Instantâneo - bom para consumo imediato

Foto: Cláudia Castelo Branco
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Natacha Maranhão · Teresina, PI
24/7/2006 · 101 · 5
 

Bom é quando o nome diz tudo. Quem vai assistir a um “Instantâneo” no Teatro João Paulo II, aqui em Teresina, vai sabendo que não deve ficar pensando no que pode aparecer no palco. Porque ficar especulando é perder tempo e bom mesmo é ver a coisa acontecendo. É ver os artistas criando, improvisando e fazendo tudo ali, na frente da gente, sem tempo para correções, ensaios.
As idéias já fervilhavam na cabeça do bailarino Marcelo Evelyn, o diretor do teatro, desde que ele chegou da Europa, onde morou por muitos anos. “O Instantâneo é um projeto querido, que eu comecei a pensar porque eu gosto muito da idéia de improvisação, acho importante usar o improviso como forma de trabalhar idéias e de desmistificar essa idéia do espetáculo pronto, do produto pronto”, comenta.
Em Amsterdã, antiga morada de Evelyn, os espetáculos de improvisação são comuns e existem grupos que trabalham só com isso, ele conta que há projetos como o “Instantâneo” em alguns teatros da Europa, mas por aqui é novidade absoluta.
O bacana é que o projeto foi pensado para misturar as diversas tribos de artistas. Não é como uma jam session no teatro, reunindo vários músicos tocando coisas diferentes. “É mesmo improvisação, temos dois encontros nos dois dias anteriores à apresentação só para que as pessoas se conheçam e possam experimentar algumas coisas. O que tem acontecido é um cruzamento entre artistas de linguagens diferentes. Estamos tentando fazer não só com músicos, ou só com atores ou só com bailarinos. O que queremos ver é como cruzar a dança com o teatro e com a música e de que forma nós podemos trabalhar as ferramentas dessas três artes juntas. Eu sinto que elas estão se fundindo”, explica.
A informalidade das apresentações e das linguagens em cima do palco chega à platéia e acaba por aproximar o artista do público. Já se nota uma grande participação de quem assiste – participação de conversar, gritar, elogiar, criticar, tudo ali em voz alta, enquanto os artistas estão no palco. O bairro Dirceu Arcoverde, onde fica o teatro, é na periferia de Teresina e a grande maioria dos moradores de lá não tem o costume de ir ao teatro. A diversão se resume a assistir TV e ir a um ou outro show de forró ou baile de reggae. “O ‘Instantâneo’ tem chamado muito as pessoas para cá. A cada semana notamos que vem mais gente e isso dá um gás novo pra nós. Nas primeiras quatro semanas tivemos públicos de 100, 150, 200 e 278 pessoas, e a maioria é gente daqui da comunidade. Eu vejo isso como uma vitória; e fico feliz porque já ouvi de algumas pessoas que estamos chegando a um nível social, ultrapassando o artístico, porque estamos conseguindo tirar esse público da frente da TV por uma noite que seja e dando a eles a oportunidade de ver outra coisa”, comemora o diretor.
Ás quartas, quando acontece o “Instantâneo”, o teatro não cobra ingressos. É mais uma forma de tentar atrair o grande público. Marcelo Evelyn revela que muitos moradores da região nunca tinham entrado em um teatro, acabam gostando do que vêem e com isso voltam mais vezes. A formação de platéias é um dos objetivos do Teatro João Paulo II, que está funcionando também como centro de criação.

“Todo artista deve querer experimentar”

Evelyn quer que o “Instantâneo” aproxime mais os artistas das diversas áreas. Ele diz que com cada grupo ou pessoa trabalhando isoladamente os resultados vão continuar demorando muito para aparecer. “A verdade é que a gente não tem patrocínio, as leis não são lá muito organizadas, os artistas acabam não sendo só artistas porque não conseguem viver só da arte deles. Acho importante a gente ter essa idéia do ‘fazer’, da ação”.
As experiências de trocas entre os artistas têm sido ricas. O diretor comenta que no caso dos atores é interessante observar a interação durante os espetáculos porque eles não estão muito acostumados a dialogar com outras áreas. “De repente o ator se vê dançando, o músico se vê atuando. Acho importante que o artista, mesmo o ‘iniciado’, que já tem um grupo, uma carreira, tenha um espaço para experimentar, para arriscar em outras coisas, ver novas possibilidades e crescer com isso”.
Os artistas que querem participar do “Instantâneo” entram em contato com o Teatro e agendam a data, já existe uma lista de interessados e a direção da casa tem tentando encaixar todo mundo. Além de atores, músicos e bailarinos, o espaço está aberto para artistas plásticos, poetas, profissionais de iluminação, enfim, quem tiver alguma coisa para mostrar e estiver disposto a dividir o palco e interagir com outras pessoas. “Eu acredito muito nesses cruzamentos, e o nome do projeto quer dizer exatamente isso. ‘Instantâneo’ é o feito na hora, como uma coisa solúvel, que é só misturar ali para dar certo. Como um cafezinho que a gente toma para sair para trabalhar”, arremata.

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Eduardo Neves
 

O Teatro João Paulo II não é apenas escola para artistas iniciantes; tá dando uma aula de como um teatro de verdade deve ser. Abraços a todos.

Eduardo Neves · Teresina, PI 24/7/2006 14:22
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

O trabalho desenvolvido no JP2 tem duas marcas preponderantes: a novidade e a seriedade. E é por isto que eu considero muito importante que se dê todo o apoio possível ao doce Marcelo Evelin e sua equipe. A semente que eles estão plantando precisa criar fortes raízes.O Piauí agradece!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS: Parabéns à jornalista Natacha Maranhão pela sensibilidade com que pauta suas matérias

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 25/7/2006 20:07
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Inês Nin
 

adorei a matéria! fiquei com vontade de acompanhar de perto. o link do teatro não abriu, espero que seja temporário..

Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 26/7/2006 02:35
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layane_holanda
 

Penso as vezes que esse tipo de trabalho demore pra reverberar em nossa cidade... mas provocar rupturas, promover diálogos, cruzar idéias e linguagens, ou mesmo propor algo "novo"... leva um certo "tempo" pra ser digerido. Tem sido muito muito muito bom!

layane_holanda · Teresina, PI 27/7/2006 16:54
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Natacha Maranhão
 

Layane Holanda, pra quem nao conhece, é uma das grandes atrizes da nova geraçao aqui no Piauí...criativa e muuuuuito talentosa!
Bom ver vc aqui, Layane!

Natacha Maranhão · Teresina, PI 28/7/2006 13:30
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