvio – Variações Possíveis”, no Sesc-Rio, às 21h.

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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

a discussão sobre a forma de fazer cinema do nilsão é caudalosa... vem em boa hora... quebra com um certo conceito de autoria, de genialidade que marcou as artes e, de modo geral, o fazer cultural que ainda dá as cartas na atualidade. nada vem de mim mesmo, vem tudo de fora, eu apenas canalizo – com outras palavras, foi o que nilsão mandou, e eu, menino que sou, endosso. No final, essa coisa toda dá uma coceira, uma vontade danada de fazer as coisas, de copiar e colar, que não é, de fato, simplesmente copiar e colar. Um texto bem bacana... parabéns, thiago. E que surpresa agradável descobrir assim, despretensiosamente, que você é irmão do Marcelo Camelo, um dos músicos que mais admiro.

abraços

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 1/2/2007 10:04
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toinho.castro
 

excelente texto, thiago... estou fascinado com a postura artística, intensa, do nilsão. quero conhecer esse cara!
estarei, sem dúvidas, amanhã no sesc-rio para ver seu trabalho.
ele tem um discursso interessantíssimo e me identifico com muita coisa. e você soube, no seu texto, criar um envolvimento entre o leitor e o nilson... muito bom.
a questão de trazer para a obra de arte a dificuldade, de assumí-la. o caminho de não tornar as coisas mais simples, de não facilitar... nem para si mesmo.

isso vai dar uma boa discussão!

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 1/2/2007 12:25
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toinho.castro
 

ps: acho que o link do sesc-rio está com problemas. não abriu para mim.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 1/2/2007 12:27
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Thiago Camelo
 

Toinho e Henrique, muito obrigado pelas palavras...
Nilsão é realmente uma pessoa muito bacana, fala coisas incríveis e mal percebe. Que bom que vcs perceberam a validade das questões que ele levanta. Também as acho muito importantes.

Toinho, obrigado pelo toque, já consertei o link lá.

Sobre o evento de amanhã: sei que, infelizmente, ele não vai estar por lá. Ele viajou para Portugal para fazer parte da equipe de um filme sobre o Glauber Rocha, em Sintra (informação, inclusive, que não consegui colocar no texto). Mas, mesmo assim, acho que vai ser bem bacana a projeção. Abaixo, vai em anexo o texto de divulgação (sobre o qual, também, não consegui falar mais a fundo na colaboração):

O Projeto Desvio-Variações Possíveis leva ao Espaço SESC Rio seis apresentações (de 01 a 03 e 08 a 10 de fevereiro – quintas, sextas e sábados) em que artistas convidados mostram suas “alterações de percurso:

02/02 (sexta) - Rodrigo Amarante + Nilson Primitivo

Rodrigo Amarante e Nilson Primitivo se conheceram em 99. Desde então, Amarante vem fazendo às vezes de produtor, ator, dublador e roteirista dos filmes de Primitivo, num projeto que a dupla batizou de Cinema Extremo. Juntos, dirigiram Dupla Face, 16mm que originou o clipe de Sentimental, dos Los Hermanos. Na apresentação no SESC, além de Sentimental, serão mostrados os curtas Mais Velho, Quase Mudo, Idade da Pedra, Duelo das Loiras, Império das Pelúcias, Crack do Futuro e Tesão em Saquarema feitos pela dupla.

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 1/2/2007 17:21
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Thiago Camelo
 

Olá gente! Coloquei umas partes do áudio da entrevista. É bacana porque tem declarações que eu não pus na colaboração. Está meio temerário de se ouvir, mas com boa vontade e com um fone no ouvido (nem tentem caixa de som, estoura tudo) acho que dá pra entender... Abraços!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 1/2/2007 18:49
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Daniel Duende
 

Caaaara! Esse figura é fantástico mesmo!
As posturas que ele apresenta (muito bem transcritas por você, meu caro cara!) são viscerais e sintetizam muita coisa que penso também! O Nilsão é um cara com uma energia muito forte mesmo, e Primitivo é mesmo um nome adequado. A proposta de cinema -- de arte como um todo -- que ele apresenta é justamente isso. É um abrir mão da afetação e da facilidade em busca das coisas mais básicas, primordiais... primitivas mesmo. Só despido das firulas de "civilidade e hábito" que tomam a arte hoje em dia é possível se chegar lá embaixo, no fundo, e trazer alguma coisa de volta. O Nilsão é mesmo o cara!

E acabamos de descobrir que eu já conhecia o cara, né? Quando você falou sobre ele no encontro, não havia me tocado. Mas quando saquei que ele havia feito o documentário sobre o Los Hermanos e vi a foto do sujeito, caiu a ficha imediatamente...
"Cara... esse bicho me filmou bêbado, com gorro de duende, recitando poesia na frente do show do Los Hermanos em Brasília lá pelos idos de... sei lá... 2004!"

E eu ainda estou muito curioso para saber como saiu aquilo, se é que saiu! :D


Grande matéria, meu velho! Coisa boa mesmo!
Mas depois de ver que até com bolas de frescobol vc dá um show, com um Nilsão Primitivo não era para ser menos.

Abração do Verde!!!

Daniel Duende · Brasília, DF 1/2/2007 20:46
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Daniel Duende
 

Ôoo Thiago... vc cortou o "Porra, é lindo" do cara no meio, no finalzinho do primeiro áudio (que está muito legal mesmo!). Não rola de você editar de novo e fazer o corte do fim do clip de som meio segundo depois? Acho que iria ficar mais legal.

Abração do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 1/2/2007 21:59
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Daniel Duende
 

De resto os clips de áudio estão excelentes!
O som nem está tão ruim quanto você disse. Na verdade é importante não entrar na "paranóia nacional" de quer que o som fique "bom demais"... hehehehehe

Grande matéria, cara!
Parabéns!

Abração do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 1/2/2007 22:06
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Thiago Camelo
 

Hehehhe.
Tá lá já Duende, mais meio segundo de áudio pra frase se completar :) E assim que tiver o filme em mãos, confiro se você participou dele. Torço muito que sim, seria a prova de que o mundo realmente é muito pequeno! Abração!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 2/2/2007 15:09
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Daniel Duende
 

Ahhh... agora ficou perfeito! :D
Acabei de testar todos os streamings. Estão funcionando perfeitamente!

Eu também espero que eu apareça no filme. Além de ser uma prova de que o mundo é mesmo muito pequeno, seria também uma lembrança engraçada (e muito significativa para mim) de um dia muito interessante...

Acabei de terminar um novo conto. Estou exultante aqui. Estou terminando a revisão dele e o publico logo que der.

Abração do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 2/2/2007 15:14
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Daniel Duende
 

Primeirão a votar... aeeeeÊ! :D

Daniel Duende · Brasília, DF 2/2/2007 23:21
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Claudiocareca
 

Thiago seus txts são super envolventes e apaixonados. Muito bom mesmo! E esta figura, putz, o cara é muito bom, hein. sera q os curtas giram os sescs do Brasil? MT precisa dessa mostra...

Claudiocareca · Cuiabá, MT 3/2/2007 14:56
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Thiago Camelo
 

Olá Claudio! Valeu pelas palavras! Não sei se esse projeto vai rodar os sescs do país não... mas, bom, se quiser ver alguns filmes do Nilsão, dá pra assistir aqui neste link. Não é a mesma coisa que no cinema ou em uma tela maior, mas dá pra ter uma boa idéia do projeto de cinema dele :) Abração!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 5/2/2007 16:44
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Daniel Duende
 

Opa... dica preciosa, meu amigo! :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 6/2/2007 15:05
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Dewis Caldas
 

Assiti o Ventura, a primeiro momento é estranho, porque esperamos algo mais sobre a banda. Mas logo percebe-se o quanto é carregado da banda. Pois, vendo como se depara cada fã do Los Hermanos, mais se entende a percepção do som, das letras e das melodias. Antropologicamente, diria que o documentário vai no centro da questão da musica. (sei á o que eu disse, rs.)
CHEGAR EM CASA, VOU ASSITI-LO NOVAMENTE

Dewis Caldas · Cuiabá, MT 14/2/2007 16:19
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Daniel Duende
 

Concordo com você, Dewis... :D

Então, se for assistir de novo, me conta se viu um duende recitando poesias por lá. :D


Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 14/2/2007 20:23
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Dewis Caldas
 

éguas!! (expressão lá do meu Maranhão, o mesmo que caramba)

é tu mesmo rapaz? rs...

Viva el duende

Dewis Caldas · Cuiabá, MT 15/2/2007 09:00
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Marcelo Birck
 

Cara, muito foda. Tem que ser profissional do ramo mesmo pra pensar em fazer cinema desse jeito. Parabéns Thiago, pelo texto e escolha do tema.

Marcelo Birck · Porto Alegre, RS 28/5/2007 13:29
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