FILOMENA, a musa de um ciberpoeta
Anibal Beça ©
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Neste final do milênio, em que o mundo todo começa a fazer um balanço do século que
se finda, entre os avanços mais extraordinários no campo das comunicações, sem dúvida, desponta o computador. Ferramenta que mudou a feição de nosso planeta como um todo. Principalmente no campo gráfico e na imprensa. Seja revista, jornal, rádio ou televisão. Além de outras ramificações não menos importantes.
O objeto desta crônica quer se ater somente a um braço, digamos, auxiliar dessa
invenção: a Internet. A rede sistêmica que, na prática, se tornou a principal musa do que se convencionou chamar de globalidade. O que o bruxo da década de sessenta, Marshal
McLuhan preconizava, está aí, em tempo real, ligando tudo a todos. Do Saara ao Lago do Purupuru, onde dizem o diabo não esqueceu as botas, mas se perdeu nos braços de uma cunhã-poranga.
E nessa parafernália cibernética quem não entrar, dança; no sentido da gíria, para pior. Uma verdadeira revolução de costumes e de comportamento. Acompanhamos agora, milhões de usuários, a extensão e a variedade de serviços que são oferecidos. E, como toda novidade, vira modismo. Daí, o que antes era privilégio do cinema e da televisão, hoje mudou seu glamour para outra tela. A dos PCs, em sua maioria, e dos mac'intoshs da vida.
Escrevo de causa própria. Talvez tenha sido um dos mais renitentes em aceitar a
mudança. Acostumado à velha máquina de escrever, já tinha me modernizado aceitando o teclado de uma eletrônica. Dominar a bichinha, para mim, era um avanço desmedido. Via no computador, um paraíso inalcançável, um inferno astral queimando meus neurônios, um desafio além da minha parca habilidade manual.
Chegava a me aterrorizar diante de tantos botões e ícones. Dizia comigo mesmo:
"papagaio velho, não aprende a falar". E eu que nunca fui misoneísta, tombado e empacado teimosamente, à mercê da gozação da garotada, gente até de 8 anos de idade, verdadeiros craques. (Confesso aqui, que sentia inveja. Uma inveja cristã, mas inveja). Ficava impressionado, olhos atentos, em ver o desempenho e a rapidez desses capirotos.
Devo a meus filhos, pela insistência e os primeiros passos, a minha entrada na
modernidade. É isso mesmo. Já me sentia um troglodita, um Brucutu em sua caverna, um anacrônico em vias de gozar do ócio com dignidade. Um Matusalém. E tudo isso do alto da minha juventude de 56 anos de idade.
Pois bem, com a minha auto-estima tão em baixa, resolvi reagir e enfrentar a fera, hoje docemente batizada pelo poeta Thiago de Mello, que não esconde a sua inveja, de Filomena. Minha Filomena! Um caso de amor à primeira vista. E Filomena não tem do que se queixar. Dedico-me a ela, às vezes, 14 horas de namoro. Por outro lado, nem eu. De mim, Filomena só ganhará os mimos. Dispensados só àquelas, que têm vocação para inspirar os poetas: as musas.
Ao contrário da música de Chico Buarque, Filomena todo dia não faz sempre igual.
Inventa e se reinventa a todo minuto. Cada página aberta uma descoberta, um novo
alumbramento. Aí é que a Filomena é imbatível. Na diferença. Ao ponto de criar um novo idioma: site, homepage, mouse, chat, on line e o escambau. Apesar dos puristas se
arrepiarem com o verbo ‘clicar’, o brasileiro, aos poucos, com sua inventividade, vai saindo do idioma do colonizador para se afirmar em outro idioleto. É vero, Juliana!
Quanto a mim, já me rebatizei, ou me auto-batizei, sob o insigne rótulo de ciberpoeta, que é o poeta navegante da Internet. Converso todos os dias com outros poetas, daqui e d'além mar. Meus poemas estão albergados na Espanha, México, Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Angola, Índia, França e Portugal. Recebi já, inúmeros convites para participar de encontros e festivais. Agora, com pavulagem, posso dizer que sou um ‘cidadão do mundo’.
O amigo leitor que me desculpe. Filomena me chama ao ICQ para atender à poeta Ana Luísa Amaral, lá do Porto, me dando notícias de um festival de poesia que vai acontecer em Coimbra. E eu não vou? Vou, mas antes deixo aqui o endereço do maior site de poesia em língua portuguesa do mundo! O Jornal de Poesia do meu irmão poeta Soares Feitosa. Clique aí, que eu clico cá:
http://www.secrel.com.br/jpoesia/poesia.html
e boa navegação. Antes, com o consentimento da Filomena, repasso um recado da Lucélia Guimarães de Sampa, legítima representante sukita: Ô Tiooô, que você tá fazendo aí que naum se liga?
caro anibal, que belezaa de crônica. Também eu, que escre4vo poesia desde os anos 70, liguei-me na internet, e começo a descobrir sites diversos, páginas de pesquisas e de audtores, na verdade esta hibernado há já uns 10 anos sem escrever... depois do computador( o meu não tem nome próprio) e de sites como overmundo, voltei a paroduzir textos novos e a ganhar novos leitores, além de descobrir ótimos textos, ótimos escritores etanto na poesia quanto na ficção no overmundo e em outros sites.. Viva a poesia e viva o compuytador e a internet, e continuemos a vagar neste mmundo cibernético, não esquecendo porém de nosso mnundo real.
danlima · Brasília, DF 6/5/2008 13:47
Meu caro Danilo, obrigado pela leitura e pelo comentário simpático. E continuemos nossa jornada, né não?
Abraço amazônico
votadíssimo, eita fôlego de escritor...abração meu caro.
Cristiano Melo · Brasília, DF 8/5/2008 18:54
Cristiano, muito obrigado pela leitura, visita e pelas palavras simpáticas.
Abraço amazônico
Aníbal, sua divertida história com Filomena é, eu creio, semelhante a de muitos nós. Também passei por isso e tive que enfrentar a fera por causa do trabalho. Graças a Deus.
Porém, ainda me assusto com a imensidão do que nunca teremos condições de abarcar em sites e blogs e jornais, livros virtuais, etc., etc., milhões de etc.
Mas, sem dúvida, como disse o mestre Danlima, voltar a escrever foi um dos presentes que ganhei da internet.
Ótima, excelente crônica.
beijos
SARAMAR, OBRIGADO PELA VISITA E PELA LEITURA ELOGIOSA.Olha só, estou gritando na linguagem ciber, desculpe-me, são os dedos e a memória (rrsrsrsr). Depois gostaria um favorzinho seu e de outros colegas que se despuserem. Saber de dicas por aqui. Ainda sou um neófito nessa parafernália internáutica. OK? Desde já agradeço.
Ternura e carinho
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